O meu ponto de vista

Novembro 27 2019

De há umas semanas a esta parte, nas escolas, as reuniões sucedem-se a um ritmo alucinante. São de grupo/disciplina, departamento, de curso, preparatórias disto e daquilo, entre tantas outras. E nestas existe de tudo como na farmácia. Existem os mais individualistas, outros partidários do colectivismo, uns enfatizando a igualdade, outros valorizando a hierarquia, uns mais orientados para os resultados, outros focando-se nos relacionamentos.

Na condução de tais eventos, há os tendem a resolver um assunto de cada vez, enquanto outros, com a sua visão holística, acreditam que nenhum item está resolvido enquanto o todo assunto não o estiver. Depois, há os que procuram ansiosamente a verdade, orientando-se para os efeitos e consequências, enquanto outros querem encontrar o caminho e os meios são mais importantes do que o objectivo final. Por fim, há aqueles que (híper)valorizam o debate até que se chegue a um consenso, enquanto outros se mostram mais diligentes durante o vai e vem de todo o processo.

A doença da reunite veio para ficar e, pelo menos por agora, não se vê antídoto para a respectiva cura. Ora fala um, ora fala outro e outro, sendo que a maioria observa e cogita para os seus botões: caramba, engoliram pilhas Duracel. Nunca mais se calam! Até que surge um corajoso que exclama em voz alta: eh pá, nunca mais chegamos ao ponto “e nada mais havendo a tratar …”?

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:50

Novembro 26 2019

O governo prevê um excedente orçamental para este ano de 0,1%, à volta de 800 milhões de euros. Todavia, ao mesmo tempo os hospitais públicos nunca deveram tanto, qualquer coisa como 3,4 mil milhões de euros, situação que se estende a muitas outras áreas, como são, por exemplo, os politécnicos de Castelo Branco, Tomar e Santarém, os quais necessitam urgentemente de 5,9 milhões de euros para pagar ordenados e subsídio de Natal.

Tudo tão caricato, tão opaco e de duvidosa legalidade. Faz lembrar aquele velho negociante que devia a toda a gente, mas apresentava-se de carteira recheada.

Porr@! Paguem primeiro e apurem as contas depois.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:19

Novembro 25 2019

Se o 25 de Abril é mais importante que o 25 de Novembro? Não sei, pois tenho muitas dúvidas. Uma coisa é evidente, sem o 25 de Abril a segunda data, tal como a comemoramos, não teria existido. Mais: no primeiro evento ninguém morreu, enquanto na segunda efeméride foram cobardemente assassinados dois militares (comandos).

Para os mais novos, em 1975 vivíamos uma deriva totalitária, comandada sobretudo pelo PCP, a qual pretendia estabelecer, neste rectangulo à beira-mar plantado, uma Cuba europeia. Daí a importância capital do acontecimento que hoje se comemora. A ele devemos a liberdade que hoje tanto proclamamos. A verdadeira reposição dos ideais de Abril foi efectuada há 45 anos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:13

Novembro 24 2019

Pois, ao mesmo tempo que Jorge de Jesus brilha lá fora, Joacine Katar Monteiro vê o seu brilho empalidecer no interior do país. Aquele, percorre autênticos trilhos de resplandecimento, a segunda experimenta verdadeiros caminhos de escuridão, sem qualquer conotação racista, entenda-se.

O treinador português, ao serviço do Flamengo e ao ganhar a Taça de Libertadores, vê, cada vez mais, reconhecido o extremo valor que possui como estratega, em contraponto do que possui no domínio da língua de Camões.
Já no respeitante à segunda, confirma-se o que a maioria já sabia, i.e., o Livre - aqui para nós, de livre não tem nada - elegeu uma deputada apenas por esta ser mulher, negra e gaga. Aliás, se dúvidas houvesse, note-se que não foi por acaso que o líder deste partido, Rui Tavares, não foi eleito. As candeias às avessas em que se embrulharam este fim-de-semana assevera que não foi um caso de ideologia, mas sim de género e raça.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:23

Novembro 22 2019

Fosc@-se. Não há direito. Então, só eu não tenho nenhuma grande herança, surgida à ultima hora, e guardada num cofre? Vejam o caso de José Sócrates, há cerca de um mês, e agora da sua ex-mulher, Madalena Fava. Porr@, para azar meu, os meus progenitores nem cofre tinham.

Por outro lado, lamento andar e, sobretudo, ter andado a pedir ajuda aos amigos e … nada, enquanto outros existem que declaram, perante a justiça, que jamais pediram ajuda. Pura e simplesmente, os amigos fizeram questão - até levavam a mal o contrário - de os ajudar. Quem proferiu esta afirmação? O ex-primeiro-ministro socialista, está claro.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:33

Novembro 21 2019

A sério. Quase me passo como a demagogia e o aproveitamento político que os nossos políticos, tanto de esquerda como de direita, diariamente fazem, atirando-nos areia para os olhos ou se não o fazem é porque acham que somos autênticos ceguinhos.

Hoje deparamo-nos com uma utilização inaceitável por parte de André Ventura, do Chega!, relativamente às mais que justas reivindicações das forças de segurança. Até subida ao palanque, com direito a discurso e corredor de protecção teve.

O desplante, porém, não fica por aqui: também o BE solicitou a contagem, até 2026, de todo o tempo de serviço dos professores que não foi contado.

Ora, relativamente a esta última questão bem sabemos que tanto o BE como o PCP foram, sem margem para dúvidas, coniventes com a (má) prática política de António Costa. Já escrevi, e muitos outros também o fizeram, que durante a última legislatura se quisessem que a luta dos docentes tivesse bom fim bastava não terem aprovado os orçamentos de Estado. Será que agora terão “tomates” para impor tal medida? É evidente que não. De imediato o governo demitia-se e vitimizando-se provocava novas eleições onde aqueles seriam fortemente penalizados.

Portanto, vamos ser sérios e deixar de brincar a reivindicações balofas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:28

Novembro 20 2019

Ao contrário do que se passa em muitos outros países ocidentais, em Portugal as medidas que os governos implementam merece, por parte de uma franja da comunidade, não tão pequena quanto isso, bom acolhimento e considerado coisas de bem. Estes portugueses, na esmagadora maioria, pessoas com baixo poder crítico e uma assertividade reduzida, habituados de há muito – ainda vem do tempo da “outra senhora” – estão formatados a confiarem no que os nossos governantes propalam, a toda a hora, nos meios de comunicação social.

Vem esta prosa em jeito de comentário à acção do governo em instalar três secretarias de Estado no interior do país, ou seja, em Castelo Branco, Guarda e Bragança. Ora, a não existir uma mentalidade em não acreditar em tudo o que, à primeira vista, nos parece bem, tal medida é uma mais valia extraordinária. Todavia, trata-se da mais pura demagogia, à semelhança de tantas outras a que, nos últimos anos, nos vamos acostumando.

As referidas instituições, para além de continuarem a ter todos os seus serviços estacionados em Lisboa, apenas irão contribuir para aumento de despesa. Se não acreditam, vejam os seguintes exemplos: aluguer de novas instalações, maior dispêndio em deslocações, novas contratações de pessoal técnico, tanto o especializado, como o auxiliar, já que o existente na capital não se vai deslocar para o interior, duplas comunicações tecnológicas, entre muitos outros. Mas, o mais grave é a ineficácia total dos poderes ditos descentralizados. Como alguém um dia disse, os secretários de Estado não passam de ajudantes dos respectivos ministros. Assim sendo, semanalmente, senão mais, terão de ir a despacho a Lisboa, uma vez a sua autonomia ser, na maior parte das vezes, escassa para não dizer nula.

É claro que os autarcas ficarão satisfeitos e tecerão loas a tal iniciativa. Pois, pudera, mais vale pouco que nada.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:34

Novembro 18 2019

Sei que o teor deste texto não é, hoje-em-dia, politicamente correcto, mas não o escrever seria uma forma de cobardia. Muitas pessoas, felizmente muito longe da maioria, irão crucificar-me na árvore mais alta que encontrarem, mas, e desculpem a expressão menos prosaica, estou-me c@g@ndo para isso.

Vamos, então, ao assunto. Como é possível haver casos pendentes nos tribunais sobre a tutela de um animal, enquanto os humanos esperam e desesperam que as instâncias judiciais lhes façam justiça? O caso que tem sido badalado na comunicação social diz respeito à guarda de uma cadela por parte de um casal desavindo que, em vez de procurarem harmonizar-se, pois foi para isso que se juntaram, e consequentemente ter filhos, buscam dirimir na Justiça a futilidade das suas vidas.

Já agora, existe ou existiu algum caso nos tribunais em que os filhos procuram que os juízes lhes outorguem a guarda dos pais? Falo, como é evidente, sobretudo dos mais idosos, doentes e sem meios de sobrevivência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:36

Novembro 15 2019

Até agora os professores flexibilizaram, ou seja, foram, de certo modo, obrigados a dobrar a espinha e ir ao encontro das novas pedagogias/estratégias preconizadas pelo Secretário de Estado da Educação, João Costa, e sua corte – leia-se, de entre outros, Ariana Cosme, a coqueluche do novo eduquês. Uma nota: a flexibilização não tem outros fins que não a facilitação da  progressão escolar.

Agora, o governo de António Costa, já que o ME, Tiago Brandão Rodrigues, não conta para nada, quer, de uma vez para sempre, fazer rastejar os professores, obrigando-os a acabar com as retenções até ao 9º ano. Por agora, uma vez ter a certeza que tal medida, mais ano menos ano, se estenderá até ao final do secundário. A defesa de tal medida é feita com recurso à demagogia mais rasteira que já se viu. Por um lado, argumentam que tal medida ira poupar aos cofres públicos cerca de 200 milhões de euros por ano – já ouvi 500 e até 600 milhões -, e, por outro, que para tal bastaria que os professores e as escolas trabalhassem mais e melhor, acompanhando, deste modo, mais amiúde os alunos com dificuldades e em risco de reprovação. Aqui para nós, como se já não fizessem.

Ora, se o primeiro argumento já é, para a uma boa parte dos portugueses, tentador, uma vez acharem que o ensino é um enormíssimo sorvedouro dos dinheiros públicos, o segundo é tipo cereja em cima do bolo, uma vez que, nos últimos anos, se tem feito passar insistentemente a ideia de que os professores são uns privilegiados, i.e., ganham muito bem, não fazem nenhum e, ainda por cima, têm três meses de férias por ano. Por isso, se o ME vai fazer com os professores façam o pino, subam pelas paredes, passem 24 sobre 24 horas a trabalhar com este tipo de alunos, a maioria dos quais não quer aprender e tem raiva a quem queira, há sempre quem os aplauda.

Aliás, o desprimor relativamente à classe docente já vem do tempo de José Sócrates, cuja Ministra da Educação má memória, Maria de Lurdes Rodrigues, numa tentativa de domesticar aquela proclamou que a poderia perder, mas, em compensação, ganharia a opinião pública.

Por fim, não ficaria de bem comigo mesmo se não aludisse ao proferido por David Justino, há cerca de quatro anos, ainda na qualidade de presidente o CNE, o qual defendeu algo idêntico ao que este governo actualmente defende. Como se costuma dizer, no melhor pano cai a nódoa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:36

Novembro 13 2019

Existe uma enorme carência de auxiliares nas escolas? Bem, não é verdade, diz o cientista e (não) Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues. Mais: mesmo que fosse verdade, a culpa será de todos os outros, “sobretudo dos directores de escola que não lançaram os concursos atempadamente”. Palavras daquele. Aliás, os dirigentes escolares são uns madraços, uma vez que o ME lhes dá tudo, a tempo e a horas, e recebe em troca apenas maledicências. Se não fosse por certas coisas, o melhor eram demiti-los a todos e nomear boys and girls de uma cor que todos sabemos e que bem sabem erguer o punho fechado.

O Secretário de Estado da Energia, João Galamba, vai a Boticas e tem de fugir com o rabo entre as pernas, uma vez que os habitantes, quais broncos e incultos, não se deixam convencer da extrema bondade da exploração de lítio, cuja concessão mineira foi entregue a uma empresa de socialistas e constituída três dias por amigos seus. Mas, para não variar, tudo isto acontece – afirmou aquele – “por culpa do governo de Passos Coelho”, como depois deste não tivesse governado mais alguém.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:58

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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