O meu ponto de vista

Março 07 2013

Sinceramente, quem me tira, seja ao almoço ou ao jantar, uma subida ou descida de rating protagonizada pelas afamadas agências, tira-me tudo. Isto de saber que a economia X possui triplo A e a do vizinho ao lado é menos que lixo dá outro realce à refeição. É certo que, na maioria das vezes, não percebemos porquê nem como chegaram a tais conclusões, mas isso para o caso pouco ou nada importa. De realçar é o modo como colocam em cima ou em baixo uma empresa ou um país.

Como tudo na vida, existem os poderosos, para os quais, por muitas vicissitudes que passem, o tal rating jamais desce, enquanto, por outro lado, existem os coitados que, por muito que façam pela vida, andam sempre pelas ruas da amargura e, por isso, jamais passarão de BBB/CCC, com muitos menos à mistura. E “viva o velho”, como se costuma dizer.

Por exemplo, é sabido que dificilmente os EUA honrarão a enorme dívida que contraíram, incluindo a que está mais próxima de vencer. Contudo, estranha-se que as “moodys” continuem ignorar este facto e prefiram penalizar um pequeno país europeu que, apesar de fortemente endividado, tem mostrado uma coragem indomável, sacrificando-se até ao limite das suas forças, para dignificar os seus compromissos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:26

Março 06 2013

A nossa Constituição, em linha com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, consagra o direito ao trabalho e a um salário condigno para todos. No entanto, estes princípios encontram-se arredados da nossa vida colectiva. Muitos milhares de portugueses – os últimos números apontam para cerca de um milhão – não conseguem trabalho, e uma grande percentagem aufere um salário insuficiente para prover o seu sustento e da sua família.

O Estado não tem estado à altura da Nação. Ponto final! Nos negócios, os interesses sobrepuseram-se à mais elementar ética e, por arrastamento, a estrutura produtiva definhou. As associações de interesse público amarram-se a conveniências corporativas, no pior sentido.

Por outro lado, os salários cresceram desmesuradamente, sem qualquer relação com a produtividade, ancorados na fraqueza ou na cumplicidade do poder político, o qual, quase sempre, se guiou pela máxima “quem vier atrás que feche a porta”. Também não é menos verdade que o mercado de trabalho soçobrou à falta de melhor produção, de flexibilidade, de mobilidade, de rigor e de equidade.

E foram, entre outros, estes estados – de alma ou não – que nos levaram a que agora tenhamos de andar desesperadamente à procura do dramático reajustamento.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:28

Março 05 2013

A questão da confiança é, em tempos de estabilidade, algo que não se discute. É do conhecimento geral que em alturas de prosperidade, o sinal de somar, em termos de segurança, é quem mais ordena, daí que a actividade interpessoal tenha, por isso, um papel determinante a desempenhar no combate à (des)motivação, tanto em termos de vida e saúde, como no que toca ao património.

Porém, quando a crise bate à porta e não só bate como entra casa adentro, como presentemente acontece – não é absolutamente necessário que o conceito se restrinja ao domínio sócio-político -, apesar da contenção nas palavras e das restrições nas emoções, isto para falar somente na economia de custos, acontece que o contraponto com os outros pode ser encarado como de segunda indispensabilidade se tratasse. Puro engano! A verdade é que o valor da estabilidade e da segurança se torna mais evidente, fazendo dela não um gasto suprimível, mas um investimento no futuro.

Contudo, o estigma da crise de confiança pode ser visto de outro ângulo. É que, no fundo, pode um factor que obrigue à auto-proposição de um desafio acrescido: o de tudo fazer para criar as melhores experiências de relacionamento.

Concluindo, é comum não assentar as baterias de confiança na totalidade da sua força. Tanto mais que isso é humanamente impossível e quem disser o contrário mente ou esconde algo. Por outro lado, é uma estratégia, para além de ser “la palassiana”, é inteligente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:43
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Março 04 2013

De uma coisa temos certeza: atravessamos tempos de incerteza. Esta, como é sabido, sempre existiu, mas como não nos atingia directamente, esquecíamo-nos muito facilmente dela. Crescemos adquirindo paulatinamente coisas que há poucos anos nem em sonhos pensávamos ter, esquecendo que se passaram milhares de anos sem esses atributos, não sendo menos felizes por isso.

O termos acreditado na beleza de que “todos têm direito ao pão, ao acesso à saúde, à instrução – a educação é outra coisa e deve ser dada, sobretudo, pelos pais ou quem as suas vezes fizer – e a uma reforma e morte digna” foi bonito, tanto mais que este axioma ia ao encontro dos mais básicos princípios cristãos, matriz que nos formatou durante os dois últimos milénios.

E após a Segunda Grande Guerra, sobretudo com a ascensão do estado social, tudo parecia que nos encaminhávamos nesse sentido. Todavia, como humanos e, por isso, seres imperfeitos, tal como no “Triunfo dos Porcos”, uns sempre se consideram mais iguais que outros. E para acentuar a desgraça, a liberdade que nos é dada é, muitas vezes, aproveitada em benefício próprio.

Por outro lado, sendo os recursos finitos, estes acabam, perdoem-me a redundância, e Portugal, como é óbvio, não é excepção. Nesta ordem de ideias, vivemos uma época em que diariamente observamos o desaparecimento daqueles postulados e o surgimento de novos paradigmas, estes, para nossa desdita, extremamente penalizadores.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:23

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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