O meu ponto de vista

Outubro 06 2020

Não sou o primeiro a escrever sobre este assunto, mas mais vale tarde que nunca. Aliás, sobre tal acontecimento nunca as vozes são demais.

Bem, vamos à questão. Com pompa e circunstância, reunião presencialmente o Conselho de Estado (CE), sobre a presidência do Presidente da República, como é óbvio. Afirmei com pompa e circunstância uma vez ter contado com a presença de Ursula von der Leyen, digníssima presidente da Comissão da União Europeia (EU).

Até aqui nada de muito novo, já que o anterior presidente da EU, Jacques Delors, também chegou a estar presente numa reunião do CE. Tudo mudou, porém, quando se soube que um dos conselheiros, Lobo Xavier, veio, dois dias depois, afirmar que estava positivo em termos de Covid-19. Caiu o Carmo e a Trindade. Todos os presentes, de imediato, foram avisados e submetidos a vários testes. Por exemplo, o nosso PR testou pelo menos três vezes. Felizmente todos deram negativo, pelo que prosseguiram com as suas agendas deveras importantíssimas. Aliás, como viveríamos nós se algumas daquelas excelsas personalidades tivesse testado positivo e permanecido em quarentena? Nem quero pensar.

Ironias à parte, o certo é que vimos onde o aludido órgão do Estado se reuniu. Para além dos seus membros estarem sentados a bem mais de dois metros de cada um, a sala tinha um pé alto e ar condicionado, com troca constante de ar entre o interior e exterior. Tudo bem, pois assim deve acontecer sempre que se reunirem mais de seis pessoas.

Agora, comparem com o que se passa nas nossas escolas. Na esmagadora maioria delas, existem vinte e muitos alunos em salas acanhados, sem rarefacção do ar, com distância social muito inferior a um metro e cujos ocupantes apresentam uma interacção constante. Mesmo que haja um caso positivo, somente se apresentarem sintomas graves é que são testados os colegas e professores.

É caso para dizer: quando for grande quero ser governante, conselheiro de Estado, etc., etc.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:22

Julho 24 2020

Até enfim! Estou de férias. Hoje, com a apresentação das Provas de Aptidão Profissional do 12º ano (Curso de Mecatrónica), concluiu-se este ano lectivo. Foi um ano completamente atípico, o qual nos custou mais trabalho, sobretudo por ser alicerçado num desdobramento de múltiplos agentes: docente, técnico de informático, camaraman, telespectador e usurário de ferramentas digitais que há poucos meses nem sonhava que existiam.

Tudo isto acarretou um a créscimo de preocupações, com o consequente stress, muitas vezes a raiar o bornout. Se acrescentarmos o confinamento, acompanhado de um temor constante de contágio pelo novo coronavírus, então é fácil imaginar o quanto foi difícil o período desde Março até ao quotidiano.

Se o ensino me tem adicionado um cansaço imenso – bem a idade também não perdoa -, a agricultura, pelo menos nestes últimos tempos de vaga de calor, deixaram-me quase em estado de coma. Sim, eu sei que quem corre por gosto não cansa, mas …

Por isso é mais justo o gozo destes dias. O recarregar de baterias, através de muita praia, passeios por aqui e/ou por ali, o saborear da nossa rica gastronomia, dando especial enfoque ao maravilhoso peixe em que o nosso mar, repito, nosso mar é tão pródigo, é obrigatório.

Entretanto, de vez em quando darei notícias.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:34

Junho 18 2020

Em 15 de Abril p.p. o JN noticiou que o governo francês se preparava para dar até 1500 euros aos profissionais de saúde. Pelo seu lado, a Alemanha, de acordo com o Expresso de 11 de Abril, afirmava que ia aumentar a remuneração dos trabalhadores do sector da saúde. A luta contra a pandemia do Covid-19 a isso os obrigava.
Em Portugal, ontem, numa cerimónia patética, transmitida a partir do Palácio de Belém, António Costa afirmou, a propósito da final da Champions a realizar-se brevemente em Lisboa, que se trata de “um prémio aos profissionais de saúde”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:27

Junho 08 2020

Comemorações do 25 de Abril com quase 200 pessoas? Sim. E então? A esquerda quer, pode e manda. Todas as outras pessoas não puderam sequer sair das suas casa já que vivíamos em tempos de emergência.

Manifestação do 1º de Maio? Sim. E não houve problema algum já que foi promovido pela bendita CGTP-In. Claro que o 13 de Maio, em Fátima, jamais poderia ter ocorrido uma vez que os cristãos, relativamente ao novo coronavírus, são todos sintomáticos, enquanto os militantes daquela central sindical são completamente imunes. Todos sabemos que a ideologia marxista-leninista é um autêntico antídoto contra qualquer doença.

Espectáculo de Bruno Nogueira no Campo Pequeno, com cerca de 2000 pessoas, incluindo vergonhosamente com a presença do PM e do PR? Sim. E qual a dúvida? Todos os espectadores eram da mais fina elite e, por isso, jamais se podem comparar com os que gostam de touradas ou de outros eventos ainda interditos.

Manifestações contra o racismo? Sim e venham muitas. Aliás, pouco importa o distanciamento social, tanto mais que, quando estão em causa valores tão elevados, não à Covid-19 que resista. Procissões religiosas? Isso é que era bom. Era a continuação do alastrar desmesurado da pandemia que tanto mal nos tem causado. Missas? Muito cuidado, pois os frequentadores das igrejas são os actuais leprosos de antigamente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:53

Maio 10 2020

Vivemos tempos de incerteza. Ora, perante os desafios impostos pelo impacto de uma pandemia que está a colocar obstáculos inauditos à vida de todos os cidadãos e à sobrevivência de empresas e famílias, são principalmente estas últimas que se dispõem na linha da frente da batalha que nos une a todos, assegurando - muitas vezes fazendo das tripas coração e fazendo-se de cego, surdo e mudo - o funcionamento da rede mais intrínseca das comunidades, de modo a que o país não pare.

As famílias procuraram e procuram ajustar-se e ainda sem certezas sobre o que as espera ao longo do caminho, seguem em frente, empenhadas em dar o seu contributo para que todos ultrapassem da melhor forma as dificuldades que a conjuntura impõe.

Numa altura em que, em Portugal, decorre ainda a fase preambular de uma crise cuja exacta dimensão é impossível de prever a esta distância, o núcleo familiar, contra tudo e contra todos, encontra-se a afinar estratégias para poder acompanhar as demandas de uma sociedade em mudança. Todos temos consciência de que existem poucas certezas. Não obstante, há sinais de confiança que não devem ser ignorados.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:27

Abril 05 2020

Em tempos não muito distantes poucas pessoas havia que não ansiassem pelo fim-de-semana e, sobretudo, pelo domingo. Mesmo a chover, ia-se à missa, almoçava-se fora, passeava-se e/ou faziam-se compras. Víamos e éramos vistos. Agora, em que a segunda é igual à terça, esta igual à quarta e assim sucessivamente, tudo mudou. Bem, diga-se em abono da verdade que, neste momento, o domingo, para mim, é que mais custa a passar, um verdadeiro suplício. Nos outros dias ainda tenho a agricultura para me distrair. Aliás, não é por acaso que já fiz todas as sementeiras: batatas, milho, feijões, abóboras e hortícolas. E não são áreas tipo jardim!

Em suma, estou que nem posso. Só me apetece comer ameixas verdes e gritar às paredes. O dia de hoje resume-se a esta roda (morta): da cozinha para a sala, desta para o escritório, da televisão para o computador, e voltando ao princípio. Espreito, mais vezes que as recomendáveis, o frigorífico, olho pela janela a chuva que cai incessantemente e tento brincar com a filha e/ou neta, as quais também se apresentam, quase diria, letargicamente instaladas no sofá. Não é bem um inferno mas está lá perto.

Quando este bicho, o “conavírus”, como diz a minha Laurinha, acabar, das primeiras coisas que farei é sair, passear, passear e comer um belo peixe grelhado num restaurante à beira-mar. Ah, e comprar roupa para a minha neta. Sim, graças a Deus está crescer a olhos vistos e não há onde comprar, por exemplo, um simples vestido e/ou uns ténis.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:54

Março 31 2020

Os dias que correm ensinam-nos muito. Em primeiro, a (re)adquirir não a simples paciência, mas de Job. Em segundo, a alavancar soluções que jamais pensaríamos capazes sequer de imaginar, quanto mais de colocar em prática. Em terceiro, a sofrer como jamais pensaríamos vir a padecer.

Não tenho a menor dúvida que já existem famílias que apenas estão juntas uma vez não terem outra solução. Sei de homens que já não suportam as mulheres e vice-versa, de filhos que já não aguentam a constante chamada de atenção dos progenitores, bem como pais cansados de aturarem os desvaneios dos descendentes. Abro um parêntesis para dizer com tristeza que, agora, sim, dão valor à escola, pelo menos no que respeita à guarda diária das crianças e jovens.

Recordem-se, porém, que estamos apenas com duas semanas de quarentena. Imaginem o que será daqui a um, dois ou três meses. Andaremos todos, sem perplexidade, a dar com a cabeça nas paredes. Os outros andarão, não sei por onde e como, a procurar comida. Deus queira que esteja enganado.

Uma coisa é certa: após a ultrapassagem desta pandemia muitos divórcios surgirão e desavenças familiares verão a luz do dia. A não ser que a crise económica associada a toda esta problemática, a qual, segundo os especialistas, afectar-nos-á tanto ou mais que a doença, impeça tal.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:14

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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