O meu ponto de vista

Janeiro 31 2020

É um dado adquirido que cada vez as pessoas tendem a viver mais anos, tal como é por todos sabido que a proporção de jovens, relação a outros sectores geracionais, é cada vez menor. Abro um parêntesis para aludir ao que também é do conhecimento público: a língua é algo vivo e que com o decorrer do tempo vai mudando. Por exemplo, em tempos que já lá vão, uma pessoa com 70 ou 80 anos era designada de velha, passando depois a ser chamada de sénior e hoje-em-dia começa a tomar forma a denominação de geração 60+.

Ora, sendo cada vez mais é natural que surja toda uma “indústria” que acrescenta valorização ao bem-estar desta geração., tendo o foco em toda a sua multidimensionalidade, numa perspectiva 360º: vida (activa), pessoal e familiar. Daí não admirar o surgimento de metodologias e filosofias de gestão do capital humano centradas na felicidade e na criação de um ambiente amigável e positivo, razão pela qual se fala tanto em life-friendly organizations ou work-life balance.

Tal a importância deste tema que o Banco Mundial identificou quatro tendências centradas na sustentabilidade de uma vida activa:

- Combater o idadismo em todas as suas vertentes;

- Centrar as motivações das pessoas, promovendo a inteligência emocional;

- Criar um ambiente de trabalho flexível que permita a conciliação da vida pessoal e familiar;

- Tirar o máximo proveito do contributo das gerações para o desenvolvimento do capital do conhecimento

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:48

Janeiro 29 2020

De modo algum concordo com a proposta do Livre, proferida, na Assembleia da República (AR), por Joacine Katar Moreira no sentido de que todo o património das ex-colónias, presente em território português, possa ser restituído aos países de origem de forma a "descolonizar" museus e monumentos estatais, tal como não estou com o poste publicado por André Ventura em que propõe que aquela seja devolvida ao seu país de origem.

Não concordo, repito, mas também não apoio a posição da esquerda e extrema-esquerda, começado no Livre, passando pelo BE e terminando no PS, a qual mais não reflecte do que a postura de virgens ofendidas. Então este último, após o episódio deplorável do Presidente da AR, Ferro Rodrigues, sobre a "vergonha" de André Ventura, vê-se que não aprendeu nada com os erros.

E não me ajusto a tais posições por duas razões, a saber: primeiro, por não terem envergadura moral para lidarem com esta situação, já que em casos semelhantes deram indicações completamente antagónicas; segundo, porque seguiram o caminho que o líder do Chega! mais pretende, i.e., que falem dele, que o publicitem. André Ventura, com vantagens constantemente acrescidas, neste momento adoptou aquela velha máxima “não importa se falem mal ou bem de mim. O importante é que falem”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:29

Janeiro 28 2020

Só os ingénuos alguma vez acreditaram que o “Futebol Leeks” derrubasse o que quer que seja no mundo do futebol. Tal como o “Panama Papers” pouco ou nada alterou no mundo da política e, sobretudo, na roda da alta finança, também a divulgação das enormes fugas ao fisco por parte daqueles documentos em muito pouco alterou a prática ligada à corrupção que passeia impunemente no munto do futebol dos milhares de milhões.

Agora surgiu o “Luanda Leeks”, hoje sabido que foi fruto de Rui Pinto. Ao princípio, a esmagadora maioria das pessoas escandalizou-se, tendo sido alvo de intensas conversas de censura, algo que vergonhosamente não tinha acontecido quando o caso se reduzia, quase e exclusivamente, ao caso de “toupeiras” do Benfica. Todavia, a poeira começa a assentar e, nessa ordem de ideias, as figuras de sempre – leiam-se advogados, magistrados, uma ou outra figura política, bem como este ou aquele empresário, todos com os rabos entrilhados – começam a dizer que a difusão dos aludidos documentos, por muito que sejam verdadeiros, foi ilegal e, assim sendo, não servem como prova para condenar quem quer que seja.

Resumindo, neste país, só se os corruptos divulgarem ou confessarem de motu próprio os elementos que os podem comprometer é que poderão ser acusados e pagarem por tais crimes. Ora, como tal jamais irá acontecer …

Apostam comigo que todos eles vão sair incólumes e passar literalmente entre os pingos da chuva?

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:32

Janeiro 26 2020

Na vida de um docente, ao contrário de que muita gente pensa, há momentos em que por muito que queira não consegue progredir na carreira, independentemente de ser muito bom ou excelente. É o caso de acesso ao quinto e sétimo escalão, uma vez estarem sujeitos a quotas. Explicitando: poderão haver, por exemplo, 30 docentes excelentes nos aludidos escalões, mas se o percentil apenas permitir que passem ao seguinte 20, os restantes ficarão a marcar passo.

Se até aqui tal emana da lei, outra coisa totalmente diferente são os critérios que cada escola estabelece para, nestes casos, se progredir ao escalão seguinte. Hoje, chegou-me ao conhecimento que uma escola estabeleceu como prioridade de desempate o docente pertencer ou não aos quadros.

Ora, tal quer dizer que um docente destacado, cujo desempenho é excelente e, por isso, com uma avaliação superior, numa escala de 0 a 100 %, fica postergado em relação a outro colega com valor mais baixo desde que este pertença aos quadros da escola/agrupamento.

Não tenho a menor dúvida que esta tomada de posição é ilegal, tal como em tempos foi considerado ilegítimo o facto de um indivíduo a um lugar público ver diminuído o seu valor só porque não residia no concelho para o qual se tinha apresentado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:14

Janeiro 23 2020

Para alguém que se preocupa mais com os meios do que com os fins, acredita mais no colectivo do que no individual, e prefere olhar para as questões no seu todo – nunca gostei da teoria do copo meio cheio versus meio vazio – a construção de um relacionamento duradouro e de confiança é uma prioridade.

Todavia, rejeito “conversas de café e entretimentos de sala de estar”, pelo que a conversa inicial jamais é longa e de suma importância. Ser apresentado por alguém como homem de confiança é admirável e extremamente vantajoso. Os meios de persuasão envolvem mais o questionamento do que agressividade concorrencial. O mesmo não poderei dizer da paciência. Não sendo à priori impaciente, e entendendo de que saber esperar é uma virtude, o prolongamento de conversa inútil é-me constrangedor.

É preciso conhecer e apreciar, dizia-me há tempos uma pessoa amiga. Há que investir tempo e estar disponível. Há que ter a mente aberta e saber afastar ideias preconcebidas. Só assim será possível abraçar as oportunidades que existem neste mundo tão diverso.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:12

Janeiro 22 2020

Agora que Isabel dos Santos caiu em desgraça, um pouco por todo o lado, mas sobretudo em Portugal, surgem todos os dias os mais variados políticos, armados em virgens púdicas, (re)afirmando a toda a hora que jamais souberam o que que fosse, chutando para canto qualquer sombra de inquietude, já que, segundo eles, quem deverá ter as orelhas a arder são os reguladores, entidades que como bem sabemos de independência têm pouco ou nada.

Não há político, designadamente aqueles que se posicionam no designado centrão, que não tenha estendido a passadeira vermelho e não tenha cantado hossanas àquela “empresária”. Desde presidentes de câmara, passando por ministros, primeiros-ministros e presidentes da república, sem esquecer bancários, grandes escritórios de advogados, entre tantos outros, todos olhavam para o lado e jamais se questionaram sobre a origem do dinheiro, aliás manchado de sangue como todos sabiam.

Uma ressalva, em forma de louvor, apenas para Ana Gomes, a única que nunca calou a revolta que sentia relativamente à idoneidade da filha do ex-presidente angolano.

Por último, uma chama de atenção para as palavras de hoje de António Costa, o qual disse e cito de cor: “Isabel dos Santos jamais teve, em Portugal, um tratamento preferencial”. Caramba, é preciso ter cara de pau para proferir estas palavras sem se rir.

Aditamento em 2020.01.24, pelas 21h40: 

Boa noite,

Li agora o seu artigo de opinião e venho por este meio felicita lo por aquilo que escreveu, pois ainda hoje falei sobre isso com a minha mulher...nao poderia estar mais de acordo com tudo o que escreveu...O problema é que mais uma vez, não haverá responsáveis, encobrem se todos uns aos outros...pois todos andaram a "comer" e nós aqui continuamos a fazer contas á vida todos os meses...é assim o sistema e há de continuar infelizmente, e a Ana Gomes que diz e despoleta toda a verdade nua e crua irá sempre ser apelidada de extremista, radicalista e uma personagem a não levar em conta...

Cump

Rui Sousa

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:06

Janeiro 21 2020

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Não sendo grande fã de Nicholas Sparks, eis a capa do livro, oferecido há cerca de quatro anos e desde aí abandonado nas minhas estantes, que (re)comecei a ler.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:30

Janeiro 19 2020

É o individualismo a vigorar. Não digo na sua máxima exponência, uma vez acreditar que vá aumentar durante, pelo menos, os próximos dez/vinte anos, mas que está quase nos píncaros não deixa de ser verdade. Tal sintoma, já de si mau, torna-se, no momento actual, algo péssimo, pois proporciona a desnutrição de qualquer malha de solidariedade.

No concreto, a maioria acha-se – o achismo está na moda, pois não há gato pingado que não ache isto e aquilo sobre tudo e sobre todos – plenamente capaz de alcançar a Lua, senão mesmo o Sol. As pessoas situam-se num optimismo superexagerado, em que cogitam que apenas devem sujeitar-se a si próprios. A dependência familiar apenas se efectiva, de vez em quando, e quanto muito em termos financeiros. Então, no concerne a Deus nem é bom falar, uma vez raciocinarem que não necessitam do Divino para nada. Mesmo no aspecto da amizade, por muito que hoje tal conceito esteja arredado do corre-corre dos nossos dias, manda a verdade dizer que conhecemos cada vez mais pessoas, mas, em contraste, contamos cada vez com menos amigos.

Nunca como hoje, as pessoas se sentem como flores de nenúfar, autênticos cristais da Boémia, já que, por tudo e por nada, por dá cá esta palha, se melindram e enxofram. Consequentemente, viram costas e nada mais querem saber. Pensam que são únicos e se auto bastam, ponderando que o dinheiro tudo resolve na vida.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:53

Janeiro 17 2020

O Ministério da Propaganda, perdão da Educação, anunciou que os professores com mais de 60 anos podem deixar de dar aulas, ficando a desempenhar outras actividades. Antes de mais, deixem-me dizer, desde já, que não acredito na concretização de tal medida, a qual, por agora não passa de mera intenção. A ir para a frente, seriam muitos milhares de professores a necessitarem de serem substituídos e isso, como bem sabemos, representa muitos milhões. Ora, o “Ronaldo” das Finanças não estará, certamente, na disposição de abrir mão destes. E ele é que manda, ainda que digam que menos que antes. Lá iria por água abaixo o superavit que tanta almeja.

E se eu estiver enganado? Suponhamos, então, que a breve prazo o ME produzirá legislação com vista a colocar em prática a aludida medida. Vamos por uma vez, sem exemplo, acreditar na “bondade” dos ocupantes da 5 de Outubro.

E, a ser verdade, repito, como se efectivará tal propósito? Os docentes nessas condições passariam a estar em ocupações de alunos, bibliotecas, salas de alunos, de tarefas e de apoio, bem como nos clubes da mais variada natureza? E isto só para citar alguns exemplos, pois bem sabemos como a criatividade nas escolas, sobretudo neste âmbito, é extraordinária. No fundo passariam a ser pau para toda e qualquer colher, i.e., uns meros tapa-buracos, uns professores faz-de-conta, sem autoridade, mas com muita responsabilidade.

Assim sendo, se for essa a decisão de Tiago Brandão Rodrigues, esse sim um verdadeiro faz-de-conta, então, desde já, declaro a minha recusa. Prefiro mil vezes ser professor de turmas indisciplinadas, ministrar aulas, muitas vezes, sem as mínimas condições, suportar burocracias que não lembram ao Diabo, vergar-me a decisões superiores, algumas delas ao arrepio do mínimo direito de justiça, presenciar reuniões atrás de reuniões onde se chega a discutir o sexo dos anjos, mas onde possuo autoridade – pelo menos aquela que me deixam ter - e sentido do cargo inerente, do que ser um pau-mandado deste ou daquele.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:55

Janeiro 16 2020

Esta coisa da Auditoria está a dar comigo em doido. Para facilitar a vida dos colegas, declarámos em acta que recebemos os documentos que são necessários apresentar. Agora quando, de repente, a visita se anuncia constatamos o que já naquela altura bem sabíamos, ou seja, a maioria dos elementos constituintes do conselho de turma não cumpre com a suas obrigações.

Assim, de um dia para o outro, aqui d’El Rei que não é admissível. Assinámos algo que não correspondia à verdade e, por isso, no presente não podemos admitir externamente que a culpa é dos outros. Lamentável a todos os títulos. É o que dá ser compreensivo e sobretudo compassivo. Resta-nos enviar emails, telefonar e procurar o colega A, B, C e D – isto para não citar mais letras –, solicitando, por favor, que nos enviem os documentos em falta. Ao que isto chegou? Solicitar isto e aquilo a alguém que não cumpre, mas de um modo respeitoso e reverencial.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:35

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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