O meu ponto de vista

Dezembro 31 2013

A sociedade ocidental atribui, cada vez mais, um valor maior à passagem de ano, fruto da deslocação da população para os grandes centros urbanos, definindo como estratégico o mosaico consumista. Este novo conceito atribui ao mundo rural valores mais intangíveis, não obstante o facto dos “homens da terra” continuarem a ser um pilar fundamental das nossas sociedades, mesmo aquelas com tendências mais liberais.

Na verdade, no mundo rural, a diferença entre o 31 de Dezembro e o 1 de Janeiro é escassa, para não dizer nula, uma vez que aquilo que se faz num dia, na maioria dos casos, faz-se de igual modo no dia seguinte.

A paisagem portuguesa foi, desde sempre, moldada pelas necessidades alimentares, energéticas e, ultimamente, principalmente sociais. Por isso, a diminuição do número de agricultores – lógica, acrescento eu – deu como resultado a mudança do nosso modo de sentir e olhar o que nos cerca.

Como consequência de ano após ano de abandono – a desvalorização, como é óbvio, tem os seus efeitos – de ocupação agrícola, temos actualmente uma paisagem, no país inteiro, é claro, descaracterizada, em que o referido mosaico é, maioritariamente, delimitado por estruturas artificiais.

Optimista incorrigível, sonhando sempre que o amanhã será sempre melhor que o hoje, e apesar deste mosaico disfuncional, não me inibo de desejar a todos

 

 

 (imagem retirada da Net)

 

BOM ANO NOVO

publicado por Hernani de J. Pereira às 00:21
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Dezembro 30 2013

Quando, pela primeira vez, nos encontrámos, senti uma estranha sensação: era como se, numa breve viagem de pouco mais de meia hora, tivesse entrado num mundo à parte, mas que surpreendentemente revelou traços já habituais, quase familiares. Foi, seguramente, um misto de uma cultura comum, envolta numa atmosfera mítica, de um azul sem fim e livre de sombras misteriosas.

Azinhal, com as suas casas, brancas na maioria e com uma certa predileção para as cantarias negras, foi o ponto de encontro. A paisagem algo exótica e mística denota a diferença e o carácter das pessoas, onde tu te encontras bem retratada e inserida, resistindo ao isolamento e a todas as adversidades da natureza.

A hospitalidade multicolor que denotaste deixou-me inebriado, sinal de que, em boa verdade, representas o símbolo - não digo sempre, mas numa parte – que dominou o poder desmesurado da natureza, a qual tem tanto de bela como de agreste.

Visitar-te não foi somente o cumprir de uma promessa. Foi, antes de mais, ver um novo mundo nascer diante dos meus olhos. Foi, para além da serra, das cascatas, paisagem que, por vezes, se escondia nas brumas, o tornar acessível o que julgava inatingível.

Naquele horizonte sem fim, perdemos a orientação e atingimos o infinito, num tempo que não passou e permanecerá intocável.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:51

Dezembro 24 2013

Podia simplesmente escrever Boas Festas e desde que os votos fossem sinceros isso chegava. Mais: para alguns – espero que poucos - dos meus leitores tudo o que escrever depois é redundante e passam bem sem isso.

Contudo, caros pacientes – sim, pacientes, porque acredito que, por vezes, é necessária paciência para me ler –, por me conhecerem bem não ficam admirados por não ficar por aquele lugar-comum, ainda que verdadeiro.

Toda a história da Salvação nos mostra que Cristo, nascido pobre, humilde entre os mais humildes, servo dos servos, é amor e que o Seu desejo é chamar os homens a aceitarem esse amor redentor.

Nós fomos chamados ao amor, e só no amor se encontra a perfeição e o caminho para Deus, feito Homem, à nossa imagem e semelhança, por meio do Seu filho Jesus Cristo.

Por isso, tendo a certeza de que há muitos modos de estar presente, sendo que o estar presente com o corpo, de maneira visível, nem sempre é a maior presença, desejo estar junto de vós de coração aberto, em união de pensamento, de sentimentos e de amor em Cristo renascido.

 

 (imagem retirada da Internet)

 

UM SANTO E FELIZ NATAL PARA TODOS

publicado por Hernani de J. Pereira às 00:36

Dezembro 22 2013

Época natalícia, tempo de paz, amor e generosidade. Período em que as pessoas se sentem mais pródigas e que a mesa ocupa um lugar central. Contudo, nesta quadra, que se pretende festiva para todos, há um lado menos prazenteiro que é necessário observar e tomar consciência.

Falo, concretamente, da fome. E, para muitas pessoas, a fome e a subnutrição são problemas distantes, que mais não passam de imagens que, por vezes, vêem na televisão, as quais mostram umas crianças com barrigas inchadas, costelas à flor da pele, bem como uns grandes olhos interrogativos e rodeadas.

Geralmente, para essas pessoas, a luta é contra a obesidade, a qual lhes confere uma má imagem, nada atraente para a marketing. E daí a frequência com que persistem em pedalar em health clubs ou correndo pelos passeios e/ou parques até ganharem as linhas exibidas pelas estrelas ou astros das telenovelas.

E, engraçado ou talvez nem tanto, essas mesmas pessoas, quando à mesa, comportam-se como gente civilizada, i.e., deixam sempre um remanescente do bife e das batatas fritas por comer, com o fim de mostrarem que são pessoas bem-educadas. Jamais raspam o prato como vulgares glutões, sôfregos da última migalha ou do derradeiro pingo de molho. E, deste modo, vão desperdiçando comida.

Estas pessoas, normalmente gente bem pensante, olham, com um certo distanciamento, para aquelas que trabalham a terra, produzindo os nossos alimentos, os quais os distribuidores, tão brilhantemente, dispõem nas prateleiras dos supermercados. Pensam sempre que não passam de homens de cara gretada e queimada pelo Sol, de mãos calosas e sujas, algo rudes no trato, sem saber falar correctamente e muito menos conseguindo alinhavar os termos de um discurso mediano.

Por isso, desejo que, neste mundo de Cristo - daqui a três dias comemoramos o Seu (re)nascimento -, possamos olhar serenamente para todas estas incongruências, mesmo que hajam alguns, quais devotos “sacerdotes” de uma pretensa “vaca sagrada”, que proclamem que os alimentos não chegam para todos. Não é verdade, uma vez que se o repartirmos bem e, sobretudo, tivermos consideração por quem os produz, aqueles chegam e sobram.

É necessário fazer funcionar o princípio da subsidiariedade. Não apenas no Natal, mas durante todo o ano.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:17

Dezembro 19 2013

Independentemente de concordar ou não – divirjo mais do que aceito, (re)afirmo desde já -, o sector público atravessa uma forte reestruturação, o que implica um impacto inevitável na educação, intensificando a dificuldade de contratação de professores.

Não podemos culpar o sector público pela incapacidade de absorver a totalidade dos profissionais que se licenciam todos os anos em cursos relacionados com a educação. Perante esta impossibilidade, que alternativas podem encontrar os professores? Por um lado, podem posicionar-se no sector privado, apesar de se saber que também aqui as vagas não abundam. Por outro lado, existe sempre o além-fronteiras, à semelhança do que acontece com outros profissionais. Por último, resta a reconversão profissional, sabendo-se que este caminho pode ser desafiante, sobretudo para as pessoas que, durante toda a sua carreira, nunca se colocaram em lugares de conforto.

Não nos podemos esquecer que somos nós quem tem de se adaptar às oportunidades que o mercado laboral oferece e não os projectos que têm de se adaptar a nós.

Estas palavras servem de introdução à realização da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), a que, ontem, estavam obrigados os docentes contratados com menos de cinco anos de serviço e, sobretudo, a celeuma gerada à volta da mesma.

Sendo o direito à greve inquestionável, também não é menos verdade que este direito não pode coartar o dos outros, seja ao trabalho ou, como é o presente caso, à realização de uma prova. Cordões humanos de modo a impedir a entrada de professores e, fundamentalmente, invasões de escolas - acções promovidas pela Fenprof - não são formas legais de manifestação.

À semelhança da manifestação dos polícias, os quais por pouco não invadiram o Parlamento, e que, por isso, ficaram muito mal na fotografia, também aqui os docentes – é favor não confundir a árvore com a floresta – deram uma péssima imagem da classe, uma vez parecerem mais uns arruaceiros do que educadores e formadores dos homens de amanhã. Que belo exemplo deram aos alunos!

Todos sabemos que existe sempre uma resistência à mudança. Aconteceu com os exames do 12º ano, os quais deram em 1995, data do seu início, mega-manifestações de estudantes, para não dizer tumultos. Hoje, tais exames estendem-se, com toda a normalidade, até ao 4º ano e poucos ou nenhuns os colocam em causa. Sucedeu também com a avaliação dos professores: está implantada no terreno e, por muito que seja injusta, incoerente e fortemente subjectiva, encontra-se aceite, senão interiormente, pelo menos formal e tacitamente.

Já agora, sem querer apontar o dedo a quem quer que seja, causa-me muita estranheza haver docentes que, sem qualquer rebuço, avaliam os colegas, com todas as injustiças que este processo acarreta, mas que se recusam a vigiar/corrigir uma prova deste teor. É caso para dizer que, cada vez mais, necessitamos de coerência.

Em jeito de apêndice, acrescento algo que ultrapassa a minha compreensão. Então não é que o PS, no tempo em que Maria de Lurdes Rodrigues governava a 5 de Outubro, altera o Estatuto da Carreira Docente e, à revelia de tudo e de todos, inscreve a realização da aludida PACC. Agora, quando há alguém que concretiza as suas intenções, “aqui d’El-Rei” que não pode ser. Não se trata apenas de aproveitamento político, mas sim de uma enormíssima falta de pudor.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:06

Dezembro 18 2013

 

  1. Muitos daqueles que citam frases dos textos e homilias de Francisco, retiram apenas a parte que lhes interessa para a(s) sua(s) causa(s), omitindo tudo o resto. E o sobejante tem tanta ou mais importância do que aquelas, que são fortes, é verdade, mas que, muitas vezes, quando retiradas do contexto, perdem o seu sentido, como, aliás, bem sabemos. E tem importância porque o remanescente tem a ver com a caridade, o cumprimento diário do cristão, como seja a difusão e cumprimento do Evangelho, ou seja, no fundo, ser católico. O restante é relevante porque tem a ver com alegria que se renova e comunica, com a doce e reconfortante alegria de evangelizar, traduzida numa nova evangelização para a transmissão da fé, com a pastoral em conversão, partir do coração do Evangelho, com a missão que se encarna nas limitações humanas, com a Igreja como uma mãe de coração aberto, com todo o povo de Deus a anunciar o Evangelho, com a preparação da pregação, com uma evangelização para o aprofundamento do querigma e suas repercussões comunitárias e sociais e, por fim, mas não menos importante, com Maria, a Mãe da evangelização.
  2. Restringir a minha acção à inclusão social dos pobres e ao bem comum e à paz social, capítulos importantes daquele escrito, é certo, mas que não traduzem na íntegra a mensagem do Chefe da Igreja Católica Romana, é desolador.

 Por isso, àquela minha amiga, respondi tal como o Papa diz naquele documento

Com Maria, avançamos confiantes para esta promessa, e dizemos-Lhe:

Virgem e Mãe Maria, Vós que, movida pelo Espírito, acolhestes o Verbo da vida na profundidade da vossa fé humilde, totalmente entregue ao Eterno, ajudai-nos a dizer o nosso «sim» perante a urgência, mais imperiosa do que nunca, de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo, levastes a alegria a João o Baptista, fazendo-o exultar no seio de sua mãe.

Vós, estremecendo de alegria, cantastes as maravilhas do Senhor.

Vós, que permanecestes firme diante da Cruz com uma fé inabalável, e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição, reunistes os discípulos à espera do Espírito para que nascesse a Igreja evangelizadora.

Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte.

Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga.

Vós, Virgem da escuta e da contemplação, Mãe do amor, esposa das núpcias eternas intercedei pela Igreja, da qual sois o ícone puríssimo, para que ela nunca se feche nem se detenha na sua paixão por instaurar o Reino.

Estrela da nova evangelização, ajudai-nos a refulgir com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do Evangelho chegue até aos confins da terra e nenhuma periferia fique privada da sua luz.

Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós.

Ámen. Aleluia!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:58

Dezembro 17 2013

Os graves problemas por que passa a humanidade, como sejam o emagrecimento demográfico, resultante da quebra da natalidade, a racionalização dos recursos materiais, senão para todos, pelo menos para a maioria, com o consequente aumento da pobreza, o consumismo desenfreado, entre tantos outros, levaram o Papa Francisco a emitir várias declarações e a escrever uma extraordinária exortação apostólica.

Se até aqui podemos afirmar que nada se novo se passa na Cúria Romana, uma vez que qualquer um dos seus antecessores mais próximos de igual modo procedeu, o caso muda de figura quando lemos os textos.

Com toda a franqueza, parece haver um claro propósito de mudar algo na anquilosada estrutura vaticana, como alguns costumam designar. Sublinho parece haver, já que é ainda muito cedo para aquilatar das verdadeiras intenções do Sumo Pontífice e, fundamentalmente, da sua postura futura.

O certo é que o actual Papa está - perdoem-me a expressão plebeia - na “berra”. Foi considerado o Homem do ano e capa da prestigiadíssima “Time”, não havendo hoje político – então se for de esquerda nem se fala – que não o cite por tudo e por nada.

Outro dia, uma amiga minha, de esquerda e sindicalista dos quatro costados, telefonou-me, propositadamente, para me dizer que estava a ler a Primeira Exortação Apostólica - Evangelii Gaudium, ou, na sua tradução, Alegria do Evangelho - e que estava a adorar, acrescentando que se fosse por este sucessor de Pedro, até estava na disposição de se (re)converter.

O próprio Mário Soares, um agnóstico de primeira água, António Arnout, maçon e ateu assumido, sindicalistas da CGTP, bem como muitos outros, têm-se socorrido das palavras daquele para afirmarem, alto e em bom som, que têm inteira razão, força esta que retiram das locuções de Francisco.

Ora, como católico convicto e praticante – abro parênteses para dizer que não existem católicos não praticantes, i.e., ou são praticantes e podem-se intitular como tal ou, caso contrário, … -, apesar de gostar de ver como os não crentes andam com Francisco nas palmas das mãos, não me esqueço de três coisas:

  1. Logo após a sua eleição, como sucessor de Bento XVI, muita gente de esquerda houve que o acusou de ter pactuado com a ditadura militar argentina de Videla, tendo chegado ao cúmulo de lhe imputar o facto de estar por detrás da morte de alguns sacerdotes e leigos menos ortodoxos.

 (Continua)

 

Adenda: O Papa Francisco faz hoje 77anos. Muitos parabéns e que o Senhor lhe dê muitos e bons anos, pois “a seara é grande e os trabalhadores são poucos”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:20

Dezembro 16 2013
  1. O progresso social é inquestionável. Ora, sabemos bem que, à semelhança de outros conceitos, também aqui existem ciclos ou, dito de outro modo, tempos subsistem em que podemos ascender a patamares mais elevados, sobretudo quando a economia está em crescimento, tal como outros surgem em que declinamos e, por isso, vamos em sentido contrário, principalmente quando nos encontramos em recessão;
  2. Emprego para todos. Novo engodo que está fortemente enraizado. É que o avanço das novas tecnologias e o incremento da robótica fazem com que, cada vez mais, a mão-de-obra seja desnecessária, pelo que apenas dois caminhos se abrem: ou se impede o progresso ou existirá sempre desemprego;
  3. Educação, justiça e saúde gratuita para todos, independentemente dos seus rendimentos. Como bem experienciamos no dia-a-dia não existem almoços grátis. Se alguém come sem ter trabalhado para tal é porque outra pessoa labutou por si e por aquele. Por isso, não estando nós, os que se encontram no activo, dispostos a ser ainda mais espoliados dos seus rendimentos para dar de graça – abro um parêntesis para mencionar um ditado antigo: o que é dado não é apreciado – a pessoas que, imensas vezes, efectivamente não o merecem, só existe uma saída: quem pode deve pagar, não bastando afirmar que já paga através dos impostos, uma vez que estes são insuficientes, como está amplamente demonstrado pelo enorme défice que apresentamos;
  4. Os direitos adquiridos são inalienáveis. Outro tema, filho dilecto de algumas cabeças bem pensantes cá do nosso burgo, que mais parecem devotos condignos das Éclogas do poeta Virgílio. Nestas, é cantada uma atmosfera ideal de ordem, de paz e de harmonia representada por uma Natureza com paisagens doces e esfumadas, numa espécie de vida “em que tudo cai do céu”. Por exemplo, tal como os salários emagrecem, restando-nos pouco mais que o conformismo, havendo até quem diga que devemos agradecer por ainda termos emprego, também as pensões não podem considerar-se à margem dos sacrifícios dos trabalhadores. Aliás, sem embuço, digo que é vergonhoso ver um pensionista, no final do mês, com mais dinheiro que aqueles que diariamente se dirigem aos seus locais de trabalho, com tudo o que isso acarreta em termos de despesa.

É costume afirmar-se que a necessidade aguça o engenho. Então, esperamos que, nas circunstâncias actuais, com a sua míngua de dinheiros, esse engenho também derrube os mitos que teimam em persistir.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:36

Dezembro 13 2013

Apetece-me falar dos mitos de hoje. Porém, antes de ir aos de hoje, deixem-me dar uma pequena resenha sobre a mitologia.

Como alguns sabem, até melhor que este vosso escriba, o mito, na tradição antiga, tinha, sobretudo, a ver com a dificuldade de interpretar a realidade que cercava os povos de então, bem como descrevê-la e, especialmente, caracterizá-la.

Na ausência dessa capacidade, os antigos usavam símbolos, os quais, na mitologia, assumiam, com frequência, a forma de divindades. Deste modo, os nomes dos vários deuses de diversos povos resultaram deles, pela sua incapacidade de expressão, a sua utilização para referir factos naturais, sentimentos ou até acções, i.e., personificando-as. Assim, desde Vénus personificando o amor, até Marte simbolizando a Guerra, passando por Mercúrio representando o Comércio, havia um sem número de deuses.

Todavia, não era somente nos tempos idos que havia deuses. Hoje-em-dia, recorremos senão mais, pelo menos em igual número. Só que, tal como descreveu Aldous Huxley, em “O Admirável Mundo Novo”, eles possuem outras designações. E, nos tempos actuais, novos mitos se instalam quase diariamente. Senão, de muitos outros, vejamos os seguintes:

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:24

Dezembro 12 2013

Ontem morreu Nadir Afonso, um dos maiores pintores portugueses do nosso tempo. Licenciado em Arquitectura pela Escola de Belas-Artes do Porto – aliás, onde mais poderia ser? –, cedo rumou ao Brasil, tendo chegado a trabalhar com Óscar Niemeyer. Desencantado com a estética que a arquitectura estava a tomar, abandonou o lápis e pegou no pincel. E em boa hora o fez.

Na verdade, foi aqui que atingiu o apogeu. Homem simples e frugal, sempre arredio dos holofotes da ribalta, ao contrário do que hoje-em-dia se passa, onde a maioria se coloca incessantemente em bicos dos pés, procurou ininterruptamente compreender o que era a arte, tendo morrido sem o saber. A conclusão mais próxima a que chegou – afirmou-o quando recentemente foi condecorado pelo Presidente da República – é que a arte é pura matemática, sendo que esta, pela sua enorme complexidade, nem os mais sábios a conseguem descortinar.

Todavia, no dia em que aquele enorme vulto da cultura portuguesa faleceu, um outro fez 105 anos. Claro que estou a falar de Manoel de Oliveira, cineasta mundialmente conhecido, e ultimamente tão esquecido pela comunicação social, principalmente a partir do momento em que se declarou cristão convicto e sobretudo quando, sem rebuço, encabeçou a grande delegação de intelectuais que recebeu Bento XVI, aquando da visita deste a Portugal.

Os media, dominados, como bem sabemos, por um certo anticlericalismo, fruto de jornalistas da esquerda caviar que enxameiam as redações daqueles, não lhe perdoaram e, de certo modo, ostracizaram-no. A notícia de ontem foi excepção que confirma a regra.

Já agora, em defesa própria, afirmo sentir-me perfeitamente à vontade para escrever estas linhas, uma vez nunca ter sido adepto da filmografia de Manoel de Oliveira. Contudo, uma coisa é não gostar dos trabalhos que faz, outra é não reconhecer o seu extraordinário valor, tanto a nível interno como externo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:13

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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