O meu ponto de vista

Abril 30 2020

É pá! A partir da próxima semana vai ser à fartazana. De estado de emergência passamos a estado de calamidade, onde a proibição vale quase zero. Irei à praia – no domingo até vão estar para cima de 30º C -, ao restaurante, ao cinema, ao futebol, passearei pela serra e até farei "piquenaiques". Isto só para dar alguns exemplos. Apenas necessitarei de não estar com mais de dez pessoas e de usar máscara. Ora, estas agora não faltam. Desde descartáveis, reutilizáveis, de pano simples às almofadadas, tipo soutien, entre tantas outras, é só escolher. Não há fome que não dê em fartura, já dizia a minha avó.

Aumento de propagação do coronavírus? Que se lixe. A vida voltou a ter sentido!

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:45

Abril 24 2020

Com toda a franqueza estou extraordinariamente farto. Sim, bem sei que quem se fartam são os burros, mas não encontro melhor palavra para exprimir o que verdadeiramente sinto.

Caramba, já não basta dar aulas por videoconferência, o qual tem exigido a auto-aprendizagem da utilização das mais diversas plataformas, para, ainda por cima, ter de estar atentos a todos os pormenores de confidencialidade, restrições e uso público de dados?

É que para além de utilizar o meu equipamento, rede internet – dentro das minhas atribuições profissionais está, em algum lugar, contemplada a posse obrigatória e respectivo uso destes bens? -, bem como electricidade, sem qualquer contrapartida, ainda nos é solicitada a menção de casos de abuso de quebra de sigilo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:55

Abril 21 2020

Nunca os professores trabalharam tanto como agora. Desdobram-se entre reuniões por videoconferência, as quais são marcadas por tudo e por nada, manuseiam plataformas, muitas das quais jamais tinham sequer ouvido falar, e outras pafernálias que, segundo se diz de confidencialidade nada têm, descobrem truques e malabarismos para melhor chegar a palavra e a imagem aos seus alunos, algumas vezes até parecendo líderes as novas seitas religiosas, (re)inventam formas de inovar com o fim de “malsinarem” os seus saberes, quase à semelhança de qualquer vendedor de banha da cobra.

A intenção é excelente. Damos o litro e mais alguma coisa. Transpiramos tecnologia por todos os poros. A qualquer hora do dia marcamos aulas e enviamos os respectivos convites. É com toda a sinceridade que o digo. O pior é o resultado. Se não é nulo, pouco mais é. Tanto sacrifício para depois morrer na praia.

Relativamente aos discentes, então nem é bom falar. Sempre sonolentos, esfregando constantemente os olhos e afirmando que ainda estão em jejum. Quando se descuidam nota-se o pijama ainda vestido e a desordem do quarto é soberana. Alguns, os mais espertos, longe de serem inteligentes, apresentam-se sempre de câmara desligada. Quando lhe pedimos para a ligar a resposta é pronta: “este computador não tem ou está danificada”.

Acreditem que há dois meses jamais me passaria pela cabeça dizer isto: que saudades das aulas presenciais!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:41

Abril 19 2020

Enquanto uns discutem se deve haver ou não comemorações, na AR, do 25 de Abril – os sim são democratas, os não são fascistas, como se a democracia fosse algo a preto ou branco – outros lutam pelo futuro mais imediato, sem saber e muito menos querer saber destas lutas intestinas dos nossos “maiores” da política. Estes, afinal, continuam a olhar apenas para o seu umbigo.

Como disse hoje SS o Papa Francisco somos todos frágeis e, sobretudo, atrasados em relação ao tempo, à semelhança de S. Tomé, o qual chegou posteriormente e não viu Jesus Cristo. Espero e anseio que quando Este voltar, no fim do tempo de cada um, não estejamos ausentes e muito menos incrédulos.

Por outro lado, para aqueles – pecador me confesso – que estavam cansados de “aturar” os discentes, bem como o contrário, é bom que torçam a orelha. Sim, bem sei que esta não deita sangue, sinónimo de que os nossos queixumes não tinham razão de ser. Somos uns eternos insatisfeitos. Os imensos contactos que, por videoconferência, ultimamente tenho feito dão-me essa certeza absoluta. Os alunos têm saudades de aulas presenciais com os professores, incluindo aqueles que detestavam e, pelo lado destes, então nem é bom falar.

Continuamos a limpar o que muitos de nós não sujámos. Serve-nos de consolo a ideia de um milagre e de que as gerações que sobrevivam a esta pandemia terão uma consciência moral e/ou ética superior à nossa. Alguns estão ainda em delírio. Porém, quando a poeira assentar e a verdadeira crise – sim, porque isto de ficar em casa um mês, atrás de outro pagar-se-á com língua de palmo – se instalar, então falamos

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:52

Abril 15 2020

Todos sabemos que a economia é suportada quase na sua totalidade pelo sector privado. Aliás, não é por acaso que se nos alimentamos por estes dias aos trabalhadores do comércio devemos. Não quero dizer que os funcionários públicos não sejam absolutamente necessários. Veja-se o caso da entrega e devoção dos profissionais de saúde, de segurança e de forças de emergência, entre outros, para justificar esta minha afirmação.

Contudo, não deixa também de ser uma grande verdade quando se afirma que os funcionários do Estado se encontram numa situação de privilégio em relação aos restantes. Por exemplo, os funcionários públicos que estejam em casa, de quarentena devido ao Covid-19, guardando os filhos menores de 12 anos recebem o ordenado por inteiro, enquanto os do sector privado auferem apenas 2/3.

Já agora, esta pandemia, a qual todos desejamos que termine o mais rapidamente possível, trará para a economia consequências trágicas, bem piores que as de 2011. Acontece, porém, que os funcionários públicos manterão os seus postos de trabalho, enquanto o desemprego e o layoff afectará enormemente os restantes trabalhadores. Já agora a cereja em cima do bolo: os bloquistas, sem um pingo de vergonha, exigem que os funcionários públicos continuem a usufruir, para além das aludidas regalias, dos aumentos e progressões programadas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:03

Abril 13 2020

Desde já esclareço: estou cansado desta situação. Fechados em casa há, pelo menos, três semanas e mesmo assim constantemente receosos de contrairmos a infecção do Covid-19. Não houve compasso pascal, bem como reunião com os familiares e amigos. Festejámos sozinhos – tem alguma graça? – e erguemos as taças em glória de Cristo Ressuscitado. A maioria com água. Salvou-se este vosso escriva que não corta a cepa.

Todavia, não deixaram de chegar emails em cima de emails, provenientes do sistema de escolar, sobre o ensino à distância. Caramba, já não basta a tristeza que nos vai invadindo para, ainda por cima, nos jogarem de Pôncio para Pilatos, tanto são as instruções, algumas delas perfeitamente contraditórias. Apesar de parecer o contrário, olhem que o tempo da Quaresma já terminou.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:07

Abril 12 2020

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Bem sei que, hoje-em-dia, é quase impossível não me repitir. Assim, para além de voltar a dizer o que já disse, subscrevo o que muitos têm escrito, i.e., atravessamos tempos estranhos. Tão insólitos que até aparece que não houve Quaresma, celebração da Paixão de Cristo e, principalmente, a comemoração de Cristo Ressuscitado.

Ora, por muito inabituais que sejam os momentos que actualmente habitamos, uma coisa é totalmente certa: Cristo está vivo e vive no meio de nós. Por isso,

Aleluia, Aleluia, Aleluia

CRISTO RESSUSCITOU

Demos graças a Deus.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:20

Abril 05 2020

Em tempos não muito distantes poucas pessoas havia que não ansiassem pelo fim-de-semana e, sobretudo, pelo domingo. Mesmo a chover, ia-se à missa, almoçava-se fora, passeava-se e/ou faziam-se compras. Víamos e éramos vistos. Agora, em que a segunda é igual à terça, esta igual à quarta e assim sucessivamente, tudo mudou. Bem, diga-se em abono da verdade que, neste momento, o domingo, para mim, é que mais custa a passar, um verdadeiro suplício. Nos outros dias ainda tenho a agricultura para me distrair. Aliás, não é por acaso que já fiz todas as sementeiras: batatas, milho, feijões, abóboras e hortícolas. E não são áreas tipo jardim!

Em suma, estou que nem posso. Só me apetece comer ameixas verdes e gritar às paredes. O dia de hoje resume-se a esta roda (morta): da cozinha para a sala, desta para o escritório, da televisão para o computador, e voltando ao princípio. Espreito, mais vezes que as recomendáveis, o frigorífico, olho pela janela a chuva que cai incessantemente e tento brincar com a filha e/ou neta, as quais também se apresentam, quase diria, letargicamente instaladas no sofá. Não é bem um inferno mas está lá perto.

Quando este bicho, o “conavírus”, como diz a minha Laurinha, acabar, das primeiras coisas que farei é sair, passear, passear e comer um belo peixe grelhado num restaurante à beira-mar. Ah, e comprar roupa para a minha neta. Sim, graças a Deus está crescer a olhos vistos e não há onde comprar, por exemplo, um simples vestido e/ou uns ténis.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:54

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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