O meu ponto de vista

Junho 14 2017

Nós somos assim. Primeiro, flexibilizamos o que somos, oferecendo, caso seja necessário, promoções, nem que sejam fátuas, depois, criamos novos conceitos de vida que possam corresponder aos nossos desejos e angústias. No fim, tentamos conceber argumentações, as quais, na maioria das vezes, de robustas nada têm, que consigam apaziguar as nossas consciências.

Face ao contexto social vigente, o desenvolvimento de acções que acompanhem e auxiliem os portugueses é o pão-nosso de cada dia. Então, a nível da juventude nem é bom falar. São tantos os paparicos, os enlevos, as soluções ajustadas a cada instante da sua “precoce” vida, isto para falar das desculpas mais esfarrapadas que inventamos para justificar o seu néscio comportamento e, sobretudo, o seu incumprimento dos deveres, já que sobre direitos são catedráticos, que os nossos jovens prolongam este estado bem para lá dos trinta anos.

Costuma-se dizer que nunca se viveu tão bem como agora e jamais tivemos uma juventude tão bem preparada, apesar de discordar muito relativamente a este item. No entanto, continuamos a investir na qualidade dos serviços que lhes prestamos, com especial incidência na clareza e na transparência da transmissão da informação, bem como na personalização e no aconselhamento da solução mais ajustada e sustentável. Tudo isto é verdade e inquestionável. Esquecemo-nos, porém, do mais importante: a educação.

Atenção que não me refiro ao ensino, mas sim à educação que se aprende em casa, com os pais, avós e restante família, sem olvidar, de modo algum, dos valores incorporados pela comunidade circundante. É aqui que assenta o cerne da questão. Enquanto não resolvermos, definitivamente, esta questão, enquanto não nos consciencializarmos de que é muito mais importante, desde pequenino, a imposição do não do que dizer ámen a tudo, não teremos futuro.

Podemos canalizar rios de dinheiro, ajudá-los a ultrapassar constantemente as suas dificuldades, em suma, trazê-los infinitamente ao colo, fazendo desta geração uma elite de babys, que não podemos ficar orgulhosos nos dias vindouros.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:11

Dezembro 27 2016

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De acordo com a imprensa, a partir desta terça-feira todas as entidades públicas e privadas, com atendimento ao público, estão obrigadas a darem prioridade a idosos, deficientes, grávidas ou pessoas com crianças de colo.

Isto que aparentemente parece ser uma boa ideia, mais não é que o Estado a intrometer-se, e cada vez mais, na esfera pessoal do cidadão. O que até aqui sempre foi resolvido com recurso ao bom senso e, sobretudo, à educação, a partir de agora passa a ser feito por obrigação legal.

Em boa verdade podemos acrescentar que em vez de se apostar em instruir para os bons princípios – dar a primazia a idosos, grávidas, pessoas com crianças ao colo, portadores de deficiência e, em determinadas circunstâncias, também às senhoras –, bem pelo contrário, i.e., legisla-se, já que esta tomada de posição é muito mais fácil.

Um dia destes veremos leis que preceituarão o dizer “com licença, desculpe, por favor e obrigado”.

Por último, como será quando chegar uma senhora com idade inferior a 60 anos e que diga estar grávida, ainda que não se note qualquer proeminência? Terá que mostrar o devido atestado médico?

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:30

Abril 19 2016

Admito perfeitamente, uma vez compreender tal postura, que, em tempos não muito distantes, a maioria dos portugueses – e portuguesas, para usar os termos pretendidos pelo BE - estivesse contra o governo de Passos Coelho. Isto, independentemente de ter, sem margem para dúvidas, vencido as últimas eleições legislativas, ainda que com maioria relativa. Foram, a partir de 2011, tempos muito difíceis, os quais obrigaram, não por culpa própria, mas sobretudo dos governos de Sócrates, a implementar medidas extremas. Contudo, não foi somente por causa destas avaliações, mas também por situações muito mal compreendidas e, pior ainda, pessimamente explicadas, se é que o chegaram a ser, que se alcançaram tais resultados em termos de votos.

Estando convencido que a análise anteriormente exposta está certa, não deixa de ser verdade que, hoje-em-dia, muitos daqueles que acreditaram numa real mudança de paradigma, estejam plenamente desiludidos, ainda que o não confessem abertamente. Lá chegaremos!

A nível de Ensino, um dos mal-estares relacionava-se com a dita municipalização da educação, a qual avançou contra tudo e contra todos. Nem toda a gente se preocupou, uma vez que, como é sabido os políticos sabem fazer a “coisa”, e, por isso apenas uma pequeníssima franja de municípios se sentiu lesada. Sobre este facto muito já escrevi e prometi não voltar a maçar os meus leitores. Acontece, porém, que hoje são conhecidos novos desenvolvimentos e não resisti. Vamos a eles.

Agora, novo governo, novas políticas, e, principalmente, novos modos de agir se esperavam. Bem se enganaram! A observar pelas últimas notícias sobre o dito processo, ao qual, aliás, nos querem fazer crer que mais não se trata do que descentralização de competências, o mesmo vai avançar e a todo o vapor.

Vajamos, então:

  • Na verdade, repito, durante o mandato do anterior governo houve a intenção manifesta de se proceder a essa alteração;
  • A sobrecarga de ordem financeira, bem como a indefinição de competências na gestão do currículo e dos recursos humanos, foram, na altura, algumas das questões que motivaram acesas discussões e muitas divergências. O governo à época, relembro, apenas conseguiu que cerca de uma dezena de municípios se mostrassem disponíveis para a sua implementação a título experimental;
  • A opção pela generalização do modelo estava dependente da avaliação experimental destes projectos-piloto, como, aliás, consta do Decreto-Lei n.º 30/2015, de 12 de Fevereiro;
  • É, assim, com evidente espanto, que me confronto com as declarações veiculadas pelo presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) que dá como dado adquirido a sua generalização já em 2018;
  • Além de não serem produzidas por um membro do governo, o que à partida me questiona sobre como e quem gere este processo, dá-se como adquirida uma decisão, ainda antes de se conhecer o resultado da avaliação dos projectos-piloto em desenvolvimento;
  • Estranho, assim, esta afirmação premonitória e reafirmo o que sempre defendi, nomeadamente em relação à descentralização da educação para os municípios: jamais a autonomia pedagógica das escolas poderá ser colocada em causa.
publicado por Hernani de J. Pereira às 22:13

Novembro 27 2015

Como é do conhecimento geral, por dever de ofício, contacto diariamente com muitos adolescentes e jovens, ultimamente mais estes, a maioria já eleitores e, por isso, com direito a escolher os desígnios deste país. Porém, no quotidiano, agem como se não fossem o futuro desta nação com oito séculos de existência.

E, dia-a-dia, vou-me admirando, ou melhor, estranhando as atitudes destes jovens, muitos deles já homens de barba. A infantilidade, a não-aceitação do não, o achar que tudo, inclusive as aulas, não passa de prolongamento do recreio e/ou de café, bem como a despreocupação com o vindoiro são modos de ser e estar diários.

Por outro lado, a falta quase absoluta das regras mais básicas de educação, as quais, obrigatoriamente devem ser provenientes de casa, é assustador Sim, porque o docente deve imperiosamente estar numa função de ensino e apenas residualmente no âmbito de educador.

Enquanto a sociedade, essencialmente os pais, os avós e a restante família, não apreenderem que é muito mais relevante, na educação dos seus descentes, o “não” do que o “sim”, ainda que este seja mais fácil e dê menos fadiga, pouco a escola poderá fazer e mais paupérrimo será o porvir dos nossos filhos e, consequentemente, do país.

A ilustrar o anteriormente dito veja-se, por muito caricato e pouco curial que seja, o seguinte exemplo: é perfeitamente natural os jovens, mercê da sua actividade física, isto para não falar de outros hábitos bem menos saudáveis, terem o costume de beber muita água. Até aqui tudo bem. Aliás, é uma atitude saudável e de louvar. Onde a “porca torce o rabo” é que tipo de água bebem. Enquanto este vosso escriba, face à média de ordenados pagos neste país, considera, mensalmente, auferir uma quantia razoável, bebe água da torneia, i.e., proveniente da rede pública, e, por isso, com garantias de origem e tratamento assegurado, a grande maioria dos encarregados de educação dos nossos alunos possui rendimentos muito baixos, nalguns casos até inexistentes, mas os seus educandos recusam-se a beber daquela e, insistentemente, compram água engarrafada.

E já não falo da recusa em almoçarem na cantina, com o velho e estafado argumento de que a comida não presta, comendo geralmente sandes e bolos no bar ou nos cafés das redondezas. Saliente-se que alguns têm direito a almoço grátis e, mesmo assim, não colocam os pés no refeitório. Sinceramente, muitas vezes, interrogo-me sobre a proveniência de tanto dinheiro, quando, muitas vezes, argumentam que não o possuem para adquirir um simples caderno diário.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:57

Setembro 23 2015

Bem sei que existem escolas e escolas. Todavia, subsistem aquelas empenhadas em desenvolver novas formas de trabalho e, sobretudo, dispostas permanentemente a implementar uma postura de coluna vertical, jamais se subjugando a interesses locais, regionais ou centrais, de modo a tornar o futuro uma realidade.

As que estão do outro lado da barricada, as quais, aliás, se encontram bem perto de nós e frequentamos diariamente, além de não conseguirem estimular a produtividade e melhorar a sua margem competitiva, arriscam-se, como se verifica na prática, a perder os seus colaboradores mais importantes para a “concorrência” ou, o que será muito mais grave, a nem sequer possuírem qualquer importância no futuro.

Depois existem dirigentes que fazem a diferença. Os mais sensíveis à gestão do risco, como uma forma de lhes permitir um planeamento detalhado dos riscos para a gestão e uma reflexão sobre as medidas a tomar, e os outros que se limitam a gerir o status quo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:24

Setembro 03 2015

O assunto constante no meu post de ontem continua a dar que falar, a despertar consciências, a causar horrores e a acordar boas-vontades. Nas redes sociais, nos media e, inclusive, nas diversas conversas entre as pessoas continua a ser tema incontornável.

A maior parte dos estados membros da UE está, instigada pelas respectivas opiniões públicas, a realizar acções concretas direccionadas para a resolução do drama dos refugiados. A monitorização em curso mostra que, apesar da muito difícil conjuntura económica que a maioria dos países europeus atravessa ou mesmo por causa dela, estão a ser tomadas medidas, infelizmente não tão céleres quanto o desejável, com vista à inclusão e, senão erradicação, pelo menos à amenização desta tragédia humana.

Por exemplo, a Conferência Episcopal Portuguesa começou a indagar da existência de mosteiros e templos que possuam condições para albergar alguns dos muitos refugiados. Outro exemplo advém de quinze municípios que já se prontificaram igualmente a acolher aqueles que, por estes, dias procuram na Europa a sua salvação.

Todavia, realce-se que nenhum destes consta da lista das quinze autarquias que ainda há tão pouco tempo foram lestíssimas a aderir à municipalização da educação. Sintomático!

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:50

Junho 12 2015

É a lamentação mais amiúde ouvida nas escolas e quem à sua volta gravita, i.e., a comunidade escolar. Refiro-me, concretamente, à indisciplina provocada pela má educação e à desadequada postura dos alunos. Diminuísse esta e, não tenho a menor dúvida que, a questão do número excessivo de “chumbos”, que tanto tem ultimamente preocupado certos políticos e bem pensadores da nossa praça, senão desaparecia de todo, pelo menos atenuava muitíssimo.

Recentemente, li que 78% dos docentes acham que nas suas escolas se vive um ambiente de indisciplina, principalmente dentro da sala de aula, gastando mais de 25% do tempo desta a corrigir a atitude dos alunos, com a consequente perda de tempo para o que é essencial, ou seja, para o ministrar de matéria.

O mesmo estudo apontava que 85% dos professores são de opinião que uma parte do problema assenta na não aplicação das sanções que a lê prevê por parte das direcções. O que nos leva a pensar que tal se fica a dever ao afrouxar do exercício da autoridade, talvez com receio de serem cognominados de autoritárias. E, como este poder não é realmente exercido, tal acarreta, pelos motivos óbvios, que, hierarquicamente, os que estão abaixo se sintam desautorizados e, muitas vezes, também releguem para segundo plano o dever de fazer cumprir as regras básicas de cidadania.

Ainda sobre o autoritarismo, abro um parêntesis para dizer que desde sempre – e ando nesta vida há 38 anos – adoptei um lema para com os meus alunos e para com os que foram e são meus subordinados: prefiro que me chamem mau do que acharem que sou um banana. Ponto final parágrafo!

Todos sabemos, independentemente de sermos ou não professores, que sem modos de ser e estar dentro e fora da sala de aula, não é possível construir uma sociedade de qualidade e/ou, dito por outras palavras, virada para o sucesso. Ora, isso só possível com o estabelecimento de regras claras e aplicação impiedosa da lei desde o primeiro dia que o aluno coloca os pés na escola.

Contudo, é bom relembrar que a escola é, essencialmente, um lugar de ensino. A educação dá-se em casa. Quem não compreender e, sobretudo, não aplicar este preceito não tem quaisquer direitos a falar sobre o presente e, principalmente, sobre o futuro deste país.

Aliás, deixem-me concluir com um desabafo. Como é possível haver pais, alguns até professores, que toleram, em casa e fora dela, aos filhos a recusa em comer este ou aquele prato; admitem um porte esparramado quando se refeiçoa, independentemente de terem ou não visitas; que permitem o telemóvel em cima da mesa quando se está a comer e, além do mais, consentem o atendimento de chamadas; que dizem sempre ou quase sempre sim, já que é muito mais difícil dizer não; que autorizam a permanência em frente do PC ou da TV durante horas e horas ou até imensamente tarde? Estes são apenas alguns exemplos, pois outros há tanto ou mais graves.

Claro que me irão responder que tudo é relativo e que os tempos mudaram. Pois, é com estes e outros argumentos, puramente falaciosos, que chegamos aonde chegámos. Os princípios da boa educação são imutáveis, remato eu.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:46

Março 13 2015

A escolha, enfim, chegou! E, segundo fontes bem informadas – bem, também não se trata de nenhum segredo de polichinelo – a pergunta teve como resposta o sim a uma eventual recondução. Aliás, a interpelação, face ao prescrito na legislação aplicável, tinha de ser obrigatoriamente feita.

Sou daqueles que se sentem muito à vontade para dizer o que bem ou mal lhes dá na real gana – perdoem-me a simplicidade das palavras –, pois em tempos passados, quando outros tudo comiam e calavam, bem alto ergui a voz contra alguns atropelos. Por isso, posso dizer mais: sou, nesta matéria, totalmente insuspeito.

De crítico - sempre de forma urbana, entenda-se -, pouco a pouco fui mudando de opinião, fruto de muita atenção, e, sobretudo, por saber das dificuldades que o cargo, cada vez mais, acarreta. Aliás, para alguns, e como alguém disse, “se soubessem quanto custa mandar, obedeciam toda a vida”.

Assim, sem tecer encómios, os quais são desnecessários e impróprios, e porque não se coadunam com a maneira de ser deste vosso escriba, não deixo, porém, de olhar a realidade e espelhá-la tanto quanto me é possível.

Por outro lado, sabendo que jamais recusei fazer os oportunos reparos, sempre e quando podia e devia fazer mais e melhor, penso que, neste momento, é o homem certo para o lugar certo.

Conhecedor que esta posição vai levantar celeuma e ser objecto de muitas e variadas interpretações, isto para não falar de maledicências, nada receio, uma vez tomar este posicionamento apenas tendo em conta os superiores interesses da instituição. E o certo é que quem não deve não teme. Tal como nunca estive, na vida, à espera de favores, i.e., aquilo que conquistei foi, como se costuma dizer, à custa de sangue suor e lágrimas, também agora nada aguardo. Apenas o aprazamento que a paz dá após uma posição tomada em consciência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:52

Fevereiro 12 2015

A educação, como se costuma dizer, é um mundo composto por imensos microcosmos e onde tudo ou quase tudo tem lugar, apesar de bem sabermos que não deve ser assim. Não advogo e muito menos pretendo um ensino monolítico, unidirecional, mas não acho que a máxima dispersão seja o melhor. Como em tudo na vida, há que impor regras e estabelecer limites.

Uma filosofia interdisciplinar, a qual deve ter a pretensão de não só atender aos pormenores técnicos-didácticos, mas, sobretudo, ensinar a reflectir criticamente acerca das implicações das opções vivenciais, focando os temas fundamentais que sempre nortearam o ensino, deverá, no meu modesto entendimento, ser o rumo certo. Um caminho para a responsabilidade, contribuindo, deste modo, para a melhoria das competências tanto a nível local como regional.

Ora, isto só é possível abrindo a escola, cada vez mais, à sociedade em geral e, em particular, à comunidade que serve, que é como quem diz, numa colaboração – não confundir com sujeição - estreita com os órgãos locais, com os pais e forças vivas. Não entender isto, nos dias de hoje, é estar a mais numa profissão tão digna como é a docente.

Contudo, professores existem, principalmente os mais acérrimos defensores da escola pública, algo incompreensível e contraditório – ou talvez não -, que são os primeiros a queixarem-se da fraca, para não dizer nula, colaboração dos pais, mas quando confrontados com o facto de serem os primeiros a dar o exemplo, recuam a todo o vapor.

De entre muitos outros dou apenas um exemplo. É manifesto o seu receio em fornecer aos pais o sumário do que diariamente fazem nas suas aulas, esquecendo-se que já hoje, caso queiram, ao abrigo da lei que prevê a consulta de documentos oficiais, estes podem aceder a tal. Mais: como se pode dizer que se deve colocar, à disposição daqueles, o mínimo de documentos, recusando, por exemplo, anexar ao sumário o enunciado do teste que se deu? Olvidam-se que, no prazo máximo de oito dias, os pais os terão em seu poder e devidamente classificados? Qual o pai - e a maioria dos docentes também o é – que gostaria de que não lhe dissessem o que se passou na aula do seu filho ou não lhe dessem conhecimento de um documento aí visto? É lógico que desconfiava e muito se lhe negassem o acesso a tal! Já agora, admitiam que um filho menor, quando numa consulta, o médico lhe escondesse os sintomas e só o transmitisse ao seu educando?

Vamos, de uma vez para sempre, ser sérios. Se queremos que os pais, bem como a sociedade, tenham confiança em nós, temos também de confiar neles.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:34

Dezembro 01 2014

A riqueza que constitui o património de uma escola pode e deve evitar o triste destino de recurso fácil para salvar situações de aperto momentâneo. Ou, dito por outras palavras, a necessidade de afirmação, tão necessária aos alunos e respectivas famílias, bem como à restante comunidade escolar, principalmente no que respeita ao tecido empresarial, não pode passar pela constante alienação da sua herança. Bem pelo contrário.

O trabalho profícuo, o empenho cada vez mais dedicado, a entrega total tem que ser o pão-nosso de cada dia. Os bons resultados não são fruto de sorte, tanto mais que esta, como se sabe, dá muito trabalho a alcançar.

Neste fim-de-semana foram, como todos anos é habitual nesta altura, divulgados os resultados dos exames nacionais efectuados em 2014. E, como seria de esperar, eis a análise, ainda que com relevância local, a qual não quero deixar de dar a conhecer aos meus caros leitores. Vale aquilo que vale, mas que eu saiba é a única publicada nestes termos. Mais: ninguém é obrigado a ler.

Dizer que, no 4º, 6º, 9º e secundário, as escolas posicionadas nos primeiros lugares – e não são tão poucas assim – são privadas é “chover no molhado”. Bem mais importante é saber e tentar assimilar o porquê, algo que poucos estarão interessados. Aliás, demagogicamente, muitos outros há que, como se costuma dizer, têm raiva a quem, seriamente, pergunte.

Vamos, porém, aos dados que mais nos dizem respeito, começando pelos mais pequenos. Aqui não posso deixar de sentir alguma preocupação pela Escola de Barcouço, local onde me habituei a ver desempenho de qualidade com os consequentes bons resultados. Tal como uma andorinha não faz a Primavera, um ano pode não explicar tudo

 

1ceb.jpg

 

No concernente ao 6º ano, nota-se uma inversão acentuada entre as Escolas de Pampilhosa e de Mealhada, com a agravante desta última ter realizado para cima do dobro das provas. Não sei, concretamente, qual o motivo de uma descida tão acentuada por parte da primeira, mas que deve levar os responsáveis a reflectirem seriamente não tenho a menor dúvida.

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Olhando, agora, para o quadro do 9º ano, está ausente a admiração. A Escola da Pampilhosa, mais uma vez, destaca-se de um modo preponderante, havendo, sem dúvida, lugar à inflexão de procedimentos por parte das outras, tanto mais que o argumento económico-social dos alunos não colhe.

 

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Já no respeitante ao 12º ano, como é óbvio, a comparação é feita com as escolas secundárias vizinhas que, por princípio, apresentam maior afinidade com Mealhada.

   

Posição em 2013

Posição em 2014

Escola

Média

163

106

Mealhada

11,3

112

196

Anadia

10,54

194

250

Cantanhede

10,33

310

323

Oliveira do Bairro

9,91

   

E, aqui, em comparação com 2013, nota-se uma subida extraordinária, a qual não pode passar em claro. Bem sei que são necessários vários anos para tirar ilações consistentes. Todavia, tendo em conta a subida que se tem registado, sobretudo nos três últimos anos, o caminho trilhado parece-me, à priori e sem prejuízo de uma análise mais profunda, o correcto e digno de aplauso.

Por último, não achando despicienda a situação económica e social e o meio geográfico dos alunos, começa, porém, a cair por terra alguns mitos,entre os quais o de que apenas as escolas cujos discentes têm progenitores com boa posição financeira e que se situam nos grandes centros urbanos conseguem obter bons resultados. A corroborar estas palavras vejam-se os exemplos das secundárias de Arganil, de Macedo de Cavaleiros, de Mangualde, ou mesmo de Sátão, respectivamente nas posições 42, 61, 62 e 72.

publicado por Hernani de J. Pereira às 17:45

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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