O meu ponto de vista

Agosto 31 2014

Amanhã inicio um novo ano lectivo e hoje termino a série de artigos que tenho vindo a dedicar ao Ensino. Concluído que está o período de férias é o momento ideal para efectuar o que resta do balanço a que me propus. Não é que não houvesse muito mais para analisar, tão inúmeras são os assuntos que dão corpo a este sector, mas outros temas da nossa actualidade merecem igualmente a atenção deste vosso escriba.

Encerro falando da avaliação do desempenho docente (ADD). Esta, transformada em pouco mais que nada, resume-se, na maior parte das vezes, a um relatório não muito dissemelhante daquele que se entregava no anterior sistema de avaliação. Com uma diferença: naquela época o documento era entregue aquando da mudança de escalão; agora é anual.

Outro aspecto a frisar tem a ver com as quotas para o excelente e muito bom, classificações que, segundo me transmitiram, são destinadas aos docentes que são obrigados a ser avaliados através de aulas assistidas. Verdade ou mentira, não sei, pois tal como muitos outros assuntos da vida das escolas, também este não prima pela transparência. Em tempos idos todos os professores eram classificados como “satisfaz”. Hoje em dia, para a esmagadora maioria dos docentes, a classificação é “bom”. Desafio que me digam onde está um docente que teve a classificação “insuficiente” ou mesmo “regular”.

Por último, reafirmo a minha estranheza ao ver a composição de algumas comissões de avaliação de desempenho, uma vez que muitos dos seus membros, senão a totalidade, em tempos que já lá vão, lutaram encarniçadamente contra a ADD e, sobretudo, contra a existência de quotas. Agora, porém, sem apresentarem qualquer rubor nas faces, aplicam-nas e ai daqueles que discordem.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:02
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Agosto 29 2014

No próximo ano lectivo, mais concretamente em Maio e Junho de 2015, a maioria dos agrupamentos de escolas reconduzirá o(a) actual director(a) ou procederá a nova eleição.

Sendo um modelo de gestão assente numa direcção eleita de modo indirecto, o caso está nas mãos do respectivo conselho geral, o qual, em princípio, é livre para votar conforme a consciência de cada um dos seus membros. Digo em princípio uma vez que não existem pessoas imunes à pressão deste ou daquele grupo, desta ou daquela entidade, incluindo até os amigos, ou mesmo colocando os seus interesses acima dos da comunidade, pelo que o voto que entra na urna é sempre condicionado. Sempre assim foi e será e por isso não vale a pena alongar-me mais sobre este assunto, apesar de saber muito bem do que falo.

Agora, uma coisa é certa. Começam-se a notar já determinadas movimentações, por muito que ainda estejamos longe daquela data. Todavia, é principalmente no início do ano lectivo que se ganha a eleição.

Os indícios não faltam e só não os vê quem for cego. Desde a distribuição de serviço, passando pelos horários, o dar aulas em um ou mais estabelecimentos, há toda uma panóplia de itens onde se pode exercer a influência.

Assim, uma chamada de atenção aos actuais directores, sobretudo àqueles que podem e querem ser reconduzidos, os quais, face às suas múltiplas e enormes tarefas, umas vezes não se apercebem do que os rodeia, outras para evitar mal-estar entre os seus mais directos colaboradores, não agem.

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:49

Agosto 26 2014

Se coisas existem com que as escolas se deparam e bem dispensavam, nesta altura do ano, é com a questão dos horários-zero. Quem já tem umas dezenas de anos de serviço, sabe que nem sempre foi assim, uma vez que em tempos idos – basta recuar, por exemplo, dez, doze anos – as escolas possuíam uma maior autonomia e, sobretudo, tinham um número de alunos bem superior, chegando, nalgumas, a ser mais do dobro.

Basta atentarmos que, não há muitos anos, eram as escolas a dizer quais os alunos com necessidades educativas especiais (NEE) e quanto isso era e é relevante para a formação de turmas. Por outro lado, o crédito para projectos, clubes e afins era quase ilimitado. Não nos podemos esquecer ainda que cada grupo de recrutamento tinha o seu representante no conselho pedagógico, com as respectivas horas de redução. E tantos eram, meu Deus!

Ora, estes e outros conteúdos deixaram de ser da alçada das escolas, o que, acompanhado pela reorganização curricular, não podia deixar de originar a ausência de componente lectiva para muitos docentes. Numa certa óptica ainda bem, noutra nem sempre se conseguiram os bons resultados esperados, bem pelo contrário.

Se até aqui nada de novo há a assinalar, quando olhamos para o lado pessoal da questão, esta toma dimensões quase dramáticas. Não, não estou a exagerar! Só quem não esteve de um lado e de outro da “barricada” é que poderá a desvalorizar.

Não menos importante, porém, é analisar a temática por outro ângulo. E, como se costuma dizer ultimamente a propósito dos escândalos político-financeiros, gostaria que me explicassem os seguintes factos como fosse uma criança de cinco, seis anos. Como compreender que num ano, num determinado grupo de recrutamento, haja sete ou oito horários-zero e no ano seguinte não exista um sequer? E o que dizer de outros grupos que, se não aumentam, pelo menos mantêm o mesmo número deste tipo de horários? E o porquê da entrega da leccionação de certas disciplinas a docentes de outros níveis de ensino quando noutros a ausência de componente lectiva é flagrante?

Não querem estas minhas palavras afirmar que existe qualquer ilegalidade, mas que todos ganharíamos em ver esta e outras matérias cabalmente esclarecidas é uma verdade inquestionável.

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:01

Agosto 24 2014

Aqueles que, mesmo em férias, acompanham mais de perto o que se passa nas nossas escolas, sabem, parafraseando alguém, que “algo vai mal no Reino da Dinamarca”. Alguns desses fecham os olhos e dizem nada saber, outros sabem mas não se querem dar ao trabalho de denunciar que o “Rei vai nu”, outros com uma vontade imensa de “fazer sangue” calam-se pois têm um buraco ao fundo das costas. Resta, assim, uma pequeníssima porção de pessoas que, de um modo mais ou menos exaltante, lá vai afirmando que nem tudo são rosas.

Comecemos, então, pela não promulgação das rescisões amigáveis dos docentes, alguns com pedidos efectuados há muitos meses. É vergonhoso que o governo tenha incentivado esta medida, com o propósito de reduzir o número de funcionários públicos, e quando estes, especialmente na circunstância dos professores, cansados de aturar, nalguns casos, direcções despóticas, alunos mal comportados e com vontade para tudo menos para aprender, com muitos e muitos anos de serviço, sem que lhes seja reconhecido o menor valor, “usufruindo”, a maior parte, de anos consecutivos de horários zero, aderem ao aludido programa este emperre numa secretaria de estado qualquer e, ainda por cima, sem qualquer explicação cabal.

Bem sabemos que os mais diversos governos nos habituaram a implementar medidas sem fazer contas ao custo das mesmas. É o caso desta. Mas vamos por partes. Se cada docente receber, pelos seus anos de serviço – todos sabemos que são muitos, pois, de outro modo, também não adeririam -, uma média de 115 000 euros, a totalidade – cerca de 3600 – receberá, em números redondos, à volta de 414 milhões de euros. Como dizia o outro, putativo candidato à presidência da República, "é só fazer contas". E é aqui, como o nosso bom povo costuma dizer, que a porca torce o rabo, uma vez estar convicto, ao contrário do que afirmou repetidamente o governo, de que, neste momento, aquela quantia não existe.

E, não havendo “graveto”, há que protelar a medida para as calendas gregas, não restando, até por força da lei, senão dizer as escolas para distribuírem serviço lectivo àqueles. Estes, muitos deles há dezenas de anos na mesma escola, sem saberem o que é uma candidatura – electrónica, entenda-se - a um lugar docente, com sessenta ou mais anos de idade vêm-se na contingência de, em pleno mês de Agosto, andar de “seca e meca” à procura de uma outra escola, o que, diga-se de verdade, não vão encontrar.

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:34

Agosto 23 2014

Não sou, de modo algum, saudosista, mas os anos que já carrego sobre os ombros dão-me, hoje-em-dia, uma nova perspectiva, um novo sentir, um modo distinto de observar o que me rodeia. Enfim, aos poucos deixo de lado os sonhos e com os pés bem assentes na terra, nesta terra que me suja e simultaneamente me lava, descortino novas paixões.

Sou de uma época em que as relações assentavam na honra da palavra dada, na honra do compromisso assumido, na seriedade e honestidade colocados nos negócios e nos acordos firmados, princípios que hoje, por alguns, infelizmente não tão poucos como isso, estão delapidados e desprezados. Um negócio fechado com um aperto de mão era como um contrato assinado e, por isso, era inabalável e tinha de ser cumprido.

Foram estes os valores que marcaram e continuam a marcar toda a minha vida. Assim, posso dizer com toda a segurança que aquilo que fui e o que sou se deve a ter colocado em tudo o que fiz um elevado sentido de responsabilidade, muito rigor e, sobretudo, um imenso amor.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:02

Agosto 18 2014

Cheguei há quatro dias e digo-vos, com toda a franqueza, que me apetece novamente sair e tudo abandonar. Têm sido dias de uma autêntica roda-viva.

Primeiro foi a festa anual deste meu torrão natal, com tudo o que isso implica, pois os familiares não perdoariam a ausência de convite. À mesa, obrigatoriamente, esteve o cozido à portuguesa, a chanfana e o leitão, isto para não falar dos doces.

Seguiram-se almoços e jantares com outros familiares e amigos. Emigrantes prestes a regressar aos países onde ganham o pão que aqui lhes foi negado, apenas estes dias tinham agenda livre, pelo que na inexistência de alternativa a solução foi … mãos à obra. O dever e a amizade assim obrigaram. A ementa não mudou muito, com a excepção de num dos dias ter introduzido o bacalhau com batatas a murro, prato feito em simultâneo com o cozimento da broa.

Tanta azáfama cansou-me. Sinceramente, fazer refeições deste quilate dias seguidos, colocar e levantar mesa atrás de mesa cansa imenso, por muito que se sinta um enorme prazer em receber bem.

Só hoje, e apenas da parte da tarde, voltei ao meu hobby de eleição: a agricultura. Três semanas de quase abandono – apenas a rega, por ser automática, foi efectuada – levaram a um acrescento de trabalho, algo que me custou imenso.

Como nos acostumamos tão facilmente à boa-vida!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:57

Agosto 14 2014

Terminada que está a estadia por terras algarvias, é o momento exacto para efectuar a resenha do que foram estes belíssimos quinze dias. Muito sol, proporcionando óptima praia com vários banhos durante o dia, leitura pela manhã do jornal diário e livro à tarde, grandes passeios e a prova da excelente gastronomia, com realce muito especial para o peixe fresco grelhado.

Bem sei que quase todos os dias tive que acender a churrasqueira, uma vez que os rouquetes, os sargos, as bicas, as ferreiras e as douradas, sem esquecer as sardinhas, assim obrigou. Todavia, fi-lo com um prazer inexcedível, pois almoçar deste modo não se encontra ao alcance de qualquer um.

Não posso também esquecer os belíssimos bifes de atum em cebolada, o arroz de polvo, as amêijoas e conquilhas, confeccionadas com um cheiro de coentros frescos e principalmente as ostras ao vapor, estas comidas em Cacela Velha, tendo por base a soberba vista sobre a Ria Formosa.

Uma palavra para o frango à Guia, algo que nunca dispenso. Mais uma vez o “Teodósio” fez jus à sua fama. Que delícia!

Agora, à medida que os dias se tornam cada vez mais curtos, mas ainda muito luminosos, em que o calor continua a fazer-se sentir, a vida bem pode continuar a girar em torno da oportunidade de desfrutar tudo o que tem de melhor, debaixo do mais convidativo convívio dos familiares e amigos. É tempo de continuar a recuperar energias, de colocar a conversa em dia e de estar com as pessoas que mais nos são queridas, não havendo, por isso, qualquer razão para ficar em casa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:27

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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