O meu ponto de vista

Janeiro 31 2019

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Muito se tem falado e continuará a falar sobre a má gestão da CGD e dos respectivos prejuízos, os quais, aliás, não pagamos com língua de palmo, mas sim com língua de palmo e meio. Deixem-me, porém, dizer desde já que, apesar de sabermos bem quem foram os culpados directos e indirectos, não acredito que qualquer um deles seja condenado.

Infelizmente, haverá sempre um modo de fugir à aplicação de qualquer sanção. Os argumentos poderão ser muitos, mas basear-se-ão nas seguintes premissas: por um lado, os eventuais, sublinho eventuais crimes já prescreveram ou, por outro, devido a que qualquer investimento – os empréstimos estão dentro desta categoria – tem riscos, i.e., tanto pode dar certo e obterem-se lucros, como correr mal e originar prejuízos.

Uma coisa é certa. Evitam de nos atirar areia para os olhos, dizendo que querem apurar, até às últimas consequências, quem são e, sobretudo, condená-los. É que se o queriam fazer, então, em tempo útil, teriam acabado com o desmando, uma vez que tal ocorre desde o ano 2000 e era conhecido por todos os responsáveis políticos. Bem pelo contrário, deixaram correr o marfim já que a maioria mamava da mesma teta.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:40

Janeiro 30 2019

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Nos últimos dias muito se tem falado sobre o Bairro da Jamaica. Contudo, também, em tempos, se falou do Bairro da Boavista e dos Chícharos, bem como se já falou e continua a falar de muitos e muitos outros. Porém, por ser politicamente incorrecto, acrescido de uma imprensa ainda presa a determinados conceitos, não se tem referido que, senão todos, a larga maioria destes bairros problemáticos situam-se – aqui para nós, não é por acaso - em concelhos cujas autarquias são dominadas pelo PCP.

Tais aglomerados populacionais, vergonhosamente engavetados em guetos miseráveis e deploráveis, mas tacitamente aceites pelo poder político local, o qual jamais teve, por muito que as carpideiras do costume venham, agora e/ou quando convém, dizer o contrário, alguma intenção de resolver parcialmente o problema. Falar da erradicação total do mesmo, então nem é bom falar.

Sobre esta problemática recordo sempre aquela máxima marxista: é totalmente contraproducente exercer a caridade, independentemente do modo que se possa revestir, uma vez que tal, na certa, impedirá o surgimento e, sobretudo, a proliferação de um revolucionário.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:23

Janeiro 29 2019

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De acordo com a imprensa de hoje, no debate de instrução do processo relativo à Operação Marquês, perante o juiz Ivo Rosa, a filha de ex-ministro Armando Vara contou que Caixa Geral de Depósitos lhe emprestou 231 mil e paga pouco mais de duzentos euros por mês.

Para além de outras declarações a raiar o absurdo, importa reter esta questão do empréstimo. Ora, para além de questionar o empréstimo de tão elevada quantia a uma jovem – sim, era muito nova à altura dos factos -, interrogo-me como é possível tal não suceder comigo ou com os meus familiares. Na verdade, tenho familiares directos com um empréstimo cujo montante é menos de metade daquela importância e a pagar o dobro.

Já agora, relembro que Armando Vara foi nomeado administrador da CGD pelo seu amigo e protector José Sócrates.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:05

Janeiro 28 2019

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A defesa de um ensino harmonioso não é uma reclamação ilegítima e muito menos irrealista, não assumida corporativamente por um corpo profissional, mas sim devido a um imperativo nacional. Tal defesa é a decisão mais oportuna tendo em conta a urgência de recuperação económico-social do país.

No plano das decisões políticas em que prevalece uma forte tendência para o condicionamento, bem como para a forte inclinação do eduquês, Portugal está a chegar a uma verdadeira hora H, com reflexos neste sector, um momento sempre decisivo especialmente quando as alternativas, sem margem para dúvidas, nos levarão a desperdiçar as últimas oportunidades que ainda restam.

O dilema que se coloca, sobretudo no nosso país, é o que opõe as necessidades de adopção de políticas educativas que visem um ensino imediato às necessidades de se imporem regras que nos disciplinem a todos, em vez de nos condenarem a uma morte lenta.

Tudo isto exige que se ataquem as verdadeiras causas do fenómeno designado por laxismo, mas que hoje começa, pouco a pouco ,a normalizar-se e que dá pelo nome pomposo de flexibilidade curricular.

Se nesta verdadeira hora H para o ensino não soubermos escolher o caminho certo, i.e., a recusa da implementação da nova agenda ideológica do ME, capitaneada pelo SE, João Costa, será o país, no seu todo, a sofrer, sem que nos caiba a nós qualquer espécie de perdão por parte das gerações futuras

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:55

Janeiro 24 2019

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Já não existem guerras a assolar os países ocidentais e, por isso, não há tanques nem aviões a largar bombas nas principais cidades. Contudo, o ambiente continua a ser muito agressivo para os seres humanos. Basta observar a perigosidade da condução automóvel fundamentalmente nas horas de ponta. Andamos em stress constante, numa lufa-lufa desusada, acabando diariamente desiludidos, frustrados até, por corremos tanto e jamais alcançarmos o destino.

Seria errado dramatizar este constante estado, bem como o é se o relativizarmos. Carpideiras e avestruzes não aproveitam a ninguém. Contudo, parece evidente que o stress, a depressão e a ansiedade são pandemias em causas plantadas no nosso estilo de vida, da dieta do sono, do ambiente familiar ao mundo do trabalho.

Esta complexidade, porém, não pode servir de justificação a qualquer atitude mais passiva pela nossa parte, apesar de cada caso ser um caso, como se costuma dizer. Pelo contrário, podemos fazer muitas coisas, uma vez haver muitas outras áreas inerentes ao nosso esforço individual e/ou colectivo que podem ser modificadas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:37

Janeiro 23 2019

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Para os distraídos e, sobretudo, para os mais esquecidos recordo que Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, aquando da posse do actual ME disse “esperar diálogo e coragem por parte do novo ministro. A juventude do ministro pode ser uma vantagem. Alguém sem preconceitos, sem vícios, pode ser um contributo positivo para fazer algo de diferente. Os problemas são enormes e uma pessoa que vem da área de investigação, da área do cancro, não tem medo de enfrentar problemas. E isso é positivo”, acrescentou aquele sindicalista. Adiantou ainda que também esperava que este ministro da Educação ouvisse antes de decidir e que estivesse bem apoiado ao nível das secretarias de Estado. “Tem de ser alguém capaz de ter uma postura dialogante e negocial”.

Quando o ministro Tiago Brandão Rodrigues completou 50 dias de mandato, a Fenprof enviou um comunicado às redações a fazer um «balanço positivo» da ação governativa. «É como se o Ministério da Educação tivesse realizado obras de saneamento básico, aliás mais do que indispensáveis... A nova equipa ministerial limpou o entulho. Agora, há que partir para as medidas de fundo», salientou no documento o secretário-geral da Fenprof.

Caros amigos, quando pensam que isto foi dito? Trinta anos? Puro engano, pois foi apenas há três anos. De lá para cá andaram de braço dado. Diria mais: Mário Nogueira andou com o ME nas palmas das mãos e só recentemente viu que os encómios e o colinho tinham dado numa mão cheia de nada e descobriu que, para agravar a situação, até havia vontade por parte do governo em alterar o Estatuto da Carreira Docente.

Embalado umas vezes, fazendo-se morto outras, acordou agora para pedir a demissão do ME. Rasga as vestes e bate com o pé de tanta indignação. Ora, bem sei que a nossa memória é curta. Contudo, pensar que é tão diminuta assim é tentar ter prazer onde só existe dor.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:59

Janeiro 21 2019

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Há quase um ano, mais precisamente nos inícios de Fevereiro, esta notícia, como seria de esperar passou despercebida. Pudera, pois é algo que por terras lusas não se cultiva. Vamos, porém, ao teor daquela. Mencionava “que um secretário de Estado do governo britânico provocou estupefação geral na Câmara dos Lordes ao demitir-se por ter chegado um par de minutos atrasado ao início da sessão em que deveria responder a perguntas colocadas ao Executivo”. Acrescentava ainda que “Michael Bates, secretário de Estado do Departamento para o Desenvolvimento Internacional desde 2016, confessou-se «envergonhado» por não estar no lugar à hora marcada e informou que iria pedir a demissão, saindo da sala enquanto se ouviam gritos de «não» dos outros presentes na sessão, conta o The Guardian”.

Veio-me à memória este episódio quando hoje uma colega chegou meia-hora depois do toque de entrada e ao entrar ainda teve a lata de me perguntar: “o quê? Já cá estás?” Nem lhe respondi!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:40

Janeiro 19 2019

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A avaliação externa das escolas, que começou a ser feita em 2006, vai entrar no seu terceiro ciclo. E, além de alargar o leque de estabelecimentos abrangidos, o Ministério da Educação pretende também renovar os critérios e a metodologia em que esta se baseia. O objetivo, segundo João Costa, Secretário de Estado da Educação, é tentar acrescentar aos indicadores tradicionais outros que permitam perceber melhor como as escolas funcionam e de que forma isso se reflete nos alunos: "Não me interessa saber se o aluno teve excelente nota se ele não tiver aprendido o que devia aprender", ilustrou, acrescentando que "índoles que afunilam a prática para a procura de um resultado" podem ter consequências negativas.

Extraordinária a cartilha deste governante e novo ideólogo do “eduquês”. Quem ler o que anteriormente está citado, dirá, numa primeira análise, que os alunos com boas notas podem não interessar para nada, uma vez que podem não ter aprendido o que Sua Excelência, no alto da sua sapiência, acha importante. O que importa que os docentes tenham avaliado e dado uma excelente nota? Nada, respondo eu. Enquanto todos não formos enformados e formatados pela “nova” cartilha não haverá descanso legislativo, administrativo e inspectivo por parte do ME.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:17

Janeiro 17 2019

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Os tempos que correm, senão são um pântano para lá caminham. A vida pessoal da maioria das pessoas é ditada pelo salve-se quem puder. Rotinas, atrás de rotinas, num confrangedor corre, corre, sendo que jamais chegará a destino algum e muito menos concretizando objectivos almejados.

Então a política, sobretudo para aquela minoria, cada vez mais restrita, que ainda se interessa por tal, é de bradar aos céus. Para qualquer lado que nos possamos virar quando não se instala, de imediato, o nojo, bem perto ficamos. Em tempos, infelizmente muito recuados, uma notícia dum jornal, duma rádio ou da televisão não sendo sagrada muito perto estava. A confiança era quase total, quando não era a 100%, pois raramente havia um desmentido. E, atenção, não estou a falar do tempo da “outra senhora”! Hoje, quando ouvimos, lemos e vemos algo nos media, a primeira sensação é de indagar se tal é verdade ou mentira. Os interesses instalados são tão fortes e poderosos que a manipulação passou a ser uma arma perfeitamente banal. Não se olha a meios para atingir os fins.

O BE acha que ser classificado de extrema-esquerda é uma afronta. Pergunto: se eles não o são, quem será? Todos sabemos que se existe extrema-direita, e eles são os primeiros a apregoar isso, então, sem margem para dúvidas, o contrário também existe. Olhamos para o PSD e este até parece um saco de gatos, uma vez a engalfinhação ser constante, ao mesmo tempo que se colocam em bicos de pés, quais primas-donas. O PS/governo andam permanentemente em campanha eleitoral. Agora, sim, é que se reconstruirão escolas, se edificarão novos hospitais, haverá comboios aos pontapés e infraestruturas a rodos. Colocam-se novas pedras, fazem-se inaugurações do que já tinha sido, etc., etc. E a comunicação social, sem qualquer espírito crítico, embarca na onda. Das restantes forças políticas nem vale a pena falar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:25

Janeiro 16 2019

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O popularucho, algo, por agora, diferente do popularismo, mas que é meio caminho andado para tal, está em alta. Os programas de entretenimento, pelo menos os preferentemente vistos, mais ou menos disfarçados de informativos, parecendo gato com rabo de fora, sempre foi um brilho que atraiu os líderes partidários, e não só, à semelhança da luz que constantemente alicia as melgas em pleno Verão.

Desde o “5 para a meia-noite”, da RTP, por onde passaram quase, repito quase, todos os líderes políticos – recordo António Costa, Assunção Cristas, Catarina Martins, entre outros menores -, vem agora o “Programa da Cristina”, da SIC, o qual, para além do telefonema em directo do PR, logo na primeira edição, contou hoje – não que o visse, felizmente – com a primeira figura do CDS-PP. Esta, segundo rezam as crónicas, para além de falar e falar, espalhar sorrisos e mais sorrisos, até fez um arroz com atum. De lata, como é lógico. Se os políticos de hoje são todos descartáveis e, sobretudo, de rápida dissolução, porque é que a comida também não há-de ser de igual tom?

São sinais dos tempos, dir-me-ão alguns. Tudo bem. Como não tenho outra hipótese tenho de aceitar. Gostar é que não, com toda a certeza que me é possível garantir. Todavia, a continuar assim, um dia destes temos o líder do PS, CDS, BE e outros em qualquer rua/largo a comer um frango de cabidela ou, então, em qualquer casa portuguesa, pelo menos aquelas que ainda têm dinheiro para tal, isto para não falar de matança do porco, uma vez que o PAN começa a ter alguma influência.

Uma coisa é ser solidário para com todos e, principalmente, para com os mais humildes. Outra coisa, porém, é querer, a todo o custo, ser igual a todos. Isso é hipocrisia.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:39

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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