O meu ponto de vista

Outubro 31 2017

A forte aceitação manifestada pelos leitores, se, por um lado e em primeira análise, diz que estou, globalmente, certo (!!!) da filosofia e na metodologia adoptadas, por outro, encerra uma ideia, não menos importante, de participação e interesse dos mais directos intervenientes por esta novel e complicada fase que resolvi, recentemente, encetar.

Escrever essencialmente sobre educação, em face do cariz enciclopédico de tal tarefa, não diz tudo sobre o modo de estar e ser no ensino, tanto mais que a linha orientadora de fundo foi sempre a procura do caminho menos linear, é falar sobre a resposta atractiva de quem tem por missão – p.f. não confundir com missionarismo – ensinar e o gosto de aprender.

Evidentemente, nunca foi fácil e agora muito menos. Todas as propostas agora e então apresentadas não se limitam, nem alguma vez se limitaram, a relatar meras experiências. Consubstanciam, sim, o pensar resultante de uma forte maturação e da evidente aplicação prática.

As dificuldades são muitas, assim como é elevada a vontade em as ultrapassar. Apostar numa aprendizagem diferente, sadia e descomplexada, emprestando, simultaneamente, uma enorme dignidade na forma e conteúdo do trabalho desenvolvido, repudiando o facilitismo encerrado na pedagogia do eduquês, tanto do agrado dos pseudo-cientistas da educação.

Uma palavra final, muita sincera, de gratidão para todos aqueles que de uma forma ou de outra aceitam a palavra dos mais velhos, denotam uma querença na aprendizagem, independentemente das suas dificuldades, e, sobretudo, por saberem que apesar de abertos às múltiplas “inovações” que diariamente os cercam, sabem que “nada se cria, tudo se transforma”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:27

Outubro 30 2017

Ainda que o rejuvenescimento da nossa economia não seja coisa para pasmar, há, porém, vertentes em que se conseguem encontrar vias alternativas para aliviar os cortes impostos pela austeridade. Um dos sectores que teve luz verde para avançar, sobretudo, nos dois últimos anos, foi o da função pública, uma das áreas basilares e uma das primeiras a sofrer as agruras daquela.

Precisamente porque se sente a preocupação de uma larga fatia dos cidadãos em salvaguardar o acesso à reposição do que lhe foi espoliado é que o descongelamento da carreira dos funcionários públicos está na ordem do dia.

Todavia, este desejo tem esbarrado com a pretensão do governo em não contabilizar aos professores o tempo em não progrediram, ao contrário do que pensa fazer com todos os outros funcionários públicos. Hoje, não por acaso, o CM noticiou que se a todos os professores fosse descongelada a progressão, com a reintegração nos escalões a que verdadeiramente têm direito, tal custaria cerca de 600 milhões de euros, i.e., tanto quanto custa a reposição de todos aos outros funcionários públicos.

Ora, não havendo dinheiros para todos, os professores ficam a zero, enquanto os outros progridem.

Isto é de bradar aos céus. Ou há dinheiro e todos comem ou não existe e, então, o mal é dividido pelas aldeias.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:28

Outubro 25 2017

Em boa verdade, a esmagadora maioria das pessoas tem hoje uma presença online e, por isso, pensar que amanhã será tudo tecnológico, como dizem os meus discentes, levanta a questão: porque é que a tecnologia já não é, neste momento, a solução? A resposta está na essência do trabalho que os activos “executam” presentemente. Quando coloco aspas sobre executar, faço-o propositadamente, uma vez que este laborar de algo tem muito de emocional e está longe de ser exclusivamente raciocínio lógico.

Teorias mais futuristas encontram na tecnologia as variáveis necessárias para que seja feito um match no meio profissional. Aliás, os mais fatalistas dizem até que, por exemplo, o ensino conforme o conhecemos tem os dias contados. Espero não andar por aqui – já agora, onde ouvi eu esta frase? – para observar tão mau desígnio.

Os docentes não são apenas números portadores de um curriculum vitae, mas profissionais com conhecimentos reais, que colocam a afectividade em jogo, de modo a dar a perceber junto de quem utiliza e/ou compra que possui o perfil adequado para que este possa alcançar os objectivos propostos.

Em paralelo, por excesso ou por defeito, a personalidade do docente e a sua análise comportamental são decisivos para o seu dia-a-dia. Existe motivação, adaptação à mudança, ambição, entre outras características que podem ser críticas para o exercício da função. Numa linguagem matrimonial, poderia dizer que analisamos de forma científica a química existente na relação professor-aluno, reconhecendo o seu potencial para um relacionamento sério e duradouro. E desengane-se quem ache que nesta avaliação apenas analisamos uma parte, pois o sucesso depende dos dois.

Por todas estas razões, a tecnologia com os seus algoritmos e evolução será sempre uma ferramenta para acelerar o tal match, mas jamais será, em si mesma, um match perfeito.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:34

Outubro 24 2017

Este é um espaço, conforme aliás sempre foi, adequado, para junto de quem acha que escrevo algo de útil, deixar registado alguns dos princípios que orientam o dia-a-dia do meu labor.

Por isso, conhecendo razoavelmente bem o caminho irregular, pedregoso e, por vezes, tortuoso que tem caracterizado a história do Ensino em Portugal, porque o percorri pelo meu próprio pé ao longo de muitos e muitos anos, é que me sinto à vontade e em pleno direito de dizer - no meu modesto entender, é certo – aquilo que penso e que me rege.

Conheço a dificuldade daqueles que no terreno concreto da sala de aula – e não à volta de uma mesa-redonda qualquer de um gabinete alcatifado e com ar-condicionado -, procuram entrar, compreender e responder a um processo de ensino-aprendizagem abrangente, centrado no aluno e cuja “espinha-dorsal” apresenta características únicas.

Por conhecer, ou pelo menos ter a pretensão de conhecer, em síntese, o real e não o imaginário, o autêntico e não o ilusório, é que, na maior parte das vezes, sou tão duro e até cruel. Sei que tal complexidade se transporta, naturalmente, para a tarefa de elaborar um perfil o mais genuíno possível. Sem paternalismos, a tentativa simples de iluminar um túnel é, para muitos, um desafio longo e desagradável.

Dada a velocidade de transformação e o dinamismo que marcam o mundo actual, a par das disparidades dos meios humanos e tecnológicos, a logística das salas de aulas das nossas escolas é, sem dúvida, um obstáculo difícil de transpor e somente com muito e muito empenho e alguma imaginação pode ser minorada.

Finalizando, novamente abro este espaço a todos aqueles que “buscam o saber” e se sentem “atraídos pelo fazer”

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:09

Outubro 23 2017

É do conhecimento geral que os professores, à semelhança de outras classes, possuem uma carreira própria, sendo, porém, avaliados de um modo bastante distinto, o que provoca uma progressão muito peculiar.

Assim, enquanto a maioria dos funcionários públicos são avaliados pelo SIADAP (Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública), i.e., através de pontuação, os docentes têm uma avaliação, repito, própria, ou seja, através de uma classificação quantitativa e qualitativa. Até aqui não se vê que venha grande mal ao mundo, como se costuma dizer.

O caso, contudo, muda de figura, quando a pontuação de uns é recuperada para efeitos de descongelamento de carreira, enquanto que a classificação que os professores obtiveram durante os dez anos de congelamento não contará para nada.

Neste sentido, fazer uma greve conjunta com os restantes funcionários públicos, como propõe a Fenprof, não faz sentido, já que o essencial do caderno reivindicativo dos docentes é, pelo exposto, diferente.

Por outro lado, mas não de somenos importância, sabemos todos muito bem que a aludida greve não passa de uma prova de vida do PCP. A enorme derrota nas recentes autárquicas a isso obriga.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:34

Outubro 19 2017

Admiramo-nos da catástrofe provocada pelos fogos? Com toda a franqueza, estavam à espera de quê? Com as temperaturas altíssimas verificadas, a falta de pluviosidade registada há mais de seis meses, aliado a um governo ineficaz e completamente desorientado, estranhar é que não tenha sido pior.

Quando este (des)governo pensa mais em negociar com os seus parceiros da geringonça, com vista a aplicar uma agenda fracturante – autorização de entrada de animais de companhia nos restaurantes, carta de condução de moto a partir dos catorze anos, divisão de funcionários públicos versus privados, entre outros casos -, do que analisar o sentir do país real e encontrar soluções para os seus problemas, está tudo dito.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:04

Outubro 18 2017

O fogo aparece quando a camada combustível não é destruída pela natureza ao mesmo ritmo que é armazenada, dando-se um aumento do volume das células comburentes. Quando simultaneamente diminuem os líquidos, a matéria inflamável endurece, contrai-se e daí até à ignição é … um instante.

Adicione-se a indústria do fogo – material para os bombeiros, aviões, indústria da celulose, madeireiros, entre outros -, bem como pirómanos, sem esquecer a ineficiência dos boys designados para a protecção civil, e se acrescentar a irresponsabilidade política do governo, dá, sem dúvida, o resultado que nos últimos tempos assistimos.

Agora, a paisagem apresenta a inestética de um cinzento escuro, resultado da acumulação de depósitos de cinza sobre a terra, sob a forma de pequenos nódulos que surgem sobretudo onde o fogo foi mais incisivo.

Pior, muito pior, foram as vidas perdidas. Hoje houve, por parte do governo, um pedido de desculpas. Tardio e forçado, é certo, pelo assertivo discurso de ontem do Presidente da República, não pode, porém, deixar de ser registado.

Todavia, a pergunta mantém-se: será que António Costa tem condições para continuar a liderar o governo? É que constitucionalmente ele é o principal responsável por todo este imbróglio.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:23

Outubro 17 2017

Ouvi ontem, à semelhança de muitos outros, o primeiro-ministro, na sua comunicação ao país, discorrer sobre mais uma catástrofe que se abateu sobre este rectângulo à beira-mar plantado neste último fim-de-semana.

Palavras, palavras e mais palavras. Muitas até dizer chega. Comunicação cheia de promessas até dizer basta. Zero de responsabilização e muito menos em termos de sentido de Estado.

Pelo menos até agora, não existe qualquer assunção de responsabilidade política. Afinal, tudo se deveu a ondas de calor, imponderáveis da natureza, seca extrema, bem como outros adjectivos similares.

A demissão da ministra da Administração Interna não resolvia o assunto? De todo não. Mas, pelo menos, havia alguém com espinha dorsal que assumisse o encargo político. Aliás, por muito menos, se demitiu Jorge Coelho, aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, apesar de todos sabermos que não foi ele o culpado técnico e/ou prático por tal desastre.

As contingências do clima não podem ser a fuga e a desculpa para todos os fogos, assim como a não estruturação da floresta, a qual tem décadas de atraso. Por falar nisto, corre pelas redes sociais, com bastante insistência, a ideia peregrina e desculpabilizante de que a desgraça que nos assolou neste Verão é culpa de todos os governos pós-25 de Abril. Com este e outros argumentos análogos, um dia destes ainda vão culpar o Afonso Henriques.

Para este governo e seus correligionários geringonciais tudo o que é bom é da sua inteira lavra. Algo de mau é culpa dos governos anteriores, principalmente do último, ou, então, é fruto das circunstâncias.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:05

Outubro 16 2017

São já conhecidas algumas linhas em que se estrutura o Orçamento de Estado para 2018. E, no que concerne aos docentes, o saber de tal dá mais para chorar que para rir, apesar do BE tentar branquear aquele com a promessa de nova vinculação extraordinária.

O descongelamento da carreira docente, com a perda de 10 anos – um quarto da vida profissional -, é um rude golpe nas legítimas aspirações dos professores. Aliás, a grande parte destes, com o olvidar daqueles anos, jamais conseguirá alcançar o último escalão.

Então não acabou a austeridade? Não é este um governo de esquerda, amigo dos trabalhadores e que iria reverter todas e quaisquer medidas impostas pelo mau governo de Passos Coelho? Não estamos em pleno e pujante crescimento económico?

Já agora, onde está a Fenprof? Pediu uma reunião urgente ao ME e este respondeu que, sobre esta matéria, nada tinha a discutir e que a posição daquela só servia para criar ruído. Com o rabo entre as pernas, o grande líder, Mário de seu nome próprio, apenas piou baixinho. Aliás, não foi este que afirmou: "agora sim, tinhamos um ME que olhava para os problemas dos docentes com uma visão de esquerda e que, mensalmente, iriam reunir para o avaliar"? Que classificação lhe dá?

Como dizia o outro dia Jerónimo de Sousa, "o grande problema dos nossos dias é que tudo o que dizemos fica gravado". Ao vivo e a cores, acrescento eu.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:57

Outubro 11 2017

Augusto Santos Silva, MNE do actual governo e ex-ministro nos dois executivos de José Sócrates, afirmou hoje que a acusação proferida contra este decorreu onde deveria ter ocorrido, i.e., na Justiça, tal como deve ser o respectivo julgamento, e não na praça pública ou nos media.

Sim, bem sei que este e muitos outros socialistas adorariam colocar, neste caso e à semelhança de outros, uma lei da rolha, de modo que os cidadãos permanecessem na “santa” ignorância. Aliás, Salazar também assim pensava.

Invocam, para tal, farisaicamente o estado de direito. Esquecem-se que em tal há lugar a uma imprensa livre. Obrigatoriamente, acrescento eu.

Já agora, aquele governante podia esclarecer como foi possível, ele e muitos outros, terem sido durante tanto tempo ministros de Sócrates e nunca terem dado por tantos e tantos indícios de corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de influências.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:35

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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