O meu ponto de vista

Dezembro 30 2017

Tempo natalício, no qual, sem dúvida, está associado o festejo do fim-de-ano. Reconhece-se ao longe o cheiro inconfundível desta época. Aliás, perde-se no tempo o consumo de determinada gastronomia, preparada segundo tradições ancestrais, transmitidas de geração em geração, aperfeiçoada em cada gesto e em cada rito da sua confecção.

Ultrapassando as fronteiras físicas, quer interna e/ou externas, o Natal, assim como o Fim-de-Ano, são hoje sinónimos de conforto e prazer, desfrutados em cada prato e doce. Hábitos inculcados na rotina diária desta quadra, são hoje um acto social e cultural, como também profissional.

Nesta ordem de ideias, custa-me, durante estes dias, falar de outros assuntos. Fraude, corrupção, lavagem de dinheiro são claramente ensinamentos – observe-se, por exemplo, a nova lei de financiamento dos partidos – que, por ora, me repugna tratar.

Bem sei que, infelizmente, por estes dias a maldade não faz tréguas. A mistura inebriante de ilicitude e talento para a má liderança são formas erradas de estar na vida, em qualquer altura do ano, mas sobretudo nesta época.

Por ser daqueles que infantilmente ainda acreditam na bondade humana – naïf me confesso – aproveito estas palavras mal-alinhavadas para desejar a todos

BOM ANO

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:32

Dezembro 28 2017

Se é necessária chuva? Quem duvida? Só os inconscientes. Que venha muita ou, melhor, lentamente, de mansinho e por muitos dias, de modo a penetrar no solo e não ir parar, de enxurrada, aos rios e, por consequência, ao mar.

Não temos tempo a perder e optar por facilitismo de forma (in)discriminada não é curial. Aceito trabalhar de acordo com o sigilo de Deus, uma vez ciente de que os Seus caminhos são insondáveis. O certo é que, apesar de cometer o pecado da soberba, afirmo que nos dias que correm a última coisa que me convém é que chova. Dias “livres” de algumas tarefas profissionais, não por pessoalmente querer, mas por o calendário assim obrigar, são reservados para, no meu caso, adiantar serviços de índole agrícola. Pensava eu! Bem me enganei!

Sim, eu sei, que os meus caros leitores estão a pensar que sou daqueles que “querem chuva no nabal e sol na eira”. Não digo que, em alguns momentos, não deseje tal. Todavia, jamais me ouviram pedir determinadas condições climatéricas para passear.

E, ainda por cima, quando tenho uma nova máquina – 40 CV e comigo em cima é mais um (!!!) – e tenho que a manter fechada. Não há direito! Nem aos vizinhos posso denotar vaidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:46

Dezembro 27 2017

Malhar, para utilizar um verbo comum a altos dirigentes dos socialistas, nos partidos é muito popular e até dá muito crédito. Todavia, é uma verdade plena que estes aproveitam todas as ocasiões para se por a jeito de levar nas costas.

Todos sabemos que a ainda lei de financiamento, actulmente em vigor, dos partidos sofria de inconstitucionalidade. Aliás, tal era demasiado evidente, que me escuso a referir os respectivos argumentos neste espaço.

Assim, era obrigatório rectificar a dia lei. Porém, à boleia da mesma introduzir alterações tão substanciais que envergonham qualquer português é de escarnecer e enjoar.

Senão vejamos. Não haver limites ao financiamento dos partidos, sabendo que tal é das maiores medidas para a incentivar a corrupção, bem como isentar os partidos de qualquer pagamento de IVA é escabroso e intenta com os mais legítimos direitos dos contribuintes.

Imaginamos uma sede concelhia, distrital, ou até nacional, de um partido qualquer que, diariamente, serve uns cafés, umas cervejolas acompanhadas de uns amendoins e tremoços, ou, melhor ainda, estabelece um género de tasca, servindo umas fêveras no pão ou um bitoque no prato, tal como outro estabelecimento comercial do género, e no final do ano solicita a devolução do IVA entretanto pago, é para além de desleal para com todos os congéneres, um atentado aos nossos impostos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:58

Dezembro 20 2017

Não quero dizer que, por breves, muito breves momentos, não sinta os meus sessenta anos. Isso é uma coisa. Outra bem diferente é dizer que a geração dos baby boomers, i.e., os nascidos entre a década de 50 e 60 tem maiores dificuldades em adaptar-se aos dias que correm e, por isso, é preferível apostar em perfis mais juniores.

Este argumento cai facilmente por terra se pensarmos, por exemplo, que dificilmente um recém-licenciado ou um profissional nos primeiros anos de carreira terá a experiência necessária para liderar uma negociação em contexto de adversidade, gerir a motivação de uma equipa num cenário de crise ou assegurar com sucesso tantos outros desafios que a gestão do quotidiano exige.

Já agora, o ME queixa-se de ter muitos professores com a aludida idade sénior e, nessa ordem de ideias, colocados não no topo da carreira - esse lugar ainda está vedado a todos, ao contrário do que dizem os apaniguados do governo -, mas lá perto, o que acarreta uma fatia do orçamento muito substancial. Muito gostaria de ver como funcionariam as escolas se os docentes com 50 e 60 anos as abandonassem de vez.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:09

Dezembro 19 2017

É tempo de Natal e as reflexões (!!!) consumistas em torno desta temática tendem a colocar um líder, ou uma figura de chefe de armazém, no centro das estratégias de dádivas. Falo, como já compreenderam, do Pai Natal, algo que não existia na minha meninice. Há cinquenta, sessenta anos quem dava as parcas prendas, quando as havia, era o Menino Jesus. Hoje Este está esquecido no presépio e é onde ele é montado, i.e., numa minoria de casas.

Todavia, há que lutar contra este mundo materialista em todo o momento e, sobretudo, neste tempo do Advento. O papel d’Aquele que veio e virá não pode nem deve ser minimizado. Por muito que tentem demonstrar que Ele não é determinante, nada há, porém, de tão motivante.

Todos, ou melhor, a maioria de nós revela que estamos mais inclinados para prestar um bom serviço ao seu irmão quando nos sentimos comprometidos/motivados e envolvidos verdadeiramente – sem crendice ou beatice – com um ente Superior. Ora, isto sugere que um elevado nível de compromisso com os seus semelhantes é sinónimo para alcançar um maior desempenho em todos os sectores.

Afinal, os líderes terrenos não são os que mais motivam. Bem pelo contrário.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:01

Dezembro 18 2017

O Diário de Notícias de hoje traz um artigo de Fernanda Câncio - ex-namorada de José Sócrates, a qual, para além de passar férias luxuosas à custa deste ex-primeiro-ministro, afirmou nunca ter desconfiado de algo inusitado - em que ao longo de 890 palavras consegue falar largamente do caso Raríssimas sem referir uma única vez o governo, o PS e muito menos aludir a qualquer dos elementos mais implicados no caso.

Caso para dizer: é obra não ao alcance de qualquer um. Também aqui e mais uma vez não consegue vislumbrar nada de mal para os lados do “Rato” e/ ou de S. Bento. Fazendo minhas as suas palavras com que termina o referido texto: “e é Natal”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:28

Dezembro 17 2017

Infelizmente, no meu dia-a-dia, ouço, mais vezes que gostaria, a expressão que, no fundo, é uma interrogação de retórica: “para quê esforçar-me se vou acabar atrás de uma caixa automática de um supermercado?” E, em jeito de resposta, adiantam logo: “para tal, basta o nono ano”. Desfazer este e outros mitos é extremamente difícil. Isto, apesar de fazer referência aos múltiplos estudos que dizem perentoriamente que quanto maior é o grau académico e/ou de qualificação maior é a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho e, sobretudo, ter um vencimento maior.

Ora, para além desta verdade irrefutável, sabemos que nos próximos dez anos muitas das profissões agora existentes irão desaparecer. Aliás, algo semelhante ao que aconteceu no séc. XVIII, quando a Revolução Industrial destruiu milhares de postos de trabalho. Não é novidade para ninguém que no século passado as inovações e a aceleração da mudança das sociedades despoletaram aumentos de produtividade que fizeram prosperar as pessoas a níveis de bem-estar nunca imaginados, mas simultaneamente lançaram no desemprego milhões de trabalhadores incapazes de se adaptarem às novas realidades.

Nos nossos dias a internet veio acelerar um processo de desemprego tecnológico, algo que Keynes já tinha previsto em 1930. Daqui a uns anos, ninguém duvide, as caixas automáticas, no retalho e nas portagens, a indústria através da robotização, as agências de viagem, os aviões, comboios, carros e outros meios de transporte, praticamente não necessitarão de qualquer pessoa. Aliás conta-se em jeito de graça que no futuro as grandes empresas terão apenas um funcionário e um cão. Este com o intuito de impedir que aquele faça asneira, i.e., (des)ligue algo completamente desnecessário.

Daí ainda apostar em determinadas profissões: eletricista, mecânico, canalizador, entre outras. É que não consigo descortinar um robot a reparar uma instalação eléctrica ou uma ruptura na canalização.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:14

Dezembro 14 2017

Isto anda de mal a pior. António Costa, nosso insigne primeiro-ministro, declarou em Bruxelas que 2017 foi particularmente saboroso para este rectângulo à beira-mar plantado. Ou estava a brincar, o que, a ser verdade, é escabroso, algo de muito mau gosto, ou, então, referia-se aos boys e girls do PS. Só pode!

É que este ano, concretamente no país, aconteceram os incêndios de Pedrógão Grande e os de 15 de Outubro, com as consequentes mortes e devastação do interior, o roubo de armas em Tancos, as demissões de três secretários de Estado por causa da sua ida a Paris a expensas da Galp, e agora o celebérrimo caso da Raríssimas. Isto só para citar alguns exemplos.

Não falo da enormíssima e preocupante seca, a qual nos afectou de um modo extremo, pois aqui a culpa assenta em S. Pedro. Mas que, com toda a certeza, não contribuiu para um ano frutuoso, isso é verdade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:11

Dezembro 13 2017

Ainda sobre o escândalo da Raríssimas, o que vemos, lemos e ouvimos de altos responsáveis do PS é de bradar aos céus. Desorientados, ensaiam uma fuga para a frente, ao mesmo tempo que cavam, cavam e … só sai minhoca.

João Galamba, o estulto deputado do PS, desavergonhadamente, mas fazendo jus à sua infeliz prática de elefante no meio de uma loja de porcelana, afirmou que “o problema surgido se devia ao ministro da Solidariedade Social do anterior governo”. Pelo seu lado, o líder parlamentar, Carlos César de seu nome, o tal que conseguiu altos empregos na administração pública para tudo o que era familiar, asseverou e passo a citar “demitindo-se deixam o governo isento desses problemas e dessas imputações”.

Ou seja, a culpa jamais é nossa. Ou a nódoa é no vestuário do vizinho ou quando atinge uma das nossas peças de roupa, jogamo-la fora e o assunto fica resolvido. Imaculado até. Não importa como caiu a nódoa, que tipo e a quem atingiu. Mais: é irrelevante se a nódoa é ligeira ou devastadora, se caiu em pano fino, tipo linho ou pura seda, ou numas jeans de terceira categoria.

 

Adenda: Não é por acaso que os grandes comentadores das bandas do PS - não confundir com aqueles que possuem responsabilidades directas no governo ou no Parlamento - se têm abstido de comentar este caso. Dois exemplos: Vital Moreira e Ana Gomes.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:10

Dezembro 12 2017

Não tenho a menor dúvida que apenas a exigência e o rigor criarão um futuro mais risonho. A permissividade jamais foi boa conselheira e deu e dará sempre maus frutos. Porém, o que vemos? Observamos que, por regra, as pessoas pensam que por onde os outros passarem também eles passarão, independentemente de se esforçarem ou não. Por outro lado, reparam que os mais desonestos são aqueles que mais rapidamente sobem na vida. Igualmente atentam que, afinal, o crime compensa. Angustiadamente ou não, também vêm que o ânimo, a dedicação e o empenho pouco ou nada gratificam.

Sim, bem sei que, segundo alguns, a frase “fica-te mundo cada vez pior” tem para cima de dois mil anos. Todavia, cada vez mais, acho – sem, de modo algum, comungar do “achismo”, prática tão comum nos dias de hoje – que a aludida frase, independentemente de ter muitos ou poucos anos, começa a fazer verdadeiro sentido. Deus queira estar enganado.

No que concerne aos meus filhos e netos – falo na generalidade -, com toda a franqueza, não gostaria de que na sua educação entrasse o laxismo, o faz-de-conta e a desresponsabilização pelos seus actos. Em suma, quero e exijo que sejam educados tendo em atenção as suas atitudes e comportamentos. Os valores são fundamentais e devem estar presentes em todos os momentos do dia-a-dia.

Não sei se é da idade. Penso que não. No entanto, a cada dia que passo vejo a preparação dos nossos vindouros com características nada recomendáveis. Há excepções? Com certeza que sim. Apenas confirmam aquela premissa. Estou, contudo, perfeitamente convencido que o futuro será das máquinas e de meia-dúzia de humanos - os excepcionais - capazes de as comandar. O resto, a grande “manada”, não passará de perfeitos autómatos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:41

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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