O meu ponto de vista

Novembro 29 2018

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As questões fracturantes e o denominado “politicamente correcto” têm, por parte do Bloco de Esquerda, feito correr muita tinta, isto para não falar da risota. Podem vir até à saciedade com “camaradas e camarados” e outras aberrações do género, que não do sexo, que a mim tanto me faz. Para estas merd@s de género ou do género estou-me borrifando.

Continuarei a tratar por presidente de … qualquer mulher que exerça esse cargo e jamais por presidenta, bem como outras designações semelhantes, por muito que digam não ser uma pessoa inclusiva. Jamais descriminei quem quer que seja, independentemente do sexo, da religião ou da raça. Para mim existem capazes e/ou incapazes e nunca capazas e/ou incapazas. Os primeiros terão sempre o meu apoio, mesmo que sejam heterossexuais, homossexuais, bissexuais ou mesmo aqueles que se autointitulam insexuais e assexuais, quer sejam pretos, brancos, vermelhos ou amarelos, sejam politicamente de esquerda, do centro ou da direita, ou ainda sejam cristãos, maometanos, budistas ou professem outra religião qualquer.

Já agora, roubo, com a devida vénia, a Vicente Ferreira da Silva, do Observador, o seguinte quadro:

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publicado por Hernani de J. Pereira às 10:22

Novembro 28 2018

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As reivindicações dos professores voltaram à ordem do dia. Todavia, com toda a sinceridade, apesar da AR obrigar o governo a reencetar negociações com os sindicatos, não acredito que tal dê em algo mais do que aquilo que este já disse há muito e ainda ontem António Costa repetiu.

Não é por acaso que nos últimos anos temos vindo a assistir a uma mudança clara em termos de necessidades de mercado, cultura de trabalho, perfis e valores profissionais. Ora, os profissionais do ensino não ficam, bem pelo contrário, de fora deste âmbito. Aliás, definir qualidade profissional é certamente um desafio à nossa criatividade e imaginação, pois cada pessoa tem uma visão muito particular do meio que o rodeia e expectativas distintas relativamente ao futuro.

Assim, sou de opinião, a qual, como é óbvio, apenas me vincula, de que as posições extremadas dos intervenientes – leia-se sindicatos e governo – não interessa à esmagadora maioria da classe. Há que fazer, por todos os meios, uma aproximação das partes. O “ganhar de quatro/cinco anos”, em vez dos 9 anos, 4 meses e 2 dias dos sindicatos por contraponto com os 2 anos, 9 meses e 18 dias do governo, deixariam todos os “jogadores” como ganhadores/perdedores, o que numa negociação é sempre uma excelente mais-valia.

Apenas uma ressalva, extremamente importante e sem a qual ninguém se entenderia. Tal tempo, por opção de cada um, poderia contar para progressão ou para o tempo de reforma.

Esta é uma proposta polémica? Acredito que sim. Todavia, é assumida por muitos e muitos professores.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:22

Novembro 27 2018

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Não sei dançar e também não tenho qualquer apetência para a respectiva aprendizagem. Cada um é para o que nasce. Pode-se contrariar tal desiderato? Claro que sim. Contudo, na esmagadora maioria dos casos o resultado é extraordinariamente negativo quando comparado com o esforço despendido. Tal como um adolescente com parca altura e, sobretudo, com características obesas, por mais que tente, jamais dará um bom atleta, ou alguém com dificuldades cognitivas atingirá um nível investigativo topo de gama, também existem pessoas que não conseguem dar um pé de dança sem magoarem outros ou, ainda pior, sem proporcionarem tristes espectáculos.

Isto quer dizer que aqueles que não sabem dançar possuem menos valor que quaisquer Rudolfo’s Valentino’s? É evidente que a resposta é negativa. Não possuem esse atributo, tal como não possuem outros talentos. Porém, terão muitos outros que, bem explorados, serão sempre uma excelente mais-valia.

Resumindo, todos possuímos aptidões. O importante é colocá-las a render.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:39

Novembro 22 2018

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Costumo dizer, comummente, que a vida é dura e difícil, mas a vitória é certa. Aliás, se fosse fácil não tinha graça, como diz e muito bem o nosso adágio popular. Na verdade, não, não é fácil, mas as estratégias vão-se aprendendo. Imensas vezes recorro aos ombros dos amigos – e já agora das amigas também -, para me fazerem sentir menos mal e, sobretudo, para interiorizar que todos temos dias penosos, semanas tramadas e fases com vontade de fugir.

Todavia, cá se vai sobrevivendo. Percebo, sobretudo depois de ser avô, que existem períodos mais complexos e, por isso, tento reduzir ao mínimo as imprevisibilidades. Sinto-me culpado a maior parte dos dias pela falta de tempo e, nos piores dias, sei que a paciência acaba e os gritos vêm com facilidade, mas, lá está, se fosse fácil não tinha graça.

Bem sei que parte da culpa me pertence por inteiro. Penso que até a maioria. Como me dizem – cheios de razão, diga-se de passagem – se não tenho procuro constantemente lenha para me queimar. Apenas um exemplo: tinha alguma necessidade de, com esta idade, andar a comprar terrenos, não tão pequenos quanto isso, para plantar vinha?

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:45

Novembro 21 2018

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De acordo com os relatos da imprensa de hoje, o ano lectivo 2016/17 foi o que registou menos “chumbos” na última década. Igualmente, a este propósito, a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Emília Brederode dos Santos, vem hoje afirmar que “a medida mais inútil e mais cara é a retenção”.

Estamos entendidos. Por um lado, o governo com a implementação (à força) de medidas de flexibilização e, por outro, afirmações da mais alta responsável pelo CNE, como é lógico, contribuem – e não é pouco – para criar a sensação de que todos os alunos devem sempre transitar de ano.

Perdoem-me o exagero, mas por este andar não tardará muito que todos os nossos jovens, um dia destes, serão todos “doutores”. Podem não saber nada de nada, mas que terão um canudo lá isso terão.

É por estas e outras faltas de exigência – já me contentava com a mínima - que estou cansado de “levar” com alunos no secundário sem saber sequer a tabuada, quanto mais uma simples conta de multiplicar e/ou dividir, isto para não falar no escrever, já que cada palavra é um erro, quando não são mais.

P.S. - A sério! Chateia-me enormemente que venham com o argumento financeiro, em desprimor do aspecto pedagógico.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:20

Novembro 20 2018

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A tragédia há muito estava anunciada. Porém, como é hábito, todos fizeram ouvidos de mercador. Ontem aconteceu. Para já, dois mortos e desconhece-se, neste momento, o número de desaparecidos. Hoje, as carpideiras do costume tecem longas e prolongadas lágrimas de dor. Pois, não é de estranhar …

Basta ver as impressionantes imagens aéreas do que era e do é actualmente a estrada da morte em Borba. Os industriais cavaram até mais não. Já agora, mais valia que tivessem escavado tudo, mesmo que o terreno fosse do erário público, uma vez que tal impediria o trânsito e talvez se evitassem estes falecimentos.

Entretanto, o presidente da Câmara de Borba já veio dizer que está de consciência tranquila. Pois, repito, não é de admirar … Em Portugal é sempre assim. Ninguém, mesmo perante a maior catástrofe, tem a consciência pesada. Adianta ainda aquele autarca que “cá estará para assumir as responsabilidades, ou não”. Sintomático!

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:03

Novembro 14 2018

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De tempos a tempos algo acontece que até parece que todo o mundo depende de nós ou, então, desaba sobre as nossas cabeças. Os afazeres são tantos, originando um ritmo tão avassalador que, à mais pequena faísca, há um desencadear de “incêndios” de proporções dantescas. A paciência esgota-se e os amigos e familiares largam-nos, e com razão, de mão. Culpa de quem? Não sabemos, mas temos raiva a quem sabe.

Não admira, por isso, que nos últimos dias tenha sido involuntariamente bombardeado por uma temática preocupante, i.e., os riscos psicossociais relacionados com o trabalho (intra e extra profissão). O caso não novo, os números é que teimam em crescer e as consequências a tornarem-se cada vez mais irreparáveis.

E quando a mente adoece o corpo é que o paga, com a nítida sensação de perda de produtividade, bem como do correspondente potencial de competitividade. Com o agravante de tal fenómeno surtir como o efeito de uma autêntica bola de neve.

É como se, na prática, todo o trabalho a modos que fosse transferido apenas por uma via sem vasos comunicantes, resultando, sem nos apercebermos, de um enorme stress e um desgaste cumulativo antes, durante e depois de longos dias de trabalho. Assim, não nos admira que Portugal tenha uma das mais elevadas taxas de absentismo por doença e stress laboral, sendo responsável por mais de um terço de todos os novos casos de problemas de saúde.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:10

Novembro 09 2018

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O outro dia os meus alunos do 12º ano, finalistas do Curso de Mecatrónica, indagaram como poderiam procurar emprego e, caso estivessem dentro do perfil, o melhor modo de apresentarem a sua candidatura.

Numa tentativa de corresponder aos seus anseios, na aula seguinte levei uma série de suplementos de jornais e revistas com ofertas de emprego, bem como um conjunto de sites sobre esta temática.

Num daqueles suplementos, a páginas tantas, podia ler-se e passo a citar: “procuramos jovens talentos que consigam conciliar a excelência e o mérito académico com a experiência extracurricular e que tenham fit com a nossa cultura”. Mais à frente adiantava que “os candidatos devem demonstrar energia, atitude, ousadia, e motivação para integrar um mercado dinâmico e uma empresa visionária como a nossa”. A seguir afirmava que a empresa “tem capacidade para proporcionar e promover a sua integração em áreas que dependerão sempre do perfil de cada trainee”. A finalizar o anúncio dizia “que depois de uma primeira fase de assessment, os candidatos são sujeitos a entrevista e a um evento de selecção final”.

Agora pergunto eu: um jovem com 18, 19 ou mesmo 20 anos sente-se atraído por este tipo de «convite»? Mais vale ir, como a maioria dos meus alunos reiteradamente pronunciaram, para a IBM, que é o mesmo que dizer ir  para a Introdução aos Baldes de Massa, ou seja, “ir para as obras”.

Não creiam, porém, os meus caros leitores que isto se passava num anúncio apenas e somente num dos suplementos. Amiúde a “cena”, para usar a linguagem que os alunos utilizaram, repetia-se.

Mais palavras para quê?

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:37

Novembro 08 2018

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O ensino profissional tem as suas vicissitudes e não é por acaso que a maioria dos docentes prefere, de longe, ministrar os respectivos saberes ao dito ensino regular. Como todos sabemos, infelizmente, este tipo de aprendizagem ainda é visto com algum desdém, para não dizer até menosprezo. A esmagadora maioria dos discentes que o frequentam apresentam - utilizarei linguagem muito soft - nível cognitivo baixo, proveniência de agregados familiares desestruturados e, sobretudo, economicamente débeis, bem como comportamentos muitas vezes disruptivos. Para alguns, se não são o lixo da massa estudantil, para lá caminham.

Por isso não me canso de apelar a uma outra postura. O profissional nunca deve esquecer que está a ser avaliado pelo seu desempenho e pela sua capacidade de executar correctamente as tarefas de que está incumbido. Não perder este foco é determinante. Tão determinante como aproveitar todas as ocasiões e experiências para absorver o máximo de aprendizagem durante o tempo de duração do seu curso.

São bem-vistos e valorizados os candidatos a futuros profissionais que questionam, que demonstram vontade de saber, de conhecer e de testar as suas capacidades. Não basta ser profissional, há que ser o profissional. É fundamental que se faça notar e se destaque entre os restantes. Tal não passa somente pelo desempenho, mas também por outras regras de ouro como a imagem, em particular o uso de roupa apropriada, a capacidade de networking e de relacionamento com os demais, sejam eles colegas, docentes, profissionais e gestores de empresas.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:00

Novembro 07 2018

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Não é meu costume concordar com Manuel Alegre. Todavia, como diz o nosso bom povo “não há regra sem excepção”. A sua carta aberta a António Costa sobre a questão das touradas e da caça – desculpem a linguagem mais popular - encheu-me as medidas.

Afirma Manuel Alegre que existe a “tentação [do Governo] de interferir nos gostos e comportamentos das pessoas” — ou a tentação de “protagonismo de alguns deputados e governantes que ninguém mandatou para reordenarem ou desordenarem a nossa civilização”. Adianta ainda, na sua carta, hoje dada à estampa no jornal Público, que “é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correto. É uma questão de liberdade. Liberdade para não gostar de touradas. Mas liberdade para gostar. Liberdade para não gostar da caça. Mas liberdade para gostar. Algo que não se pode decidir por decreto nem por decisões impostas por maiorias táticas e conjunturais. Não é democrático. Para mim, que sou um velho resistente, cheira a totalitarismo. E não aceito”.

Finaliza a missiva com um pedido directo ao primeiro-ministro  “Por isso, meu caro António Costa, peço-lhe que intervenha a favor de valores essenciais do PS: o pluralismo, a tolerância, o respeito pela opinião do outro”, diz, pedindo que o primeiro-ministro interceda pela descida de 6% do IVA para todos os espetáculos sem discriminar a tauromaquia, “já que os prejudicados serão os mais pobres, os trabalhadores que tornam possível este espetáculo”, e pedindo que se oponha à proposta do PAN para alterar o regime jurídico da caça. Segundo Alegre, “estão em causa centenas de postos de trabalho e elevadas perdas económicas para o país, sobretudo para aquelas regiões onde a empregabilidade e a atividade económica estão quase exclusivamente ligadas à caça”.

Não podia estar mais de acordo e, por isso, subscrevo. 

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:50

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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