O meu ponto de vista

Outubro 09 2012

Circunstâncias existem em que não podemos ficar de fora, mesmo que seja muito tentador assumir a cómoda posição de “treinador de bancada”, ou, dito por outras palavras, daqueles para quem tudo o que os outros fazem está sempre mal, mas incapazes de propor uma alternativa que seja, no mínimo, concretizável, para não dizer diferente e melhor.

Não estar de fora por imperativos éticos, também legitima, perdoem-me a expressão, alguns dos erros dos que colocam “a mão na massa”. Como se costuma dizer “só não erra quem nada faz”.

Utilizar o conhecimento que, ao longo de décadas, se adquiriu para sensibilizar os que, hoje em dia, tutelam, não é só um direito como um dever cívico. Por outro lado, pensar que a aquiescência constante faz de alguém um bom profissional e aquele que, de uma forma ou de outra, dentro das regras da urbanidade, como é lógico, não sendo do “contra”, manifesta a sua discordância e acha que existem outros caminhos, é por natureza um mau profissional e, sobretudo, deve ser “castigado”, é sinal inequívoco de que não sabemos ainda viver em democracia.

Pessoalmente, discordando do muito que se faz, tanto a nível de instituição, poder local ou administração central, o certo é que jamais me ouviram chamar ladrões, gatunos, chulos ou outros impropérios, indignos de figurar neste ou noutros locais. Estes epítetos, para além de pouco mossa fazerem a quem são dirigidos, pois a maioria do povo os reprova, em nada dignificam quem os profere, igualando-os aos mais reles bebedolas saídos da taberna mais rasca.

Continuando, é evidente para todos que estamos longe de embarcar no “comboio da alta velocidade” – atenção: não confundir com TGV, de má memória -, pois as estatísticas não mentem quando dizem que, neste momento, o dito meio de transporte não avança, bem pelo contrário, está a recuar. É que a nossa economia para além de aí não colocar mercadorias, ainda por cima, as está a retirar. Os longos anos de desvario, levam-nos a dar um passo atrás, para depois – esperamos – prosseguirmos com dois em frente, isto sem olvidar os enormes erros que nas últimas semanas, infantilmente, se cometeram.

É só isto – e não é pouco – que temos vindo a alertar, numa assumida acção de persuasão, mais patriótica que corporativa que, infelizmente – certamente culpa minha – não tem sido tão bem recebida como desejaria.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:39
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Outubro 08 2012

Na passada sexta-feira, feriado 5 de Outubro, como foi do conhecimento geral, o hastear da bandeira da república foi feito às avessas. Como seria de esperar, de imediato, choveram, dos diferentes sectores da esquerda- radical e menos radical –, os mais diversos comentários chistosos sobre tal facto, acusando o Presidente da República (PR) de, para além patrocinar as respectivas comemorações em local escondido, quando tal responsabilidade foi da Câmara Municipal de Lisboa, não se ter apercebido daquele facto, deveras lamentável.

Os mais atentos recordam-se que, neste fim-de-semana prolongado, decorria o Congresso das Esquerdas, bandeira última do BE, onde o aludido incidente foi glosado até às últimas instâncias, chegando, inclusive, a haver socialistas de “primeira água” – nomeio Mário Soares, Manuel Alegre, entre outros – a vituperarem violentamente tal episódio.

Ontem, porém, soube-se que António Costa, socialista e digníssimo presidente da Câmara de Lisboa, e eterno candidato à chefia do PS, tinha endereçado uma carta ao PR solicitando desculpa por tais factos, assumindo-os integralmente e pedindo que os mesmos não fossem considerados mais que meros lapsos que acontecem nas melhores ocasiões, fazendo lembrar que no melhor pano caem também nódoas.

Todavia, o que importa, neste momento, realçar é o facto de ninguém daqueles - BE e ala esquerda do PS – ter vindo a público retratar-se, rectificando que, afinal, o culpado tinha sido um dos seus mais eminentes camaradaras.

Palavras para quê? Do BE espero tudo e ao mesmo tempo nada. A Manuel Alegre desejo que continue a gozar as altas mordomias que usufrui à custa de todos nós, e já não tendo idade para ser desvirginado pelas criadas de lá de casa, fale menos e calce as botas de caça. Se lhe sobrar algum tempo, escreva poesia, já que, para isso, tem jeito. Ao “Marocas”, com o muito dinheiro que adquiriu à nossa custa, anseio apenas que vá montar novamente elefantes para a Índia e tartarugas para as Galápagos, já que aqui faz tanta falta como a viola num enterro.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:32
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Outubro 04 2012

O caminho é trilhado a pulso, mas fruto da conjuntura tem aumentado exponencialmente o número de profissionais da educação, os quais, na sua maioria, têm vindo a conquistar, cada vez mais, valor e notoriedade junto das comunidades locais e até perante a sociedade em geral, enquanto símbolo de uma abordagem proactiva e empreendedora da vida. Contudo, triunfar no âmbito da educação enquanto profissionais dignos continua a não ser fácil. Longe de representar um problema efectivo, escolher, contudo, este modo de vida exige capacidade de adaptação e determinação.

A docência, como tudo na vida, tem preeminências, mas também denota incómodos. É, de facto, uma profissão com altos e baixos, onde a segurança de um salário certo não existe para todos. Que o digam os milhares de professores contratados, alguns com dez, quinze ou mais anos de serviço, que este ano ficaram no desemprego.

Por isso, a primeira consciência que se tem de ter é que, apesar de não se ter um patrão, entendido o termo de acordo com os cânones comuns, se tem vários “clientes” – leia-se alunos e respectivas famílias - e que a qualidade do seu trabalho é a sua melhor montra. Depois, a regra de oiro que faz movimentar todo o processo educativo é interiorizar a ideia de que ser professor não é uma contingência da realidade laboral, mas antes uma atitude profissional.

Quando surge a primeira oportunidade, há que a agarrar até ao limite, sabendo que a abertura do caminho trará outras colaborações. Por outro lado, há que dar a conhecer o seu trabalho e desenvolver a sua actividade de forma exemplar, mas sem artifícios ou, como hoje se diz, sem se sentir pressionado a mostrar evidências.

Organizar o tempo de trabalho, encontrar espaço para a família e para o lazer são regras muito importantes. O docente, como já disse anteriormente, é a sua própria montra e mesmo quando já tiver um “nome na praça” não deve deixar de conquistar novos “mercados”. Tem, contudo, de saber quais sãos seus limites. Não pode, usando o jargão popular, cair na tentação de ir a tudo e acudir a todos. Deve aceitar apenas aquilo que sabe que poderá cumprir dentro dos prazos estabelecidos e com a qualidade exemplar, uma vez que é sua imagem que está em jogo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:48

Outubro 03 2012

Um pouco por todo o país somam-se casos de incentivo autárquico e institucional à viabilização de projectos empreendedores. Um investimento que pode ser feito de várias formas e que abarca não só o fomento ao debate de ideias e partilha de experiências mas também à formação, prestação de serviços de consultadoria, desenvolvimento de bancos de invenções, dinamização de programas de dinamização social, criação de nichos de empresas que facilitem a incubação de projectos na fase inicial, apoios monetários à criação da empresa ou até à criação de parcerias com entidades especializadas.

Apesar de, por princípio, ser contra a que as câmaras municipais se transformem em mini-governos e, nesta ordem de ideias, achar que se devem reduzir ao indispensável – abastecimento de água, saneamento básico, construção e reparação de vias locais, licenciamento e fiscalização de habitações, urbanização de espaços verdes e pouco mais -, de modo a interferir minimamente na vida dos cidadãos, tenho que concordar que, por vezes e em casos especiais, o âmbito da sua acção deva ser alargado.

Agora o que não admito mesmo é que as câmaras, pela boca dos seus principais responsáveis, tenham uma postura de contrapoder, incentivando à revolta e, como se diz na gíria militar, apelando ao “levantamento de rancho”. E isto acontece, sobretudo, nas autarquias cuja cor política é diferente da do governo, sinal de que os políticos são incapazes de despir a camisola partidária e o bem do país termina onde acaba o seu concelho. O seu comportamento é de autênticos pirómanos, apesar de, muitas vezes, se disfarçarem de bombeiros, sem, contudo, conseguirem esconder que tentam apagar o fogo com gasolina.

A propósito, ainda recentemente, quando os dois anteriores governos apresentavam outra tonalidade, os quais, desde início, e sem margem para dúvidas, denotaram uma nítida postura de domesticação de toda a classe docente – recordam-se das mega-minifestações de repúdio? -, estes autarcas aplaudiam a política da então ME, Maria de Lurdes Rodrigues, dizendo que a única coisa que receavam era que Mário Nogueira, quando aparecia no écran da TV a reclamar, com voz irada, contra tais desmandos, saltasse e lhes viesse bater na sua própria sala.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:01

Outubro 02 2012

Quem, hoje em dia, ver os principais noticiários da TV, ler a imprensa diária ou semanal, mesmo que não queira, não pode deixar de prestar uma atenção especial às matérias de índole económica, parecendo-lhe, por vezes, que poderá estar, no mínimo, preparado para fazer um exame de finanças públicas na mais exigente das universidades.

Das engenharias financeiras possíveis para apresentar um bom orçamento de Estado, tendo em conta as eleições do próximo ano, passando pelo rigor cirúrgico dos cortes em despesas supérfluas ou nas designadas gorduras, sem esquecer o combate ao défice, tudo isto está quotidianamente na imprensa.

Comunicação social que igualmente revela números invejáveis de crescimento na Alemanha (7% nos dois últimos anos), bem como o seu baixo nível de desemprego (5,5% da população activa), o que faz com que, naturalmente, os alemães obtenham os empréstimos mais baratos do mundo, chegando alguns deles a serem menores que a inflação prevista.

De entre muitas, a pergunta que se pode colocar: porquê a diferença, a nível de riqueza e desenvolvimento, abissal entre Portugal e a Alemanha? Será que as riquezas naturais que, presumo, não sejam assim tantas, explicam, esta décalage? A resposta, a meu ver, está na educação, no rigor, na entrega e no cumprimento escrupuloso do dever a que os germânicos se entregam diariamente. Para quem sofreu, no século passado, duas guerras mundiais, com as naturais devastações daí advenientes, assim como a integração da Alemanha do Leste, e que denota uma pujança tão grande, a justificação apenas pode assentar no alto desempenho e consequente enorme produtividade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:10
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Outubro 01 2012

É uma verdade indesmentível: o que distingue os profissionais é a qualidade do seu trabalho e o empenho com que exercem as suas funções, independentemente da dimensão da instituição e de ser pública ou privada.

Desde que um profissional esteja seguro das suas capacidades e disponível para se entregar de corpo e alma às tarefas, não é o facto de trabalhar numa instituição pequena ou grande, do serviço estar ou não descentralizado, que o vai impedir de assumir responsavelmente as funções que lhe estão destinadas.

O potencial de liderança, a integridade, o gosto pelo relacionamento com as pessoas, a assertividade, a autoconfiança e, principalmente, a orientação para os resultados são factores que um profissional deve permanentemente testar.

Por isso, a qualificação é vital. Só os mais qualificados ultrapassarão os momentos difíceis que enfrentamos e teremos de enfrentar. Uma maior resiliência é fundamental, uma vez que impede o abatimento pelas desilusões do dia-a-dia.

O estar atento às mudanças e ser capaz de lidar com elas é o que vemos diariamente em muitos profissionais que, um pouco por toda a parte, ocupam as mais diversas tarefas. No entanto, também não deixa de ser verdade existirem muitos outros, apesar da prosápia que ostentam, que não merecem a água que bebem. Não é por acaso que os estudos provam que a maioria dos portugueses usando as mesmas máquinas e/ou ferramentas, durante o mesmo espaço de tempo, apresentam uma produtividade inferior aos alemães, suecos, finlandeses, entre outros.

O modo afável de ser e estar é uma qualidade que nos valoriza. O nosso clima e a genética reformulada a partir dos Descobrimentos, por sucessivas gerações que se habituaram a viver, primeiro das especiarias da Índia, depois do ouro do Brasil, levaram-nos a este doce encanto que nos caracteriza.

Bem sei que gostamos de ser assim. Contudo, tais atributos, como diz o nosso povo, não enchem barriga.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:57
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Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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