O meu ponto de vista

Novembro 30 2017

Ontem morreu Belmiro de Azevedo, uma das maiores figuras empresariais das últimas quatro décadas. Fundador da Sonae, o maior grupo empresarial nacional, instituidor dos Continente(s), os maiores espaços comerciais de venda a retalho, criador do Público, jornal diário, sempre em défice, mas considerado por todos como o de maior referência em Portugal, criador da ex-Optimus, hoje Nos, a qual continua hoje-em-dia a ser uma das operadoras de telecomunicações com lastro suficiente para competir a nível internacional, entre tantas outras iniciativas. Filho de carpinteiro e de costureira, algo que o marcou para a vida - que a elite bem pensante nunca lhe perdoou e/ou esqueceu - fez-se homem e empresário totalmente à sua custa.

Hoje outro vulto da história recente faleceu. Zé Pedro, umas das grandes referências, míticas aliás, da música portuguesa dos últimos trinta anos. Sem ele, Xutos&Pontapés não seria, de modo algum, a mítica banda que foi e ainda é no panorama do rock português contemporâneo. Tantas e tantas canções que, ao longo de dezenas de anos, escutámos com imenso deleite, fruto do enorme talento deste músico prodigioso.

Para ambos, em tudo o que é comunicação social, não sobrou espaço para as máximas referências elogiosas, para os mais elevados encómios. Diga-se perfeitamente justos.

Dentro da minha pequenez – não, não estou a ser humilde em demasia – deixo, neste breve texto, a minha homenagem a ambos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:42

Novembro 29 2017

Através de uma leitura rápida da proposta de Orçamento de Estado para o próximo ano, observamos que este é o governo que mais irá gastar em viagens e estadias, ou seja, “qualquer” coisa para cima dos 98 milhões de euros. Somente esta rúbrica é de nos deixar os cabelos em pé – depois dizem que o dinheiro não chega para tudo. Contudo, o mais grave é, como dizia hoje um cartoon de Henrique Monteiro no “Sapo”, que tal farta verba sirva para ida e volta. É que se fosse só ida … ainda se tolerava.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:54

Novembro 28 2017

Todos os dias conhecemos pessoas novas e causar um bom impacto junto dos outros é determinante. O primeiro olhar, o modo como se cumprimenta, a saudação que se faz são fundamentais para quem se quer destacar. Nada é deixado ao acaso, tanto por nós como pelos novos interlocutores. Todavia, há falhas mais graves do que outras e que podem deitar tudo a perder.

A regra número um é quase consensual: quando se apresentar opte por um porte de leitura fácil, mas não pré-formatado. Utilize um layout simples e criatividade em dose moderada. A segunda regra é a da relevância. Se tiver oportunidade, aluda somente às experiências enriquecedoras que teve ao longo da vida e jamais faça menção dos cargos, a não ser que a outra parte o solicite. Claro que também é extraordinariamente importante, caso tenha essa oportunidade prévia, o facto de conhecer o perfil da pessoa que pela primeira vez contacta. Só que esta situação, na maioria das vezes e como bem sabemos, não se verifica.

Procure, a não ser que o conhecimento seja de mera circunstância, deixar bem claro as suas ideias e objectivos, sem redundâncias e/ou floreados. Em qualquer momento há que denotar saber o que se quer, como se quer e quando se quer. Ah, por favor, não utilize as frases-cliché tão em voga em certos quadrantes ou redes sociais.

Uma atenção especial ao modo como fala. O natural e sem erros gramaticais é primordial. É conveniente recordar-se constantemente de que não está a olhar para um puzzle ou um quebra-cabeças que tem de resolver. Do outro lado, na esmagadora maioria das vezes, está um ser evidentemente racional, mas, em menor ou maior grau, também emocional.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:57

Novembro 27 2017

Nunca fui um grande adepto da saudade. Sempre pensei que o que passou, passou e o futuro é para a frente. O tempo ultrapassado servia apenas como catalisador de experiências, acumulador de aprendizagens, depositador de recordações, onde não demorava muito, e pouco mais.

Todavia, com o passar dos anos, a forma de pensar e, sobretudo, o modo de sentir foi-se alterando. A lágrima ao canto do olho, tão ausente durante anos e anos, agora volta e meia retorna, sendo, aliás, mais frequente do que queria. Como dizia o outro “é a vida”.

Não vou dizer que “sou do tempo de …”, mas que tenho saudades de nos sentarmos todos à volta da mesa e comermos da mesma travessa, isso é verdade. Sim, porque há quarenta, cinquenta ou mais anos a maioria das refeições era servida numa enorme travessa de onde todos comiam. Diariamente, apenas a sopa era servida em pratos individuais. Bem, também acontecia tal na refeição servida em dias de festas.

É evidente que esta maneira de agir pode, nos dias de hoje, chocar muitos dos leitores. No entanto, sei que alguns, para não dizer muitos outros, ainda se recordam com gosto de tal. A comida, feita à lareira, era servida da forma mais prática possível, de modo mais célere, pois eram tempos, não de fome, mas de imensos sacrifícios, onde o tempo gasto nisto ou naquilo era medido quase ao segundo. Eram tempos em que não se podia, em casa e muito menos no campo, usar uma catrefada de louça e talheres. Sinceramente, não havia tempo, na maior parte das ocasiões, para colocar na mesa tais utensílios gastronómicos e muito menos para os lavar. Recordo que a máquina de lavar louça, tão comum nos dias de hoje, era impensável naquela altura.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:42

Novembro 26 2017

Hoje, de propósito, não fui a Aveiro. Era o que faltava. Com o azar com que ando ainda era capaz de ser arrebatado para servir de “paineleiro” no debate promovido pelo governo, assinalando, deste modo, os seus dois anos de vigência.

A ser pago, como são todos os constantes no dito painel, teria obrigatoriamente de dizer bem e/ou formular uma questão do agrado de quem “arrota” com o dinheiro. Como não era capaz de tal, foi melhor assim.

Bem, diga-se em abono da verdade, que António Costa não pagou coisa alguma. No fundo, quem pagou fomos todos nós e para fazer um favor à geringonça. Isto sim é que é ter propensão para o teatro. É má representação, uma vez que os actores são de terceira categoria e o encenador-mor, embora lhe gabem o jeito para a coisa, ultimamente não dá uma para a caixa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:46

Novembro 24 2017

A questão da deslocação do Infarmed para o Porto é tão rocambolesca, desnatura e insensata que até mete dó. Esta medida, motivo do anedotário nacional, do género “não lembrava ao careca”, por ser ilegal, uma vez tocar nos direitos de 352 trabalhadores recrutados em Lisboa, os quais, como é lógico, têm os seus interesses aí instalados – casa ainda a pagar, filhos em escolas, esposas/maridos em Lisboa laborando, entre tantos outros itens da vida privada de cada um -, por desfazer, ou, pior ainda, votar ao abandono os enormes investimentos feitos em modernos laboratórios, bem como na perda absoluta dos melhores técnicos – têm sempre onde mostrar a sua mais-valia bem mais perto -, esta medida, repito, está, sem sombra para dúvidas, destinada a ser um novo fracasso do governo.

Entretanto, impõe-se a pergunta: o país necessita de descentralização? É claríssimo de que sim. Porém, não em instituições já marcadas por décadas e décadas de serviço numa determinada comunidade. Com um novo rumo e uma outra estratégia, a curto e a médio prazo é possível instalar novos institutos, novas missões, i.e., estruturas implantadas de raiz - nascem como cogumelos em tempo outonal, bastando olhar para o Diário da República -, nas mais diversas regiões do país, que não somente o Porto, cujos colaboradores, desde o primeiro até ao último nível, aí residam. É que também existem “crânios” em Viseu, Bragança, Évora, etc., etc.

Já agora, como costumo dizer, faço votos para que este governo que, nos últimos meses tem andado perfeitamente à deriva, nos amanhãs que hão-de vir não acorde com estas ideias de m§r£a.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:14

Novembro 23 2017

A burocracia é uma calamidade em qualquer lado. Neste país, então, é um calvário que leva o melhor intencionado à exasperação, descambando a situação, muitas vezes, não digo na verdadeira má-educação, numa falta de atenção mútua, onde a cordialidade, de início excelente, passa ao nível da cave.

O mais grave é que ao fim de um dia, mais fatigante que andar de manhã à noite de enxada nas mãos, em que ambos os lados ficam em depressão quase absoluta, fica a sensação de desconhecimento do culpado de tal.

A única certeza é que durante um dia inteiro (09H00 - 18H00) o maldito papel, contendo a respectiva autorização, não chegou. Culpa de quem? Ninguém sabe, tanto mais que o verdadeiro responsável se encontrava (???) dentro de um edifício com ar condicionado, a centenas de quilómetros, pouco se importando quem desesperava pelo surgimento daquele.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:05

Novembro 21 2017

Num filme português, o Pátio das Cantigas, existe uma frase, que ficou célebre, “só queria que me saísse branco”. Glosando com esta, direi que só queria que chovesse.

Contudo, o não menos célebre anticiclone dos Açores nunca mais regressa ao seu poiso habitual. Raios o partam. É que enquanto não descer, dizem os especialistas, o estado do tempo não se alterará substancialmente. Poderão cair uns pingos aqui e ali, mas nada que se compare às enormes necessidades de água que todo o país apresenta.

Por exemplo, há quem afirme que necessitamos, a curto prazo, de precipitação que ultrapasse os 200 ml, ou, dito por outras palavras, que a pluviosidade se situe acima de 200 litros por metro quadrado. Atenção: é conveniente que não seja de uma vez só. É que para desgraça já basta a seca.

Para quem, como eu, acredita que Deus tudo comanda, peço a Este seja benigno para com os portugueses. E já agora que todos saibamos aproveitar o melhor possível este enorme bem, o qual, ao contrário do que diz Trump e companhia, é cada vez mais escasso, por nossa culpa, nossa grande culpa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:47

Novembro 20 2017

Digo, com a maior sinceridade possível, que já não me lembrava de trabalhar tanto como este ano. É costume que com o avançar da idade as pessoas trabalhem proporcionalmente menos. Comigo é o contrário. Desculpem-me a expressão, mas tenho um azar do caraças!

Entre as principais barreiras que ainda se colocam ao reconhecimento do trabalho dos docentes estão, segundo vários estudos, a existência de representações sociais estereotipadas sobre aqueles, bem como algum distanciamento – não tenho a menor dúvida que já foi maior - entre o seu labor e a percepção do dia-a-dia no seio da comunidade.

Por outro lado, o factor idade funciona também como um entrave. Não quero, de modo algum, (re)afirmar que “burro velho não aprende línguas”, mas que existe um pré-disposição mental para a (re)aprendizagem enquanto somos mais novos é uma grande verdade.

Daí a urgência na renovação dos quadros docentes. Não é apenas uma questão de conseguirem ou não adoptar novos métodos e outras abordagens a nível de ensino, mas sobretudo a enorme décalage, existente hoje-em-dia, entre a idade da maioria dos professores e os respectivos discentes. Muitos de nós estamos bem para acarinhar os netos - muito diferente de ensinar - e muito mal para transmitir, bem e eficazmente, o que quer que seja aos filhos dos nossos ex-alunos, senão mesmo aos netos destes.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:11

Novembro 16 2017

Tal como afirmei, ontem fiz greve. Acção maduramente pensada, com intuitos nobres, a pensar muito mais nos meus alunos que propriamente na subida imediata de escalão. Tanto mais que, apesar de me ser descontado um dia no vencimento, vou ter de repor as aulas dadas, porquanto se trata do 12º ano profissional.

Todavia, não é esse o assunto primordial que me trás à colação. O que me preocupa, em face das múltiplas declarações proferidas na hora, depois e até já no dia de hoje, é que esta justíssima luta parece não surtir o principal objectivo, uma vez que a mesma deixou de estar no plano sindical, para ser colocada a nível político. Ora, quando o PCP e o BE, assobiam para o lado, como se estas reivindicações não lhes dissessem nada, quando têm modos mais que suficientes para obrigar o governo a ceder, estamos falados.

Será que estas jornadas político-sindicais servem essencialmente para a sobrevivência de Mário’s e Silva’s? Não nos podemos esquecer que já em tempos, aliás não muitos recuados, foram os primeiros a quebrar, quase se podendo dizer que, nas costas da classe docente, cravaram bem funda uma longa faca.

Já agora, salvo raras e honrosas excepções, a maioria dos jornalistas fez um enorme favor ao governo e seus parceiros geringonciais, tanta foi a falsidade transmitida. Dou apenas um exemplo: todos os funcionários públicos são avaliados, enquanto os docentes progridem apenas por contagem de serviço, i.e., não são avaliados anualmente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:37

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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