O meu ponto de vista

Setembro 05 2015

É, quer queiramos quer não, o sujeito que faz o processo e é nesse reconhecimento que se encontra o cerne da questão. Acho que um dos nossos maiores handicaps é não assegurar tal desiderato. Aliás, a igualdade plena é utópica.

Nesta ordem de ideias, por muito que tal nos constranja, não nos apresentamos em equidade de circunstâncias perante, por exemplo, a educação, a saúde e muito menos perante a justiça. Até, pasme-se, perante a Igreja temos recepção e acompanhamento distinto.

Por isso, querer que o preso mais famoso de Portugal seja tratado de igual forma que qualquer outro cidadão é não ver o óbvio. Pelas responsabilidades que teve, pelos gravíssimos indícios criminais que vem sido acusado, pelos advogados, pagos a peso de ouro, que o defendem, pelos amigos influentes que o abroquelam, pelo acesso privilegiado que tem aos principais órgãos de comunicação social, não pode ser julgado como qualquer vulgar cidadão.

A alusão que tem vindo a fazer que a sua prisão é política não passa de um refúgio para mascarar o respectivo processo judicial, o que, mais uma vez, vem reforçar a ideia anteriormente aduzida.

Sabendo que os cidadãos têm mesmo de fazer a parte substantiva, (re)afirmo que a cela 44 deveria continuar ocupada.

O certo é que as braçadas que irá dar na piscina aquecida da casa onde, neste momento, está instalado o vão, por estes dias, fazer esquecer o actual pesadelo. Já agora, há ex extraordinárias!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:20

Junho 09 2015

Mais um inocente preso. Aliás, conforme escrevi o outro dia, salvo raras e honrosas excepções, as cadeias portuguesas e não só, estão repletas de inocentes. Que justiça esta que raramente acerta, i.e., é incapaz de, na esmagadora maioria das suas acções, efectuar um julgamento justo?

José Sócrates (JS) sai ou não da prisão? Vai para casa com outras medidas de coação ou, como diz ter direito – atenção, que é muito diferente do que no seu íntimo cogita –, à plena liberdade de actos e movimentos?

Todo o país fervilha na ânsia de saber mais, quando e como se desenrolará o final de mais um capítulo desta novela. De mau gosto, acrescento eu!

E, afinal, soube-se há pouco que não sai!

Para António Costa (AC) é que as coisas, mais uma vez, não correm de feição. Por exemplo, aquando da sua entronização como novo líder do PS, em Novembro p.p., esperava ser levado em ombros por todo este país. Eis que, de um momento para o outro – há quem afirme que não é mera coincidência -,  surge a prisão de JS e lhe rouba o protagonismo, arruinando, como é óbvio, os festejos.

Agora, novo azar. No último fim-de-semana, por esmagadora maioria dos votos, a Convenção Nacional dos socialistas sufragou o programa eleitoral por AC apresentado - dando azo à santificação do crismadíssimo e superior orientador - eis que, novamente, é relegado para segundo plano e somente se fala do preso 44 da Cadeia de Évora.

Caramba, assim não dá. Não há pachorra que aguente este constante assarapantar da vida. Por muito que faça com os pés, há-de vir sempre alguém a desfazer com os mãos, ou vice-versa. Que sina!

Será tudo obra do acaso ou existem forças ocultas a mexer determinados cordelinhos?

Já agora, se Sócrates fosse para casa, isso seria mais benéfico ou prejudicial para o PS?. É que para muitos socialistas é bem melhor que ele esteja, até ao final das próximas eleições legislativas, na prisão, pois, assim, as ondas serão bem menores. Há males que vêm por bem!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:17

Abril 06 2011

O Estado, em Portugal, tem sentido, de forma crescente, imensas dificuldades em encontrar os meios para garantir, a todos, cuidados de saúde e ensino gratuito e ainda apoiar os mais frágeis – idosos, desempregados, portadores de deficiência, entre tantos outros -, enquanto mantém as funções de defesa, segurança e outras intrínsecas à existência do país.

Segundo as explicações oficiais tal prende-se fundamentalmente com os custos dos serviços, os quais aumentam bem mais que a inflação e porque o aumento da esperança de vida das pessoas e das expectativas de todos não é compensado pelo aumento do número de adultos em idade de trabalhar, nem pelo ritmo do crescimento económico.

Contudo, apesar do anteriormente exposto espelhar uma realidade bem presente, também não é menos verdade que as aludidas dificuldades se ficam a dever à imensa “gordura” que envolve a máquina estatal, bem como a extensíssima boyada que o PS instalou em todos os sectores governamentais, quer seja a nível central ou regional.

E, para “ajudar” à festa, o governo só é de gestão (!!!) para determinadas acções, pois, para outras, apresenta plena capacidade governativa. Senão vejamos: por um lado, como aliás previ, continua com a dança das nomeações, dizendo que tal está dentro das suas competências. Todavia, por outro, no que concerne à reestruturação da administração pública e à implementação das portagens nas SCUT vem desdizer o que há muito prometeu, com o argumento de que para tal não possui poderes.

Palavras para quê? José Sócrates está disposto a tudo para não largar o “poleiro”. Como para este, os meios justificam os fins, diariamente o vamos ver a agir demagogicamente e de modo populista. Acautelem-se, pois, caso contrário, pagaremos com “língua de palmo”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:47

Outubro 05 2010

Comemora-se hoje o primeiro centenário da implantação da República. E, apesar, do tom festivo que o governo, desaforadamente, quis associar à efeméride, o certo é que não comungo da maioria das ideias ultimamente propaladas. À viva força querendo-nos fazer crer que em 5 de Outubro de 1910 se terminou com uma monarquia corrupta e se deu início a uma república redentora. Nada de mais falso.

Mas vamos por partes. Em primeiro lugar, com a finalidade de esquecermos a profunda crise que nos abala e, fundamentalmente, do brutal pacote de austeridade com que nos mimoseou e nos garroteia, José Sócrates fez andar, neste dia, todos – e se mais houvesse, até fontanários inaugurariam - os membros do seu executivo em (re)aberturas de escolas e centros educativos (novo nome para a mesma realidade), os quais já foram objecto de “corte de fitas” por inúmeras vezes. Ora, tal só teria sentido se na I República tivesse havido um extraordinário desenvolvimento da educação. Todavia, não foi isso que efectivamente se passou, e os historiadores aí estão a recordá-lo. Bem pelo contrário. Tendo em conta a taxa demográfica entre 1910 e 1926, o esforço de escolarização regrediu.

Em segundo, para além das inúmeras lutas políticas, a maior parte delas autenticamente sanguinárias, em que o assassinato era o “pão-nosso de cada dia”, os governos da I República, principalmente, o chefiado por Afonso Costa, distinguiram-se na luta contra a Igreja, asfixiando, inclusive, a liberdade de expressão, sendo que de democratas muito pouco possuíam. Basta, para isso, recordarmo-nos dos deputados do Partido Republicano Português (PRP), eleitos para a Assembleia Constituinte, e que, sem se submeterem a novo sufrágio, foram designados para a legislatura seguinte. Ou, então, da readaptação do lema “república para os republicanos”, substituindo o anterior “república para os portugueses”, este proveniente das lutas realizadas durante os últimos tempos da monarquia. Ou, ainda, da proibição total das mulheres exercerem o seu direito de voto. E outros exemplos podiam aqui citar-se.

Voltando aos tempos modernos, a verdade é que o governo PS está, sem margem para dúvidas, a fazer ao país o que os sucessivos governos da I República, e principalmente o PRP, chefiado pelo aludido Afonso Costa, fizeram. Enorme endividamento do país, défices gigantescos, insegurança geral e o fim das escolas de qualidade, com a consequência de proporcionar um ensino cujo sucesso é apenas meramente estatístico.

Já agora e a talhe de foice, acompanho desde há pouco as cerimónias em Lisboa. Para além do dinheiro gasto em cantorias, encenações e deslocações, o que em tempos de tão grave crise é, no mínimo, estuporadamente infeliz, sinto-me enxovalhado pela autêntica lavagem ao cérebro proporcionada pelos repórteres da RTP, verificando-se que a sua única fonte é a cartilha socialista e jacobina. Pouca-vergonha: leiam e informem-se devidamente para, posteriormente, poderem falar algo que valha a pena ouvir.

Entretanto, só espero que não surja um novo António de Oliveira Salazar. Ou será que era um dia de sorte?

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:57

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