Mário Centeno prometeu o que não tinha condições para cumprir. Ponto final parágrafo. E o governo, pela voz de António Costa, mentiu, quando afirmou que nada tinha sido acordado com António Domingues que contrariasse a Lei. Pois, hoje sabe-se que o ex-presidente da CGD acordou mesmo com Mário Centeno que estaria dispensado de apresentar a sua declaração de rendimentos junto do Tribunal Constitucional, segundo correspondência trocada entre os dois e hoje divulgada.
Isto de governar a qualquer preço, desdizer hoje o que se disse ontem, gerir a coisa pública com sorrisos para a direita e para a esquerda, não ter palavra e em que, salvo raras e honrosas excepções, a única política é a fuga para a frente ou varrendo o lixo para debaixo do tapete é o que dá.
Ainda ontem, na apresentação de um relatório da OCDE, estiveram bacocamente presentes seis ministros, o que levou o secretário-geral daquela organização a dizer publicamente uma graçola que os deixou com um sorriso amarelo: “pelo que vejo, hoje, não se trabalha neste país!”.
Actualmente, os países diferenciadores são aqueles que possuem uma estratégia de gestão, essencialmente no que concerne à credibilidade, bem definida, onde as suas políticas e práticas se baseiam no argumento de que o desempenho do país depende fortemente da contribuição dos cidadãos, bem como da forma como se organizam, se estimulam e se capacitam.
Ora, o exemplo acima descrito ilustra bem tudo aquilo que não deve ser seguido. Que expectativas e motivações, de modo a que as pessoas se sintam plenamente integradas e comprometidas, se podem incutir com tais práticas?