O meu ponto de vista

Novembro 12 2019

Devo ter uma costela estranha, já que me sinto um tanto e quanto diferente daqueles e daquelas, muito mais estas, como é óbvio, que diariamente me acompanham na árdua tarefa de ensinar. Ouço amiúde que não têm tempo para filhos, para passear, para ir ao cinema ou simplesmente para ver televisão. Depois de dar aulas apenas lhes sobram momentos para preparar novas aulas e testes, corrigir estes, preencher mil e umas grelhas, entre múltiplas outras tarefas. Aliás, quem estiver mesmo atento ficará convicto que nem dormem.

O que é certo é que quando estão em sala de alunos, de tarefas, de apoio, de disciplina, só para citar alguns dos locais onde preenchem a componente não lectiva a nível de estabelecimento, não fazem outra coisa que não seja corrigir testes e preparar novas aulas. Não o(a)s vejo perguntar o que quer que seja e/ou levantar o rabo da cadeira para atender um aluno que necessita de algo.

Mundo de hipocrisia. Se o fazem na escola não fazem em casa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:10

Novembro 08 2019

A conversa é boa, mas, por vezes, torna-se aborrecida. Não nos deixa fazer isto e/ou aquilo, algumas urgentes. Há pessoas que, por muito que observem o outro a tentar trabalhar, não se calam. Matracam, matracam, maçam e maçam até à exaustão. Será que não têm com quem conversar em casa e, por isso, quando encontram um colega que lhes dá atenção não emudecem? Se sim, então é um acto de caridade.

Com tanto falar, varreu-se-me o tema que queria abordar. É a angústia de quem quer escrever algo e olha e olha para a folha, neste casso, o ecrã do computador, e não sai nada. Entretanto, o colega abandonou a sala. Pudera, terminou o seu tempo de estar na escola e quer ir almoçar. E eu que aguente.

À falta de outro assunto, falarei do tempo. Até que enfim que veio um dia com sol. Bem sei que necessitamos de muita e muita chuva e Deus queira que isso aconteça. Todavia, sentia-me cansado de tanta chuva e humidade por todos os cantos. Hoje amanheceu com um ar radioso, convidando a longos passeios ou a trabalhar na agricultura, algo que farei da parte da tarde.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:01

Novembro 06 2019

Ninguém tem dúvidas. Coisas existem que a maioria dos portugueses adora. Sem intenções de pontuação há exemplos paradigmáticos: fuga aos impostos/taxas, gabarem-se do que não são ou de algo que jamais imaginaram fazer, queixarem-se, na grande maioria dos casos sem razão, da falta de dinheiro e excesso de trabalho, faltar ao trabalhar sem motivo, e, acima de tudo, “furar” uma fila de gente, i.e., fazendo de todos os outros autênticos totós. Este último, sem sombra para dúvidas, dá-lhe um gozo bem acima da média, algo extraordinário, talvez só comparado a um extremo orgasmo.

Escrevo estas palavras por algo concreto. Anteontem fui, ao lagar da Pena (Cantanhede), fazer o azeite proveniente da azeitona que durante as duas/três semanas anteriores apanhei. Aliás, como todos sabem alguns dias debaixo de chuva, pois não houve alternativa. A entrega estava marcada para as 15h00, pelo que, previdente, cheguei cerca de uma hora antes. Logo após a chegada avisaram-me que havia um atraso à volta de três horas, sem mais explicações, por muito que tenham sido solicitadas. Indagados sobre quem estava à minha frente, responderam-me que a lista não era pública. Logo entendi, e, com toda a certeza, os meus caros leitores também, do porquê. Espero, espero e desespero! Entretanto, eu e muitos outros - muito dos quais falam imenso pela calada, mas à frente encolhem o rabo – começamos a verificar que pessoas chegadas recentemente despejavam a sua azeitona e iam à sua vida com um largo sorriso. Recordem-se das palavras introdutórias deste texto!

Passam-se as aludidas três horas e mais outras e – bem me conhecem – expludo. Digo tudo o que me vai na alma! Alguns ainda me acompanham na justa queixa. Todavia, a maioria cala-se. Resultado, a minha azeitona, das melhores que naquele lagar entrou, se é certo que não rendeu mal, ao que me disseram muitos outros, foi menos que das deles.

Eram mais ou menos 22h00 quando saio do lagar. Chovia que Deus a dava. Em cima do tractor lá fiz o caminho até casa, com o lamento de não ter levado óculos com limpa pára-brisas. Caramba, em determinada altura, não via a ponto dum c… Guiava-me apenas pela lista branca lateral da estrada. Quase à meia-noite entro em casa. Sem comer, limito-me a tomar banho e dormir.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:41

Novembro 05 2019

A jornalista Fernanda Câncio habitou-nos, semanalmente, com as suas crónicas no Diário de Notícias. Com esta actividade demonstra um particular e nítido gozo em zurzir em tudo o que não é PS, mas a sua cereja em cima do bolo é “bater” em tudo o que se situa à direita dos socialistas.

O seu último escrito decidiu, e está no seu direito, dar umas “pancadas” em André Ventura do Chega! A determinada altura afirma que este disse e passo a citar "Estou aqui para dizer as verdades… ." - o sublinhado é da autora – e continua já sua lavra: “É a voz do povo, pois claro. Uma espécie de Jesus (o profeta, não o treinador) da política, que vai, sacrificadamente, para o templo dos vendidos partir tudo em nome da pureza".

Agora, caros leitores, pensem em alguém que, nestes últimos dias ,tem dito algo muito semelhante a André Ventura? Adivinharam! Sim, é esse. Nem mais, nem menos, que José Sócrates, aquando da fase de instrução da Operação Marquês, na qual está acusado de 31 crimes.

A pergunta, então, que se impõe: a que propósito ou a falta dele a aludida jornalista não diz uma palavra sobre o ex-primeiro-ministro? A resposta é simples: tem o rabo entrilhado! Não foi esta que, em tempos, também gozou férias, almoços e longas viagens pagas pelo amigo daquele, Santos Silva? Bem sei que, posteriormente, referiu que jamais soube disso e que limitou a aceitar a oferta do seu amigo de então. Pois, que outra coisa haveria de dizer?

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:34

Novembro 02 2019

A noite passada cerca de vinte ciganos – desculpem, o politicamente correcto impede-me de usar esta terminologia -, e, por isso, refaço a notícia: cerca das quatro horas da madrugada p.p. um grupo de pessoas de bem chegou ao quartel de Bombeiros de Borba e dialogando com os soldados da paz aí de plantão mandaram alguns para o hospital. Este facto, com toda a certeza, ficou a dever-se a algum descuido por parte dos bombeiros. A GNR teve que intervir e até dormiu no quartel, não para efectuar a segurança de quem quer que seja, mas apenas por este possuir boas camaratas.

O aludido diálogo, efectuado dentro da melhor diplomacia e, sobretudo, em excelentes termos urbanos, de acordo com os media, ocorreu por causa dos bombeiros não terem prestado a assistência a uma daquelas ilustres pessoas tão célere quanto estes acharam que tinham direito.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:12

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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