O meu ponto de vista

Janeiro 30 2013

De acordo com Stephen M. R. Covey, orador extraordinário e muito conhecido na temática de liderança e autor de bestsellers, tais como “The Spedd of Trust – The one thing that changes everything”, “hoje é difícil de confiar, mas nunca precisámos tanto de o fazer como agora”. Na verdade, hoje, mais do que nunca, é responsabilidade de todos nós assumir o nosso talento, melhorar permanentemente as nossas competências, trabalhar com enorme empenho, brio e sentido de compromisso, independentemente do ofício que exercemos, ter coragem, perseverança, criar e inspirar relações de confiança para que possamos crescer, vencer e construir um futuro melhor e mais sustentável.

Se por um  lado, repito, saber criar e inspirar relações de confiança é fundamental para construir o futuro, também não é menos importante ter conhecimento que a confiança, enquanto competência, igualmente pode ser aprendida, medida e transposta para os diferentes níveis e tipos de relações, tendo impacto positivo nas pessoas, nas organizações, na economia e na sociedade em geral. Isto porque a confiança não é somente uma virtude de carácter social, é um verdadeiro impulsionador do desenvolvimento educacional e económico, uma competência que torna as pessoas mais focadas nos seus objectivos primordiais, proactivas e flexíveis, bem como torna as relações mais dinâmicas e eficientes e as organizações mais produtivas e rentáveis.

A confiança optimiza processos, acelera o desenvolvimento de projectos, reduz custos e leva-nos mais longe e mais rápido.

E, já agora, num aparte, acalma os corações.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:07
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Janeiro 29 2013

A Educação em Portugal parece ter encalhado no limbo das opções adiadas, apesar das alterações que, nos últimos tempos, tem sofrido. São poucos aqueles que, nos dias que correm, sabem qual o verdadeiro objectivo que enforma a política educativa. Todos sabem que há uma reforma, que as práticas paulatinamente se têm vindo a alterar, mas conhecer qual o rumo - certo ou errado depende do ponto de vista - continua a ser, para a maioria, uma perfeita incógnita. E não falo somente do cidadão comum. Aludo à maioria dos agentes educativos que continuam a trabalhar diariamente sem descortinar a que porto seguro (!) se quer chegar.

Muitas vezes apresentada, principalmente pela família saudosa do eduquês, pelo ângulo dos seus aspectos mais estéreis, a revisão das leis que regem o sistema educativo parece, imensas vezes, uma autêntica manta de retalhos, por via da não assumpção de roturas.

Por outro lado, há algo de desumano nas medidas anunciadas, mas não assumidas, pelo menos, publicamente, supostamente desencadeadas por “senhores sem rosto contra os professores”, através de um suposto relatório que fala sobre racionalização de recursos, esquecendo, presumo que propositadamente, a realidade portuguesa.

A Educação é um direito que tem de ser assegurado pelo Estado, subsidiando os mais carenciados, como é óbvio. Ora, sendo um investimento, como tal deve ser rentabilizado e produzir mais-valias. Não é possível andar a subsidiar até aos 18 anos, de forma directa ou indirecta, discentes que não querem andar na escola ou se querem andar não é para ir às aulas e muito menos para aprender. Há que ter coragem, de uma vez para sempre, de rever a Lei nº 85/2009, de 27 de Agosto, que veio estabelecer o alargamento da idade de cumprimento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos.

Voltando aos docentes, estes, de modo algum, podem ser olhados como os maus da fita, tanto pela máxima hierarquia, hoje-em-dia designada por tutela, como pela que lhes está mais próxima. As discussões sobre a classe docente, muitas vezes, reduzidas às emoções mais grosseiras, i.e., aquelas que se situam à flor da pele, transferem para aquela o odioso de toda a situação, desculpando pais e encarregados de educação, sociedade e Ministério.

Importa, por isso, como há muito venho defendendo, adoptar medidas desburocratizantes, de modo a libertar os professores para o que melhor sabem fazer, ou seja, ensinar, responsabilizar os pais e encarregados de educação pelas atitudes e comportamentos dos seus educandos, uma vez não haver alunos hiperactivos, mas sim discentes mal-educados, e, sobretudo, ausência do exercício efectivo de autoridade sobre estes por parte de quem detém o poder.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:00

Janeiro 28 2013

Continuam a existir situações consideradas, no mínimo, caricatas. Tal como em outros países, também no nosso existem castas. Uns porque, à partida, sobre eles assenta uma desconfiança total, quais vagabundos ou ladrões de primeira marca, e, nesta ordem de ideias, têm que demonstrar tudo e a todos; outros, porém, cidadãos de primeira classe, homens e mulheres considerados impolutos, acima de qualquer suspeita, dos quais não se pode desconfiar, nem em pensamento, quanto mais por palavras.

Todos sabem que quando o cidadão comum falta ao serviço por motivos de doença e para que não sofra as sanções preconizadas na legislação aplicável, tem que demonstrar, através de atestado médico ou de internamento hospitalar, que na verdade a sua ausência se deveu a motivos perfeitamente justificáveis.

Todavia, no que diz respeito aos deputados, os tais pertencentes a uma casta superior, basta a sua palavra. Se isto não é imoral, o que será?

Vejamos, então, o seguinte episódio que ilustra e bem o interiormente descrito. A deputada socialista Glória Araújo foi dispensada de apresentar um atestado médico na Assembleia da República para justificar as faltas que deu ao plenário na semana a seguir a ter sido apanhada a conduzir com excesso de álcool, cerca de cinco vezes mais do que o permitido por lei. A parlamentar do PS justificou as faltas com doença, mas não apresentou qualquer comprovativo e as regras do parlamento não obrigam os deputados a fazê-lo.

"Este tipo de justificação não necessita de relatório médico", explicou ao jornal "i" fonte oficial dos serviços da Assembleia da República, remetendo mais explicações sobre o regime de presenças e faltas ao plenário, aprovado em 2009. A resolução define que "a palavra do deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais".

Acrescento que a aludida deputada pertence à Comissão de Ética do Parlamento. Pelo episódio, está mais que demonstrada a posse de tal atributo.

Depois queixam-se que o povo tem uma má imagem dos políticos e que tal é, na maior parte das vezes, veiculada deformadamente pelos media, bem como pela (im)preparação política dos cidadãos. Será que não têm espelhos em casa?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:42

Janeiro 23 2013

Existem claramente pessoas, obras, eventos, profissões, enfim um mundo de estados, a que nos apaixonamos, muitas vezes, devotadamente. Existem casos em que a paixão é tão grande que, por muitas visitas e passeios que façamos por outros locais e gentes, ao início sempre voltamos. Quem, de entre nós não se encontrou, por mais de uma vez, nesta situação e repetidamente a ela voltaram? Uma, duas, três, mil vezes até e de forma incansável.

Várias vezes vai-se apenas passear o olhar, outras com uma intenção mais concreta e perspicaz. Todavia, de uma forma ou de outra, desde cedo se achou que as justaposições provenientes das diferentes vistas não era só salutar como vital. A melhor maneira de expressar a paixão não é apenas sob a incidência do sol, pois a chuva, na metáfora das lágrimas, é também essencial. Aliás, não é por acaso que a claridade ilumina, mas simultaneamente também faz sombra.

Solucionada (?) a questão da paixão, isto é, o rosto identitário dos nossos sentimentos, falta sempre mergulhar na alma do outro, essa osmose tão bela quanto complexa. Este é, sem dúvida, o verdadeiro desafio da mestria, em que se confronta o papel de cada um no tabuleiro da vida, que é, nem mais nem menos, uma série de ângulos desencontrados. No fundo, tal desígnio gera toda uma série de conflitos e negociações. É que se observarmos bem, a paixão não é um simples traço e muito menos uma questão de ângulos rectos, perfeitos na forma e graduação. Podendo ser agudos ou obtusos, há que os encarar com naturalidade e seguindo o mesmo tipo de raciocínio que se usa para outros fins. Entende-se que a circunstância deve ser pretexto para fazer novas experiências, libertando-nos, desta forma, para futuros projectos, os quais devem estar descontaminados de práticas que se teve.

Quantas vezes não sentimos que temos paredes e colunas sólidas, apesar das várias camadas de pintura sobrepostas? Ora, para realçar a beleza há que retirar a carapaça que nos envolve, limpando os elementos acumulados e hiperdecorativos que tenhamos sofrido ao longo do tempo, regressando à traça original.

Por outro lado, a iluminação deficiente, senão mesmo escassa, exige uma solução prática. Uma solução não intrusiva, como é óbvio, mas sem ser fechada, aproveitando tudo o que a vida nos dá de bom. Com pragmatismo, é certo, mas com profunda convicção de que a demolição só em raríssimos casos é solução. Daí preconizar a reconstrução permanente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:58
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Janeiro 22 2013

Hoje quero reivindicar. Caramba, também tenho esse direito! Assim, quero o meu ordenado por inteiro, bem como os subsídios que há muito estavam contratualizados. Ah, e sem esquecer que o aludido ordenado e subsídios devem vir acompanhados da devida correcção monetária, uma vez que desde há três anos que não vemos qualquer acrescento, pelo menos igual à inflação. Bem pelo contrário. A última ocorreu com José Sócrates, em 2009, e isso deixa-me uma imensa saudade deste grande estadista, que o país tão mal tratou e, invejosamente, ainda trata.

Aliás, não é por acaso que o seu sósia, a outra cara-metade – leia-se António José Seguro -, está em alta nas sondagens e já fala em formar governo, prometendo, inclusive, grandes surpresas neste campo. Ora, tomem lá que é de graça e, sobretudo, porque a memória do povo é curta!

Mas voltando às vindicações, solicito mais crédito – de preferência a juros baixos ou a fundo perdido, não importando para quê ou porquê – ou, um dia destes, entro em greve. E se não entrar em greve, pelo menos participarei na próxima manifestação dos indignados, da geração à rasca ou em outra qualquer.

Por outro lado, igualmente quero trabalhar menos horas, uma vez que a vida deve ser uma evolução positiva, isto é, laborando cada vez menos e ganhando cada vez mais. É que se pensarmos um pouco, foi assim que se construiu a actual sociedade. Para isso basta recordarmo-nos da evolução da força do trabalho durante o feudalismo, passando pela era industrial e acabando na modernidade: mais e mais direitos e menos, muito menos, deveres.

Afirmo e reafirmo que não quero saber da crise para nada, já que nada contribuí para a mesma. E isto se acreditar que existe crise, pois algo me diz que tal não passa de uma invenção dos capitalistas e, essencialmente, da direita neoliberal, para nos conter no que concerne às nossas mais que justas lutas. Já dizia alguém: “a quem devo que espere, a quem me deve que pague”. Rapidamente e com juros, acrescento eu.

Não posso esquecer e, nesta ordem de ideias, reivindico o fim da desvalorização forçada da mão-de-obra, só desejada por quem espreita a oportunidade de enriquecer – malditos argentários -, pois tal terá um efeito devastador na nossa economia e acabará por atingir as próprias instituições financeiras – era bem feito(!) –, as quais, no fundo, estão por trás, e já agora, pela frente e pelos lados, de tal solução. Por isso, há que voltar aos tempos do PREC e da unicidade sindical, já qua a UGT, como central social-fascista, mais não faz que fretes a este (des)governo.

Mais: exijo, por ser imperioso e amanhã já ser tarde, a constituição imediata de um verdadeiro governo de esquerda, mesmo que o povo, em eleições, não vote nos ditos partidos de esquerda, seja esta caviar ou não. Acima de tudo, quem manda é o povo na rua. Esta coisa de eleições, sempre foi e será uma coisa aberrante, inventado pela democracia burguesa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:10

Janeiro 21 2013

Nada melhor para fazer um downzising interior do que passar um fim-de-semana sem energia eléctrica, telefone, seja ele fixo ou móvel, televisão e rádio. Descontando que a primeira daquelas ocorrências acarretou a ausência de água, obrigando-me a dois dias sem banho, foi uma experiência inolvidável, fazendo-me recuar aos anos cinquenta do século passado quando, chegada a noite, a iluminação era feita à custa de candeias e gasómetros. Não havendo, hoje-em-dia, estes objectos, a não ser como motivo de decoração, valeram-me as velas. Li, cozinhei e fiz a minha vida pessoal - mínima, como é óbvia - à luz de velas, cujo stock esgotei.

Mas voltemos à reflexão. Os detalhes estudados em prol da harmonia, a fusão entre o meio exterior e interior, em que os ambientes luminosos eram escassos, conduziram-me a conclusões deveras interessantes. Apesar da escuridão, não foram difíceis de encontrar, uma vez que o temporal assegurava total privacidade. As cores, principalmente à noite, adquiriram um tom laranja ocre ajudando a irromper um poder de autoanálise, tanto no âmbito estético como do ponto de vista da sustentabilidade emocional, arrumando ideias há muito obsoletas em nichos previamente concebidos. Simultaneamente, outras se salientavam, as quais, nos últimos tempos, começaram a brotar com um alento crescente, à semelhança da força do vento que, do alto dos morros e descendo aos vales, quase tudo varria à sua frente, deixando apenas de pé aquilo cujas raízes ou fundações eram mais sólidas.

A (re)orientação, a qual teve em conta os fantasmas – não há ninguém que os não tenha -, mas sem esqueletos no armário, decorreu em vários aspectos, ora abraçando algo de indelével, só meu, de modo a proteger memórias antigas, ora sobrepondo-se à envolvência e ao desnível do presente, tendo como lema a manutenção de uma faixa, o mais estreita possível, entre o desejável e o possível. Não sendo, de modo algum velho, penso já não ter idade para aberturas fáceis e comunicações estéreis. Bem pelo contrário. A separação e a divisão funcional podem simultaneamente ter vantagens e inconvenientes. Eu, como todos, sem excepção, só necessito que as primeiras suplantem os segundos.

Ao invés de utilizar instrumentos mais rebuscados, indaguei o eu mais recôndito, no meio de um jogo de luzes e sombras – o ambiente assim o propiciava -, onde as cores, sem serem as mais nítidas, estiveram sempre longe de se situarem no cinzento e muito menos no preto e branco. O futuro é de esperança e amanhã o sol brilhará.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:03
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Janeiro 18 2013

Acredito que nos próximos dois anos entraremos na rota de recuperação económica, tanto mais que novos sacrifícios serão insuportáveis. No entanto, esta convicção não é pacífica e, nesta ordem de ideias, assistimos diariamente a debates sobre estes temas.

A verdade é que só com muita boa vontade vislumbramos uma ténue luz ao fundo túnel, já que os resultados do plano de ajustamento, relativo às medidas de austeridade da troika, parecem não estar a resultar. A taxa de desemprego continua muito alta, o défice ficou algo distante do que era expectável mesmo tendo em conta todos os cortes a que fomos sujeitos e, como se não bastasse, o índice de emigração está a aumentar, bem como as desigualdades sociais se tornam cada vez mais evidentes.

Por outro lado, se os salários mais baixos e a mão-de-obra qualificada significam um sinal positivo para atrair investimento estrangeiro, também não deixa de ser verdade que as condições que Portugal oferece para atrair esse investimento ainda não são as mais favoráveis, uma vez que os benefícios fiscais, a legislação obsoleta e a justiça, que por ser tão lenta se torna em injustiça, não são sequer suficientes para as empresas portuguesas.

Nesta perspectiva, receio estarmos, de modo contínuo, a alimentar um sistema que teima em não engrenar e que até os pequenos/grandes detalhes, os quais deveriam ser enormes oportunidades, são grãos na engrenagem da máquina, mais por ausência de medidas evolutivas que nos permitam aspirar a sair desta crise profunda e realçar a nossa economia, do que por vontade da maioria dos cidadãos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:34

Janeiro 16 2013

Ser bom aluno é uma vantagem em todo o lado e apesar de Portugal ser excepção em muitos casos, felizmente, neste ainda não o é. Todavia, hoje em dia e cada vez mais no futuro, estou certo, não basta ser bom aluno, uma vez que esta característica não origina obrigatoriamente um bom profissional no porvir.

Por isso, a necessidade de aliar à aprendizagem académica toda uma série de experiências, quer estas se situem no âmbito oficinal, no voluntariado ou até no desportivo. Recordamos bem que, em tempos que já lá vão, tanto as organizações privadas como as públicas recrutavam os seus colaboradores apenas com base na classificação académica final do respectivo curso. Hoje, porém, tal compromisso foi abandonado por todas as empresas privadas e mesmo as instituições públicas seguem este exemplo, cujo recorte de alistamento assenta não só nos conhecimentos académicos, mas igualmente na experiência de vida que denotam, realçando que aqueles são importantes, mas não determinantes.

O que conta é o perfil do candidato e aquilo que os ingleses designam como as suas soft skills, i.e., as suas melhores habilidades, pois é partir destas que se pode desenvolver o talento. Cada vez mais as instituições procuram factores diferenciadores nos candidatos. As actividades desportivas, por exemplo, são indícios claros de capacidade de cooperação e trabalho em equipa, enquanto, por sua vez, o voluntariado é símbolo de espírito de missão, adaptação e abertura a novas realidades. Espírito de missão, humildade, empreendedorismo, capacidade de trabalho em equipa, motivação, resiliência, entre outros, são factores que podem fazer toda a diferença entre a imensa pilha de currículos que chega à mão das entidades empregadoras.

Ao preparar, nos dias que correm, jovens para se inserirem proximamente na vida activa, ou seja no mercado de trabalho, no diálogo diário que mantenho com estes procuro incutir proactividade, flexibilidade, polivalência e capacidade de aprendizagem e comunicação. Conseguirei alcançar estes objectivos? Deus queira que sim. Para bem deles, do meu e, sobretudo, do país.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:43

Janeiro 10 2013

E se o seu salário também for emocional? Esta era a pergunta que outro dia titulava um artigo publicado num dos nossos jornais de referência.

Lembrei-me deste texto a propósito das notícias de ontem e que continuam a ter hoje e hão-de ter no futuro uma repercussão muito forte. Refiro-me como é óbvio às recomendações do FMI com vista à superação da crise económica que atravessamos. Estas são tão drásticas que, a serem colocadas em prática – o diabo seja cego, surdo e mudo -, me atreveria a dizer que não serão somente a maioria dos salários que terão uma carga mais emocional do que real, mas sim o nosso sentir do dia-a-dia.

Manda a verdade dizer que, hoje em dia, começamos a ter medo de acordar, pois, logo ao levantar, somos autenticamente bombardeados com mais e mais notícias que nos deixam literalmente de cabelos em pé. Falo daqueles que os têm, como é lógico, pois os carecas devem ficar completamente arrepiados. Por isso, das duas uma: ou não acordamos, o que não se deseja para nós nem para ninguém, ou, então, o melhor é não ouvirmos notícias nem lermos jornais.

É evidente que a vida é feita de emoções e elas são absolutamente necessárias para o nosso equilíbrio e bem-estar. Mesmo as emoções fortes são, por vezes, muito úteis, já que nos revigoram. O nosso povo diz que o que não nos mata torna-nos mais fortes. Todavia, ninguém consegue, dia após dia, aguentar tanta emoção e, sobretudo, quando estas acarretam uma tão grande carga negativa.

Quando se ouve apregoar, entre outras medidas, o despedimento de cerca 120 000 funcionários públicos, novo corte dos salários e pensões, na ordem dos 15%, aumento da idade da reforma, limitação dos benefícios sociais, aumento das taxas moderadoras e propinas, depois de anos e anos a penar, é, desculpem-me o termo, dose para canhão.

Há mais de vinte anos que, por promessa que a mim próprio fiz, decidi não participar em marchas, protestos ou manifestações. Porém, embora lamentando, afirmo que se a maioria destas medidas tiverem cabimento, irei para a rua gritar bem alto. Tenham a certeza absoluta de tal, sem receio de ser confundido com a esquerda, seja ela do reviralho, caviar ou outra qualquer.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:13
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Janeiro 09 2013

Agora que está na ordem do dia a (in)constitucionalidade de tudo e de todos, mais parecendo uma corrida para ver qual ou quais os que apontam mais e em primeiro lugar defeitos ao Orçamento de Estado, também eu quero exercer a minha pressão. Sim, porque aqueles que dizem aos outros para estarem calados, i.e., para não se pronunciarem sobre os efeitos da decisão A ou B, uma vez que tal consubstancia uma inaceitável pressão sobre o Tribunal Constitucional, no fundo, no fundo, também estão, à sua medida, a exercer coacção.

Todavia, a minha pressão é, de certo modo, distinta. Não se trata do Orçamento de Estado, tanto mais que aqueles que afirmam que a medida x, y ou z não está conforme a Constituição, ainda não os vi avançar com qualquer medida alternativa e minimamente credível. Que não existe uma única solução estou de acordo, mas, se efectivamente assim o é e acredito piamente em tal princípio, então que avancem com outras opções. Sinceramente, estou cansado de ouvir dizer que tal escolha é errada, mas escusando-se, quase me atreveria a dizer cobardemente, a avançar com o revezamento.

Voltando às “minhas (in)constitucionalidades”, apelo ao Senhor Presidente da República, aos deputados, sobretudo os da dita esquerda, seja caviar ou não, à Procuradoria da República, à Provedoria da Justiça, aos magistrados e demais entidades com poderes para tal, para solicitarem como inconstitucional a questão “a trabalho igual, salário igual”, uma vez que apoiante confesso da meritocracia, não existe, por muito que se queira fazer crer o contrário, trabalho igual. Em qualquer lugar existe sempre aqueles que dão o “corpo ao manifesto” e os que vivem “à sombra da bananeira”.

Já agora, Vital Moreira, como é do conhecimento geral, político insuspeito de possuir simpatias pelo actual governo, afirma não ver em qualquer artigo do Orçamento para o presente ano quaisquer vestígios de inconstitucionalidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:34

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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