O meu ponto de vista

Janeiro 03 2019

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Estou convencido que poucos países haverá onde se façam tantas reuniões como no nosso. Todos os dias há meetings, debates, palestras, etc., etc., onde se discute tudo e mais alguma coisa.

Muitos destes acontecimentos contam com a presença de altas individualidades, pelo menos na abertura e/ou encerramento. No resto do tempo nota-se a ausência de políticos de primeira linha, regista-se a presença e vários directores gerais e, como não podia deixar de ser, com a notória comparência de imensos técnicos – leia-se cientistas, investigadores, professores universitários e uma catrefada de curiosos -, aos quais lhe é incumbido de fazer os respectivos relatórios finais. Belos livros e CD’s que irão preencher prateleiras e prateleiras de fino recorte artístico deste e daquele ministério, instituição universitária e semelhantes quejandas, isto sem esquecer os artigos na imprensa geral e especializada.

De vez em quando lá surge uma qualquer “cabeça coroada” a dizer de sua justiça e (re)lembrar tais feitos e sobretudo tão ilustres conclusões, as quais servem essencialmente para moldurar belos e incisivos discursos que todos aplaudem por dever do ofício, mas que sabem, de antemão, não ser para cumprir.

Sim, porque tudo isto não é para se fazer. É para se ir fazendo. Se somos irresponsáveis? Não, nada disso. Somos assim. Um país de brandos costumes, que num dia se zanga e quase mata, para no dia seguinte dormir com o “inimigo”. Aliás, não é por acaso que os estrangeiros nos odoram. Refilamos, refilamos com este e aquele, para acabar a fazer amor com todo o mundo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:28

Novembro 22 2018

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Costumo dizer, comummente, que a vida é dura e difícil, mas a vitória é certa. Aliás, se fosse fácil não tinha graça, como diz e muito bem o nosso adágio popular. Na verdade, não, não é fácil, mas as estratégias vão-se aprendendo. Imensas vezes recorro aos ombros dos amigos – e já agora das amigas também -, para me fazerem sentir menos mal e, sobretudo, para interiorizar que todos temos dias penosos, semanas tramadas e fases com vontade de fugir.

Todavia, cá se vai sobrevivendo. Percebo, sobretudo depois de ser avô, que existem períodos mais complexos e, por isso, tento reduzir ao mínimo as imprevisibilidades. Sinto-me culpado a maior parte dos dias pela falta de tempo e, nos piores dias, sei que a paciência acaba e os gritos vêm com facilidade, mas, lá está, se fosse fácil não tinha graça.

Bem sei que parte da culpa me pertence por inteiro. Penso que até a maioria. Como me dizem – cheios de razão, diga-se de passagem – se não tenho procuro constantemente lenha para me queimar. Apenas um exemplo: tinha alguma necessidade de, com esta idade, andar a comprar terrenos, não tão pequenos quanto isso, para plantar vinha?

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:45

Maio 29 2018

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A eutanásia morreu. Pelo menos por agora. Para mim, “paz à sua alma” para sempre. Na mesa de operações – leia-se hemiciclo da AR -, foi aberto o seu corpo, esventrado até. De todas as formas e feitios foi visto e revisto, tendo-se chegado à conclusão que não necessitava de operação e por isso foi fechada a respectiva carcaça. Todas as investigações técnicas foram realizadas e tendo-se chegado ao diagnóstico esperado, fechou-se o ciclo. Amanhã é outro dia.

Já ontem o escrevi e volto a repetir: eis o meu testamento vital: EUTANÁSIA NUNCA. Deus deu-me a vida e apenas Ele saberá quando, como e onde me a tirará.

Sim, bem sei que existem caminhos, a nível da saúde, que são muito caros. Refiro-me, como é óbvio, aos cuidados paliativos. Todavia, não é por serem caros que não se devem implementar para assim serem percorridos por todos aqueles que sofrem desta ou daquela doença incurável. Apesar de ninguém, por puro sofisma, argumentar com o factor financeiro, também não desconheço que a eutanásia seria mais económico para o Estado. Porém, é para esse lado que durmo melhor!

Por outro lado, ajudar o outro no seu sofrimento, tanto no plano farmacológico, como social e sobretudo espiritual, deve ser o brasão de qualquer pessoa bem formada. Com as mãos se salva uma vida. Com uma palavra e um sorriso se saúda o coração.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:28

Abril 27 2018

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É verdade. Não tenho tido muita disponibilidade para escrever neste espaço. As ocupações profissionais, bem como fazer frente a outras lides que tanto me são queridas, têm reduzido, de uma forma exponencial, o já pouco tempo livre que dispunha. Como um dia disse alguém “é a vida”.

Vêm feriados, sucedem-se fins-de-semana, e por isto ou por aquilo, o tempo não estica e também não deixa de ser menos verdade que não caminho para novo.

Resta-me a consolação do dever cumprido. E, já agora, que o FC do Porto seja campeão.

Bem sei que irão dizer que para escrever isto mais valia estar quietinho. Pensam bem. Porém, recordem-se que “quem diz a verdade não merece castigo”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:09

Setembro 16 2017

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Já dizia Camões "todo o mundo é composto de mudança". Pois, mais uma vez, assim é. Novo caminho - faço votos para que seja o último - e, consequentemente, nova etapa. 

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:33

Setembro 01 2017

O que foi excelente ontem terminou. O tempo não pára.

Por isso, este foi o primeiro dia do resto dos meus (escassos) últimos anos de serviço docente. Pelo menos assim espero.

Resta-me desejar que este novo ano lectivo seja tão bom ou melhor que os dois últimos. Todavia, pelos atropelos à lei cometidos pelo ME, neste arranque, não auguro nada de bom. Bem pelo contrário.

Como optimista, porém, a esperança é a última a morrer.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:25

Maio 09 2017

Isto de acharem que uma pessoa possui capacidades quase ilimitadas, de abraçar mais e mais tarefas, aliado ao facto, de algumas vezes, não saber responder não, é o que dá. Nem tempo para coçar os … e muito menos para escrever algo que dê gosto de publicar.

E, segundo contam os “mentideiros”, a coisa parece não ficar por aqui. Novas atribuições, novos poisos, novas deslocações aparecem no horizonte. Cuidado, pois tenho dito que o meu limite não é céu. É bastante mais abaixo. E eu que gosto cada vez mais de ficar no meu canto. Bem, ser sessentão não é um acaso, é um facto.

A esperança tem, de certo modo, estado sufocada por algo velho (agora não me refiro à idade!), mas, teimosa como é, usurpa e estrebucha para manter o seu lugar. Enquanto não inspirei a confiança que gera esperança assumi, em plenitude, que não valia a pena pensar que retinha talento. Quanto muito apenas fechei fronteiras. Contudo, novas atitudes também acarretam custos. O principal é a dupla marginalização: por um lado ser considerado um outsider e, por outro, ser acusado de “abandonar o barco” em dificuldades.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:19

Maio 20 2016

Há dias em que a auto-estima cai. Nesses momentos temos de nos agarrar uns aos outros e pensar que estamos juntos. Pensar que o meu objectivo já está traçado e há que o cumprir e, se possível, da forma mais feliz. Por outro lado, há sempre alguém que nos inspira e é graças a e esse(s) que tenho o dever de também haurir os outros. Ninguém deve correr sozinho.

Costuma-se dizer e é uma verdade insofismável: o futuro é uma grande incógnita e a Deus pertence. Tudo pode acontecer. E é nesse eventual inesperado que reside a magia da vida. Há dias em que penso: porque é que estou a fazer isto? Se está a ser um sofrimento, porque continuo? Mas, depois, reflicto e digo: vá lá, só mais uma tentativa. É um dia de cada vez. Um pé à frente do outro, mais uma corrida, mais uma etapa vencida.

Procuro que não haja dramas. Aliás, este é um tempo em que não existe espaço para tal. Não vale a pena ter ilusões. É preciso apostar na prevenção e esta passa por saltar por cima – perdoem-me o pleonasmo – do sentido de “todo o terreno” que a vida me «obriga» a ser.

Esqueçam as recomendações que têm para me dar. Há muito que as sei de cor e sou imune às respectivas consequências. Por outro lado, descansem na vossa busca, uma vez acreditar na não existência de terapia para tal.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:34

Maio 06 2016

Não sou homem de consensos. Faço algum esforço para isso, mas só muito raramente consigo. Aliás, confesso que acho isso confrangedor e pouco estimulante. Uma maçada mesmo! Assim, há quem goste muito de mim e quem me deteste. Todavia, não por sorte, os primeiros são mais que os segundos.

Se vos disser que adoro ser provocador, no bom sentido, como é óbvio, não vos estou a mentir. E tenho extremos. Ai se os tenho! Todavia, com o avanço inexorável da idade, estes começam a encurtar-se. Pois, dir-me-ão vocês, é a lei da vida. Porém, também sei que envelhecer é estar mais atento aos sinais da vida, aos pormenores. No fundo, a saborear mais e com outra dimensão.

Envelhecer não me assusta. Desde que tenha projectos o sentido para continuar a viver surgirá naturalmente. Agora, amedronta-me pensar numa espécie de velhice, i.e., aquela do género sentado no sofá, a ver televisão, com uma mantinha em cima das pernas.

Graças a Deus ainda tenho muita energia. Porém, quando surgem sintomas que inibem essa energia fico algo contrariado e, sinceramente, lido muito mal com tudo aquilo que me contraria. Para obviar esse estado, muito contribui a minha agricultura, as leituras que faço e, sobretudo, o estar atento aos outros. Sou curioso e, nessa ordem de ideias, procuro entender sempre onde estou e o que ando a fazer. Nem sempre chego às melhores conclusões, mas como dizia alguém “é a vida!”

Não sou rico, mas possuo outras riquezas inestimáveis. Aquilo que já vivi, o que vi, o que li e ouvi são bens perduráveis e que fazem o que sou hoje.

Acusam-me, por vezes, de alguma instabilidade. Primeiro, que venha um santo e, então, que atire a pedra; segundo, a busca pelo equilíbrio é incessante e quer queiramos quer não existirá sempre alguma impermanência. Faz parte do nosso ADN. Uma coisa é certa, a idade deu-me o poder de relativizar as coisas. Conseguir distinguir o que é importante ou não, será sempre a chave para o tal equilíbrio, para a paz …Atenção, porém, que não sou homem de paz, isto no termo vulgar em que que a expressão é usada. Procuro ser um homem em paz comigo, mas sempre muito inquieto.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:16

Novembro 23 2015

Os tempos que correm não são fáceis, não pelos próprios dias mas porque nós nos encarregamos de os tornar difíceis. E quando não somos nós, alguém se incumbe de efectuar esse trabalho.

Longe vão os tempos em que bastava saber ser e estar. Não, hoje é preciso ter um perfil bem estruturado, completo e, fundamentalmente, que contenha as keywords certas. Possuir um cargo e as competências para um desempenho eficaz já não é, infelizmente, meio caminho andado para se destacar entre a concorrência e entrar no ranking.

Existem várias estratégias que, segundo as tendências actuais, nenhuma pessoa deve negligenciar se o seu objectivo for ampliar as suas oportunidades. Em primeiro, ser um elemento activo, para o qual deve “malhar” várias horas por dia no ginásio, de modo a conseguir ser um autêntico Apolo ou uma verdadeira Vénus, isto para além de não comer mas, quanto muito, apenas lamber.

Em segundo, seguir as recomendações dos seus pares, i.e., de certo modo seguir o rebanho, adicionar competências e endorsements. Possuir ideias próprias e, principalmente, lutar por elas é desastre pela certa.

Por último, a integração em grupos relevantes que assegurem a presença na(s) primeira(s) fila(s) é fundamental, uma vez que é neste âmbito que é feita a maioria das recomendações. E, como diz um amigo meu, “a pessoa com vinte recomendações será, certamente, chamada primeiro que outra com apenas duas”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:43

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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