O meu ponto de vista

Setembro 30 2014

Os números não espantam e ainda bem que assim é. Numa semana em o primeiro-ministro quase se auto-imolou em lume brando devido às tardias explicações sobre o caso Tecnoforma, permitindo todo o género de especulações, tendo gerado na cabeça de muitos portugueses que algo pouco sério teria, em tempos, acontecido – e sabemos o quanto é fácil arreigar-se uma ideia e o quão é difícil, para não dizer impossível, remover tal –, eis que, no final de domingo p.p. surge um happy end no que concerne às primárias do PS.

O candidato mais desejado pelas hostes socialistas, leia-se António Costa, ganhou com uma margem tão dilatada e num universo de eleitores tal que a contestação, se é que perpassava pela mente de alguns, de todo deixou de fazer sentido. Por isso, a sua entronização como secretário-geral, a ocorrer só lá para Dezembro, por força das normas estatutárias do PS, será apenas uma mera formalidade.

Importa, porém, dizer que se até aqui o putativo candidato a primeiro-ministro pelo partido da rosa à maior parte das questões importantes da vida nacional praticamente disse nim ou respondeu com generalidades, a partir de agora terá de se esforçar muito mais, descer à terra, e apresentar medidas concretas, as quais, certamente, terão que ir muito mais longe de uma hipotética e pouco provável Agenda para a Década.

Acresce o facto de ao não ser deputado e, por essa circunstância, não poder defrontar Pedro Passos Coelho quinzenalmente no Parlamento, ter de deixar essa tarefa para figuras de segundo plano, o que é um enorme inconveniente. Bem, há quem ache isso vantajoso, já que a menor exposição, em princípio, dará origem a menos gafes.

Por fim, uma palavra para o PSD. É por todos evidente que a subida de António Costa ao primeiro plano do PS foi como lhe tivesse saído a fava. A renovada mobilização que se estabeleceu em torno do PS não é coisa para se apoucar, bem pelo contrário. Um novo líder acarreta sempre uma reanimada esperança e, quer se queira quer não, os tempos que correm – ouça-se a voz do povo - não vão de feição para a coligação governamental.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:38

Setembro 24 2014

Ontem, na RTP, decorreu o último debate sobre o assunto em epígrafe. De tal ficou-me o registo que a seguir transcrevo.

Ambos são, de nome próprio, António, vestem blazer azul com gravatas encarnadas e até usam óculos com armações muito semelhantes. Para além disto, ambos são do Benfica, o que, aliás, não abona em seu favor.

Afinal o que os distingue? Apenas a postura. Um tem mais pose de estado – o Costa -, uma vez que a sua experiência política é maior e os seus cabelos brancos dão-lhe um ar mais maduro; o outro – o Seguro – tem maior jovialidade, mas a sua linguagem fácil, muitas vezes rasando a verborreia verbal, a qual pode até ser classificada como plástica, já que facilmente se molda a tudo e a todas as circunstâncias, fá-lo perder alguma credibilidade.

O resto foi um vergonhoso jogo na imundície em que se transformou o PS.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:12

Setembro 23 2014

Um Verão, sem praticamente ter começado, que acaba e um Outono que inicia com cara de Inverno prematuro, têm sido, ultimamente, o pão-nosso de cada dia. Andamos, por isso, taciturnos, cabisbaixos e sem grande vontade para dar o que há de melhor em nós.

Os fogos de modo algum foram - e ainda bem - notícia de Verão, tendo-nos valido, há falta de melhor, a guerrilha interna e o lavar de roupa suja no PS. Agora surge-nos, com fundamento ou sem ele – não quero crer que a premissa seja a mais correcta! – algo sobre o passado político-profissional de Passos Coelho e de outras ex-figuras proeminentes do PSD, entre as quais a do ex-líder e ex-presidente da CM de Gaia, Luís Filipe Menezes, o que, infelizmente, já estamos acostumados.

A justiça, já o escrevi, está um caos, ou, como hoje se diz, está em estado de “Cítius”. O ensino, com a trapalhada da colocação de professores, qual saga que, ano após ano, nos persegue, não se encontra melhor, bem pelo contrário.

Por falar neste importantíssimo sector da vida de qualquer sociedade, o ensino em vez de se centrar no mais fulcral, i.e., nos alunos e nos respectivos curricula, impele-nos a fixar a atenção no acessório, uma vez que aquilo que, à priori, era fácil – ordenação dos professores e sua colocação, o que qualquer sistema informático, minimamente conformado com regras claras e precisas, fazia com uma “perna às costas” - o ME complica. E o único a demitir-se foi um director-geral? Claro que sim, apesar de não ser o mais curial. Explicação: o membro do governo que tem estas competências, o secretário de estado da administração escolar, João Casanova, é do CDS-PP e, pelas razões óbvias, não convém levantar ondas com o parceiro de coligação neste último ano antes das legislativas.

Como resultado desta atávica política existem ainda cerca de 4 000 docentes em falta nas escolas, com a agravante de muitos já terem sido colocados indevidamente, o que acarretará, no final, professores em duplicado, com o inerente aumento da despesa pública, o qual, para não fugir à regra, irá ser pago pelos do costume.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:54

Setembro 21 2014

Os que de mais de perto privam comigo sabem o quanto gosto de Leonard Cohen. Aliás, relembro, com muita emoção e saudade, o seu último concerto em Portugal, no ex-Pavilhão Atlântico, hoje MeoArena, em finais de Julho de 2009, como aqui, oportunamente, fiz referência. E recordo não só pelo espectáculo, como também pela bela companhia!

A sua voz rouca, ainda hoje, cinquentão que sou, me causa arrepios. Bem sei que demonstrar este estado de alma, para algumas pessoas, não abona a meu favor. No entanto, a verdade acima de tudo!

Agora, aos oitenta anos, voltou a gravar um novo álbum intitulado Popular Problems, o qual, não tenho a menor dúvida, será mais um êxito. Não tendo ainda acesso a este novo trabalho, resta-me deixar um antigo sucesso, de entre tantos outros, estando certo que gostarão tanto como eu.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:07

Setembro 20 2014

Se algo existe de que gosto é da vida agrícola e, sobretudo, do amanho da vinha. A poda, a empa, a cava, os tratamentos fitossanitários, a maturação das uvas e, finalmente, a vindima, i.e., o produto derradeiro de um ano inteiro de canseiras.

Neste último passo se vê o como, o quando e o quanto se amou o terroir. Todavia, na qualidade das uvas, como todos bem sabemos, a natureza tem uma influência extraordinária.

Foi o que aconteceu este ano. Em virtude de um Inverno muito longo, o nascimento dos cachos foi tardio e, para agravar a situação, em quantidade inferior ao normal. No entanto, se o problema se quedasse por esta circunstância, estava neste momento a agradecer a Deus.

Infelizmente, os problemas continuaram e especialmente em Agosto, mês em que se fazem ou não os grandes vinhos, foi extraordinariamente ameno, isto para usar uma expressão benigna, uma vez que realmente foi um período de tempo em que as temperaturas ficaram sempre aquém dos 30ºC, havendo muitos dias em que a chuva foi companhia. Porém, o pior mesmo foi a intensa pluviosidade que neste mês nos inundou.

Em resultado, as uvas ficaram muito longe da sua plena maturação, pelo que o teor de açúcar era e infelizmente continua a ser extremamente baixo. Assim aconteceu com as uvas brancas, vindimadas a semana passada, cujo álcool registou, em média, dois graus abaixo e, não tenho a menor dúvida, nas tintas, a colher nos próximos dias, o caso será, pela amostra, ainda pior. E, com tanta chuva, começam a apodrecer, sendo caso, perdoem-me a expressão, para dizer “em cima de pontapé … coice”.

A viticultura é um projecto que nasceu comigo com a perspectiva de que o produto deixasse de ser uma commodity para passar a ser diferenciado e apreciado nos seus vários graus de qualidade, uma vez que actualmente as pessoas estão cada vez mais informadas e interessadas em relação aos vários tipos de vinho e suas origens.

Longe de ser uma obsessão, reconheço que tenho alguma vaidade na qualidade das uvas que produzo, um bem que este ano está muito longe do patamar que a mim próprio impus: importa muito pouco a quantidade, pois a qualidade deve estar sempre em primeiro lugar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:14

Setembro 16 2014

Plantei-te às claras, de dia

Cuidando o melhor que soube

Regando-te quanto podia

E, assim, cresceste tanto que não coube

No sonho de uma vida

 

Por isso te abandonei

À tua sorte fui indiferente

Hoje, ainda não me conformei

Na espera que, por ser indolente,

Não enche um sonho de uma vida

 

Arrependido, por perto, estou

De pouco, aliás, me serve

Incerto ficou

Quem possuía uma esperança verve

Que não preenche um sonho de uma vida

 

Uma ode ao futuro

Escreverei sem desfalecer

Não num correr de pena prematuro

Mas de um pensar sem esmorecer

Que unas um sonho de uma vida

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:24
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Setembro 15 2014

Como outro dia aqui escrevi, nota-se, hoje em dia, a transmissão de uma mensagem clara e forte por parte da justiça de que o crime de prevaricação e o tráfico de influências por parte de titular de cargo político deixa de ficar impune.

O outro dia foi Armando Vara e a família Penedos. Hoje, a ex-Ministra da Educação do governo de Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues (MLR), foi condenada a três anos e seis meses de prisão, tendo esta sido suspensa na condição de indemnizar o Estado em 30 mil euros, num processo em que estava em causa a adjudicação directa ao gabinete do advogado João Pedroso, irmão do ex-ministro socialista Paulo Pedroso, da elaboração de uma base de dados da legislação daquele ministério.

Ora, tanto Vara como agora MLR, de forma enviesada, acham que se trata de perseguição política – há falta de outros argumentos credíveis, este é o que melhor se adapta à opinião publicada.

Por outro lado - e não havendo nenhuma novidade nesta postura -, sempre disseram e continuam a dizer que “estão de consciência tranquila”. Já agora, cumpre (re)afirmar que as cadeias, segundo a esmagadora maioria dos presos, estão cheias de inocentes e de pessoas acima de qualquer suspeita.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:16

Setembro 14 2014

Tempos houve em que este dia era de alegria e ocasião para comemoração.

Hoje, porém, a tristeza avassala e o pesar sobrepõe-se a todos os sentimentos, esmagando a certeza do que quer que seja.

Com a tua partida, reforçou-se, em mim, a ideia de que tudo é relativo e, sobretudo, arreigou-se ainda mais a percepção de que estamos apenas de passagem. “Somos pó e em pó acabaremos” (Génesis 2:7).

Em todos os dias, mas principalmente neste em que, se fosses vivo, farias 84 anos, um beijo de eterna saudade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:34

Setembro 12 2014

Neste local, praticamente vazio, olho em redor e nada sinto! A ausência de sensações é um sinal, um timbre que ecoa pelo silêncio ensurdecedor que me cerca e ressalta nas minhas memórias, pronunciando um, ainda que ligeiro, amargo da boca.

Não que tenha vivido mal ou desperdiçado os sonhos de uma vida. Alguns sim, é verdade. Todavia, quem poderá dizer que tudo aproveitou?

É sabido que me sobram sonhos e começam a faltar anos. Igualmente sei que já não tenho muito tempo e este jamais voltará atrás. E, conforme diz o poema cantado pela Marisa, se “não vou pedir ao tempo que me dê mais tempo”, prometo que irei amar e viver mais – perdoem-me a redundância.

Tendo consciência de que ser feliz não é obrigatoriamente sinónimo de estar numa relação com alguém, mas também acreditando que o velho ditado “mais vale só que mal acompanhado” não ilustra verdadeiramente a essência do Homem, enquanto ser gregário, resta-me a consolação de que, de certo modo, faço o que quero, como quero e quando quero. Ou, pelo menos, quase!

Ora, para muitos, isto já é ser feliz.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:56

Setembro 11 2014

Soube-se, há pouco, que Paulo Bento chegou a acordo com a FPF com vista à rescisão do seu contrato. Até aqui, como costumo dizer, nada de mal para o mundo, bem pelo contrário. Aliás, tal decisão só peca por tardia, pois, como já escrevi por diversas vezes, Paulo Bento deveria ter colocado o seu lugar à disposição logo após a “nossa” indecorosa prestação no Mundial do Brasil.

Porém, é curial afirmar que não é o único culpado, pois a FPF insensatamente renovou o contrato com aquele antes da nossa deslocação ao Mundial de 2014. E, pior, de forma asinina, colocou a rescisão no patamar dos três milhões de euros.

Depois, como é lógico, mesmo com os resultados que se viram no Brasil e contra a Albânia, estava de tal modo com as mãos e os pés atados, que só restava um rompimento amigável, com a respectiva indemnização ao seleccionador, o qual deve ter saído com uma maquia apreciável.

Poderemos interrogarmo-nos se isto afecta ou não os nossos bolsos. A resposta é directamente não, mas em virtude da FPF ser reconhecida como instituição de utilidade pública e, por isso, estar isenta de contribuições, o caso repercute-se nos cofres do Estado, ou seja, indirectamente, em todos os portugueses.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:35

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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