O meu ponto de vista

Outubro 24 2014

Um dos maiores flagelos do nosso tempo é o desemprego. É daquelas verdades tão evidentes que, com toda a franqueza, até dá dó só de escrever. Por isso, tudo o que seja feito para minorar tal chaga sabe sempre a pouco.

Assim, por mais bem-intencionados que sejam os incentivos ao relançamento do emprego eles constituem, quase sempre, uma terapia sintomática cuja atractividade das medidas de apoio não conseguem colmatar a estagnação da economia.

Nem os estímulos à criação de empregos, nem o alargamento dos prazos dos subsídios constituem solução para este problema. A recolocação dos desempregados tão-pouco depende da boa vontade dos empregadores. É que por mais que as medidas de incentivo à contratação sejam apelativas, os empregadores só conseguirão criar novos postos de trabalho na altura em que o aumento do PIB entrar numa faixa de crescimento económico sustentável.

São as medidas de redução do IRC, a aposta séria na formação e qualificação, a promoção da internacionalização, i.e., o incremento das exportações, a segurança jurídica dos investimentos, a competitividade fiscal e o financiamento das PME que podem despoletar os factores que promovem o emprego.

Bem sei que, de certo modo, é “chover no molhado”, mas há a referir que os incentivos à empregabilidade medram mais e melhor numa economia em crescimento do que numa em luta pela sobrevivência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:21

Dezembro 04 2013

Há quem ache que o aumento dos impostos é dispensável e até existem pessoas que teimam, a pés juntos, que estes deviam diminuir ou, em última instância, desaparecer. Simultaneamente, são da opinião de que deveria haver aumento de salários e de pensões. Lamento apenas que jamais consigam, cabalmente, explicar como se pode equilibrar esta equação, a qual não passa de matemática pura e dura.

Por outro lado, sublinhe-se o paradoxo de na actual situação económica de recessão, apesar dos últimos indicadores afirmarem o contrário, a receita continuar em baixa, enquanto a despesa aumenta, motivada pelo acréscimo do desemprego e do número de pensionistas e de reformados, bem como – é justo reconhecê-lo – por implementação de políticas erradas.

Quando se equacionam as possíveis soluções, observamos que a taxa de esforço assumida por cada um dos contribuintes já é excessivamente elevada e a via preconizada por uma certa “intelectualite”, dita de esquerda bem pensante, a qual preconiza a taxação ainda maior do sistema financeiro e das grandes fortunas é completamente irreal.

Se pensarmos racionalmente, para a esmagadora maioria dos portugueses, a última coisa que devem pretender é colocar o nosso sistema bancário em situação débil, pois tal acarretaria, mais cedo que tarde, numa nacionalização daquele e, por conseguinte, das nossas casas, carros e outros bens que tanto nos são queridos.

Quanto mais robustos forem os nossos bancos mais facilmente poderão ir buscar dinheiro aos mercados internacionais e – é crucial esta questão - a juros baixos, dinheiro que, por um lado, tanta falta nos faz para o desenvolvimento económico e, por outro, faz com que os que pagamos, principalmente os respeitantes à habitação, não subam exponencialmente, tornando-os insuportáveis.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:55

Março 07 2013

Sinceramente, quem me tira, seja ao almoço ou ao jantar, uma subida ou descida de rating protagonizada pelas afamadas agências, tira-me tudo. Isto de saber que a economia X possui triplo A e a do vizinho ao lado é menos que lixo dá outro realce à refeição. É certo que, na maioria das vezes, não percebemos porquê nem como chegaram a tais conclusões, mas isso para o caso pouco ou nada importa. De realçar é o modo como colocam em cima ou em baixo uma empresa ou um país.

Como tudo na vida, existem os poderosos, para os quais, por muitas vicissitudes que passem, o tal rating jamais desce, enquanto, por outro lado, existem os coitados que, por muito que façam pela vida, andam sempre pelas ruas da amargura e, por isso, jamais passarão de BBB/CCC, com muitos menos à mistura. E “viva o velho”, como se costuma dizer.

Por exemplo, é sabido que dificilmente os EUA honrarão a enorme dívida que contraíram, incluindo a que está mais próxima de vencer. Contudo, estranha-se que as “moodys” continuem ignorar este facto e prefiram penalizar um pequeno país europeu que, apesar de fortemente endividado, tem mostrado uma coragem indomável, sacrificando-se até ao limite das suas forças, para dignificar os seus compromissos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:26

Fevereiro 19 2013

A esquerda ortodoxa e a “caviar” adoram propagandear o slogan de que é a alta finança – leia-se banqueiros e quejandos – que deve pagar a crise, para a qual os trabalhadores nada contribuíram.

Ora, metáfora à parte, sem óleo adequado e em quantidade suficiente, ou seja sem lubrificação ajustada ao motor, este pode gripar. Assim, pode acontecer à economia. Aliás, não foi por acaso que o Banco Central Europeu abriu os cordões à bolsa, com vista a dar maior liquidez aos bancos, condição indispensável para que os “motores” funcionem, sem atrito e sem o risco do colapso irreversível.

Todavia, não basta que os “motores” bancários não desmaiem, uma vez que se estes não souberem partilhar tal ajuda com os mercados reais de pouco ou nada vale. É por demais sabido que se os bancos secam as economias desertificam-se e, nesta ordem de ideias, aqueles necessitam de ser salvos para poderem salvar a economia. Precisam de ter liquidez e capacidade para colocar os motores a funcionar, no mínimo, à velocidade de cruzeiro, tendo em linha uma navegação equilibrada numa rota de crescimento e desenvolvimento.

É que não adianta apertar o cinto se não formos capazes de produzir mais e melhor e jamais o conseguiremos sem financiamento adequado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:13
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Março 14 2012

Cada vez mais, o importante é o que e como se faz e não onde se faz. Segundo os especialistas, com os quais não estou em total sintonia, a alteração da natureza do local de trabalho irá proporcionar novas mobilidades dentro de novas cidades sustentáveis (!!!). Adiantam, ainda, que proximamente, senão mesmo agora, quem trabalha e quem consome usará a mesma tecnologia e as mesmas plataformas.

Por outro lado, Schumpeter, contemporâneo de Keynes, reconheceu que algum grau de destruição criativa é simultaneamente inevitável e muitas vezes necessário para uma nova dinâmica de crescimento. Aliás, não é por acaso que economistas desta escola demonstram que as prioridades dos governos preocupados com o crescimento é incentivar as infra-estruturas do futuro e assegurar as condições para o empreendorismo.

Nenhum país, à partida, é demasiado pequeno ou periférico. E para o demonstrar vejam-se os casos da Holanda, Suécia ou da Dinamarca, nações mais pequenas que a nossa mas muito superiormente abertas ao mundo. O que é absolutamente necessário são líderes capazes, mesmo em ambientes desfavoráveis, de conseguirem agitar as águas do pântano em que muitas vezes vivemos e, através de uma cultura de rigor, de aposta permanente na inovação e na criatividade, darem um impulso ao empreendorismo.

Conjugar inovação tecnológica com inovação social é a chave para desenhar novos modelos e criar novas soluções. Este tempo de crise terá que, obrigatoriamente, também ser um tempo de criatividade social.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:50
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Setembro 08 2011

Numa altura em que o nosso dia a dia se resume a mais ou menos, ou seja, mais impostos, mais desemprego, mais rareza de qualidade de vida, bem como menos dinheiro, menos subsídios, menos regalias sociais, precisamos urgentemente de um super-homem com fortes poderes económicos, de preferência usando calças pretas, camisa verde e capa amarela, isto é, vestindo as cores da Alemanha.

Todavia, à falta daquele, o esforço necessário para superar as nossas débeis finanças, terá obrigatoriamente de incidir em vários aspectos do nosso quotidiano, nomeadamente no plano do trabalho e respectivo desempenho. Ora, para tal, todos nós, os que se empenham em fazer funcionar esta economia de mercado, temos de nos assumir como super-heróis atentos aos efeitos fatais das nossas kryptonites verdes. Estes fragmentos radioactivos do planeta natal do super-homem, nefastos para este, traduzem-se, no nosso universo, no pessimismo, na inércia e numa crónica atitude demissionária face às vicissitudes conjunturais que temos o dever de combater.

Por isso, superar estes desafios é nossa missão de super-portugueses, sem complexos ou atavios, sabendo, de antemão, que o encargo se resume a acreditar na possibilidade de dar novas oportunidades ao país em que acreditamos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:13

Novembro 30 2010

Nunca como hoje se falou tanto de economia. Como já tive oportunidade de referir, neste e noutros espaços, a palavra economia aparece, infelizmente, nas pesquisas dos motores de busca da Web, mais vezes que qualquer outra, incluindo “amor”. E digo infelizmente porque se esta fosse pronunciada em grande escala - de modo sentido, é claro - a economia não estava nas ruas da amargura como está.

Todavia, uma vez que a economia importa a todos, é altura de cada um de nós olhar para ela com outro interesse e, acima de tudo, de modo mais esclarecido e objectivo. E se, antes das múltiplas decisões que, diariamente, tomamos, nos interrogarmos de que forma é que tais irão moldar o nosso futuro, não resta a menor dúvida que outro rumo daremos àquela. Ao tentarmos dar resposta a questões simples, tais como: que consequências advirão? que regulação temos ao dispor? temos ou teremos meios financeiros suficientes? como enfrentar um caso trágico (leia-se desemprego, acidente, doença, etc.)? qual(ais) a(s) estratégia(s) a seguir?, entre muitas outras, estamos, para além de cumprir o nosso dever de cidadania, a dar um passo importantíssimo na contribuição para uma Economia sã, dentro de um país com futuro.

Bem sei que, para uma parte substancial das nossas gentes, a informação política, e principalmente a económica, pouco ou nada lhes diz. Estes assuntos, a maior parte das vezes, passam-lhes completamente à margem. Também não admira. O nível de literacia e o desencanto provocado pelos maus políticos e, sobretudo, pelos péssimos economistas, a isso levaram. Contudo, também não deixa de ser verdade que estes só o foram e continuam a ser porque o povo assim o quis e quer. Isto é, sem formação e, acima de tudo, sem informação o seu poder de discernimento eleitoral é escasso, permitindo, deste modo, a perpetuação daqueles.

É, por isso, altura de arregaçar as mangas e, de um modo resoluto, todos, sem excepção, iniciarmos uma aprendizagem do abc da economia, discutindo, sem demagogia, como é óbvio, todos os conteúdos inerentes a esta temática, sem receio de encontrar, aqui ou acolá, algo que, à primeira vista, nos possa parecer ininteligível. O problema não está em não saber, mas sim em não querer saber.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:47

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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