O meu ponto de vista

Janeiro 08 2013

O rio passa ali ao lado, respirando-se serenidade e ar puro. Apreciam-se a fauna e a flora locais. Com efeito, somos surpreendidos pela diversidade de animais selvagens que por ali debandam, indolentes e indiferentes à nossa estadia. Cegonhas, águias, javalis e lontras ocupam o terreno, reforçando, deste modo, o espírito de uma espécie de santuário ecológico.

Uma comunhão tão grande que, por vezes, a própria cor que veste as colinas que ladeiam a passagem que aos nossos olhos se abre, a modos que resultou de uma meticulosa análise cromática da terra que nos acolhe; uma comunhão tão imensa que tudo nos parece implantado manualmente, fio a fio, metro a metro, durante dias, semanas, meses ou, talvez, até muitos anos.

Quando aqui vim pela primeira vez, senti que isto estava parado no espaço e no tempo. Comecei a olhar para o rio, para as suas margens, a apreciar os animais, a deleitar-me com o lugar e depois …

Depois a tua presença fez o resto: o que faltava. Uma fluidez que teve como base a sintonia com o local, simultaneamente fantástico para uma almoçarada como para dormir uma sesta, ou ainda, para passar uma noite fria diante da acolhedora lareira. Bem sei que as visitas são irregulares, as cores – chamamos-lhe assim - não são constantes, tal como as texturas nem sempre são o que desejamos. Contudo, temos a nosso favor, a inexistência de muros e o sentido de pertença leva-nos, na maior parte das vezes, a um sentido autossustentável, enfim a um achado especial, um reencontro com a natureza, um regresso a sublimes momentos e que sublinham e realçam a beleza do lugar. Por dentro e por fora.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:09
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Novembro 21 2012

Era assim que se encontrava a rua, numa destas noites de Outono: a fervilhar. Apinhada de gente, de animação, de vida e de luz. A vida nocturna passa, agora, por ali … passa e fica, durando até bem tarde. Por ali deambula um mundo de gente. A rua enche-se de vozes, de risos, das cores da noite, de perfumes, fragâncias (des)conhecidas, e de bebidas. Foram estes os pressupostos para que também nós por lá passeássemos.

A isto acrescentou o desafio inerente a um programa diferente, ou seja, os requisitos para sairmos do habitué e a formatação de novos espaços. Não é que não sejamos nós a fazermos o lugar, bem pelo contrário, mas, como se costuma dizer a propósito do dinheiro não trazer felicidade, que novos ambientes podem ajudar e muito, lá isso é verdade.

Aglutinando distintas vivências, aquela noite, apesar da sua diversificação, foi curta para tanta partilha de sensações. O ambiente nocturno lentamente se alterou, mil cores se apropriaram do espaço, transbordando emoções de êxtase.

Os diferentes estratos sociais, se é que alguma vez se fizeram notar, transmutaram-se naquele espaço de tempo, onde o azul frio da noite deu lugar a cores quentes e (des)frutadas.

Aconteceu vida naquela noite, profunda e intensa, onde se misturaram vozes, risos, gentes, luzes, sombras e … sentimentos. Sim, sentimentos de diferentes sabores e cores!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:31

Maio 14 2012

Passados uns dias telefonou-me. A noite já tinha praticamente caído e o manto escuro, num céu coberto de pesadas nuvens, mais negra tornava o final daquele dia. Tinha iniciado, há pouco, a visualização do telejornal, hábito há muito enraizado. Entre as notícias repetidas de crise e mais crise e a dormência provocada pelo calor emanado do alegre crepitar da lenha na lareira, o toque do telemóvel despertou-me para uma realidade inesperada.

- “Olá, boa noite! Tudo bem contigo?

Não tendo, de imediato, reconhecido de quem se tratava, apenas balbucionei a resposta do costume:

- Está! E contigo? Quando finalizava tão diminuta e inconsequente resposta, dá-se o clique e reconheci quem me ligava, ao mesmo  tempo que me mortificava pela falta de energia colocada na minha voz.

Ela, porém, sem dar importância à falta de entusiasmo – ainda estou para saber se sentiu tal ou fez de conta que não – continuou o diálogo.

 - “Confesso que, durante estes dias, esperei por um telefonema teu. Como não surgiu, pensei naquele provérbio grego que diz «se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé», e, por isso, eis a ligar-te, mesmo que isso vá contra aquilo o que sempre pensei”.

E, antes que pudesse dizer o que quer que fosse, acrescentou:

- “Bem, não faço nem mais nem menos do que tens apregoado, porque eu, mesmo à distância, bem te tenho lido, ou seja, de que é preciso mudar. Aliás, não foi Jean Paul Sartre que afirmou «todo o homem é feito de todos os homens»”?

Já desperto, e baixando o som da TV, uma vez que valores mais altos se elevavam, retorqui-lhe, procurando dar, por autêntica ser, maior tonalidade e alegria à voz:

- Não imaginas como fico feliz com este telefonema. Podes ter a certeza absoluta que – aqui, sinceramente, exagerei – não calculas quantas vezes pensei em ligar-te. Porém, a disponibilidade de tempo – pura mentira (!) -, bem como algum receio – frisei várias vezes a palavra receio - como desse lado seria sentido o meu eventual telefonema, fez-me, mais que uma vez, desistir. Hoje, todavia, estou arrependido, e de joelhos  – fica sempre bem esta frase – penitencio-me e peço desculpa por não o ter feito.

Do outro lado, ouço um riso cristalino, fazendo lembrar o som das cascatas de água a correr pelas escarpas, em dia de Verão, da Serra do Caramulo, timbre ouvido aquando do fim-de-semana que, por aquelas paragens, passámos nos finais de Agosto de 2010. E, antes que dissesse mais, proferi:

- Não imaginas a saudade que já sentia desse teu riso, genuinamente teu, fruto daquilo que de mais puro tens. Olha, faz-me recordar os excelentes dias que passámos a visitar as muitas praias da Costa de Prata! Lembras-te do Furadouro e do excelente peixe que lá comemos?

Soltando mais uma sonora gargalhada, apenas se atreveu a dizer:

- O que achas? Tal como tu, com toda certeza, também eu recordo, com uma muita saudade, os bons momentos que na minha vida aconteceram e, sem dúvida, esse foi um deles. Aliás, se me permites, acho despropositado perguntares isso, pois bem sabes que é algo que recordarei para sempre.

Não querendo, de modo algum, entrar por um saudosismo sem futuro, retorqui-lhe:

- Como deves saber, quando as pessoas começam a recordar os tempos passados isso é sinónimo de início de velhice, pelo que, apesar do gosto que tenho em lembrar esses momentos maravilhosos, me interessa muito mais falar do teu e meu presente e quiçá do futuro. O teu belo corpo, modulado por uma forma oitavada, o teu perfume, os teus lisos cabelos, os muitos passeios à beira-mar, as viagens – os quilómetros atestam-no, valendo-nos a ausência de portagens nas ex-SCUT e o preço dos combustíveis - que fizemos para desfrutar deste lugar ou daquele restaurante, continuam bem presentes na minha memória. Todavia, agora quero saber o que fazes e que planos tens para o futuro.

Simples palavras brotaram do outro lado:

Apesar dos anos passarem, persistes, como sempre, em ser um querido!

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:13
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Outubro 03 2011

(…)

Tudo aconteceu, naquela manhã de domingo, dia em que o centro da cidade mais está despovoado. O local, cercado de casas elegantíssimas, com portas de três vãos, erguidas em lotes estreitos e profundos que marcam a alma da cidade, não foi escolhido ao acaso.

Depois dos cumprimentos de circunstância, Ricardo exclamou:

- Olha que este encontro não foi fortuito.

E acrescentou, de imediato, como pretendesse reforçar a ideia:

- Acredita que não foi mera obra do acaso. Há tempos que sei que, domingo após domingo, quase invariavelmente, por aqui passas.

Francisca, sorrindo, e sentindo, intimamente, um prazer inusitado, para si própria, pensou:

- Por quem me tomas, isso já eu sabia há muito.

Apesar de nada ter verbalizado, simplesmente abriu os seus finos e bem desenhados lábios para esboçar um sorriso que espelhavam aprazimento.

O que era para ser um breve diálogo, naquela manhã de um sol radioso brilhando sob um céu imensamente azul, por conjunturas que a ambos satisfazia, prolongou-se por largos minutos. O deslumbramento que sentiam, era, sem darem por isso, também fruto do contágio dado por tudo aquilo que os rodeava. O ambiente tranquilo, bucólico até, em que o ferro forjado dos varandins daquelas casas, cujo estilo se semelhava ao gótico, se podia comparar às rendas em croché que muitas das avós ainda conservam como uma riqueza sem preço, aumentava o prazer que sentiam pela mútua companhia.

Por isso, o convite para o café que Ricardo formulou nada de estranho teve. Numa mesa ao fundo do Café-Pastelaria Recantos, a salvo dos olhares mais indiscretos, a conversa fluiu, as palavras soltaram-se e ambos redescobriram tesouros antigos que tinham tentado esconder. Aliás, sem sucesso, como bem constaram. Sentimentos que, apesar de sempre terem estado presentes, pelo menos no subconsciente, os seus apressados passos nos itinerários quotidianos tinham relegado para lugares mais ou menos recônditos.

À pausa para o café, seguiu-se um passeio, não de mão-dada, apesar de ser o que mais desejavam. Todavia, após tantos anos, em que as suas vidas não se cruzaram, era necessário dar tempo ao tempo. E de tudo continuaram a falar. Palavras há muito caladas brilharam com uma rara eloquência. O rumo que as suas vidas, entretanto, tinha tomado, a família, os amigos, os projectos futuros e, essencialmente, dos adiados, entre tantos outros, de tudo foi falado.

Em andar lento, admiraram a paisagem dada pelas acácias no seu tom verde a tender para o amarelado, pois o Outono aproximava-se a passos largos. O Parque das Mónicas acolheu-os sob as suas centenárias árvores. Sentados num banco admiraram o rio correndo, lá em baixo, de forma pachorrenta e num azul reflectido, curso de água cantado e que os encantava.

Após uns momentos de silêncio, em que cada um tentava adivinhar o que o outro estava a cogitar, Ricardo, mais uma vez, olhou-a longa e demoradamente, mergulhou nos seus belos olhos castanhos e, num rasgo de coragem, disse o que há horas lhe avassalava o peito:

- Francisca, bem sei que o que vou dizer é, hoje em dia, antiquado e se qualquer jovem o ouvisse a primeira coisa que faria era desdenhar, se é que não comentasse com algo bem pior. Todavia, por continuar a ser um romântico e, sobretudo, um cavalheiro, algo que faz lembrar arqueologia (!!!) – ou será antropologia? -, atrevo-me a correr o risco. Se não gostares, paciência …

Francisca, espicaçada pela curiosidade, mas antevendo que as palavras que aí viriam não lhe desagradariam, bem pelo contrário, com um sorriso que deixava ver os seus belos lábios pintados de um vermelho vivo – lábios que tanto o tentavam -, retorquiu

- Caramba, Ricardo, deixa-te de rodeios e fala. Diz o que tens para dizer. Estás a deixar-me em “pulgas”!

Ricardo, meio titubeante, mas fortalecido pela veemência das palavras que acabara de ouvir, disse:

- Sabes que jamais esqueci o teu carinho, a tua paixão e a oportunidade dos teus conselhos? Sempre recordei, mesmo nos momentos de maior desânimo, a delicadeza com que a todos tratavas e a simpatia que colocavas em tudo o que tocavas. Mesmo nos momentos em que, por ti, sentia uma raiva imensa, a memória que guardava comparava-a a um belo pano de linho, fino, belo e, simultaneamente, urdido fortemente. Crê que não houve um único dia que não pensei em ti.

Francisca, após breves fracções de segundo, com um olhar luminoso, que reflectia o que lhe ia na alma, apenas inclinou a cabeça e o beijo, longo, ardente, há tanto tempo ansiado, surgiu. A paixão brotava em todo o seu esplendor e a reabilitação do adormecido sobreveio. As suas bocas encontraram-se, ora terna, ora furiosamente, numa sofreguidão, num torvelinho de emoções cavalgantes, como pretendessem, naquele momento, saldar toda a dívida de anos de saudade, angústia e desespero.

(…)

(Excerto)

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:37
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Novembro 08 2010

O azul, sempre foi associado ao espírito e ao pensamento, simbolizando lealdade, fidelidade, personalidade e subtileza. Remete para o sonho e para o ideal.

Por isso, Teresa tanto gostava do rio que corria, lá ao fundo, do quintal de sua casa. Bem, a verdade é que não era só do rio, pois também gostava imenso do azul do céu, principalmente nos dias em que se apresentava limpo, ausente dos vapores suspensos que ocultavam a sua tão singular cor.

Mais tarde, Teresa, recorda outro momento em que outro azul tanto a cativou: o azul do mar. Sim, lembrava-se, tal como se fosse hoje. Era já uma menina feita, nos seus dezasseis anos, quando, à beira-mar, o viu pela primeira vez, quando os seus olhares se cruzaram. O coração pulsou mais forte e o sangue correu mais veloz, fazendo-a corar, mais que alguma vez acontecera. Não, que já não tivesse reparado nos olhares que os rapazes lhe lançavam, principalmente quando, na companhia dos pais, ia à feira, a Penascada, mas este foi diferente, foi um je ne sais pas.

Quando o viu pela primeira vez, achou que precisava de levar, em si, alterações profundas, que lhe dessem uma nova estética, uma outra imagem. Teve a nítida sensação que uma mudança radical no seu modo de ser e agir era necessária, pois sentia que alguma opacidade e, acima de tudo, uma forma labiríntica de viver, até aí tão normais, a aprisionavam. Havia que transformar-se, rasgar paredes e deixar entrar outra luz.

E Francisco? Como era? Lindo como o rio, como o céu e como o mar. Ainda hoje sente um arrepio ao recordá-lo e não é sem alguma emoção que recorda o rapaz citadino, sofisticado e bonito, no dizer de toda a gente com quem se cruzava. Proveniente de famílias com pergaminhos, onde o título nobiliárquico era ainda palavra frequente, estudava no Liceu Carlos Alberto e, até aí, com excelente aproveitamento. Também não admira, pois apesar de ser muito requisitado pelas meninas da mais selecta sociedade portuense, nunca se lhe conheceu qualquer devaneio nesse âmbito. Sua mãe, Joana d’Arminho, mas fundamentalmente, sua tia e madrinha de baptismo, Helena d’Arminho, por todos tratada por Menina Helena, senhora de já provecta idade e ainda solteira, por isso velavam.

No alto do seu metro e oitenta, mais velho que Teresa um ano, com a cara sempre bem escanhoada, onde começava a pontuar um bigode fino, como era costume nos idos tempos da década de quarenta do século passado, Francisco era, numa palavra, aquilo que se pode dizer como “um bom partido”.

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:21
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Outubro 08 2010

Teresa tinha uma predilecção especial pela sua casa. Em boa verdade, esta não possuía quaisquer luxos, bem pelo contrário. Contudo, apresentava-se constantemente “descomplexada”, com imensa luz e uma vista de suster a respiração, factos que a faziam estar permanentemente apaixonada pelo lugar que a tinha visto nascer.

A sua casa, cuja personalidade era mais fruto dos seus sonhos do que proveniente da realidade contrastante dos montes circundantes do Gerês, emprestava-lhe parte da sua história de vida. Daqueles montes e vales captava a beleza que colocava em nichos, quais altares a que devotava quase todo o sentido de vida. Mais tarde, outros sentidos despertaram, acrescentando novos valores.

Em si, os apetrechos e os enfeites não tinham grande valor. Todavia, Teresa dava-lhes um valor inestimável, pois estavam relacionadas com a sua vida, com o seu dia-a-dia e essa parte divertia-a imenso. O retrato de Santa Teresinha, sua protectora, era uma peça que serviu de molde à sua meninice, funcionando, ainda, como ícone pelo seu tamanho e cor. A maior parte dos artefactos – hoje classifica-os como pobres - eram na sua maioria adquiridos na feira que, de quinze em quinze dias, se realizavam no vizinho lugar de Penascada. As suas cores eram explosivas e o gosto mudava conforme a estação do ano, sem, contudo, exagerar na contraposição com as paredes despidas de qualquer reboco, quanto mais de pintura.

Perguntavam-lhe, por vezes, se gostava da sua casa. Nos seus verdes anos, propícios à ingenuidade natural da adolescência, respondia que sim. Reafirmava que não gostava de luxos, que queria uma casa como a sua, um tanto austera, cromaticamente falando, em pretos e ocres. Já naquela altura, pensava que o importante eram as pessoas e que os luxos, certamente, não deixariam centrar a sua atenção nas peças e arranjos que produzia e, sobretudo, temia que desviassem o seu coração para os maus efeitos que produziam. Era o resultado de uma religiosidade muito popular e fortemente arreigada por aqueles lugares.

Teresa, no fundo, era muito monocromática e adorava pegar em coisas, jogar com as ideias, as quais, já em si, eram componentes decorativos. E a vontade de seguir esta linha levou-a a centralizar a sua atenção em muitos dos objectos por si construídos, como por exemplo a colecção de ramos e pedrinhas. Visualmente mais marcante era a decoração conceptual que imprimia nas paredes do quarto – se é que lhe podia chamar quarto – que dividia com as suas irmãs mais velhas.

E, apesar de nunca ter visto mar, a sua adoração por tudo o que se relacionasse com a estética marítima dava-lhe volta à cabeça. Mais tarde, quando, pela primeira vez, o viu e, junto deste, despertou para a sua primeira paixão – ah, Francisco, quantas saudades! – descobriu o porquê de tal adoração. As fotos do mar e de veleiros, recortados de velhos jornais, que devotamente colava nas paredes graníticas, com auxílio de uma cola feita à base de farinha de milho e água, atestava essa atracção. Aliás, ainda hoje o mar exerce uma extraordinária influência sobre si, sendo aí que se refugia quando as forças lhe faltam e a melancolia a assalta. Aí recobra energias e recorda, simultaneamente, o quanto aí amou e foi amada. O ambiente proporcionado pela praia deserta, principalmente no Inverno, quando o sol espreita e aquece, nem que seja por breves instantes, o frio cortante, serve de catarse.

A casa moldava-se bem às intenções de Teresa. O seu espírito inconformado necessitava do ar que aí se respirava como pão para a boca. Houve, desde que aprendeu a gatinhar e a pronunciar as primeiras palavras, um processo de enamoramento com a zona envolvente. A configuração e a forma como se movimentava pela casa e cercanias era muito importante. Os pequenos percursos, feitos no Inverno, e os mais distantes, calcorreados no Verão, se falassem, contariam estórias de trabalho e conforto, de alegrias e tristezas. Estórias que acabaram por transformar o seu universo habitacional em múltiplas viagens inspiradoras e, hoje, revisitadas em roteiros mais intimistas.

 

(continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:48

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