O meu ponto de vista

Setembro 28 2015

Desde que o Homem pré-histórico descobriu a capacidade de se expressar culturalmente através da fala, bem como de outras formas, tal como foram as pinturas nas paredes de cavernas, o ser humano nunca mais deixou de se fascinar consigo próprio.

Naturalmente, o grau de sofisticação dessa fascinação foi evoluindo desde esses tempos imemoriais, e, actualmente, as formulações que deveriam visar não só embelezar o dia-a-dia, mas também conferir propriedades de entendimento entre as pessoas, andam, por vezes, pelas ruas da amargura.

Para ilustrar o anteriormente dito veja-se a presente campanha eleitoral. É tal o despudor, a falta de ética, a inexistência de princípios balizadores e, sobretudo, moralizadores, que há uma parte substancial de portugueses que rejeitam qualquer abordagem, por mais breve que seja, sobre o nosso panorama político. Outro exemplo: em princípio, à medida que a campanha avançasse deveria, à luz do bom senso, diminuir o número de indecisos. Bem, o efeito é precisamente o contrário, uma vez que, segundo as sondagens mais recentes, os portugueses que não sabem onde votar ou se vão ou não, no próximo domingo, às assembleias de voto está exponencialmente a aumentar. É caso para pedir, principalmente ao PS, que parem imediatamente com o (pseudo) esclarecimento dos eleitores.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:38

Setembro 27 2015

Com uma simplicidade encantadora e um gracioso sorriso estampado no rosto, ela respondeu afirmativamente.

Ele, ao mesmo tempo que puxava a cadeira para se sentar, retorquiu:

- Podes não acreditar, mas é a primeira vez que tomo a liberdade de pedir a uma senhora, que não conheço, autorização para me sentar à sua mesa. Estou a dar esta explicação, uma vez não querer que fiques com má impressão a meu respeito e, sobretudo, pretendo que tenhas a certeza absoluta que não sou um conquistador de vão-de-escada ou que pretendo um flirt ocasional, ditado pelas circunstâncias de uma eventual solidão mútua.

Pelo seu lado, ela, continuando com um sorriso estonteante, afirmou:

- Não te preocupes, pois são raras as vezes que me engano - em termos de maus predicados, como é óbvio - sobre quem, pela primeira vez, dou autorização para se abeirar da minha mesa. E, mesmo que, mais tarde, venha a enxergar um acidental erro, podes crer que sou mulher que sabe ocupar muito bem o seu lugar e, nomeadamente, obrigar os outros a ocuparem devidamente o seu. Por outro lado, não te esqueças que, em qualquer momento, sou completamente livre de me levantar e, assim, acabar com a conversa se a mesma rumar por um caminho que não me agrade. Aliás, este raciocínio também o podes colocar a ti próprio!

Cada vez mais gosto desta garota, pensei para comigo próprio. Ainda por cima é muito gira. Possui um modo próprio de pensar e não pede autorização a quem que seja para dizer o que cogita.

E continuou:

- Também não deixa de ser verdade que nada de mal estamos a fazer e, presumo que tanto tu como eu, apenas, friso, apenas necessitamos de conversar com alguém.

Nesse momento, uma sensação de bem-estar inundou-me. O soutien via-se, agora, com mais nitidez, realçando o rego do belíssimo peito. Caramba, era extraordinariamente difícil não olhar. E, bem sei, que uma ou outra vez notou perfeitamente para onde se dirigia o meu olhar, sem que fizesse, porém, algo para que tal não voltasse a acontecer. Raio, até parecia que gostava de me provocar!

Por isso, ou pelas suas palavras, senti necessidade de intervir:

- Bem, quanto ao que me diz respeito, não é bem assim. É verdade que adoro conversar, mas…

 

(Continua num livro brevemente à venda numa livraria próxima de si)

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:17

Setembro 25 2015

Tirar o máximo partido das situações que no quotidiano nos acontecem deve ser uma bandeira diária. Todos devemos ser gestores de pessoas e, sobretudo, de nós próprios.

Por isso, ainda que mal relacionado, gerir uma campanha política é como dirigir uma orquestra, onde cada um é peça-chave, com uma melodia própria, mas que o som final deve ser o mais harmonioso possível.

Na verdade, as pessoas estão cada vez mais activas na partilha de informação e, principalmente, acoroçoadas nas redes sociais, pelo que não admira ser nestes novos “lugares” que muito da política dos nossos dias se faz.

Assim, não admira que os departamentos de marketing, de comunicação e de recursos humanos das principais forças políticas estejam a trabalhar de forma alinhada para identificar os melhores sound bites e comunicar as suas actividades junto do eleitorado.

Do lado dos candidatos há, em função das sondagens, fruto destes serviços, uma extroversão ou introversão conforme os resultados, o que, aliás, não é para admirar.

Importa, porém, realçar que, desde a antiguidade, sempre deu mau resultado matar o mensageiro para, desse modo, não encarar a realidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:49

Setembro 23 2015

Bem sei que existem escolas e escolas. Todavia, subsistem aquelas empenhadas em desenvolver novas formas de trabalho e, sobretudo, dispostas permanentemente a implementar uma postura de coluna vertical, jamais se subjugando a interesses locais, regionais ou centrais, de modo a tornar o futuro uma realidade.

As que estão do outro lado da barricada, as quais, aliás, se encontram bem perto de nós e frequentamos diariamente, além de não conseguirem estimular a produtividade e melhorar a sua margem competitiva, arriscam-se, como se verifica na prática, a perder os seus colaboradores mais importantes para a “concorrência” ou, o que será muito mais grave, a nem sequer possuírem qualquer importância no futuro.

Depois existem dirigentes que fazem a diferença. Os mais sensíveis à gestão do risco, como uma forma de lhes permitir um planeamento detalhado dos riscos para a gestão e uma reflexão sobre as medidas a tomar, e os outros que se limitam a gerir o status quo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:24

Setembro 18 2015

A mudança de ano lectivo é muito mais do que a passagem de um ano escolar para o outro. É um momento de resolução e estabelecimento de novas metas para os próximos 365 dias. Setembro é o mês da expectativa e, tantas vezes, de frustração: ou porque se sonhou demasiado ou porque se esperou que a mudança do ano lectivo alterasse tudo.

As probabilidades que se colocam em jogo no final de cada ano escolar também contribuem para essas (futuras) expectativas ao revelarem dados positivos, chegando até a ouvir-se algumas vozes que decretaram o fim de alguns, senão mesmo muitos, pesadelos.

Por isso é fundamental que este seja um ano de prudência, alavancado pela vontade e determinação, baseado nos ensinamentos da tempestade, mas a fazer caminho para a chegada da “Primavera”.

Cabe a cada um de nós, com a experiência dos tempos difíceis e com a força que nos caracteriza enquanto pessoas de bem, contribuir para o desenvolvimento onde nos inserimos, sem esperar por terceiros, sem querer que a conjuntura mude sozinha e muito menos sem olhar para trás.

Abraçar novas oportunidades, desmistificar preconceitos, acreditar que conseguimos, mas de forma realista e sustentada, é a atitude que deve marcar os nossos comportamentos e, consequentemente, o das nossas escolas.

Conhecer e reconhecer o indivíduo e a individualidade como verdadeiro motor de mudança é essencial. 2015/2016 por si só não vai fazer a diferença, uma vez que somos nós, as pessoas ligadas ao ensino, que a podemos fazer.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:49

Setembro 17 2015

A blusa azul clara que vestia, cujos primeiros botões, propositadamente, se encontravam desapertados, deixava entrever uma boa parte do soutien preto, o qual “protegia” – felizmente não necessitavam de ser segurados – dois belos seios. E, por mais esforço que denotasse, a verdade é que os olhos dele, após se fixarem no rosto, desciam, qual força gravitacional, até ao pronunciamento daquele sublime peito. Ainda que mal parecido, havia algo semelhante ao voo de uma águia que do alto dos céus mergulha rapidamente em direcção à sua presa. Bem pensava que o belo é para ser admirado, mas o moralmente correcto não deixava de o questionar. Impossível resistir, respondia ele para si próprio!

Não é que se considerasse um galanteador, digamos, num modo de expressão popular, de trazer por casa, e muito menos um predador de tudo o que à sua frente passasse, isto é, levando à letra aquele velho adágio de que “tudo o que vem à rede é peixe”. Longe disso. Por natureza tímido e até, de certo modo, algo introvertido, não era, de forma alguma, seu feitio meter-se com alguém sem haver uma apresentação prévia.

No entanto, naquele dia, ao contrário do que a razão lhe dizia, decidiu aventurar-se. Chamou o empregado, pediu a conta e depois de pagar, aproximou-se da mesa em frente. Num breve relance, ela viu-o chegar e, quase em simultâneo, ouviu um pedido de desculpa, seguido de uma pergunta:

- Perdão. Dás licença que me sente?

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:25

Setembro 16 2015

A maior parte dos portugueses não debate, não se consciencializa dos seus direitos e muito menos dos seus deveres, bem como foge da controvérsia tal como o Diabo foge da Cruz. E se isto se passa na sociedade em geral, na educação, em particular, embala-se pelo mesmo timbre.

Na base desta ausência de debate e definição de estratégias reivindicativas estão, segundo especialistas, factores como a hesitação da gestão em modificar o status quo presente das organizações e o receio dos profissionais em apresentar propostas que possam ser entendidas como críticas ou exigências.

Por exemplo, na semana passada ouvimos dissertar sobre uma série de promessas, as quais sabemos, de antemão, ser impossíveis de cumprir. A maioria dos presentes, não tenho a menor dúvida, pensou que estavam a assistir a uma espécie de mini-campanha eleitoral. Num aparte, podemos dizer que não são apenas as legislativas que impõem todas e mais algumas promessas.

Voltando à questão central, o certo é que apesar de não se terem registado aplausos e muito menos encómios, pois, em boa verdade, todos se calaram ou, quanto muito, falaram baixinho, qual anedota do crocodilo, para o colega do lado, ninguém pediu a palavra para contrariar aquele clima de pseudo euforia.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:38

Setembro 15 2015

Ele bem se esforçava por disfarçar, mas o certo é que, por muito que se concentrasse na leitura do jornal, não conseguia desviar o olhar da mesa em frente, literalmente ocupada por aquela bela mulher, a qual não era, de modo algum, habitué da esplanada que diariamente frequentava.

Àquela hora, a meio de uma tarde de Verão, a esplanada retumbava de gente. Enquanto ele bebia a pequenos goles o fino que, face ao extremo calor, rapidamente se tornava intragável, ela há muito tinha bebido o café. Entretinha-se, agora, a perscrutar o telemóvel. Vezes sem conta, tocava e voltava a tocar no ecrã deste, à laia algo furiosa, uma vez que do mesmo nada provinha. Tratava-se, sem dúvida, de um nítido modo de disfarçar a sua inquietude provocada pelo olhar que provinha do homem da mesa ao lado. Tinha quase a certeza de o conhecer de algum lado. Mas de onde? A falta de resposta ainda a deixava mais intranquila.

Nem sempre os olhares se cruzavam, mas quando acontecia, uma centelha de luminosidade surgia no ar, apesar de nenhum dos dois saber realmente da proveniência de tal, a não ser, à primeira vista e explicação mais óbvia, o desejo entre dois seres. Importa, porém, ressalvar que lhes parecia que o espaço ficava, naqueles breves momentos, mais iluminado, embora racionalmente soubessem que, sem dúvida, este efeito físico, principalmente naquele dia, era impossível.

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:36

Setembro 14 2015

Um constante ouvir, negociar, gerar consensos e servir os outros, sem deixar de manter o posicionamento vertical, estas são equações de um lema que por estes dias tenho levado avante.

Mais que idade, formação e dialéctica, interessam-me as pessoas e, sobretudo, as suas motivações e interesses para abraçar uma causa. Deste modo podemos crescer juntos.

Tenho uma filosofia de vida muito realista. Por isso vivo muito dependente daquilo que são as minhas capacidades e invisto nelas. Aliás, não é por acaso e muito menos prosápia afirmar que muitos outros reconhecem tal.

Assim, não é de admirar o uso de uma política muito vincada de up or out. No fundo, ou as pessoas se desenvolvem ou ficam estagnadas na carreira.

Há sempre um ciclo na vida em que as pessoas procuram consolidar o que sempre sonharam ser. Posteriormente há outra fase em que querem reconhecimento. Nesta altura, a avaliação do desempenho, a comunicação que apresentam e a vontade que denotam são as formas que temos para assegurar a assertividade dessa agnição.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:31

Setembro 07 2015

Dentro da lógica de exigência, a ambição deve ser o timbre. Quem não for ambicioso não vale a pena rodear e, se calhar, não deveria estar numa carreira pública – p.f. não confundir com funcionalismo público -, mas sim em algo menos exigente. A pretensão de criar uma inércia é causa de enormes dissabores. Porém, tem vantagens, pois dá para, simultaneamente, ver quem é bom, medíocre ou mau, i.e., serve como mecanismo de filtragem.

Privilegiando, sobretudo, o papel de “agente” que não espera sentado que as mais-valias lhe caiam no colo, a necessidade cria, por vezes, condições para as pessoas expressarem o talento e a iniciativa. Se elas expressarem liberdade, iniciativa, ímpeto de mudança então estão no bom caminho para serem verdadeiramente talentos em qualquer lugar.

Todavia, a esperteza saloia, denotada por certas pessoas, pode, numa primeira fase, confundir-se com verdadeiro talento, tal como o vulgar pechisbeque pode ser confundido, num olhar menos atento, como jóia do mais fino ouro. Todavia, mais cedo que tarde, o opróbrio há-de vir a público e recair sobre tal.

Hoje, sem dúvida, vi e senti a indignidade em forma de gente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:07

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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