O meu ponto de vista

Outubro 29 2013

Em 2011 foram cerca de 120 mil os portugueses que deixaram o país em busca de novas oportunidades, sendo que no ano passado este número subiu para os 150 mil, prevendo-se que chegue bem perto dos 200 mil este ano. É uma enorme sangria dos nossos melhores recursos, mas o estado da nossa economia não deixa, infelizmente, outra alternativa.

A tendência não é recente, mas tem assumido maior dinâmica nos últimos anos e é comprovada quer pelo recrutamento que muitos países fazem em Portugal, quer pelo boom das escolas de línguas, as quais têm vindo a registar uma procura crescente.

Num mercado cada vez mais global, onde as empresas nascem já com aspirações de internacionalização, há muito que já não há nem empregos nem países para a vida. A experiência de uma carreira internacional é cada vez mais valorizada, a par com a capacidade de fechar negócios e gerir ou integrar equipas multinacionais, com diversidade de idiomas.

A fase de desemprego que afecta muitos portugueses deve ser encarada como um período sabático de análise e reflexão e uma oportunidade não apenas para repensar o futuro mas também para adquirir competências que alarguem o acesso a outras oportunidades de carreia.

Bem sei que é duro ouvir esta constatação e não é de ânimo leve que algum pai vê partir um filho. Todavia, não podemos fechar os olhos à realidade e enterrar a cabeça na areia, como a avestruz, não resolve o problema.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:32

Outubro 27 2013

Como dizia o outro dia, estou cansado de ouvir, ler e escrever sobre economia, austeridade, défice e outros efeitos colaterais. Hoje fiz um esforço para esquecer a crise e pensar em assuntos mais prazenteiros.

Como alguns portugueses, também eu quero viajar e conhecer outras vivências, crescer no além-fronteiras, sem alertas ou cautelas. Vou fazer as malas sem recolher informação do paradeiro e, sobretudo, sem falar com profissionais do ramo ou quem já alou a experiência. Muito menos quero “ver” as redes sociais ou sites para não me contaminar com o negativo ou positivo que encontrar. Pouca diferença faz o risco calculado e uma má aposta. Quero viajar e ponto final. Tão simples quanto isto!

Não quero saber e muito menos avaliar se tenho envergadura para tal viagem. Interessa-me muito pouco ou nada se os meus conhecimentos linguísticos se coadunam aos idiomas dos locais a visitar. Interesse, sim, na cultura, uma vez que a organização política será sempre q.b.

Parafraseando alguém: “Eu quero ir para a ilha”. Não sei qual, mas desde que tenha sol e mar é o bastante.

Todavia, confesso que uma coisa me interessa. Quero saber do “pilim”, pois ir de mãos a abanar é que não dá. E, para desgraça minha, este há muito que anda arredado dos meus bolsos. Desconfio que até zangado comigo anda, pois só muito raramente me visita e, ainda por cima, quando o faz é apenas por breves instantes.

Descendo das nuvens, terminado o sonho, posso resumir que este desejo não é mais que um querer!

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:12

Outubro 24 2013

Antes de começar por escrevinhar este texto, recordei-me de Paulo de Carvalho. Um músico, mais do que cantor, como ele próprio diz, por considerar que “toca a voz”, um músico que caminha a passos lagos para as bodas de ouro da fundação dos «Sheiks», que celebrizou um tema onde proclama que “Dez anos é muito tempo/muitos dias, muitas horas a cantar”.

No caso dele, aos primeiros dez anos sucederam-lhe outra década, sempre com o apoio do público, com uma matriz tão harmónica que há canções velhinhas que ainda hoje se ouvem com agrado, como é exemplo “Nini” dos 15 anos de todos nós, que vestia de organdi e dançava, dançava uma dança sem fim.

Voltando ao presente, e com os pés bem assentes na terra, o que também parece não ter fim é a vocação política de retardar soluções, sobretudo pelo esquecimento de pequenas e médias decisões sem as quais os grandes objectivos não avançam. É o caso da reforma do Estado.

De facto, esta última década, e principalmente estes últimos anos, foi tempo perdido quanto à reestruturação e reorganização do Estado, algo que deu origem à mais recente crise governamental, protagonizada por Paulo Portas, o qual ficou de a apresentar até finais de Agosto p.p. e que tem sido adiada sucessivamente, acreditando eu que jamais chegará a ver a luz do dia. O homem de palavra, que proclamava aos quatro ventos que sempre foi “de quebrar antes de torcer”, afinal vê-se que é um mau pagador de promessas.

Os interesses instalados, o facto de «mexer» com muito «boa» gente, levam à inacção, cumprindo o adágio popular “faz-se tudo e mais alguma coisa para que tudo fique na mesma”. Vá lá, quanto muito “mudam as moscas, porque a …”

As sucessivas boas declarações de intenção de vários governos sobre esta matéria esbarraram, como hoje esbarram, na morosidade das acções e na ausência de iniciativas lógicas e maturadas.

Nós, os que perseguimos o objectivo de reabilitar o bom nome de Portugal, facto que jamais se fará sem uma verdadeira reforma do Estado, não temos mais dez anos para desperdiçar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:48

Outubro 21 2013

É inevitável. Lá volto eu a falar da crise e das consequentes medidas de austeridade. Mas também de que hei-de falar, hoje-em-dia, que seja tão interessante para a generalidade dos cidadãos? Em boa verdade apetecia-me dissertar sobre outra coisa qualquer, mas as preocupações que aquela acarreta, bem como o mal-estar que provoca, não me deixa outra alternativa. Assim, respigando uma ou outra notícia, aqui fica o desafronto.

1. Enquanto a maioria do funcionalismo público, i.e., todos aqueles que auferem ordenados superiores a 600 euros, irá sofrer um corte de 12% nos seus proventos, os gastos governamentais sobem 1,3 milhões de euros face a 2013 e 3,3 milhões de euros face a 2012.

Pois é! Com tantos motoristas, secretárias, assessores de “palmo e meio” a ganhar – desculpem-me o termo muito chão – balúrdios, não admira! É caso para dizer: enquanto uns morrem de fome, outros banqueteiam-se à grande e à francesa.

2. Todos conhecemos muito boas famílias, com vários descendentes e ascendentes, que vivem com o ordenado mínimo ou pouco mais. Algumas, é certo, fruto de má gestão - tanto a nível económico como, pior ainda, em termos emocionais - levam uma vida miserável. Outros, porém, com um enorme espírito de sacrifício, fazendo, na maioria das vezes, das tripas coração, conseguem levar, com dedicação, carinho e enlevo, uma vida sóbria, sem dúvida, mas digna.

Daí a minha enorme estranheza ao ouvir a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, dizer que tem "três filhos pequenos" e que cortes na função pública também a afectam, tendo, por isso, "pouca margem para poupar".

Quer dizer: a senhora ministra que vence mensalmente cerca de 5 000 euros, com carro e motorista às ordens, ajudas de custo para tudo e mais alguma coisa, tem dificuldades! Caramba, para não dizer um palavrão, o que hão-de dizer aqueles que anteriormente citei?

3. Por último, apesar da diminuição brutal do poder de compra registado nos últimos anos, de quinze países da UE, os portugueses são os que mais esforços financeiros fazem para pagar a conta da luz. E, no próximo ano, a factura volta a subir 2,8%, sendo que os consumidores ainda não começaram a pagar todo o crescente défice tarifário. Que Deus e todos os santos nos valham quando este começar a ser aplicado.

É ou não um despudor, uma vergonha sem limites, quando se ouvem os produtores reclamarem contra a diminuição das rendas eléctricas? Queriam ainda mais?

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:06

Outubro 17 2013

Não há como dar a volta. A economia, por via do défice e consequentes medidas de austeridade, sem esquecer os famigerados cortes, tomou conta da cavaqueira dos portugueses, a qual, por desconhecimento, má-fé ou demagogia, na maior das vezes, não passa de um género comumente designado como conversas de café.

O aumento da carga fiscal, mesmo que encapotado, previsto na proposta de Orçamento de Estado (OE) para 2014 terá como consequência um inevitável e dramático aumento da conflitualidade social. Conforme foi delineado, este OE aposta, em grande parte, nos cortes do lado da despesa para atingir um défice público de 4% do PIB ou seja, poupando cerca de 4,8 mil milhões de euros. Este valor será alcançado entre novas medidas e as de caráter extraordinário que já estão a ser aplicadas este ano e que irão manter-se, como a Contribuição Extraordinária de Solidariedade, com cortes progressivos nas pensões acima de 1350 euros que vão dos 3,5% aos 40%, e a sobretaxa adicional de 3,5% no IRS.

Como é lógico, os custos fiscais aumentarão substancialmente e a procura interna diminuirá numa considerável proporção. Será injusto, na maioria dos caos, e não sabemos se será sustentável.

Outra alternativa – sim, porque existe sempre uma alternativa - para a economia seria, não tenhamos ilusões, reduzir o número de funcionários públicos e cortar de forma acentuada reformas e pensões, que perfazem a maior fatia das despesas. Contudo, seria um caminho de grande insensibilidade social cujas consequências ninguém está para arcar. Por isso, a incógnita do falhanço persiste e o segundo resgate é algo que não se pode descartar. Bem pelo contrário.

Perante isto qual será o lado da sensatez? Parece óbvio que o caminho passa por assegurar credibilidade, cumprindo os nossos deveres. Tudo o que seja entrar em ruptura clara com o plano internacional de ajuda financeira – abro um parênteses para dizer que Mário Soares está completamente senil quando diz que não devemos pagar a nossa dívida – é seguir a via da irresponsabilidade e da perda de capacidade negocial.

Sós é que não, pois já bastou quase cinquenta anos de “orgulhosamente sós”. Primeiro, é necessário tudo fazer para cumprir os compromissos. Depois, sem alaridos, com descrição e força de quem estes honra, partindo de um patamar de responsabilidade, ir renegociando na medida do possível e quando for possível.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:32

Outubro 15 2013

Recentemente o ME chegou a acordo com os sindicatos de professores – como habitualmente a Fenprof colocou-se de “fora” – sobre a nova legislação que regerá a formação contínua dos professores.

Por desconhecer, em detalhe, tal proposta, a qual ainda irá a Conselho de Ministros e posterior promulgação ou não do Presidente da República, sem esquecer a respectiva regulamentação, não irei, por agora, debruçar-me sobre tal norma.

O que sei é que novamente se irá verificar o seguinte: o docente para frequentar as acções - quer sejam obrigatórias, e algumas são, ou não - só o poderá fazer fora das suas horas normais de serviço e, o mais grave, pagar do seu próprio bolso as respectivas deslocações, o que não acontece, que eu saiba, em qualquer outro organismo da administração pública.

Todavia, o que incomoda mais é saber que, mesmo agora, os senhores directores de escolas, agrupadas ou não, para além de não estarem obrigados a frequentarem qualquer formação, quando participam – por exemplo, vai brevemente decorrer mais uma, intitulada líderes inovadores (!!!), promovida pela DGAE, em Lisboa – têm todas as despesas pagas, i.e., deslocações e estadia, incluindo hotel. E assim acontecerá no futuro.

É mesmo para dizer “ou há moralidade ou comem todos”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:59

Outubro 14 2013

Existem assuntos que me aborrecem solenemente. Um deles diz respeito às promessas feitas e não cumpridas. Relativamente a este último, é paradigmático o caso da RTP.

Como os mais atentos devem estar recordados, o PSD prometeu, na última campanha eleitoral para as legislativas, privatizar a RTP, proposta essa plasmada no programa do governo e devidamente ratificada na AR. E o certo é que, durante o consulado de Miguel Relvas, de má memória, fizeram-se várias tentativas nesse sentido, hoje consideradas apenas balões de ensaio. Como é evidente toda a oposição se indignou, tendo, inclusive, o PS afirmado, alto e em bom som, que se o governo fosse adiante com essa iniciativa, quando chegasse ao poder voltaria a nacionalizá-la. Entretanto, o assunto foi deixado para as calendas gregas.

Veio o ministro “maravilha”, o menino bonito da governação, com provas dadas no meio académico e não só – falo, claro está, de Poiares Maduro -, mas que rapidamente percebeu que uma coisa são os livros, as dissertações e oratórias fascinantes, outra, bem diferente, é a realidade do dia-a-dia. E como dizem os nossos amigos brasileiros, eis que “caiu na real” e toca de alterar os pressupostos. Já não se privatizava toda a RTP, que inclui também o universo da RDP, mas unicamente um canal, já que a RTP2 ficaria como canal de serviço público, proposta esta que também foi deixada na gaveta.

Todavia, a novela não terminou por aqui. A última, saída da cabeça do tal ministro prodígio – o mentor dos briefings, que tão bons resultados deram, já que levaram à queda de vários secretários de Estado –, foi de passar todos os canais da RTP para sinal aberto, vulgarmente conhecido como via TDT. Também aqui, segundo parece, a coisa não terá corrido pelo melhor, pelo que, mais uma vez, a brilhante ideia foi colocada de lado.

Resumindo, na falta de ideias e, sobretudo, na ausência de poder para impor uma solução minimamente digna, que resolvesse, de uma vez para sempre, o enorme buraco financeiro que é a RTP, socorre-se do mais fácil, i.e., vai-se ao bolso dos contribuintes, desenlace a que todos anteriormente se valeram.

A Contribuição para o Audiovisual foi criada em 2003, tendo como pressupostos o financiamento, através de uma taxa sobre o consumo de electricidade, da RTP e RDP. Quer isto dizer que, independentemente, de ter ou não televisão/transistor, de ver/ouvir ou não a RTP/RDP, desde que gastasse electricidade aí estava a ser espoliado numa certa percentagem. E assim foi até agora. Só que esta expropriação do que tanto nos custa a ganhar não chegava e vai daí, para não mudar de moda, o actual governo decide aumentar a referida taxa, sem ter em conta a opinião e o gosto dos portugueses.

Interessa alguma coisa que a RTP e a RDP sejam dos meios de comunicação social menos vistos e ouvidos em Portugal? Desde que façam, de vez em quando – sempre também não, pois daria muito nas vistas – uns fretes a este ou a outro governo que esteja no poder é o que importa. Vejam-se os casos de José Sócrates nas noites de domingo, os comentários de Nuno Morais Sarmento e as “conversas em família” de Passos Coelho, em “O país pergunta”, e as dúvidas dissipam-se.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:34

Outubro 10 2013

Esta questão de cortes nos rendimentos salariais ou das pensões, devido às medidas impostas pela troika – leia-se nossos credores –, tem levantado e continuará a levantar uma imensa polémica. A não ser os apologistas de quanto pior melhor, i.e., os que advogam uma política de terra queimada, poucos ou nenhuns portugueses acham que não se devem fazer cortes.

O grande problema é saber onde e/ou como. Já aqui referi, bem como noutros locais, por diversas vezes, que estando a larga maioria dos portugueses de acordo com as medidas de austeridade, também não deixa de ser verdade que são muito poucos os que admitem cortes no seu “quintal”.

Quando confrontados com os aludidos cortes, revoltam-se, indignam-se até limite, chegando ao insulto, senão mesmo à violência. E se lhes pedimos alternativas, ou adiantam que os cortes devem ocorrer noutros lados, esquecendo-se de que nesses locais também existem pessoas que pensam o mesmo, ou, ainda mais grave, entram por uma deriva demagógica.

A deriva demagógica, cujo significado, segundo o dicionário, não passa de um abuso da democracia, ou seja o discurso ou acção que visa manipular as paixões e os sentimentos do eleitorado para conquista fácil de poder político, leva-os a dizer “que a dívida não é para pagar, que os ricos devem pagar a crise, que o sistema financeiro e os grandes grupos capitalistas devem assumir tais custos, que os governantes não devem ter uma frota automóvel ao seu dispor e muito menos motoristas, secretárias, assessores e especialistas”, entre tantos outros dislates.

Uns, por ignorância, usam e abusam desta forma baixa de fazer política, uma vez não saberem que mesmo que os governantes ganhassem o ordenado mínimo, andassem de transportes públicos e fizessem, eles próprios, o trabalho administrativo, isso nada adiantaria em termos de deficit público, outros, apesar de saberem bem daquilo que falam, preferem esconder a verdade dos números de modo a agitarem a tirania das facções populares.

Agora, o que eu queria mesmo é que, ao não aceitarem estas medidas, me dessem uma alternativa credível, exequível e sem falácias.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:15

Outubro 08 2013

Na ordem do dia está o desemprego entre os professores. Não havendo receitas milagrosas e estando o país em clima de forte contenção de despesas, há que socorrermo-nos muitas vezes da imaginação para obtermos crescimento e sucesso.

Ouço - e sinto que são verídicas – muitas queixas de colegas meus, docentes do secundário há décadas, por terem sido “atirados” para o 1º ciclo, com a finalidade de ministrar as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC). Quando referem “atirados", querem, no fundo, dizer que não foram minimamente preparados para lidar com crianças de sete, oito ou nove anos, uma vez que a didáctica que aprenderam e, principalmente, a experiência que, ao longo dos anos, adquiriram não se coaduna – pelo menos, numa espécie de estalar os dedos e já está (!!!) – com esta faixa etária de discentes.

Repito que os compreendo e, com toda a sinceridade, não gostaria de me ver no lugar deles, apesar de, mais ano menos ano, não estar livre de tal. Todavia, compreendo as direcções dos Agrupamentos: entre contratar professores e manter docentes dos seus quadros sem qualquer componente lectiva – os celebérrimos horários zero - não há hipótese de escolha.

Nesta ordem de ideias, sabendo que não é do interesse de qualquer professor ter horário zero, e, por outro lado, conhecendo a falta de educação e os maus exemplos que a maioria dos miúdos trazem de casa – “é na educação dos filhos que se vê as virtudes dos pais” -, só vejo uma solução: preparar-se psicologicamente o melhor possível, lendo e analisando as várias problemáticas inerentes ao público-alvo, possuir “pulso firme, sem cair, em momento algum, na violência, uma forte resiliência e, sobretudo, uma dose extrema de paciência.

Bem sei que falar é fácil e tais propósitos não se compram na farmácia ou na drogaria. Contudo, entre o passar, a curto prazo, ao quadro de disponíveis ou “aturar” os putos, mesmo que mal-educados, não há discussão que valha a pena encetar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:40

Outubro 07 2013

Novas medidas de austeridade são anunciadas. Nada que não estivéssemos à espera. Era só necessário que as eleições autárquicas se realizassem para que o anúncio surgisse à luz do dia. Às pinguinhas, como convém, para não assustar a “maralha”.

E o que salta à vista de todos resume-se em três pontos: escassa planificação, má comunicação e, sobretudo, falta de união.

O governo vai apresentando medidas como sendo as únicas com pendor salvífico. Até aqui tudo bem, pois, na ausência de melhores ideias, há que acreditar no que se propõe. Falta explicar, porém, o porquê das decisões, o contexto da aplicação e como aquelas contribuirão para a retoma.

Aos portugueses é pedido insistentemente que suportem o aumento de impostos, mas não lhes é apresentado os benefícios que, a longo prazo, advirão de tais sacrifícios. As medidas têm sido pouco explicadas, provocando o sentimento de que as decisões não têm por base um carácter construtivo, ao mesmo tempo que são penalizadoras para os cidadãos, uma vez que o desconhecimento sobre os benefícios inibe a acção.

Por outro lado, não existe um forte sentido do dever na sociedade civil. Jamais conseguiremos ultrapassar os desafios sem atingir um consenso sobre como e quando agir para impulsionar a economia. Veja-se, por exemplo, o caso da Irlanda: um país também intervencionado pela troika e sujeito igualmente a um duríssimos pacote de austeridade. Contudo, os players aceitaram as decisões do respectivo governo e assumiram um espírito de união. Como resultado, vemos a recuperação económica, aliás a uma velocidade maior do que a esperada.

Em Portugal é ao contrário. Por isso, infelizmente, caminhamos muito mais para nos aproximarmos da Grécia do que evoluímos para uma situação semelhante à irlandesa. Observe-se o caso das pensões de sobrevivência: é natural um viúvo ou viúva com uma pensão própria de mil, dois mil euros ou mais e receber outro tanto porque a esposa ou o marido faleceram? Que não se corte nas pensões de viuvez abaixo dos 600 euros estou totalmente de acordo. Agora acima?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:07

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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