O meu ponto de vista

Junho 28 2016

Escutar determinadas pessoas é como balões de ar a rebentar. Falam, falam e falam mas não dizem nada, pois, tal como os balões, a única coisa que têm dentro de si é ar.

Eloquentes, malabaristas com as palavras, são piores que um harmónio a debitar música, cujo botão “stop” se avariou. Aspiram e suspiram, mas jamais inspiram quem que seja. Adoram prender a atenção dos que os rodeiam, nem que para isso tenham de criar mil e uma histórias.

O que contam, na maior parte das vezes, não corresponde minimamente à realidade. Contudo, o modo como se expressam, o tom que colocam na voz, a ênfase que denotam, dá a entender que o que dizem é a mais pura das verdades. A voz nunca lhes treme, não lhes faltam as palavras certas no momento ideal, o olhar é fixo e brilhante de tal modo que a convicção que transmitem é quase total.

Autênticos vendedores de “banha de cobra”, não têm pejo algum em ficcionar. Não, não são mentirosos compulsivos, apenas distorcem a realidade por necessidade afectiva. A ânsia de captar o outro a isso obriga.

Ao ouvi-los ganhamos o “Céu”, pois obriga-nos a um acrescido esforço de prestar atenção a quem não merece, bem como o de usar todos e mais alguns “filtros”. Aliás, este género de pessoas são extremamente inteligentes até ao momento em que abrem a boca!

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:15

Junho 27 2016

Pequenos, muitos pequenos. Nada valem, mas deem-lhes dez reis de mel coado em forma de poder e verão. Mesmo que seja diminuto ou meramente residual e ei-los armados em ditadores de pacotilha, pavoneando a sua (in)significância por tudo o que é lugar.

“Não podem fazer isto e aquilo. Não podem proceder deste e daquele modo. Tem que efectuar assim e assado. Têm de cumprir rigorosamente. E evitam de dizer o que quer que seja pois está nas normas”. No fundo, mais papistas que o Papa. E depois é um regá-lo ouvi-los admoestar tudo e todos, só lhe faltando a cana-da-índia para fazerem lembrar velhos tempos.

Passam meses e meses, por vezes anos até, sem que se lhes dê pelo rasto. Não abrem a boca numa reunião e muito menos é do conhecimento público uma única ideia. Mas, por virtude da nomeação e posterior empossamento numa função (i)relevante, por metamorfose imediata, eis que o rei lhes salta na barriga e é vê-los impantes de garbosidade, quais generais em parada, a “comandar” a dita arraia miúda.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:26

Junho 24 2016

Como outro dia dizia uma amiga minha, nos dias que correm é só futebol, futebol e futebol. A política nacional está arredada das conversas do dia-a-dia e mesmo os media só hoje, praticamente, aludem ao Brexit, mais por receio – é sempre assim – que por interesse informativo. Até mesmo a recapitalização da CGD, a qual nos vai custar a cada um de nós a módica quantia (!!!) de 500 euros, praticamente desapareceu dos radares noticiosos.

É evidente que este estado de coisas serve às mil maravilhas ao governo. Enquanto os portugueses estiverem entretidos com o desempenho da selecção nacional, se o Cristiano Ronaldo apenas brilha no Manchester City e/ou Real Madrid, se o engenheiro deve colocar o jogar A em vez de B, António Costa esfrega as mãos de contentamento, uma vez que ninguém quererá saber da diminuição das exportações, do aumento da dívida e, sobretudo, que os índices económicos estão de tal modo em baixo que as projecções financeiras governamentais para o corrente ano jamais se cumprirão.

Aliás, se observarem os editoriais dos jornais e os próprios comentadores não fogem a este estado de espírito. E aqueles que saem desta regra são relegados para segundo plano ou nem sequer lidos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:58

Junho 22 2016

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É sofrer, sofrer e sofrer muito. São horas impróprias para cardíacos, como é costume dizer-se sobre estes momentos. Aliás, já hoje escrevi e volto a repetir: dava jeito ter um segundo coração para descansar o primeiro.

Três vezes com bilhete de volta; três vezes a permanecer. É obra! E o grande Cristiano Reinaldo provou que é um especial de entre os especiais. Parabéns.

Sei que o que acabei de escrever não passam de banalidades e não chega minimamente aos calcanhares de muitos outros comentadores. Porém, neste momento, não tenho palavras e soabram-me as emoções, algo que é muito difícil de transpor para o papel.

Croatas? Até os comemos!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:29

Junho 21 2016

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Depois de um dia intenso na agricultura, sobretudo trabalhando com o tractor, há pouco, ao ler um jornal regional, deparei-me com este anúncio.

É caso para dizer: não acredito em bruxas, mas que as há, há!

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:16

Junho 18 2016

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Não é por nada ou, melhor, é por tudo. Por todos os santinhos e santinhas – usando o politicamente correcto do BE – não permitam que o António Costa assista ao próximo jogo da selecção nacional.

Caso contrário, é só empates(as).

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:44

Junho 16 2016

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Em Dezembro de 2011 Passos Coelho, então primeiro-ministro, afirmou e passo a citar “sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou querendo-se manter, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa".

Em 12 do corrente mês, em Paris, António Costa disse ipsis verbis "muito importante para a difusão da nossa língua e é também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de Português que, por via das alterações demográficas, hoje não têm trabalho em Portugal e que podem encontrar aqui".

A pergunta impõe-se: nota-se alguma diferença em ambas as declarações?

Aqui chegado, faço um apelo à vossa memória, o qual, aliás, não necessita de ser assim tão grande como isso. Recordam-se o que os grupelhos da esquerda e extrema radical e, sobretudo, esse paladino da defesa acérrima dos professores, que se dá pelo nome de Mário Nogueira, disseram sobre a primeira afirmação? Choveram raios e coriscos e afirmaram do então chefe do governo o que os maometanos não dizem do toucinho.

E agora? Alguém ouviu uma palavra? Não mandam o António Costa emigrar como então fizeram? Haja vergonha!

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:08

Junho 15 2016

Dei hoje a definitiva aula deste ano lectivo. Foram exactamente 548 tempos de 45 minutos, já que os cursos profissionais, como é amplamente sabido, regem-se por regras próprias, ou seja, surja o que surgir, venha o inesperado que venha, por imposição da CE – apoio oblige – os discentes tem que, obrigatoriamente, possuir o número de horas estipulado para que aqueles sejam certificados.

Ufa, até que enfim! Foi um ano difícil, mas simultaneamente muito desafiante, pois há imensos anos, à volta de trinta, não ensinava a alunos do secundário. Estou plenamente convencido que para o próximo ano a “coisa” será mais fácil.

Não houve abraços e muito menos beijos. Entre homens de barba feita tal não é previsível e/ou admissível. Mas houve emoção e a excitação, no bom sentido, é claro, fez-se sentir.

Por agora, dei a derradeira. A partir de Setembro próximo, se Deus quiser, darei mais.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:58

Junho 14 2016

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Jogámos hoje contra a Islândia, país que pela primeira vez chegou a uma final de um Europeu de futebol. Depois há considerar o nível de futebol praticado nos dois países, não esquecendo que somos 10 milhões, enquanto os finlandeses não vão além dos 300 mil.

Todavia, apesar dos nossos craques e super-craques, pagos a peso de oiro, não passámos de um mero empate. Vir argumentar que se sabia que era uma equipa difícil é mero paleio e falta de sinceridade.

Não jogámos nada e ponto final. Garganta é o que apenas demonstrámos.

Faço votos para que tenha sido unicamente uma entrada de sendeiro para que haja muitas saídas de leão.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:09

Junho 09 2016

Sim, é muito nosso. Por vezes acho que somente nós somos assim. Os sentimentos dos portugueses vão oscilando, como uma onda viral, e alternando tendências entre Velhos dos Restelo e Padeiras de Aljubarrota. Entre o pessimismo, a resignação, o inconformismo e a esperança venha o Diabo e escolha. O certo é que, mal ou bem, lá vamos avançando como nas Naus Catrinetas.

Bem sabemos que introduzir números e estatísticas nos sentimentos dá normalmente mau resultado, mas a verdade é que havendo cada vez mais pessoas em dificuldades também temos mais multimilionários que há meia-dúzia de anos. Podemos falar de tendência de menor empregabilidade e da diminuição da criação de novas empresas, mas estaremos sempre a falar de médias. Aliás, se eu comer um frango e o meu caro leitor passar a refeição com o estômago a dar horas, a média é que ambos comemos meio frango.

Há realmente uma diminuição das ofertas de emprego, apesar dos vínculos e salários, aparentemente, serem, respectivamente, mais estáveis e maiores. A crise deixou de ser crise – pelo menos, no dia-a-dia, a palavra deixou o léxico corrente – e transformou-se em status quo. Nós, os humanos, como animais de fácil hábito, sujeitamo-nos a tudo e, como é lógico, os portugueses não fogem à regra.

Fundam-se poucas empresas e as que fecham é em maior número. Criam-se novos empregos e, pela lógica anterior, muitos mais desaparecem definitivamente. De modo algum estou seguro do índice de felicidade dos portugueses por verem as alternativas desaparecerem por todo o lado.

Entretanto, teremos de viver também com as exigências irrealistas de quem ainda não percebeu que direitos inalienáveis só mesmo os ligados à liberdade de opinião e que tudo fazem para, em nome de não sei de quê, transtornar a vida dos querem rumar para frente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:29

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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