Não tenho a certeza, mas acho que o S. Pedro, face à vacatura da sua Cadeira em Roma, anda com muitas outras preocupações e, nessa ordem de ideias, mantém-se um tanto – estou a ser benévolo – alheado do tempo com que nos presenteia. Será que não vê que este clima não se ajusta ao calendário, uma vez estarmos a meados de Março, i.e., a poucos dias do início da Primavera?
Sem querer ser pretensioso, mas para nos colocar em baixo já basta a austeridade que diariamente sentimos, isto para não falar daquela que, segundo, os especialistas, aí virá, mais gravosa, como é, perdoem-me o sarcasmo (!!!), conveniente. Assim, sabendo que, por muito que possamos reivindicar menor desemprego, subida de salários e melhores condições de vida, sem que tal não nos seja concedido, ao menos que o Sol brilhe e a luz seja outra.
Certo é que são raras as pessoas que não andam taciturnas, constrangidas, cansadas de ficar em casa, pois, com este tempo, nem a pé podem passear. Digo a pé, pois ao preço a que estão os combustíveis, é pouco provável usar o carro a não ser para casa-trabalho-casa. Exigimos sair de casa, não apenas para o essencial, ou seja trabalhar ou efectuar outras tarefas inadiáveis, mas também para passear e começar a usar roupas mais leves. Todavia, para isso é absolutamente necessário que o tempo tome outras feições. Aliás, a agricultura também o exige, pois, caso contrário, arriscamo-nos a apanhar batatas em Agosto e a colher milho, feijão e outros cereais em Outubro, isto se entretanto, não voltar a chover.
Queremos sair e encontrar hospitalidade e a simpatia das pessoas, acentuando a diferença entre o que existe de muito belo e o rame-rame do dia-a-dia. Ansiamos pelo conforto do espaço rural, menos enlameado e encharcado que agora, esperando vislumbrar os belos cenários naturais, onde pontuam pequenas lagoas, cascatas e outros elementos da natureza, sem que o frio nos emprenhe horas a fio. Almejamos passear à beira-mar, contemplando o grasnar das gaivotas e o espraiar das ondas, sem que para tal seja necessário estarmos equipados com vestuário polar.
Agora, apesar das nossas reclamações, uma coisa é certa: ainda bem que é Deus a comandar a meteorologia. Imagine-se o que seria se cada um de nós tivesse um papel decisivo sobre esta matéria! Um queria sol na sua eira e o vizinho protestava por não ter chuva no nabal. Há muito que nos teríamos assassinado uns aos outros. Por isso, por muito que possamos reclamar, se pensarmos bem, o Criador – para quem é crente, como é óbvio – fez e continua a fazer as coisas bem feitas.