O meu ponto de vista

Fevereiro 28 2019

De modo algum desvalorizo a questão dos abusos sexuais de menores ocorridos, fundamentalmente, no interior de instituições ligadas à Igreja Católica. Sim, porque também acontecem em outras confissões e credos religiosos. Acho-os repugnantes a todo o título e quem os praticou deve ser punido exemplarmente pela justiça secular, uma vez estar plenamente convencido que a divina os julgou severamente desde o cometimento de tais actos. Os caminhos do Inferno, aliás, encontram-se atapetados com as respectivas cabeleiras. Acredito no perdão, mas também afianço a existência do Averno.

Todavia, gostaria de chamar a atenção para uma notícia, a qual a maior parte dos media não deu particular realce, em que, e passo a citar, “houve mais de 5.800 queixas de abuso sexual contra menores afastados dos pais enquanto sob custódia dos EUA entre 2014 e 2018

A revelação foi feita pelo democrata Ted Deutch, que falava terça-feira numa audiência sobre a política de "tolerância zero" da Administração Trump, que resultou na separação de milhares de crianças dos pais na fronteira. O congressista adiantou que às 4.500 queixas de abuso sexual que chegaram ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, juntam-se mais 1.300 apresentadas ao Departamento de Justiça durante o mesmo período”.

Chegados aqui, é conveniente frisar a dualidade de critérios. Se, de repente, há a denúncia de um padre abusador, não há órgão de comunicação social que não dê a primeira página a tal novidade. Se o caso se passa numa qualquer instituição pública tal é secundarizado, senão mesmo não noticiado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:15

Fevereiro 27 2019

Os enfermeiros encetam, através de um seu dirigente sindical, greve de fome, a qual, aliás, diga-se em abono da verdade, termina vinte e quatro horas depois. Os professores, tal como ontem referi, promovem, igualmente por meio dos “seus” sindicalistas, abaixo-assinados e manifestações grandiosas. Pelo seu lado, o governo, não querendo ficar-se atrás em termos de exteriorizações públicas, vai propor um dia de luto nacional contra a violência doméstica, essa enorme praga social dos dias de ontem, de hoje e talvez de amanhã.

Como bem sabemos, e estamos cansados de ouvir, muito fácil é falar. Mudar mentalidades e, sobretudo, alterar atitudes e procedimentos é algo substancialmente diferente.

Perguntar-me-ão se estas medidas não são convenientes. Direi que são meros postremeiros, uma vez que a fonte do mal se encontra noutros âmbitos, sobre os quais são raros aqueles, independentemente do credo, raça ou ideologia, se querem debruçar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:27

Fevereiro 26 2019

Segundo últimas notícias, o ME já solicitou protecção especial às forças de segurança por causa das novas ameaças feitas pelos sindicatos de professores. Aliás, a nível governamental pensa-se até recorrer aos capacetes azuis da ONU, tal é o medo que os trespassa.

O abaixo assinado com cerca de 60 000 assinaturas, bem como a concentração no próximo dia 23 de Março, medidas que como bem sabemos são extremamente radicais e totalmente inusitadas neste rectângulo à beira-mar plantado, tudo tem contribuído para a ameaça a paz social que desde 2015 reina na 5 de Outubro.

Por isso, não tenho a menor dúvida que finalmente os docentes vão ver satisfeitas as suas reivindicações.

Claro que é indesmentível que os partidos da esquerda e da extrema-esquerda, que apoiam a geringonça, também ajudam e muito na prossecução destes objectivos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:02

Fevereiro 22 2019

No Verão quente de 75 e seguintes acompanhei - adorei até - a luta entre o MRPP e o PCP, aquele encabeçado pelo grande educador da classe operária, hoje falecido, Arnaldo Matos, e o segundo chefiado por Álvaro Cunhal. Então, as disputas – estou a ser meigo na linguagem – entre as respectivas juventudes estudantis nas assembleias do ensino superior raiavam o surreal, sendo ainda hoje contadas como piadas verdadeiramente dignas de antologia. Um dia destes narrarei algumas, sobretudo uma a que pessoalmente assisti no Jardim da Sereia, em Coimbra.

Lamento a morte de Arnaldo Matos, fundamentalmente pelo combate incessante que fez aos comunistas, a quem acusava de revisionistas. Agora afirmar, como Marcelo Rebelo de Sousa o fez, que aquele “foi um ardente defensor da liberdade” é demais, é ultrapassar o inexplicável. É conveniente recordar que Arnaldo de Matos era um convicto marxista-leninista e, sobretudo, maoista, o que, desde logo, o classificava como um seguro defensor da ditadura do proletariado, algo totalmente contrário à liberdade.

Nunca teve poder, por força das fraquíssimas votações nas sucessivas eleições, mas se, por mal dos nossos pecados, o tivesse tido, hoje seríamos uma segunda Coreia do Norte ou algo semelhante. Comparar isto com liberdade é, no mínimo, para não lhe chamar um nome feio, excesso de simpatia, o que o Presidente da República tem como registo contínuo, mas por vezes de uma forma exageradíssima.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:41

Fevereiro 20 2019

A ética e a moralidade – não serão conceitos muito semelhantes? – sempre estiveram mais ou menos arredados do múnus político. Agora, fala-se um pouco mais, já que a acutilância e pertinência do tema estão na agenda diária, mercê de um acrescento, o qual não é despiciendo, bem como pelos alertas constantes da opinião pública.

Há umas boas dezenas de anos, um autarca do Minho foi vilipendiado, e bem, na praça pública por nomear como seu chefe de gabinete a própria mulher. Respondeu que sendo um lugar de extrema confiança, ele não depositava tal em mais ninguém que a própria esposa.

Hoje, mercê da banalização dos costumes, acentuada com a quase ausência de bons hábitos e, sobretudo, públicas demonstrações de interesse público, tal facto seria corriqueiro e não passaria de nota de rodapé de qualquer órgão de comunicação regional.

A recente remodelação governamental, prova acabada de fim-de-linha, acabou por meter à mesa do Conselho de Ministros marido e esposa, assim como pai e filha. Isto para não falar de assessores e demais quejandos. Afinal, só não entrou o cão, o gato e o periquito porque os estatutos do PS não permitem ainda, friso o ainda, a inscrição destes e de outros animais domésticos.

Bem sei que ninguém deve ser ostracizado de qualquer cargo por ser esposa/marido, pai/filha ou por outra relação de parentesco mais ou menos próxima. Porém, que é estranho é. Já agora, imaginam um governo constituído por pai, esposa, filhos, irmãos, sobrinhos, cunhados, primos e demais familiares directos? Possível é. A lei não o proíbe.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:01

Fevereiro 18 2019

Poucos são aqueles que dizem abertamente dar importância real ao ranking das escolas ou, como já vi escrito, ranking dos alunos. Todavia, é raro aquele que por manifesto interesse ou mera curiosidade não dê uma olhadela a tal e mais publicamente ou em privado não discuta o assunto.

Conforme já ouvi, por pouco interesse que o assunto presentemente desperte, bem como a subjectividade dos resultados, é sempre preferível a divulgação da informação do que a sua sonegação.

Sem outras considerações eis o que apurei.

9º Ano

Posição

Denominação

Concelho

Nº de exames

Média 2018

Média 2017

6

Escola Básica de Vilarinho do Bairro

Anadia

50

3,58

3,16

10

Escola Básica Nº 2 de Mealhada

Mealhada

117

3,47

3,07

15

Escola Básica Carlos de Oliveira - Febres

Cantanhede

95

3,34

2,85

16

Escola Básica Nº 2 de Pampilhosa

Mealhada

96

3,33

3,41

30

Escola Básica Marquês de Marialva

Cantanhede

258

3,05

3,23

43

Escola Secundária de O. Bairro

O. Bairro

259

2,98

2,98

 

Secº

Posição

Denominação

Nº de alunos

Média 2018

Média 2017

137

Escola Secundária Lima de Faria - Cantanhede

701

113,57

108,2

192

Escola Básica e Secundária de Anadia

531

110,29

112,2

318

Escola Secundária de Oliveira do Bairro

551

104,96

112

404

Escola Secundária de Mealhada

420

100,91

104,1

 

Agora, resta a cada um tirar as devidas ilações.

.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:36

Fevereiro 14 2019

Tem estado e vai continuar a estar na ordem do dia a igualdade de género. Por exemplo, a questão das quotas é considerada por uns como discriminação positiva, enquanto para outros é factor de injustiça.

Apesar da falta de consenso, é inegável que o tema da diversidade e inclusão deve ser analisada. É por demais evidente que na maioria das instituições públicas e até privadas considera que aplica medidas de promoção de igualdade entre homens e mulheres. Estas medidas focam-se, sobretudo, na oferta de oportunidades iguais de progressão de carreira e igualdade salarial.

Por outro lado, é bom registar que ao longo da última década demos passos importantes no recrutamento de mulheres para cargos de direcção. A realidade do mercado de trabalho tem vindo a evoluir lenta mas inexoravelmente. O papel da mulher na sociedade ganhou novos contornos e existe uma cada vez maior valorização da sua contribuição para as mais diversas organizações.

Todavia, acima de tudo, acredito ser importante olhar para as competências, experiência e know how dos indivíduos. A contratação e a progressão devem basear-se numa análise objectiva da qualidade profissional dos candidatos e do valor acrescentado que efectivamente aportarão para a organização, colocando de parte qualquer discriminação, positiva ou negativa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:22

Fevereiro 13 2019

images.jpg

(imagem retirada daqui)

À porta do Ministério da Educação, na Av. 5 de Outubro, foi encontrado um recém-nascido abandonado. O bebé foi acolhido e alimentado pelos funcionários que decidiram dar conhecimento do assunto ao Ministro da Educação.

Passados oito dias, é emitido o seguinte despacho, dirigido ao Secretário de Estado:

“Forme-se um Grupo de Trabalho para investigar:

  1. a) Se o «encontrado» é produto doméstico deste Ministério;
  2. b) Se algum funcionário deste Ministério tem responsabilidades neste assunto."

 

Após um mês de investigação, o Grupo de Trabalho, conclui:

«O encontrado» nada tem a ver com este Ministério pelas razões seguintes:

“1 - Neste Ministério não se faz nada por prazer nem por amor;

2 - Neste Ministério jamais duas pessoas colaboram intimamente para fazerem alguma coisa de positivo;

3 - Neste Ministério tudo o que se faz não tem pés nem cabeça;

4 - No arquivo deste Ministério nada consta que se tivesse terminado em apenas 9 meses.”

 

Adenda: texto que me foi enviado por email, o qual mudei cirurgicamente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:05
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Fevereiro 12 2019

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(imagem retirada daqui)

É neste Sul da Europa que nós, os portugueses, pertencemos e com toda a nossa alma mediterrânica nos vemos gregos. Se não todos, pelos menos a maioria. Por outro lado, não podemos comparar, de forma absoluta, os salários médios e/ou mínimos que se praticam nos países do Norte, sem um estudo que avalie e compare o poder de compra nestes últimos.

Importa muito pouco que em determinado país o salário mínimo ou médio possa ser três vezes superior ao de outro, se naquele os preços forem quatro vezes superiores aos praticados no segundo. O relevante é saber o que se compra com o salário hora. Isto para não falar em saber se se consegue um trabalho condigno na designada economia formal.

É neste ponto que nós, a Sul, por exemplo, precisamos de mais tempo para comprar um Big Mac, ou seja, vendemos mais tempo do nosso trabalho para obtermos o dinheiro necessário à aquisição deste hambúrguer da gastronomia global.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:11

Fevereiro 10 2019

images.jpg

(imagem retirada daqui)

Nas tuas diferentes projecções, modelo subtilmente um desenho, com um perfil variável deste o topo até à base, justapondo e fazendo variar estes elementos, obtendo a sugestão de um relevo suave e contínuo, onde distintos planos se insinuam de uma forma muito delicada.

Trato-o como se fosse um desenho mutável, que varia a todo o instante, reagindo ao movimento das coisas em redor: do sol que sobe, roda e desce, uns dias mais e outros um pouco menos, e tão lenta quanto inexoravelmente vai depositando sobre as tuas superfícies – e depois delas vai retirando – a luz, a penumbra e as sombras.

Eu próprio, enquanto observador, quando ainda te imagino, ora mais ora menos proeminente, mas jamais plana, consoante mudam os ângulos de visão - a não ser a quem tanto queres parecer opaca e misteriosa -, como totalmente transparente, revelando toda a vida pulsante que existe no teu interior.

Tudo em ti, são conceitos antagónicos: função e forma, técnica e poética, regra e liberdade. Apresentas-te como um ícone, imagem identificável e inconfundível. Mais que uma mera imagem, é nas possibilidades abertas por essa profundidade que reside o principal fascínio e a permanente capacidade de surpreender.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:44

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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