O meu ponto de vista

Fevereiro 28 2020

Todos sabemos que os políticos dizem hoje uma coisa e amanhã, sem corarem, afirmam precisamente o contrário. E ai daqueles que que os contestarem, achando, muito naturalmente, que entraram em contradição.

Por exemplo, Fernando Medina, presidente da CM de Lisboa e destacado socialista, afirmou que “uma lei que dá a um único município o poder absoluto de condicionar uma infra-estrutura nacional, nomeadamente o caso do novo aeroporto do Montijo, é desadequada e não é proporcional. É uma lei feita fora do tempo“, acrescentou.

Todavia, há uns dias declarou que ”os voos nocturnos não irão voltar a ser praticados no aeroporto Humberto Delgado. Esclareço que os voos durante a noite foram proibidos no aeroporto de Lisboa há apenas umas semanas, devido a obras no local. "Reafirmo a minha total e completa oposição a que, no momento da finalização das obras atuais, se venha a registar qualquer retomar da realização de voos nocturnos em condições sequer próximas da grosseira ilegalidade da situação que se vivia previamente a este período", asseverou na reunião da Assembleia Municipal.

Na questão do novo aeroporto do Montijo, não pode, na opinião daquele autarca e de muitos socialistas, haver alguém a contestar. Quanto ao aeroporto situado na capital, o caso muda de figura.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:08

Fevereiro 27 2020

O Coronavírus é um daqueles assuntos incontornáveis. Sendo matéria de abertura de telejornais e primeiras páginas de jornais, não existe ninguém que não tenha falado sobre tal. O certo é que, pelo menos até agora, sem grande alarmismo, mas temendo cada vez mais, os portugueses rezam para que tal não chegue a este rectângulo à beira-mar plantado.

Todavia, de uma coisa tenho a certeza: mais dia, menos dia surgirá em Portugal um caso positivo. Mesmo assim, continuo a pedir a Deus que não permita tal. Como não se prevê para breve a descoberta de vacina para o surto, resta-nos, comungando a opinião de alguns cientistas, saber viver com este vírus, tal como o fazemos com tantas outras estirpes.

Viajar para fora do país está, principalmente para os países de maior incidência, está fora de causa. Apenas por falta de tempo ainda não adquiri máscaras, algo que farei muito em breve. O desinfectar constante das mãos voltará a ser prática habitual, tal como aconteceu em 2009. Numa altura em que tudo se coonesta, levar muito a sério esta postura é recomendável.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:18

Fevereiro 25 2020

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Morreu a Laura Ferreira. Só o nome me clama simpatia. Mas ao pensar no que sofreu, tal como outra Laura, que de tão perto me tocou, vêm-me lágrimas aos olhos.

Esta Laura, mulher de Pedro Passos Coelho, o qual, no silêncio do amor, na solidão da doença, sempre a acompanhou, merece, agora e sempre, a minha solidariedade.

Ainda quando primeiro-ministro, e a doença terrível se identificou, nem um queixume ou uma palavra de amargura se ouviu da sua boca. E os amigos? Bem, infelizmente muitos deles atiraram-lhe pedras. E quanto aos adversários políticos? Tanto os mais como os menos ilustres, bem como muitos cidadãos comuns, jamais deixaram de o vilipendiar, dizendo dele o que os maometanos não dizem do presunto.

Com todos estes escolhos prosseguiu o seu caminho, libertando o país da bancarrota e venceu as eleições. Não formou governo devido a uma coligação espúria. Todavia, o seu capital político permanece intacto e será, não tenho a menor dúvida, um dia a dignificação deste país.

publicado por Hernani de J. Pereira às 17:54

Fevereiro 19 2020

No ensino continua "tudo como dantes, quartel-general em Abrantes”. O não-ministro, Tiago Brandão Rodrigues, não dá a cara quase por nada, surgindo apenas quando convocado obrigatoriamente, como é o caso das audiências na AR, e apenas para dizer as banalidades do costume. As escolas, fazendo das tripas coração, lá vão empurrando o barco, mais ao sabor dos ventos do que por objectivos previamente traçados.

Os professores e auxiliares são agredidos, bem como a violência intra-discentes aumenta assustadoramente. É um facto relatado diariamente. E que diz o ME? Assobia para o lado, ou, quanto muito, manda dizer ter planos para combater tal flagelo, sem jamais revelar quais.

Por outro lado, os sindicatos, sempre na defesa dos direitos dos seus dirigentes, perdão dos professores, claro está, marcaram uma jornada de luta/greve às avaliações intercalares que, eventualmente, decorram durante a interrupção do Carnaval, leia-se dias 24 e 26 próximos. Não digo que não existam escolas que não tenham marcado aquelas actividades para estes dias, mas não tenho a menor dúvida que serão uma minoria dentro de uma escassíssima minoria. Aliás, ontem, em conversa na sala de professores, dezenas de colegas afirmaram desconhecer qualquer escola nessas condições, com excepção de uma – só confirma a regra – que apontou Vouzela. Já agora, a ser verdade é condenável.

Importa, por isso, reafirmar que gastar munições para nada, ou melhor, para quanto muito dar prova de vida, não é só sinónimo de incompetência, é também sinal de estupidez.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:19

Fevereiro 18 2020

Já não de agora e muito menos original, mas que vivemos tempos difíceis ou, melhor, incompreensíveis, é verdade. Entidades e pessoas cuja matriz é o colectivismo, onde a propriedade e a liberdade individual não são admissíveis, mas no que respeita à eutanásia são os primeiros a colocar como prioritária a vontade de cada um, é de espantar. É o exemplo do BE e do Livre, sendo de bom-tom, ressalvar a atitude positiva do PCP.

Quando num dos poucos países europeus onde a morte assistida é permitida, como é exemplo a Holanda, se começa a discutir a possibilidade de dar um comprimido, a cada pessoa com mais de 70 anos, com o fim desta, se assim o entender, tomar e assim colocar fim à vida, é absolutamente necessário colocar travão, enquanto podemos, a esta deriva suicidária.

Que cada um pode terminar com a sua própria vida, é mais que sabido e acompanha o homem desde que é homem. Não aprovo, não compreendo, mas desde que não esteja na minha mão impedir nada posso fazer a não ser rezar. Uma coisa é certa, toda a pessoa é livre de cometer as maiores loucuras, como é o caso do suicídio. Todavia, se estiver na minha mão impedir tal, jamais respeitarei essa vontade, uma vez entender este meu gesto, não como um atentado à liberdade individual, mas como amor. Contudo, neste caso, não me posso rever somente no caso impeditivo, mas também no cuidado que devo ter para com o próximo. E o que falta são estes cuidados, estes gestos de amor.

Há que pensar nisto: algo vai mal, quando se passeia o cão diariamente na rua, onde este é tratado como se filho fosse, enquanto os progenitores são abandonados em suas casas, sujeitos a solidão atroz, ou encerrados em lares sobrelotados.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:27

Fevereiro 14 2020

Os partidos com assento na Assembleia da República, na sua maioria, preparam-se para aprovar o direito à morte assistida, sem haver lugar a debate público e muito menos referendo. Conforme disse no texto anterior, por muito que nada tenham dito aquando da campanha eleitoral para a actual legislatura, aqueles, com receio de que o povo chamado a referendo chumbasse a sua pretensão – não tenho a menor dúvida que assim seria -, preparam-se, agora e à socapa, para aprovar legislação sobre tal matéria.

Que os partidos da esquerda e extrema-esquerda o façam não me admira, uma vez que a democracia directa é para ser usada apenas e exclusivamente quando muito bem lhes interessa. Agora que o PSD, cuja matriz sempre foi moldada pela doutrina social da Igreja, bem como sabendo que a maioria dos seus militantes e, sobretudos, eleitores, professam a religião católica, vá atrás daqueles e também apoie a não realização de um referendo é que não compreendo e muito menos aceito. Respeito quem pense diferente e vote conforme muito bem entender num referendo, como é óbvio. Rejeito a clarividência de meia-dúzia de iluminados, bem sentados no Parlamento.

Estou e enquanto assim pensar estarei sempre contra este atentado à vida humana, por muito que respeite a liberdade, não qualquer liberdade, não as mais amplas liberdades e muito menos a libertinagem. Atrás da eutanásia outras “liberdades” virão. Isto é só o princípio.

Por último, acrescento: ou o PSD, no qual há muito milito, repensa a sua posição relativamente ao referendo, ou ver-me-ei, de acordo com a minha consciência, obrigado a desfiliar-me. Tenho dito.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:29

Fevereiro 12 2020

No próximo dia 20, a Assembleia da República (AR) irá, em princípio, aprovar do direito à eutanásia. Digo em princípio, uma vez que a esquerda e extrema-esquerda, hoje maioritária na Parlamento, já disseram que eram esses os seus propósitos. Para início de conversa, direi que não concordo com esta posição, uma vez que, senão toda a esquerda, pelo menos o PS não o declarou explicita nem implicitamente no seu programa eleitoral tal desiderato. Ora, caso o tivesse feito, i.e., de fora clara e concisa, sem tergiversações, estou perfeitamente convencido que o resultado eleitoral tinha sido diferente. Não votei PS, como muito bem sabem, mas conheço muitos socialistas que jamais teriam convertido o seu voto em cor-de-rosa caso soubessem destas nefastas intenções.

Se AR é soberana? Claro que sim. Isso é indiscutível. O problema é os deputados terem sido eleitos de acordo com um programa e, posteriormente exercerem o seu múnus em algo a que legitimamente não lhes foi dado mandato. Esclareço, desde já, que incluo neste rol o PSD, o qual, segundo as últimas notícias vindas a público, se prepara para dar liberdade de voto aos seus deputados, argumentando que se trata de uma questão de consciência. Votei PSD e, como militante li atentamente o respectivo programa - tanto mais que propaganda/aliciamento fiz – e nada vi escrito sobre tal tema.

Como católico e, sobretudo, cristão, acredito que apenas Deus é dono da vida humana, Assim, enquanto pensar deste modo, jamais imaginarei alguém, por muitos sacrifícios/dores que possa estar sujeita, a colocar fim à vida ou a solicitar a outros que o façam. O padecimento é algo, não fruto da criação Divina, mas dos males que o Mundo enferma. Como tal deve servir, independentemente do credo/situação, como expiação. Nascemos a sofrer e, na generalidade, da mesma forma havemos de perecer. No intermédio muitas alegrias temos, tendo sempre presente que estas são bem maiores que aqueles, e, como é lógico, as quais servirão de equilíbrio aos padecimentos. Quando quisermos uma vida apenas provida de felicidade então o nascimento é desnecessário.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:29

Fevereiro 11 2020

Quem me conhece sabe que sou um optimista nato e, por isso, acredito num futuro melhor. Porém, talvez devido à idade, tenho sentido o dosear de entusiasmo, o que me deixa algo constrangido. De modo algum tal sintoma descarrilará para depressão, mas que é, por vezes, angustiante não deixa de ser verdade.

Presumo que uma das causas do crescente mal-estar se deva à profissão que abracei há mais de quarenta anos. O ensino, se não anda pelas ruas da amargura, para lá caminha. Não porque haja docentes e não-docentes a não darem o seu melhor, mas sim pelo lado da educação. Os maus hábitos, a falta de princípios, os baixos valores que em casa são transmitidos levam a um estado calamitoso dentro e fora da sala de aula.

A linguagem de carroceiro, o uso intenso de toda uma pafernália de novas tecnologias, a começar (e acabar!) no telemóvel, o não se interessar por nada, por muito que os mestres tentem pintar diariamente o céu de azul, o recusar-se a aprender e, pior ainda, não deixar que os outros aprendam, é o pão-nosso de cada dia das escolas.

Sim, bem sei que existem umas escolas melhores que outras, tal como não desconheço que professores existem em que o respeito é muito lindo e que todos ficam a ganhar. Falo da generalidade e do que ouço constantemente. E não se pense que os discentes anteriormente descritos pertencem a estratos sociais desfavorecidos, vítimas de um feroz capitalismo. Não, mil vezes não. Alguns dos alunos nestas condições até são filhos de professores e, infelizmente, muito protegidos por parte destes.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:29

Fevereiro 07 2020

Coisas existem que uma pessoa vê, ouve e lê, uma vez, outra, mil vezes que sejam, e não acredita. Então, não é que o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, afirmou perante o juiz de instrução, sem mostrar cara envergonhada, que desapareciam daquele Ministério dossiers inteiros, bem como haviam documentos que entravam e saiam sem haver lugar ao respectivo registo?
A pergunta que se impõe: como é possível alguém com funções de chefia – neste caso máximo – que ao saber destas ilegalidades/crimes e não comunica a quem quer que seja? Não digo, informar, de imediato, o Ministério Público, mas em cada ministério existe uma inspecção. Certo? Foram participadas a esta? Se sim, quando e onde estão os resultados? Se não, o primeiro-ministro não diz nada? E o Presidente da República o que diz?
Aliás, sobre o célebre memorando de Tancos aquele ex-político também afirmou que soube da encenação sobre o achamento das armas mas não informou ninguém por achar que tal não estava dentro das suas competências funcionais. Simplesmente inacreditável.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:39

Fevereiro 06 2020

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publicado por Hernani de J. Pereira às 21:05

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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