O meu ponto de vista

Janeiro 12 2017

Quem se der ao trabalho de reflectir um pouco, facilmente chega à conclusão que as últimas décadas foram turbulentas nas mudanças em termos de política, economia, cultura e educação, tal como nos novos papéis das pessoas nas organizações, na família e na sociedade em geral.

A passagem de um país com uma industrialização incipiente para uma sociedade baseada na globalização do conhecimento e da informação gerou a exclusão de muitas centenas de milhares de pessoas incapazes de se adaptarem a novos figurinos e exigências de um mundo mais moderno.

Todavia, apesar dos elevados custos das várias crises suportadas nos últimos anos, o país efectuou progressos muito importantes em todos os sectores de actividade. A transformação tecnológica, induzida em grande parte pela integração europeia e pelo consequente investimento estrangeiro, projectou o ensino português para patamares de qualidade nunca antes alcançados. Não apenas nas universidades, mas também através do crescimento acelerado do ensino profissional.

A democratização da educação e a disseminação do ensino politécnico no interior do país contribuiu para uma aceleração da qualificação dos jovens e para a sua integração num mercado de trabalho alargado sobretudo ao espaço europeu.

Como se costuma dizer, não há bela sem senão. Por isso, os aspectos mais negativos resultam do facto dos investimentos financeiros no ensino básico e secundário continuarem a ser, por um lado, insuficientes e, por outro, alguns mal aplicados.

Não ficaria de bem se não mencionasse que a sucessão de reformas erráticas, a maior parte das quais ao sabor de interesses corporativos, aliada à ausência de uma definição estratégica clara a longo prazo constituem os erros mais flagrantes dos sucessivos governos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:10

Janeiro 11 2017

Ouço certas pessoas, algumas verdadeiramente sociais-democratas, a solicitar que Pedro Passos Coelho faça uma oposição frontal e constante à geringonça governamental. Tenho respondido que reclamar é fácil: basta abrir a boca e fazer força, como se dizia antigamente. O certo é que com um executivo que governa para o imediato, satisfazendo, não importa como, as clientelas mais exigentes e com um Presidente da República que tem horror ao choque de ideias, que dá tudo para o não surgimento de conflitos - recordam-se das presidências abertas de Mário Soares em que o confronto era constante e verdadeiramente assumido como combate político? -, como se poderá ser mais assertivo e eficaz em termos de oposição?

Nos tempos que correm, adoraria ver propostas de outras pessoas, quer sejam barões ou não, do principal partido da oposição. Mas alvitres fundamentados e que mobilizassem a opinião pública e, sobretudo, que fossem do agrado dos opinion makers, já que são estes que condicionam e muito aquela.

Só que com o estado da governação é extremamente difícil que isso aconteça. Isto não quer dizer que tudo vá bem e que a paz (podre) dos anjos que vivemos sirva os superiores interesses do país. Bem pelo contrário. Contudo, as coisas são como elas são e, segundo parece, a maioria do povo gosta deste foguetório.

Todavia, todos sabemos que muitas vezes - e a história dos partidos está repleta de casos dessa natureza - basta mudar o líder, o qual até poderá não trazer de nada de novo em termos de ideias e projectos, mas o novo nome e outras caras chegam para catapultar o partido para patamares bem superiores.

Não será, com toda a certeza, o milagre da multiplicação de intenções, mas poderá ajudar. Quem sabe?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:48

Janeiro 10 2017

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 (Imagem do debate televisivo, em 1975, com Álvaro Cunhal, em que ficou célebre a frase deste "olhe que não, Sr. Dr., olhe que não"

 

Quero apenas recordar o estadista que agora nos deixou pelos factos ocorridos em 1975, bem como a adesão à, então, CEE, dez anos mais tarde. Relembro a sua luta, no auge do PREC, contra a unicidade sindical, combatendo denodamento pela liberdade, implantando a democracia, i.e., aquando da deriva totalitarista do PCP, o qual queria fazer deste país uma Cuba europeia, tal como lembro a batalha que travou a fim de acabar com a perpetuação do regime militarista protagonizada por uma ala mais esquerdista do MFA.

Foi um homem extraordinário, tanto para o bem como para o mal. Contudo, tenho por princípio não falar mal de quem morreu. Por isso, tudo o resto deixo à consideração dos leitores.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:11

Janeiro 06 2017

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Agradável, divertido, sorridente, moderno, popular e emotivo. Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) é, como pessoa, o oposto dos seus antecessores e sobretudo de Aníbal Cavaco Silva. Sempre o foi e, nestes primeiros meses desde que chegou ao Palácio de Belém, mostrou que também quer ser o contrário dos seus antecessores no exercício da função presidencial, apesar de alguns terem uma tendência constante de o comparar única e exclusivamente com o que o precedeu. A memória é curta e em política ainda o é mais

É incomparavelmente mais aberto do que os seus antecessores, que, por vezes, até pareciam ter receio de falar com as pessoas comuns. Ao invés, o actual PR nada como peixe na água no meio do povo. Foi um ilustre professor de Direito, mas isso não o impede de partilhar anedotas e episódios engraçados com os mais humildes, de os ouvir e falar com eles a mesma linguagem de modo que todos compreendam.

Sem dúvida que é um homem afectuoso e simultaneamente muito inteligente. Porém, como não há bela sem senão, muitas vezes, por voluntarismo ou nem tanto como isso, extravasa as suas funções, intrometendo-se na esfera governativa, mais parecendo chefe do executivo que primeiro magistrado da Nação. A sua costela de comentador, que tarda em desaparecer – será que alguma vez o vai abandonar? – leva-o a analisar tudo e todos, amealhando tempo de antena que qualquer outro político gostaria de simplesmente de lhe roçar os pés.

O seu lado frenético e impulsivo demanda-o a querer estar em todo o lado. Do ex-Presidente e fundador do PS, contava-se em tempos, e em termos de anedota, que Deus estava em todo o lado, mas Mário Soares já lá tinha estado. Por isso MRS nunca cumpre a sua agenda oficial. Quando os jornalistas, que cobrem os seus actos, contam ir a dois ou três eventos, no final do dia contabilizam sempre o dobro, senão o triplo.

Bem sabemos que, em termos de popularidade, ninguém rivaliza com ele. Todavia, sei por experiência própria que agradar a gregos e a troianos é impossível. Até Jesus - de quem um dia afirmou que nem que descesse de novo à Terra seria líder do PSD, acabando por ser desmentido por ele próprio -, até Jesus, repito, que foi o Santo que foi não conseguiu agradar a todos, como pensa ele conseguir?

Depois, com toda a franqueza, se existem coisas de que não gosto é da ausência de agradecimento. Bem sei que depois de eleito passou a ser o Presidente de todos os portugueses. E que não deve ter uma postura de facção aceito e aplaudo. Todavia, andar constantemente com este governo ao colo, com encómios perfeitamente desnecessários e, acima de tudo, com a depreciação da actuação do anterior governo, como foi a sua análise relativa ao feriado do 1º de Dezembro, também é demais.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:02

Janeiro 04 2017

Toda a gente sabe, mas a maioria continua a assobiar para o ar, que vivemos uma época caracterizada pelo descartável e pela euforia do momento. O que tivemos ontem já não vale nada nos dias de hoje e muito menos no amanhã. O relevante é o presente.

Aliás, a teoria da pós-verdade aí está a assentar arraiais e a ganhar foros de cidadania, sem se saber como e sobretudo porquê. A procura pela verdade intrínseca, absoluta, aquela que não oferece dúvidas, já pouco ou nada importa. Dizem-se umas atoardas, manifestam-se uns conceitos estranhos, torturam-se dados e, pior ainda, sem necessidade provar o que quer que seja. Desde que não se possa desmentir é verdade, ou melhor pós-verdade.

Veio-me à memória, esta demagogia futurista, a preceito do estado do país e, sobretudo, do seu muito “poucochinho” crescimento económico. Pudera, quando se dá tudo praticamente a todos não há forma de fugir a tal sina. Os funcionários públicos querem maiores ordenados, menor carga horária e reposição de regalias, tudo bem, conceda-se. Os trabalhadores das empresas públicas de transportes anseiam pela renacionalização destas, tudo bem, defira-se. Os enfermeiros, médicos, professores, psicólogos, advogados e outros que tais reivindicam maior número de lugares na administração pública, tudo bem, outorgue-se. Os reformados pretendem ter acessos a maiores e mais baratos cuidados de saúde, bem como aumento das reformas, muitos dos quais pouco ou nada descontaram para as mesmas, assim como outras regalias, tudo bem, atribua-se. Os “lesados” do BES e de outras instituições bancárias solicitam a devolução dos seus depósitos, quando a larga maioria sabia muito bem onde estava a aplicar o seu capital, tudo bem, pague-se. E a lista podia estender-se quase ad infinitum.

Não é por acaso que reputados economistas têm alertado para a factura que um dia destes iremos todos pagar. É que não aprendemos nada com as crises porque passamos. Por exemplo, sabe-se que voltamos a consumir, essencialmente à custa de crédito, como fazíamos antes de solicitar ajuda à troyka. E a consumir principalmente produtos importados. Daí o crescimento ser tão, tão anémico, isto para não voltar a usar a terminologia anterior. Poupança? O que é isso?

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:46

Janeiro 03 2017

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Depois desta quadra, sinceramente aquela época festiva do ano que mais aprecio, é necessário voltar a entrar nos eixos. Os excessos calóricos, inevitáveis quer queiramos quer não, a isso obrigam.

Por isso, consultando a imprensa especializada, vou, com toda a certeza, deleitar-me agora com alguns exercícios. Assim, começarei com algumas pedaladas, mas sem esforço, segundo a propaganda, numa Waterbike. Em simultâneo ou posteriormente – ainda não decidi – utilizarei fases luminosas (cromoterapia) com tons suaves, propícias ao relaxamento e à produção de ozono na água, juntamente com jactos de hidromassagem, permitindo, deste modo, efectuar o micropeeling da pele.

Mas não ficarei por aqui. Também era o que mais faltava. Trabalharei, lá mais para diante, o reforço muscular, a diminuição da retenção de líquidos e a sensação de pernas pesadas, o que trará enormes vantagens ao sistema cardiovascular.

Prometem-me, e eu acredito solenemente, que irei esculpir o corpo e afinar a silhueta, queimando, para isso, cerca de 500 calorias por cada sessão de 30 minutos. Aliás, dizem que é benéfico para todos, independentemente da idade, sexo, confissão religiosa ou ideologia política. Bem vistas as coisas, a maior parte desta última conquista já é da minha lavra. Por isso não a levem muito em conta!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:07

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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