O meu ponto de vista

Setembro 27 2019

Em termos de dicionário a palavra tancos não existe e o que aparece mais aproximado, numa simples busca, no Priberam, é tansos. Ora, sem sombra para dúvidas, sobre o furto de Tancos e novela posterior, o que António Costa e consequentemente o PS/governo nos querem fazer passar é por tansos, i.e., por patetas, simplórios, tolos e totós.

É que das duas uma: ou o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, falou sobre tal matéria com o primeiro-ministro e automaticamente este mentiu, tal como aquele, ao dizer que jamais soube o que quer que seja; ou, o ex-ministro nada disse a António Costa, bem como nada falou, durante meses e meses, em Conselho de Ministros, o que se traduz numa enormíssima falta de lealdade governamental.

Como é lógico este é mais um caso que não pode ser varrido para debaixo do tapete, com a desculpa de ser algo entregue aos meandros da Justiça. Não, este é um facto político e como tal deve ser julgado pelos cidadãos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:20

Setembro 25 2019

Há quem defenda acerrimamente o modelo light para tudo e para todos. Austeridade? Sim, desde que seja aplicada de mansinho e com um sorriso. Ensino? Sim, desde que seja flexível, do género aprender a brincar. Novas tecnologias? Sim, desde que venham com muitas apps e redes sociais, pouco importando que, hoje-em-dia, sejam responsáveis por uma grande parte da carbonização do planeta. Conferências, encontros e seminários? Sim, desde que sejam dadas por pessoas "leves" e risonhas, de preferência humoristas, vestindo calças de gança e camisa por fora e, sobretudo, desde que tais eventos sejam acompanhados de comida vegan e bebidas biológicas.

Em boa verdade isto é que seria viver voltado para o futuro e o verdadeiro cego é aquele que não quer ver e que não acredita nos amanhãs verdejantes, bojudas de gente saudável. Afirmar que o mundo mudou, aliás mudou muito, é a palavra que deve sair, a toda a hora, de cada boca. Só assim, (re)transformaremos a Terra. Mas não de forma isolada. É necessário preparar as pessoas para esta nova forma de ser e estar. Precisamos de trabalhar ainda mais em conjunto, explorando conceitos de sharing economy para que as nossas escolas, empresas e tecido social formem profissionais para as necessidades de amanhã.

Por isso, todos de bicicleta ou pé. Oh famintos de amanhãs saudáveis levantai-vos e erguei a bandeira da destecnologia e bradai aos céus por frutas e legumes sem adição de adubos, pesticidas e estrumes, já que isto de animais já foi chão que deu uvas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:46

Setembro 24 2019

A flexibilidade curricular, implementada por este governo, e autodesignada como o pináculo da perfeição em termos de vida escolar, tem servido para tudo e para nada. Para tudo, como aconteceu ontem no debate entre os líderes partidários na RTP, onde António Costa não vendeu a coisa por menos: “todas as medidas de flexibilização… têm combatido as questões de indisciplina nas escolas”. Tem servido para nada, uma vez que a esmagadora maioria dos professores está-se c@g@ndo para tal medida.

Bem têm tentado criar a ilusão de que este programa educativo oferece estabilidade no ensino dos discentes, boas condições de trabalho aos professores, assim como factor extraordinário no combate à imprevisibilidade que advinha no futuro.

E se alguns a colocam, mais ou menos, em prática – o receio de sanções e a noção de dever assim obrigam -, é sabido de fonte segura que tal não tem qualquer influência na indisciplina que infelizmente grassa pelas nossas escolas. E se porventura tivesse influência seria para aumentar a indisciplina e jamais o seu contrário. Dou de barato que existam boys and girls rosas a acreditar em tal. Todavia, quem conhece a vida escolar sabe que tal afirmação é uma completa patranha.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:09

Setembro 20 2019

A crise climática entrou na ordem do dia e não há político que se preze sem que diariamente não emita um sound byte sobre o tema. Fazem-se manifestações a torto e a direito e até greves (!!!). Os alunos, em certos dias, recusam-se a assistir às aulas para que todos ouçam as suas reivindicações ambientais. Por exemplo, a sueca Greta Ernman Thunberg, com apenas 16 anos, encetou uma luta pela melhoria das condições ambientais com tal monta que a levou ao estrelato.

Estando de acordo com muitas das formas de combater, de imediato, este perigoso risco, também é certo que algumas se transformam, pela sua singular ridicularidade, em justos motivos de escárnio e mal-dizer. Por exemplo, é sabido que todo o animal ruminante, sobretudo a vaca, é, em termos de CO2, um grande poluidor. Diminuir o seu consumo é algo que deve ser implementado. Proibir o consumo, tal como fez a Universidade de Coimbra, é caricato e risível, tanto mais que apenas uma pequeníssima parte das refeições servidas por esta era constituída à base de tal alimento.

Esta medida, balofa e extemporânea, tomada ao sabor da corrente, pretendendo ser mais papista que o Papa, só alimenta o descrédito da vetusta Universidade, a qual não se salientado em qualquer ranking, apenas se colocou em bicos dos pés, seguindo o populismo da moda e o excesso de politicamente correcto. Bem, algum benefício tirou: durante dois ou três dias foi capa de primeira página e notícia de abertura nos telejornais. Para mim, a aludida medida tem mais a ver com o show off do que serem pioneiros no combate à referida crise climática.

Já agora, há quem defenda – os vegetarianos são exemplo paradigmático – que não se deve comer qualquer tipo de carne. Por isso, de entre outros, alimentam-se de tofu, seitan, quinoa, miso, esquecendo-se que a maioria destes alimentos são provenientes dos USA e do Brasil, onde neste se tem procedido a enormes desmatações na Amazónia para que os fazendeiros possam plantar a soja. Nos Estados Unidos o cultivo deste cereal é produzido à custa de enormes quantidades de água e de pulverizações constantes de adubos e herbicidas, isto para não falar da mecanização intensiva. Concluindo, os vegetarianos e os veganos fazem-me lembrar, em termos ambientais, o ditado “poupadores de farelo, estragadores de farinha”

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:17

Setembro 18 2019

Já não é a primeira vez e, com toda a certeza, não será a última que António Costa profere palavras balofas e sem sentido concreto na vida das escolas e por conseguinte no dia-a-dia dos professores. Na passada segunda-feira, no frente a frente com Rui Rio, clamou que, relativamente a esta classe profissional, “o verdadeiro respeito demonstrado pelos professores e a confiança nos professores foram duas reformas fundamentais que nós fizemos nesta legislatura. Um, o reforço da autonomia das escolas e outro, a flexibilização curricular, que começou com um projeto piloto que hoje se generalizou e que é a maior prova de confiança que o Estado já deu à classe dos professores, para poderem conduzir todo o processo educativo e desenvolverem estratégias de combate ao insucesso escolar. E isso é a grande confiança que temos de ter nos nossos professores.

Ora, tal jamais foi sentido pela esmagadora maioria dos docentes. Que pense, num primeiro raciocínio, que tal foi muito positivo, pois procurou conjugar esforços para ter uma iniciativa mais densa, multidisciplinar e estruturada – agregando vários parceiros e desenvolvendo várias dimensões de interacção multilateral -, também não é menos verdade que, na prática, pouco ou nada mudou. Bem pode o ainda primeiro-ministro (PM) advogar que visitou esta e aquela escola onde a aludida flexibilidade curricular e o reforço da autonomia escolar fizeram milagres, que tal não mudou a realidade da situação.

Todos sabemos que, com excepção de algumas – honra e glória lhes sejam feitas – todas as escolas que são contactadas para se estruturar uma visita do ME ou PM, são, de imediato, avisadas que só os bons exemplos e tudo o que é de belo deve ser salientado e dado à estampa. E, como bem sabemos, ainda existem muitos responsáveis escolares, vulgo directores, que comem ou querem comer no mesmo tacho de muitos outros boys and girls.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:39

Setembro 17 2019

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No p.p. dia 8 de Setembro, a Irmã Maria Antónia, de 61 anos, desde os 21 ao serviço da Igreja Católica, e bem conhecida em São João da Madeira pelo seu perfil bem-disposto e bondoso, foi barbaramente assassinada e o carrasco, não contente com tal acto, violou-a já depois de morta.

Notícia que praticamente passou despercebida, sem que os principais meios de comunicação social lhe desse o devido valor. Por isso não admira a reacção do bispo do Porto. Este criticou o facto de ainda não ter visto "nenhum político, nenhum (e nenhuma...) deputado desses radicais, nenhum organismo que diz defender os direitos humanos, nenhuma feminista veio condenar o acto. Nenhum e nenhuma! Porquê? Porventura porque, para elas (e para eles...) as vidas perdem valor se se tratar de pessoas afectas à Igreja. Sumamente, se defenderem a sua honra."

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:05

Setembro 16 2019

Se tudo correr conforme o planeado, hoje foi o primeiro dia dos últimos dois anos de aulas. Inicio já cansado o que não é bom augúrio. Longe vai o tempo em que estes primeiros dias de aulas eram preenchidíssimos e cheios de calor e, porque não dizê-lo, até com algum glamour. O contacto com os alunos que nos chegavam, sobretudo aqueles que até nós se dirigiam pela primeira vez, a palavra amiga dos pais e encarregados de educação, os últimos pormenores tratados com desvelo com os colegas e pessoal não docente, tudo servia para encher o peito e proclamar que “a luta é difícil mas a vitória é certa”.

Muita água passou debaixo das pontes e como o tempo não volta para trás, resta a nostalgia. Não sou daqueles, já o disse imensas vezes, que se voltasse atrás faria tudo igual. Bem pelo contrário. Tantas e tantas coisas que faria completamente diferente. Tantos factos, eventos e atitudes que enfrentaria de outro modo.

Hoje, com gosto, mas já com algum esforço é que lá vou. Os anos não perdoam e a vida tem sido - perdoem-me talvez o excesso de humildade - madrasta. E se aparento algum queixume, não é propositadamente, pois bem sei que aqueles que sofreram e sofrem mais que eu são em maior número que o contrário.

Entretanto, bom ano para todos os colegas e principalmente para os meus alunos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:34

Setembro 10 2019

A Fenprof voltou ao mesmo, i.e., ao local do crime. Para além de marcar uma manifestação para 5 de Outubro, véspera das eleições legislativas, na qual prevejo grande fiasco, resolveu reincidir nas suas já mais que gastas reivindicações. Senão acreditam, observem o que voltam a pedir:

“A recomposição da carreira, a recuperação integral do tempo de serviço, o urgente rejuvenescimento da profissão docente, um regime específico de aposentação, a eliminação da precariedade na profissão, concursos mais justos, menos alunos por turma, horários de trabalho legais, uma gestão democrática das escolas e contra o processo de municipalização da educação”.

Tirando os itens por mim sublinhados, o resto não dá sequer para «mandar cantar um cego». Já todos vimos o que deu a teimosia da recuperação integral do tempo de serviço.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:54

Setembro 09 2019

Este é um tempo de enormes incertezas, mas também de surpresas diárias. É raro o dia em que não nos admiramos desta ou daquela notícia, deste ou daquele acontecimento, bem como de factos que jamais sonhávamos vir a observar.

Todos sabemos que existe uma panóplia de produtos alimentares para animais, sobretudo para cães e gatos. Duvido que seja por iniciativa do PAN, mas sim fruto de uma sociedade cada vez mais egoísta, a qual, despudoradamente, coloca os seniores em lares, uma vez que, segundo afirmam, não têm tempo para tratar deles. Porém, são os mesmos que andam, várias vezes ao dia, a passear os seus animais de companhia.

A dedicação aos seus animais de companhia é tanta que o absurdo do amanhã já chegou hoje. Outro dia chegou-me ao conhecimento de que actualmente já existe uma areia especial para gatos, sendo promovida como “totalmente natural, absorvente do mau odor e está 99 % livre de pó. Para além disso, não provoca alergias na pele e no sistema respiratório dos felinos”. Com tantas pessoas que nem areia têm para construir uma pequena casa, é caso para dizer que “é demasiada areia para a minha camioneta”.

 

P.S. – Para os mais incautos, reafirmo a minha adoração por cães. Sempre tive e terei, mas jamais dentro e casa. O espaço onde está confinado, que não preso, quando estou ausente, é maior que muitas casas que conheço.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:37

Setembro 05 2019

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Para fugir à rotina do “ sempre perto” e “hoje não dá”, há cerca de vinte anos rumei ao Algarve. Por estas bandas, na primeira quinzena de Agosto, me refúgio, desde então, recarregando as “baterias”. A vantagem é de usufruir diariamente de sol, de mar ameno e quente – bem, tem anos – e, sobretudo, não poder argumentar com “hoje não se vai à praia, pois existe milho para regar, abóboras para apanhar, olival para fresar", isto para só citar algumas das muitas tarefas que a agricultura é pródiga. Depois de rumar ao sul, tudo fica para trás.

Todavia, sempre que posso regresso à mininha praia de infância. Foi o que aconteceu hoje e como já estamos em Setembro, local para estacionar não faltou. Dia de forte calor, com pouca gente, deu para usufruir de um belo dia de praia. Lido o Público, fui almoçar ao Arrais uma caldeirada à fragateiro. Sem deslumbrar, não desmereceu: bom peixe e bem confeccionado. De tarde, para além de concluir a leitura do Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris, livro que recomendo, consegui, num mar quase chão, dar dois mergulhos.

Para o ano prometo voltar. Apenas um senão: o Gaucha encerrou e por isso já não é possível saborear o seu excelente bacalhau.

 

P.S. – Em meu redor não vi ninguém a ler um jornal e/ou um livro. Simplesmente lamentável

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:44

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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