O meu ponto de vista

Outubro 31 2019

Aqueles que, dentro do universo dos portugueses, se deram ao trabalho de ler o programa do governo, na sua totalidade ou em parte, são uma minoria muito escassa. Gostamos todos de dar palpites, sermos treinadores de bancada e, sobretudo, especialistas em “achismos”. A formação e a procura de informação credível, em vez de nos guiarmos pelo mais ligeiro que surge nas redes socais, dá muito trabalho e trabalho é algo que a maioria dispensa de bom grado. É só observar o que diz a esmagadora maioria dos portugueses, quando entrevistados a propósito do que fariam se lhes saísse o Euromilhões: “ajudava os familiares, viajava e gozava a vida”. Muito, mas mesmo muito, raro é aquele que diz que investia e tentava criar riqueza para ele e, sobretudo, para o país.

No que concerne ao Ensino – ver pág. 22-23 e 141-142 - o programa deste governo, ora discutido na AR, senão é de arrepiar para lá caminha. Para além de acentuar a municipalização e o regresso encapotado dos professores titulares – chamam-lhe agora chefias intermédias -, o que já, por si, é muito mal, existe a tentativa torpe de acabar com as retenções até ao final do 3º CEB e reduzi-las fortemente no ES. Ora, se este último item fosse tentado à custa de um reforço de incentivos de vária índole, tais como apoios financeiros aos pais, bem como ajudas didáctico-pedagógicas aos alunos, maior e verdadeira autonomia escolar, entre outros, a maioria dos docentes estava de acordo. Agora com medidas meramente administrativas?

A disciplina e a ordem na sala de aula não são absolutamente fundamentais para a classificação dos discentes, mas que ajuda e tem um peso muito grande é uma verdade irrefutável. Costumo dizer que um aluno meu que estude minimamente e, simultaneamente, tenha um bom comportamento, um modo de ser e estar na sala de aula correcta, tem positiva. Ao contrário, um discente tecnicamente muito bom, mas que passa a vida a infernizar a vida do professor e dos seus colegas, não aprendendo, nem deixando aprender, tem negativa, como forma de castigo.

Agora, quando se fala tanto de violência nas escolas, deixar de ter qualquer efeito dizer a um aluno “ou tens outras atitudes e, assim, apresentas valores mais nobres, ou, caso contrário, tens negativa”, é completamente estapafúrdio.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:21

Outubro 30 2019

Pois, não era nada que não se esperasse. Todavia, existe sempre, dentro de nós, uma réstia de esperança de que algo de diferente, para melhor, como é óbvio, vá acontecer. Terminada uma legislatura, e independentemente da cor partidária do governo, os ministros e secretários de estado, por muito que a sua governança tenha sido mais que miserável, não se cansam de publicar em Diário da República, os mais distintos louvores pela excelsa colaboração. Tais encómios vão desde a mais simples- sem ser simplória – porteira, passando pelo motorista, até chegar ao assessor mais graduado.

Por estes dias, quem se der ao trabalho de ler o jornal oficial depara-se com páginas e páginas de elogios, a maioria dos quais, estou certo, não correspondem, de modo algum, ao respectivo desempenho, mas sim à superior fidelidade, servindo apenas para pendurar no escritório e, sobretudo, enriquecer o CV.

Já agora, diga-se em abono da verdade, que tal postura não se restringe apenas aos nossos governantes. O que não faltam são, por exemplo, gestores escolares que, aquando do abandono de funções, tecem e publicam hosanas a tudo e a todos, só faltando o gato, o cão e/ou o periquito por serem espécimes inexistentes nas escolas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:46

Outubro 24 2019

Fiz anos recentemente. Como habitualmente imensos amigos, pelas mais diversas formas e meios, tiveram a gentileza de me endereçarem os parabéns. Por telefone, e-mail, SMS e, sobretudo, pelo FB. Como se pode verificar tudo meios, hoje-em-dia, gratuitos, cómodos e descomplicados.

Como é lógico o tempo dos postais há muito que entrou em caducidade. Todavia, contra a corrente, uma instituição pública, ou seja, paga por todos nós, mais uma vez enviou uma carta, em papel couché, assinada digitalmente pelo respectivo director, felicitando-me por mais um aniversário.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:54

Outubro 23 2019

Sim, à priori, é grave o sucedido numa escola de Lisboa, ou seja, a suposta agressão de um professor de TIC a um aluno do 8º ano, isto, apesar, dos contornos da situação necessitarem de mais e aprofundadas investigações. Aliás, quem o diz não sou eu, mas o juiz de instrução.

Não retirando importância ao caso e muito menos o desprezando, como alguns dirigentes sindicais, nas últimas horas, o têm feito, também sou de opinião que outros casos, tanto ou mais graves, têm merecido por parte dos media uma atenção mínima, o que contrasta com esta.

Faz-me lembrar a velha máxima do jornalismo do que é ou não notícia: “se um cão morde uma pessoa isso é banal, corriqueiro. Porém, o caso contrário é acontecimento único e honra de primeira página”.

Em boa verdade, um docente, enquanto adulto, deve ter uma postura e uma atitude, bem como um desempenho, que o levem a suportar as insolências, a má-educação e os mais variados desplantes dos discentes, sem se descompor e jamais partir para a violência. Todavia, permitam-me indagar junto de todos os pais e/ou encarregados de educação, quando uma vez ou outra, não perderam as estribeiras e deram uma palmada/estalada a um filho? Recordo que aprendi desde pequeno que quem não vai à palavra, não vai à pancada. Porém, não há regra sem excepção. Aliás, este vosso escriba, convencido que nunca foi um mau rapaz, também teve os seus momentos de desvario e, consequentemente, foi castigado pelos seus progenitores e, afiança-vos que só se perderam aquelas que caíram no chão. Mais: hoje-em-dia, choro por não apanhar. Era sinal de que …

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:02

Outubro 22 2019

Já se sabe a constituição do novo governo. É constituído por 69 membros. Já agora, apenas em forma de parenteses, trata-se de um número curioso. À primeira vista parece tudo normal. Todavia, se multiplicarem aquele por 12, i.e., o número médio de assessores por gabinete, atingimos a “bonita” soma de 828 boys e girls, isto sem falar das secretárias, motoristas e outro pessoal.

Quantos milhões não são gastos com estas mordomias, tendo em conta que, nestas condições, por exemplo, motoristas existem que auferem vencimentos mensais líquidos bem acima dos 2000 euros. Querem saber como? Basta pensar que em qualquer ministério ou secretaria de estado terá de haver ao serviço, de dia ou de noite, motoristas, telefonistas, secretárias, etc., etc. Perguntarão porquê. Responderei que, na maioria dos casos, é por pura vaidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:17

Outubro 17 2019

A chuva carrega

Certa poesia

Chove de noite

Chove de dia …

Lágrimas de tristeza

Gotas de alegria

Joice Kelly

 

Até que enfim! Deus ouviu-nos e chove. Não tanto quanto devia, mas, de qualquer modo, do céu caem gotas preciosas. Charcas e rios completamente secos, culturas de Outono que há muito deveriam ter sido feitas e não foram devido aos terrenos estarem quase como um deserto, produção de electricidade à base de carvão e outros combustíveis fósseis, face à quase inexistência de água nas barragens, azeitona a cair de seco devido à falta de água, etc., etc.

Todavia, esta situação não agrada a todos. Sei de muitas pessoas achando, sobretudo as que vivem em meios urbanos, as quais pensam que os feijões, tomates, batatas e muitos outros produtos agro-alimentares nascem no Continente, Pingo Doce e/ou em outras grandes superfícies comerciais, que os dias de sol deveriam ser 365/366 por ano. Aliás, não é por acaso, uma vez ser assunto recorrente, que na sexta-feira passada, num programa radiofónico da manhã – "3 da Manhã" da RR – ouvi as locutoras lastimarem-se pelo facto das previsões anunciarem chuva para o fim-de-semana, bem como para a semana que decorre.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:19

Outubro 15 2019

O próximo governo, hoje apresentado, por António Costa, ao PR será, desde 1976, constituído por mais ministérios e, consequentemente, com maior número de secretarias de estado. Se isto, já de si, é muito mau, péssimo, péssimo é a sua constituição.

Mais do mesmo é o que se ouve comumente. Se até agora se levavam familiares para os mais diversos gabinetes, agora não será necessário. Elevam-se a ministros e secretários de estado e … assunto resolvido.

Então, no que concerne à Educação – para mim será sempre Ensino – é a prova mais que provada que o PS, ao manter o não-ministro Tiago Brandão Rodrigues, decidiu continuar a desvalorizar por completo este importantíssimo sector do Estado. Lamento dizê-lo, mas trata-se de um político que nada sabe sobre a área que tutela, ou melhor, faz que tutela, e, ainda por cima, sem qualquer força a nível governamental.

Sinceramente, não é desilusão, pois para a ter era necessário acreditar em algo de bom que viesse deste campo. Assim, é somente tristeza por constatar a enorme incerteza que o futuro nos trará.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:32

Outubro 14 2019

Há quatro anos, poucos dias após ter tomado posse o ainda ME, Tiago Brandão Rodrigues, Mário Nogueira teceu-lhe os maiores encómios, gabando-lhe a disponibilidade para o diálogo. Se, de facto não casaram de papel passado, pelo menos coabitaram na maior das intimidades.

Ora, como é amplamente sabido aquele governante comeu por inteiro o eterno sindicalista, sem que este tenha, alguma vez, por mínimo que seja pedido, desculpa aos professores por ter sido papado como o mais vulgar papalvo.

Assim sendo, vir agora afirmar que a recondução daquele é “acabar de vez” com os professores e “estoirar” com o corpo docente, não passa de palavras vãs, em que muito poucos ainda acreditam.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:35

Outubro 11 2019

Nada em ti exageres ou excluas. Sê tudo quanto és, no mínimo que fazes.

Fernando Pessoa

 

Ah, o Ensino, essa realidade que nos é tão cara. Não sabemos conceber e apreciar a responsabilidade e eficiência nas escolas sem nos interrogarmos sobre a natureza e o processo da tomada de decisão. Decidir é escolher de entre os vários cenários possíveis, aquele que aparece como o mais pertinente para atingir um resultado desejado, dentro de um espaço de tempo possível, utilizando as informações e recursos disponíveis. Ora, de acordo com este pensar o ensino/aprendizagem é uma questão de método, de saber fazer e de estar, ou seja, é um quesito de técnica ou processo. Será?

A resposta é negativa, uma vez aquele raciocínio preponderar a mera transmissão de conhecimentos, desvanecendo a felicidade e o humanismo como filosofia de gestão do esforço diário. Um paradigma a não esquecer assenta no pressuposto em que a ética e a rentabilidade andam de mãos dadas, emergindo desta forma verdadeiros exemplos de sustentabilidade e sucesso. O grande objectivo será, assim, levar a felicidade às pessoas e não às escolas, enquanto instituições, sabendo com toda a certeza que esta também será sinónimo de rentabilidade e de perenidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:42

Outubro 09 2019

Queremos combustíveis o mais baratos, se possível ao preço da chuva – bem, talvez não seja o melhor exemplo, já que esta, ultimamente, está pelas ruas da amargura -, pois de outro modo as nossas deslocações diárias são extremamente onerosas. Contudo, nada de explorar petróleo em qualquer zona – terrestre ou marítima – já que poderá contribuir para a desfiguração da nossa paisagem.

Igualmente ansiamos por conduzir veículos eléctricos, mais ecológicos e, a longo prazo, mais económicos, mas jamais explorar o lítio neste rectângulo à beira-mar plantado, algo fundamental para o aumento da duração das baterias daqueles, bem como dos telemóveis, tablets e afins. É que as paisagens protegidas, assim como os nossos montes e vales, lobos, caracóis e minhocas, seriam dizimado(a)s.

Todavia, senão somos nós, alguém o terá de fazer, i.e., continuar a explorar as jazidas petrolíferas, bem como a extração do lítio das entranhas terrestres, na maior parte das vezes em muito piores condições ambientais que aquelas que poderíamos oferecer.

Responderão: tudo bem, desde que seja longe do nosso belo e amado país. Fazem-me lembrar a velha questão da reciclagem dos resíduos tóxicos do tempo de Sócrates. Todos estavam a favor desde que não fosse perto do seu quintal.

No fundo, aqueles que mais lutam contra esta evolução da economia, são os hipócritas que jamais prescindem do seu carro e dos bens materiais adquiridos nas lojas mais finas. Autênticos comilões de caviar com discursos de ingestão de batata cozida com pele

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:05

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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