O meu ponto de vista

Dezembro 01 2014

A riqueza que constitui o património de uma escola pode e deve evitar o triste destino de recurso fácil para salvar situações de aperto momentâneo. Ou, dito por outras palavras, a necessidade de afirmação, tão necessária aos alunos e respectivas famílias, bem como à restante comunidade escolar, principalmente no que respeita ao tecido empresarial, não pode passar pela constante alienação da sua herança. Bem pelo contrário.

O trabalho profícuo, o empenho cada vez mais dedicado, a entrega total tem que ser o pão-nosso de cada dia. Os bons resultados não são fruto de sorte, tanto mais que esta, como se sabe, dá muito trabalho a alcançar.

Neste fim-de-semana foram, como todos anos é habitual nesta altura, divulgados os resultados dos exames nacionais efectuados em 2014. E, como seria de esperar, eis a análise, ainda que com relevância local, a qual não quero deixar de dar a conhecer aos meus caros leitores. Vale aquilo que vale, mas que eu saiba é a única publicada nestes termos. Mais: ninguém é obrigado a ler.

Dizer que, no 4º, 6º, 9º e secundário, as escolas posicionadas nos primeiros lugares – e não são tão poucas assim – são privadas é “chover no molhado”. Bem mais importante é saber e tentar assimilar o porquê, algo que poucos estarão interessados. Aliás, demagogicamente, muitos outros há que, como se costuma dizer, têm raiva a quem, seriamente, pergunte.

Vamos, porém, aos dados que mais nos dizem respeito, começando pelos mais pequenos. Aqui não posso deixar de sentir alguma preocupação pela Escola de Barcouço, local onde me habituei a ver desempenho de qualidade com os consequentes bons resultados. Tal como uma andorinha não faz a Primavera, um ano pode não explicar tudo

 

1ceb.jpg

 

No concernente ao 6º ano, nota-se uma inversão acentuada entre as Escolas de Pampilhosa e de Mealhada, com a agravante desta última ter realizado para cima do dobro das provas. Não sei, concretamente, qual o motivo de uma descida tão acentuada por parte da primeira, mas que deve levar os responsáveis a reflectirem seriamente não tenho a menor dúvida.

 2ceb.png

 

Olhando, agora, para o quadro do 9º ano, está ausente a admiração. A Escola da Pampilhosa, mais uma vez, destaca-se de um modo preponderante, havendo, sem dúvida, lugar à inflexão de procedimentos por parte das outras, tanto mais que o argumento económico-social dos alunos não colhe.

 

3ceb.jpg

 

Já no respeitante ao 12º ano, como é óbvio, a comparação é feita com as escolas secundárias vizinhas que, por princípio, apresentam maior afinidade com Mealhada.

   

Posição em 2013

Posição em 2014

Escola

Média

163

106

Mealhada

11,3

112

196

Anadia

10,54

194

250

Cantanhede

10,33

310

323

Oliveira do Bairro

9,91

   

E, aqui, em comparação com 2013, nota-se uma subida extraordinária, a qual não pode passar em claro. Bem sei que são necessários vários anos para tirar ilações consistentes. Todavia, tendo em conta a subida que se tem registado, sobretudo nos três últimos anos, o caminho trilhado parece-me, à priori e sem prejuízo de uma análise mais profunda, o correcto e digno de aplauso.

Por último, não achando despicienda a situação económica e social e o meio geográfico dos alunos, começa, porém, a cair por terra alguns mitos,entre os quais o de que apenas as escolas cujos discentes têm progenitores com boa posição financeira e que se situam nos grandes centros urbanos conseguem obter bons resultados. A corroborar estas palavras vejam-se os exemplos das secundárias de Arganil, de Macedo de Cavaleiros, de Mangualde, ou mesmo de Sátão, respectivamente nas posições 42, 61, 62 e 72.

publicado por Hernani de J. Pereira às 17:45

Sinceramente acho que a questão das avaliações pode passar por todo um conjunto de fatores, mas onde os principais serão a condição sócio-económica dos progenitores (salvo raras exceções, continuam a ser as escolas com maior intervenção do SASE a ser as mais baixas nos rankings) e a capacidade de atuação perante os alunos (escolas maiores não têm um serviço tão próximo dos alunos). Estes dois problemas (aliados a constantes renovações dos programas escolares) conduzem a situações muito gravosas, em especial nos grandes centros urbanos. Nesses espaços, as escolas estão cada vez maiores (não se falando sequer dos mega-agrupamentos) e os pais têm cada vez menos dinheiro. O ensino continuará a regredir nessas áreas, continuando a haver progressos nas escolas das áreas rurais, em que os pais não são tão afetados pela crise. Isso terá tendência para se agravar.
José a 2 de Dezembro de 2014 às 21:50

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