O meu ponto de vista

Fevereiro 28 2013

Tem sido notícia em praticamente todos os órgãos de comunicação social e tem servido para conversas de café, com muita chacota à mistura. Então, não é que a coligação PSD-CDS, à frente dos destinos da Câmara de Aveiro, uma das autarquias mais endividadas do país, começou a dispensar do serviço os funcionários no dia em que fazem anos? Num momento de tão grave crise, como é o que presentemente atravessamos, isto deveria passar pela cabeça de alguém? Não, responder-me-ão os leitores. Mas, o certo é que passou!

Será que não têm um pingo de vergonha? Vou mais longe: mesmo que fossemos uma economia em prosperidade, alguma vez seria legítimo isentar do serviço os trabalhadores só porque é dia do seu aniversário? Sinceramente, já vi muitas outras atitudes, algumas bem despudoradas e demagógicas, mas esta ultrapassa todos os limites. São posturas destas que encavacam quem as toma, bem como as forças políticas que as suportam.

Será que não têm consciência de que a população activa é cada vez menor e os reformados cada vez mais envelhecidos e em maior número, tal como os desempregados? E que, por isso, é impossível que o dinheiro, o qual já nem sequer existe, chegue para tudo?

Será que vivem noutro país e não sabem que, infelizmente, o emprego continuará a diminuir, e, nesta ordem de ideias, a flexibilização de horários e de salários será a forma mais democrática de ser solidário?

Os tempos actuais lembram-me a guerra. Só que na actual, aliás verdadeira fria, limpam-se as armas! A incerteza bateu às nossas portas, como o outro dia afirmei, e, por isso, a manutenção das regalias vislumbra-se extremamente difícil senão mesmo impossível. Na procura do sentido da vida, há muitos milénios, alguém, como nós, concluía que debaixo dos céus “vaidade das vaidades, tudo é vaidade!”

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:59
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Fevereiro 27 2013

O êxito! Essa palavra miraculosa que tanto atrai e que a tão poucos contempla. Quem desdenha de o conseguir? Quem não gosta das luzes da ribalta ou de ser o foco das atenções, nem que seja por quinze minutos apenas, tempo, aliás, segundo dizem todos temos direito?

A nossa apresentação estética, a forma como trabalhamos, o modo como lidamos com os outros, tudo aponta para o almejar do êxito. Todavia, dizem os especialistas, existem algumas regras básicas para tal se alcançar.

Para isso deve manter sempre um espírito aberto, sem, contudo, deixar de defender as suas ideias, dentro de um espírito de urbanidade, como é óbvio. Por outro lado, deve valorizar-se constantemente, ou seja, ler muito – jornais, revistas e livros -, escrever bastante, colocando as suas reflexões num caderninho ou cadernão, tanto faz, num blog, num jornal – então os regionais pelam-se por um bom artigo -, entre tantos outros, ver bom cinema e ver o menos televisão possível. Esta, como é do conhecimento geral, embrutece, para não dizer estupidifica, e atrofia a mente.

É, conforme escrevia o outro dia, igualmente conveniente recusar o conformismo pessoal, afectivo e profissional. Acomodar-se ao que se tem é ditar a sua própria sentença de derrota. É importante delimitar, para além do que habitualmente se faz, que outras coisas se sabe fazer, se está ou não disposto a mudar de área ou a alterar o modo como o faz. Pelo seu lado, a rede de contactos é algo em que o investimento financeiro é escasso ou nulo, mas é das nuances mais rentáveis, tanto a curto como a médio prazo.

Ser coerente é, todos o sabem, fundamental. Porém, a coerência não pode ser obsessiva, i.e., por vezes, temos que nos converter a novas ideias, pois, conforme diz o nosso bom povo, “só os burros é que não mudam”. Assim, é essencial ser realista e adaptar-se aos tempos, mas sem perder a identidade charneira - a matriz que nos foi legada -, sem esquecer a vivência, a qual, ao longo dos tempos, nos caldeou, cinzelou e, por fim, se é que alguma vez existe um fim antes da morte, nos burilou.

Por último, apesar do apelo à realidade do dia-a-dia, não deixe de sonhar, pois, como dizia o poeta, “o sonho comanda a vida”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:42
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Fevereiro 26 2013

Já o escrevi imensas vezes e não me canso de o repetir. Não são apenas os políticos os culpados pela actual situação do país. Com raras e honrosas excepções, a maioria das pessoas (re)afirma constantemente que nada contribuiu, bem pelo contrário, a haver culpados são todos os outros menos eles. Faça-se uma sondagem, e seja a amostra grande ou pequena, já sabemos que será um número ínfimo de pessoas que terá arrojo em afirmar também ter culpas no “cartório”.

Quase sem excepção, repito, não existe pessoa que não assevere constantemente, se necessário até à saciedade, que sempre foi um excelente trabalhador e por ela o país estaria nos píncaros da economia e, por consequência, seria um dos mais ricos do universo. Como é óbvio, é fácil estender estas bravatas até ao infinito! Todavia, quando confrontada com o baixo índice de produtividade, assegura, de imediato, que das duas uma: ou tal valor está mal calculado ou, então, o mesmo fica a dever-se a todos menos a ela.

E, deste modo, lá vamos aliviando a nossa consciência, varrendo o problema para baixo do tapete ou colocando-o nas costas dos políticos e/ou de outros.

Reconhecer que o nosso desempenho fica, por vezes, muito além do desejável, que, como humanos, também erramos e temos as nossas falhas, que dispensamos o trabalho de grupo, quando ele é necessário, ou queremos insistir no labor grupal quando nos esquecemos de fazer o trabalho de casa, que nos atrasamos ou faltamos, que pensamos muito mais em nós que na organização que mensalmente nos paga, isso é muito difícil e somente está ao alcance de alguns.

Como é lógico, não quero aliviar o peso que recai sobre a nossa paupérrima classe política, a qual se tem pautado muito mais por se governar do que governar, mas somente (re)afirmar que a responsabilidade recai também sobre os cidadãos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:01

Fevereiro 25 2013

Quantos de nós já não sofremos na pele por causa de atitudes tomadas por outros? Eu, próprio, pecador me confesso, sem falsos pudores. Orgulho, inveja, raiva, egoísmo, cobiça, preguiça e ausência, eis os sete pecados capitais que podem danificar o seu/meu dia-a-dia.

Uma outra pergunta: será que faço parte daqueles que tipicamente são classificados como emocionais, ou seja, muitas vezes, reajo por impulso? Se a resposta é positiva, então o primeiro passo que tenho de dar é conscientizar-me de cada um daqueles pecados capitais e evitá-los a todo o custo.

Todos conhecemos pessoas que tendem a assumir total crédito pelas vitórias conseguidas, muito embora esse resultado quase sempre só se consiga com a colaboração de outros. Esta tendência para egocentrismo, na maior parte das vezes, mina o relacionamento com aqueles que de mais de perto nos rodeiam e anula qualquer hipótese de entreajuda futura.

Enquanto o orgulho leva a pessoa a querer de todos o devido reconhecimento, a inveja pode sabotar a autoestima. Pelo seu lado a raiva, para além de nada gerar de bom, a não ser o desacordo, a disputa, o conflito e a tensão, o desejo egoísta de querer mais e quanto mais cedo melhor, sendo muito comum tanto a nível pessoal como profissional, pode, quando moderado ser, por vezes, útil, mas quando levado ao extremo ter um impacto destruidor.

Por sua vez, a cobiça pode levar a gastar a maior parte do tempo fixado no que não se tem e os outros têm, ao invés de dedicar tempo a perceber o que deve fazer para o alcançar. Como é lógico, a preguiça e a ausência também não devem ter lugar nas nossas vidas. O quotidiano é cada vez mais competitivo e o sucesso não chega a quem não se “esfolar” ou, por outras palavras, a quem não der o “litro”.

Pensar que a ambição é suficiente para ser promovido, é enganar-se a si próprio. Quem não está presente no local e na hora certa, regra geral, tem menos hipóteses de ver o seu mérito, por maior que seja, reconhecido.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:42
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Fevereiro 21 2013

Existem aqueles que dizem haver assuntos que lhe tiram o sono, enquanto outros afirmam, sobre os mesmos assuntos ou outros, que dormem bem, apesar de pouco. Há, ainda, aqueles que promovem o entendimento, sabendo lidar mesmo com pessoas difíceis, sendo capazes de aperfeiçoar as suas capacidades atractivas, merecendo, por isso, a confiança dos outros. E não nos podemos esquecer dos que conseguem diariamente superar as dúvidas, vencer a ansiedade, compatibilizar amor e trabalho e, sobretudo, possuir a resiliência necessária para enfrentar os problemas.

No fundo, não passam de modos distintos de estar na vida.

Voltando ao tema de dormir bem ou não, quem não deve conciliar bem o sono é Jardim Gonçalves que, desde Dezembro de 2007, recebe mensalmente 167.650,70 euros através do fundo de pensões do BCP, acrescido de carro e motorista, segurança privada e avião particular para deslocações.

Como é possível nos dias de hoje, em que quase um milhão – há quem diga que este número peca por defeito – de portugueses estão desempregados, em que um em cada quatro está abaixo do limiar da pobreza, em que são cada vez mais os cidadãos a sobrevirem à custa da caridade e da solidariedade alheia, haja alguém que consiga dormir o designado sono dos justos levando ao final do mês aquela quantia, acrescida das restantes mordomias? Será que não tem consciência de que tal, para além de eticamente reprovável, é moralmente injusto? Ou será que, por pertencer à Opus Dei, doa a maior parte dos seus proventos para que esta instituição possa manter os seus caros colégios e residências universitárias elitistas? Todavia, mesmo que assim proceda, continua a ser altamente condenável.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:40

Fevereiro 20 2013

Costuma-se dizer que a nossa liberdade acaba quando a dos outros inicia. Evidentemente que a democracia nos trouxe a liberdade, mas não a libertinagem, algo que muitas pessoas continuam a confundir e a colocar no mesmo saco.

Todos temos direito, e a Constituição consagra-o, sem margem para dúvidas, à manifestação e, dentro de um espírito de urbanidade, a gritar a nossa indignação, se necessário até à exaustão. No entanto, não se queira ganhar nas ruas e/ou em manifestações de meia-dúzia de pessoas, o que se perdeu nas urnas. Se o poder assenta no povo, este expressa-se, de modo inequívoco, no voto. A democracia tem as suas regras e há que as respeitar. Caso contrário, a selva instala-se e exercerá o poder quem gritar mais alto ou quem mobilizar mais pessoas, independentemente destas serem uma minoria em relação aos silenciosos.

O anteriormente exposto vem a propósito das últimas manifestações – designá-las deste modo é um eufemismo, uma vez que as mesmas não passam de um pequeno número de pessoas – as quais tem impedido o livre direito dos governantes de exporem as suas opiniões, independentemente de se gostar ou não.

Imagine-se o que seria se o PSD mobilizasse os seus militantes, o qual, com toda a certeza, os tem que chegam e sobram para tal efeito, e interrompesse e/ou impedisse qualquer manifestação dos “Indignados”, dos “Que se lixe a troyka”, ou de outros mini-movimentos? Evidentemente que “caía a o Carmo e a Trindade”, para não dizer que seria o “Deus nos acuda”, pois querem-nos coartar os mais legítimos direitos de liberdade.

Sem querer ser muito crítico, não me resta outra alternativa senão repudiar estes actos e considerar que as forças de segurança têm de exercer a sua autoridade contra estes desmandos, sem receio de serem apelidadas de forças de repressão ou mesmo de fascistas.

A democracia assim o exige.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:32

Fevereiro 19 2013

A esquerda ortodoxa e a “caviar” adoram propagandear o slogan de que é a alta finança – leia-se banqueiros e quejandos – que deve pagar a crise, para a qual os trabalhadores nada contribuíram.

Ora, metáfora à parte, sem óleo adequado e em quantidade suficiente, ou seja sem lubrificação ajustada ao motor, este pode gripar. Assim, pode acontecer à economia. Aliás, não foi por acaso que o Banco Central Europeu abriu os cordões à bolsa, com vista a dar maior liquidez aos bancos, condição indispensável para que os “motores” funcionem, sem atrito e sem o risco do colapso irreversível.

Todavia, não basta que os “motores” bancários não desmaiem, uma vez que se estes não souberem partilhar tal ajuda com os mercados reais de pouco ou nada vale. É por demais sabido que se os bancos secam as economias desertificam-se e, nesta ordem de ideias, aqueles necessitam de ser salvos para poderem salvar a economia. Precisam de ter liquidez e capacidade para colocar os motores a funcionar, no mínimo, à velocidade de cruzeiro, tendo em linha uma navegação equilibrada numa rota de crescimento e desenvolvimento.

É que não adianta apertar o cinto se não formos capazes de produzir mais e melhor e jamais o conseguiremos sem financiamento adequado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:13
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Fevereiro 18 2013

Os mais atentos recordam-se, com certeza, da estratégia do norte-americano que investiu num vídeo, com o qual ficou famoso, para ser contratado pela Google. A estória conta-se em poucas palavras: Matthew Epstein criou um currículo digital em que encarnou a personagem de um multimilionário, excêntrico q.b., cujo guião vai dando a conhecer as razões pessoais e as virtudes profissionais pelas quais aquela multinacional jamais poderia deixar de o contratar. Como é do conhecimento público dois ou três dias depois, não só tinha uma entrevista com a Google, como também tinha encontros marcados com as maiores empresas do mundo das novas tecnologias.

Vem isto a propósito de que a marcação da diferença - sem que a originalidade dê lugar à perda de profissionalismo - faz parte da “alma do negócio”.

A lei da natureza diz que tudo o que sobe um dia desce e que este movimento é cíclico, mas não eterno. O mesmo acontece nas nossas vidas. O segredo é estar preparado para as sucessivas subidas e descidas da conjuntura, sem perder o rumo. E isso, como defendem os especialistas, só se consegue com uma boa dose de auto-análise constante.

Para não saltar do barco em pleno mar alto, desamparado e só, é fundamental perceber exactamente em que ponto está a viagem, qual o destino, a rota que se irá fazer e, também, se tem formas de alcançar o salva-vidas caso exista necessidade. O sentido, como é óbvio, é figurado, mas a orientação é correcta. Temer o amanhã é, nos dias que correm, perfeitamente normal, mas o caminho não é viver constantemente com receio.

O conformismo é o principal inimigo. Combater a frustração ou o sentimento de fracasso, bem como não deixar de sonhar são objectivos que devem estar sempre na primeira linha do dia-a-dia.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:36

Fevereiro 14 2013

Apesar do tempo não ter ajudado, nos últimos dias viajei. Ao princípio pensei que a solidão era o mais propício ao meu estado de espírito. Todavia, à última hora, a companhia proposta pareceu-me a melhor, opção, aliás, que se tornou deveras agradável.

Partimos, sem destino certo, pois não são todos os dias em que temos oportunidade de nos aventurar por terras desconhecidas. O mais comum, bem o sabemos, é partir com destino traçado e com horas de chegada e de partida.

Depois de almoçarmos em Coimbra, mais concretamente n’A Taberna, local onde não manjava há mais de uma dúzia de anos e onde nos foi servido opiparamente um cabrito assado em forno de lenha, rumamos a Sul, aportando a Tomar ao final da tarde, local onde pernoitámos, após visitarmos uma parte da cidade, mais concretamente, passeando dolentemente pelas margens do Nabão, apesar do frio que nos tolhia, obrigando, cada um, a procurar o calor através do aconchego do outro.

A visita continuou na manhã do dia seguinte, principalmente ao Convento de Cristo. O respeito pelo preexistente e a serena integração dos elementos contemporâneos são uma das imagens de marca desta obra monumental. A recuperação assente no valor histórico e arquitectónico do edificado levou, antes de mais, a que fosse rigorosamente respeitado o sistema de espaços abobados que estruturam todos o interior do edifício. Para tal, foi necessário libertá-lo de todas as construções que o adulteravam e ocultavam para tornar novamente visíveis as magistrais arcadas. Um processo que implicou a limpeza de todas as superfícies de pedra onde se procedeu à remoção de argamassas degradadas e das manchas provenientes de oxidações e outros elementos corrosivos.

Após o almoço, no “Chico Elias”, restaurante situado nos arredores da cidade nabantina, onde saboreámos um soberbo coelho na abóbora, aptámos por passar por Fátima. Ambos, por razões distintas, é certo, há uns bons anos que não visitávamos aquele Santuário, magnificamente cognominado como o altar do Mundo.

Aqui rezámos, tanto na Capelinha como na imponente e nova Basílica da Santíssima Trindade onde, cada um, de modo individual, tenho a certeza, teve a oportunidade de pedir e solicitar ao Senhor tudo o que necessitava para a sua existência e dos seus: inspiração, discernimento, disposição e perseverança. Isto sem esquecer que rezar não é só para solucionar os problemas e dificuldades que surgem no quotidiano, mas sobretudo, para agradecer ao Senhor, todos os bens que Ele nos concede independentemente de nosso merecimento pessoal. Por isso mesmo, tão importante como pedir, é saber agradecer, é dar graças a Deus pelo êxito conseguido em cada jornada e em cada empreendimento de nossa trajectória, que nos ajudam a vencer com dignidade, os diferentes obstáculos de nossa caminhada existencial.

 

Adenda: Não esquecendo, de modo algum, o dia de hoje, e apesar de se comemorar a festa litúrgica dos Santos Cirilo e Metódio, padroeiros da Europa, pelo nosso lado, vamos festejar o S. Valentim, “sem pecar”, como é óbvio.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:52

Fevereiro 13 2013

Existem coisas “maravilhosas” no nosso país. Uma delas, sem dúvida, é o facto de ser possível, passados vários anos, mantermos as reflexões actualizadas sobre os problemas, uma vez que os mesmos, década após década, ficam por resolver. A vantagem é de escrevermos um artigo, num determinado momento, e podemos voltá-lo a publicá-lo passados uns tempos largos, já que se encontra sempre actual dado o problema, repito, não ter sido, garantidamente, resolvido.

Como poderão constatar é muito fácil escrever um artigo de dez em dez anos sobre um determinado tema. Para isso basta escrever o primeiro e, seguidamente, repeti-lo até à exaustão porque o país nos permite que esteja sempre em exercício.

Portugal tem atrasos estruturais críticos, a maior parte óbvios, que temos de atacar rapidamente. Todavia, complicamos o suficiente para que tudo seja assustador e, pior, para que pareça ter um preço incomportável, é motivo mais que suficiente para adiar eternamente a resolução do problema. Não é só a justiça que suporta a sua ineficiência em leis tão complicadas e tão arrogante e comprometedoramente descritivas do pormenor, também existem outras áreas que, infelizmente, padecem do mesmo problema.

Como é possível, em 2013, continuarmos a discutir e a escrever sobre assuntos tão elementarmente essenciais só porque isso nos obriga a decidir, a escolher, a optar, a enfrentar interesses instalados e nos impede de pensar o país a mais de uma semana ou um mês?

Não ter infra-estruturas permitiu-nos crescer – desordenadamente, é verdade – porque era óbvio que tínhamos de construir. Construímo-las até para além do essencial porque somos lentos a prever e corporativamente moderados – estou a ser simpático - quando temos de mudar.

A fase em que nos encontramos já não permite, porém, crescer desordenadamente. A nossa sociedade já é demasiado complexa para poder crescer sem soluções estruturadas.

No entanto, continuo optimista. Sou daqueles que não acreditam que se muda tudo ou, então, não se muda nada. Por isso, espero, sinceramente, que em 2014 ou nos anos seguintes não tenha que voltar a publicar este mesmo texto, letra por letra, vírgula por vírgula e ponto por ponto.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:15
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Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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