O meu ponto de vista

Dezembro 31 2014

Com um clima difícil como o que continuamos a atravessar, as minhas preocupações e deveres, enquanto ser interdependente, passam por criar condições para que aqueles que me rodeiam interiorizem o conceito de solidariedade, com vista a que, em conjunto, possamos fazer mais e melhor. Por muita obrigação que tenhamos face à competitividade não podemos olhar apenas para o nosso umbigo.

Nos últimos anos ouvi muito e muito mais aprendi. Aliás, (re)aprendizagem que há muito necessitava. Humildemente, tanto quanto me foi possível, pesquisei, analisei e comparei-me com as melhores práticas, tanto profissionais, como políticas e/ou afectivas.

Por isso, posso assegurar que defini, com clareza, as minhas prioridades, certo de que, com aqueles que me estão mais próximos, o desenvolvimento de capacidades e competências irão em 2015 ser colocadas à prova.

Reitero o compromisso de reter e potenciar os talentos, bem como atrair outros para esta causa, sobretudo aqueles que acrescentem valor e contribuam para que o sentido da ética e da responsabilidade seja sempre a primeira escolha.

Entretanto,

VOTOS DE BOM ANO NOVO

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:33

Dezembro 26 2014

Os telejornais debitam notícias que, na gíria, são denominadas de “enchimento de chouriços”, pois, a maior parte, por inexistência de assuntos importante, limita-se a debitar eventos triviais, os quais, noutra altura passariam totalmente despercebidos. Tudo numa tentativa estéril de preencher o horário nobre.

Entretanto, o Natal já passou, restando-nos agora esperar pelas festividades do fim-de-ano, com todos os inerentes pedidos e, sobretudo, juras de que o próximo ano é que vai ser aquele que todos ansiosamente aguardam, i.e., os tais 365 dias de mudança.

Cansados de tanto comermos, sim porque não é apenas o trabalho que fatiga, repousamos de nada fazer, ao mesmo tempo que nos penitenciamos dos excessos gastronómicos, asseverando que será a última vez que cometemos o pecado da gula. O que nos vale é que a nossa memória é curta!

Por estes lados, em tempos que já lá vão, no dia de hoje havia a Festa do Menino Jesus, com o seu cortejo de oferendas, cujo leilão – colaborei como leiloeiro durante muitos e muitos anos - servia para pagar a festividade profana que se desenrolava da parte da tarde. Nos tempos que correm, nem cortejo e muito menos música ao vivo. Até a missa se resume à Celebração da Palavra. Sinais dos tempos!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:13

Dezembro 24 2014

Noite de alegria uma vez que está preste a nascer o Salvador do Mundo.

Todavia, tal como ontem escrevi, simultaneamente começa, ou melhor, reinicia-se o sofrimento do Homem, devido à desordem do aludido Mundo por causa dos homens.

Os dicotómicos desenvolvimento/miséria, poder/escravidão, bem-estar/dor, abundância/pobreza, para não falar do mais comum, alegria/ tristeza, fazem-nos pensar nas enormes contradições deste nosso viver terreno.

Que Deus Menino nos faça reflectir e, sobretudo, impeça que nos escondamos, ainda que involuntariamente, atrás das luzes desta consoada.

 

Postal de Natal 2014.jpg

 

FELIZ NATAL

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:33

Dezembro 23 2014

A correria louca – pelo que vejo na TV - que alguns, senão a maioria, andam nestes dias, numa azáfama quase a raiar a loucura, correndo de loja em loja, de shopping em shopping, numa tentativa (vã) de agradar a este, àquele ou aqueloutro, acabando por ficar sem tempo para pensar no mais importante, dá-me oportunidade para reflectir nesse grande milagre que é a diversidade da vida.

Sim, porque o dia-a-dia a que me tenho votado ultimamente, isto é, a solidão do campo, consubstanciada na poda das vinhas, dá-me tempo suficiente para cogitar no âmago deste tempo que, por definição, deveria ser, numa palavra, de simplicidade. Na verdade no nascimento somos todos iguais, apesar de, infelizmente, nos momentos seguintes começarmos a diferenciar-nos.

Nas longas horas do dia, sem necessidade de citações, sou eu e a minha circunstância, sou eu, o lavrador, e a natureza. Ou será apenas suor, sangue e lágrimas? Pouco importa! O relevante é o sentir telúrico da mãe-terra e a aquiescência para o que a vida nos reserva.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:26

Dezembro 19 2014

O governo, no uso dos seus poderes, decretou a requisição civil do pessoal da TAP, a qual só pecou por tardia. Como é evidente, menos para aqueles que têm como lema quanto pior melhor, fazendo política do género “terra queimada”, a greve marcada para os dias 27 a 30, tem tudo menos reivindicações laborais.

A privatização da TAP constava do programa do governo, sufragado pela maioria dos portugueses e, nessa ordem de ideias, não pode ser o querer de uns poucos a colocar em causa o decidido superiormente. No fundo, a luta encetada não passa de pôr a conveniência de meia dúzia à frente do interesse geral.

Todos sabemos que, para os trabalhadores das empresas públicas, há um interesse substancial em continuar a usufruir de tal estatuto. Solicita-se e obtêm-se todos os benefícios. Resultado: um permanente e acentuado défice, o qual sabem que os restantes portugueses, mesmo aqueles que jamais usufruem de tais serviços, pagarão. Nem que seja com língua de palmo, mas pagarão.

Por exemplo, anteontem houve greve do Metro; ontem da CP, na próxima semana está marcada a da TAP e, para Janeiro, já está convocada uma para os STCP. Tudo no âmbito de empresas públicas dos transportes. Querem fazer crer que tudo isto são meras coincidências? Não! Isto é, sim, concertação sindical pura e dura, fruto da correia ideológica que lhes está na génese.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:39

Dezembro 16 2014

Hoje era para nada publicar. O cansaço acumulado ao longo destes últimos dias obrigava ao descanso. Porém, a notícia desta tarde despertou em mim o desejo irresistível de escrevinhar umas breves palavras e, por isso, deixei de resistir e eis o resultado.

Como sabem os meus caros leitores sou um adepto, não fanático, do FC do Porto e um enorme admirador da gestão de Pinto da Costa. Digo gestão porque no que respeita à sua vida privada, embora a respeite, sempre a critiquei, sobretudo no concernente à escolha das suas companheiras, as quais poderiam ser, de certo modo, suas netas. Enfim, fraquezas de um óptimo dirigente, fazendo lembrar que não existem pessoas perfeitas por muitas qualidades que possuam.

Voltando ao dia de hoje, soube que Pinto de Costa foi visitar José Sócrates à prisão. Quando ouvi tal, com toda a sinceridade, até me caíram os ditos aos pés. É público que o ex-primeiro-ministro é assumidamente benfiquista e que se saiba o presidente do FCP, apesar de se ter dado muito melhor com as governações socialistas, não tem uma amizade especial àquele político. Assim, por carga de água é que se deslocou a Évora? Busca de protagonismo? Não creio por não precisar dele. Não compreendo!

O que já entendo é aquilo que escutei na barbearia quando a rádio noticiava tal: os ladrões visitam-se uns aos outros. E isto dito por um benfiquista.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:01

Dezembro 15 2014

Não é a primeira vez que abordo esta temática e, com certeza, não será a última. Desde já faço um ponto de ordem prévio: estou contra a municipalização do ensino, não pelas mesmas razões dos sindicatos, mas fundamentalmente pelo caciquismo que, infelizmente, ainda impera em muitos dos nossos concelhos.

Tal como estou contra o aumento de autonomia das escolas, essencialmente no que concerne à contratação de docentes, pelo amiguismo instalado e pela gestão clientelar implantada, na maior parte das vezes em claro atropelo à lei.

Igualmente em termos camarários o facciosismo imperante, não digo em todos os municípios, mas na maioria leva-me a ser totalmente contra. Por experiência pessoal, sei muito bem do que falo. Quando existe, neste âmbito, duas ou mais candidaturas em confronto, o factor de ordem política sobrepõe-se a tudo e a todos.

Igualmente já escrevi e volto a repetir: sei que senão todos, pelo menos a maioria dos concelhos deste país, tem pretensões a ser mini-governos, comandando dentro da sua área geográfica todos os domínios - saúde, educação, ambiente, transportes, polícias e até justiça - uma vez que tal lhes aumentaria, sem dúvida, o poder, ao mesmo tempo que teriam lugares para colocar os raros, mas ainda existentes, boys, os quais, actualmente e muito por força da lei, não conseguem alocar em prateleira dourada.

É evidente, que todos, sem excepção, juram a pés juntos que se tal pretendem é porque estão mais próximos dos cidadãos e, por isso, sabem o que é melhor para estes. Porém, tudo não passa de cantos de sereia, os quais, aliás, por em tempos terem sido escutados, deram origem aos enormes “buracos” financeiros que, como é do conhecimento geral, a maioria dos municípios hoje-em-dia apresenta. Recordam-se do que há vinte/trinta anos se dizia, i.e., que cada tostão – eram tempos do escudo – gasto por uma autarquia valia por três despendidos pelo poder central? Bem, foi o que se viu!

Já agora, e a talhe de foice, veja-se o exemplo dos funcionários das escolas que passaram para a alçada das câmaras. As escolas ficaram melhor? Não, bem pelo contrário, pois cada vez mais o número é menor, sendo que a quantidade de serviços aumentou, como seja o serviço a piscinas, pavilhões, cantinas, entre tantos outros.

E o mesmo sucede com a manutenção dos edifícios. A degradação constante, fruto da ausência de funcionários e de uma baixa acentuada de investimento, demonstra que a opção não foi a correcta.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:30

Dezembro 12 2014

Os dados quando já conhecidos dão-nos a fortaleza de podermos jogar com eles pelo seguro. É uma verdade à “La Palisse”, apesar de com tal informação, ainda que exacta, se poder jogar em vários tabuleiros, fazendo lembrar que uns dizem que o copo está meio vazio, enquanto outros afirmam que está meio cheio.

Ainda a propósito dos resultados nos exames nacionais de 2014, e consequente posicionamento no Ranking de Escolas, há a frisar algo que à primeira vista passa despercebido. Refiro-me, concretamente, à existência ou não de outras vias de ensino que não as “normais”, i.e., as escolas possuírem ou não cursos de educação e formação, vulgo CEFs, vocacionais e/ou profissionais.

Como sabem, fui e continuo a ser contra o enorme disparate de estender a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, iniciativa de um governo PS, mas que nenhum outro revoga, tanto mais que isso faria aumentar o nível do desemprego, essencialmente entre os mais jovens. Assim sendo, porque é obrigatório que os jovens estejam na escola até atingir a maioridade, e sabendo que para alguns destes o espaço escolar, e fundamentalmente a sala de aula, pouco ou nada diz, não aprendendo e, o que é mais grave, não deixando aprender, tornou-se necessário criar uma alternativa, ou seja, um percurso escolar mais virado para a prática e cujo pendor académico fosse mais leve, com menor carga horária e exigência intelectiva, uma vez que o futuro destes, em princípio, não passaria pelo prosseguimento de estudos.

É claro que esta medida trouxe duas vantagens imediatas: retirou os alunos problemáticos das turmas, repito, ditas “normais”, fazendo com que, por um lado, o lugar no ranking subisse, muitas vezes quase exponencialmente, e, por outro, criou uma espécie de alternativa para aqueles. Digo espécie uma vez que, mesmo com todas as características que envolvem o desenvolvimento destes cursos, a resposta não é totalmente eficaz.

Juntar discentes possuidores de várias repetições - uns devido às suas dificuldades cognitivas, outros, o que é ainda pior, devido aos seus múltiplos comportamentos e atitudes desviantes –, com idades muito avançadas, cujas estruturas sócio-familiares deixam muito a desejar, isto para não utilizar a caracterização mais hard, como é lógico, não é fácil de “aguentar”.

A persistência, a firmeza das convicções, a resiliência, entre outras facetas, são desempenhos a todo o momento colocados à prova. Por isso, costumo dizer que nem todos os docentes são indicados para ministrar aulas a este tipo de alunos.

E não vale a pena chorar sobre o molhado, pois não existem outras hipóteses. Por muitos processos disciplinares que eventualmente se possam instaurar é impossível “chumbar” a maioria e mesmo que assim pudesse ser eles permaneceriam na escola. Unicamente se passaria a “batata quente” para outro(s).

Uma palavra final para os professores que não têm estes alunos: em primeiro lugar, agradeçam diariamente a todos os santinhos e, principalmente, aos colegas que os têm; em segundo, jamais vituperem sobre uma ou outra migalha, em forma de “regalia” que não o é, e que - muitas vezes, sem qualquer rebuço - dizem que têm; em terceiro, é fundamental a amizade constante e a palavra assertiva.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:20

Dezembro 10 2014

A audição de Ricardo Salgado, o ex-DDT, que é como quem diz Dono Disto Tudo, na Comissão Parlamentar que investiga a gestão e queda do Grupo Espírito Santo(GES), de que fazia parte, de entre outros, o ex-BES, hoje Novo Banco, é - literalmente – de rir até às lágrimas.

Se o assunto não fosse tão sério e se não estivessem em causa tantas e tantas famílias que, de um momento para o outro, perderam as poupanças de uma vida, assim como a fuga e a lavagem de capitais, bem podia ser objecto de um filme cómico.

Como ontem se viu, e hoje se confirmou, Ricardo Salgado(RS) durante todos anos de crise e sobretudo durante os largos meses que levaram à falência do GES nada viu, ouviu e disse. Já agora, como aliás também ficou patente, teve raiva a quem viu, ouviu e disse.

De acordo com as declarações de RS, este sempre foi estranho em tudo o que aconteceu nas múltiplas empresas financeiras e/ou bancárias do GES. A culpa foi sempre dos outros. No BESI e na ESFI foi do contabilista. No BESA foi de Álvaro Sobrinho. No BES foi do Banco de Portugal, da CVMM, da crise e do governo. E por aí adiante.

Numa direcção fortemente centralizada, em que a peça chave, como todos bem sabemos, era RS, este vir afirmar que tudo passou à sua margem, é gozar com os portugueses e fazer de todos nós autênticos totós. O papel de vítima assenta-lhe muito mal.

É evidente que esta Comissão Parlamentar, tal como qualquer outra, não tem quaisquer poderes criminais e, por isso, a minha esperança é que a justiça venha, mais cedo ou mais tarde, a funcionar.

Antigamente, essencialmente nos livros e/ou filmes policiais, o principal suspeito era sempre o mordomo. Ora, num tempo em que estes são praticamente inexistentes, temo que a culpa de todas estas falcatruas acabe por recair, quanto muito, no porteiro, já que sobre o motorista(!!!) estamos falados.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:24

Dezembro 09 2014

As escolas, tal como outras instituições públicas e privadas, com estruturas muito emagrecidas não podem concentrar a sua acção unicamente na redução de custos. Por isso, não é de estranhar que a estratégia deva passar por encontrar alternativas para incrementar as receitas.

Num mundo cada vez mais globalizado, com soluções de última hora dando voz à emergência constante, a aposta está na criatividade. Assim, não é de admirar o surgimento de ideias brilhantes que passam, numa primeira fase, por colocar os recursos humanos e físicos ao serviço da própria organização e posteriormente - quem sabe?- ao dispor da comunidade numa lógica de poupança e angariação de fundos.

Como é evidente, uns poderão servir esta causa melhor que outros, mas todos, sem excepção, poderão dar o seu contributo. E como diz o ditado “grão a grão enche a galinha o papo”.

Numa análise muito superficial, estou a ver os docentes de economia, contabilidade e matemática a ajudarem e mesmo a processarem tudo o que se relacione com compras e vendas. Sim, porque com esta brilhante ideia não faltarão serviços e bens para vender. Os professores de português, para além de corrigirem os ofícios que as escolas diariamente enviam, poderão “oferecer” os seus préstimos a tantas outras estruturas da comunidade. Já os de físico-química iniciarão, por exemplo, o cálculo de coeficiente de atrito entre pisos, tentando evitar, deste modo, a queda de pessoas. Os de manualidades farão bricolage e outros objectos para venda. Claro que os de electricidade, com um grande letreiro na oficina, publicitarão que repararam tudo o que é desta área. E se houver engenheiros mecânicos tanto melhor, já que o parque automóvel não é assim tão diminuto quanto isso. Claro que não faltarão ideias para ocupar os restantes professores.

E pronto! Eis uma concepção genial que se ouve por aí e que serve às mil maravilhas para (re)afirmar que “o rei vai nu”.

Perguntar-me-ão: e o cumprimento do programa? Respondo que não passa de uma pergunta retrógrada, sem sentido até, pois nada vale perante o fim que esta grande ideia perscruta.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:16

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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