As dores do corpo, tal como as provocadas pelo excesso de trabalho físico, cansam-nos, provocam-nos sofrimentos e não nego, bem pelo contrário, que muitas vezes nos leva à exaustão. Sem atribuir qualquer displicência a estas, digo que, contudo, o que nos mata mesmo são as dores do coração.
Não me refiro, pois já não tenho idade para essas coisas, às dores provocadas pela paixão, por amores mais ou menos não correspondidos, arrebatamentos assolapados, ímpetos que o sangue momentaneamente mais acelera.
Aludo, sim, às dores de alma, aquelas provocadas por alguém a quem tudo demos e que de um momento para o outro se revelam com características que jamais esperávamos e suspeitávamos que houvesse no seu interior.