O meu ponto de vista

Maio 23 2017

Os sindicatos, uns por falta de mobilização, outros por estarem amarrados ao poder vigente, andam com a sua credibilidade pelas ruas da amargura. É uma verdade indesmentível e ponto final. Se de vez em quando estrebucham, mandam uns bitaites para o ar, puxam pelas cordas vocais de modo que os soundbites se amplifiquem e tenho eco na comunicação social, é mais para demonstrar que estão vivos do que para satisfazer as reivindicações dos seus associados.

Vejamos o caso dos sindicatos dos professores versus sindicatos dos médicos. Estes fizeram greve, tendo por base apenas três exigências fundamentais. Foi escutado devidamente o seu protesto e o respectivo ministro apressou-se ma reunir com aqueles, algo que há muito não fazia.

No caso concreto dos docentes, os sindicatos, em vez de se unirem em defesa de dois ou três pontos fundamentais e, mais que isso, absolutamente consensuais - Descongelamento/Progressão e Aposentação aos 40 anos de descontos -, não, elaboram uma lista com uma dúzia ou mais de quesitos, que enchem várias páginas. Consequência: o Ministério da Educação, juntamente com o das Finanças, esfrega as mãos de contentes, cede uma migalhas, i.e., vai ao encontro dos pontos menos importantes, e … pronto. De imediato, aqueles aparecem na praça pública, a cantar de galo, proclamando aos quatros ventos que conseguiram isto e aquilo, desmobilizando as hostes como convém.

A estratégia há muito que está estudada e portanto “… quartel general em Abrantes”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:50

Abril 27 2017

Recordam-se de um ministro – da Agricultura, é o caso - de um governo socialista que participou numa manifestação contra a política seguida pelo seu ministério? Pois é! António Costa, hoje em dia, está na mesma, i.e., defende publicamente a reposição da justiça nas reformas e escalões de IRS. Igualmente reputa de fundamental o descongelamento dos salários. Todavia, nada faz num sentido nem noutro.

Só falta agir como o dito governante, de seu nome Jaime Silva, ou seja, participar numa ou noutra manifestação reivindicativa, já que greve não pode exercer. Os sindicatos, esses, pelo seu lado e por aquilo que se vê, encontram-se perfeitamente satisfeitos com a situação económica e social dos trabalhadores.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:27

Março 07 2017

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A luta continua. O congelamento para a rua. Meteorologicamente falando é uma verdade. Este ano muito frio tem estado. Todavia, politicamente, ou melhor, salarialmente a função pública tem sentido, desde o último governo de Sócrates, os rigores da congelação e, segundo notícias vindas ontem e hoje a público, continuará enregelada.

Argumento agora utilizado mas que era vilipendiado ainda há poucos anos: não há dinheiro. Todavia, pelo que se nota há milhões e milhões para algo a cheirar a mofo. Qualificas, CNOs travestidos e quejandos. Sócrates ainda é o maior e a Lurdinhas não lhe fica atrás.

Certo, certo é que não é admiração, para mim, esta tomada de posição por parte do actual governo, uma vez que só assim se conseguem os tais “milagres” – não tenhais medo da palavra já que é real – da redução do défice. Por isso, apesar de indignado, não lhe vou dar importância em demasia.

Outro papel, outro modo de actuar, quero ver nos sindicatos. Não havia manifestação – e elas foram tantas e tantas – em que não apareciam cartazes, faixas e tarjas reivindicando o fim do congelamento de carreiras na administração pública. Será que vão mastigar, engolir e nada dizer sobre mais este elefante?

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:07

Fevereiro 22 2016

De acordo com o que li o outro dia, parece que a primeira greve, de que há conhecimento na história, terá ocorrido por volta de 1170 aC, no antigo Egipto, quando, por falta de pagamento, os operários que construíam uma pirâmide que ia servir de túmulo a Ramsés III se recusaram trabalhar.

Entretanto, passaram mais de três mil anos e, como é óbvio, muita água passou debaixo das pontes. Assim, não admira que as relações sociais muito se tenham alterado. Nos nossos dias, quando se pensa que já pouco nos irá surpreender, eis-nos no mundo da politiquice e abrimos a boca de espanto com algumas declarações dos responsáveis sindicais, as quais se podem resumir em quanto pior melhor.

Quando os vemos na televisão parecem-nos boas pessoas. No que concerne às intenções é que o caso muda de figura. O facto de na maior parte das vezes provocarem ao Estado ou às empresas avultados prejuízos, na ordem das dezenas de milhões de euros, não os preocupa e raramente lhes retira o sorriso seráfico que ostentam.

Então as greves no sector dos transportes, hoje um tanto esquecidas, mercê do actual governo ter cedido em praticamente toda a linha, são de uma hipocrisia extraordinária. Sabem muito bem que aquilo que fazem se deve ao caso das empresas serem públicas, já que se fossem privadas há muito que não reivindicavam nada pois estas tinham entrado em falência.

Não coloco, de modo algum o direito à greve. Só que este deve ser usado em ultíssimo recurso e não como arma de arremesso político.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:10

Maio 25 2015

Que me perdoem os meus caríssimos leitores, mas a indignação leva-me a voltar à carga. No outro dia escrevi sobre a data da realização das provas finais do 1º e 2º CEB e a perturbação que as mesmas geram em face da sua realização a cerca de um mês do final das aulas.

Agora, porém, volta à liça por causa da correcção das mesmas. Os professores correctores, para além de realizarem o serviço normal, que semanalmente lhes está destinado, mais concretamente, terem a imposição máxima de cumprirem o programa, são obrigados a corrigir em média 45 provas – um à parte: não compreendo o critério de uns terem mais outros menos.

Ora, se até aqui havia algo de anormal, o caso agrava-se com estes a terem dispensa da componente não lectiva, bem como dois dias com componente lectiva, tudo isto para que melhor possam executar aquela tarefa. Como é evidente não discuto esta medida, uma vez que a mesma só peca por ser de reduzida dimensão.

O que questiono, sim, é o facto de haver muitos alunos que durante dois dias não usufruirão de aulas com todas as sequelas dai advenientes: risco de não cumprimento dos programas, revisões que deixam de ser feitas, testes de final de período inseridos, de certo modo, “à martelada”, pois o calendário não é elástico, excesso de trabalho com o consequente stress e o que tudo isso acarreta, etc., etc.

Ora, tal poderia e deveria ser evitado, bastando para isso que a época destas provas ocorresse após o términus das aulas, ou seja, repito, aquando da realização dos exames do nono e décimo segundo ano.

É pedir demais? Será que o MEC - que me perdoem os portadores de tal doença – é autista?

E o papel dos sindicatos? Em vez de gritarem contra a realização de exames, os quais, como todos bem sabem, vieram para ficar, tanto mais que a maioria os aprova, não seria muito mais eficaz lutar contra a data em que os mesmos são realizados? Ou será que apenas estão interessados em lutas de “terra queimada”? Mas qual a admiração? Não é verdade que os principais interessados falam, refilam e vituperam … mas na sala de professores.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:27

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