O meu ponto de vista

Setembro 28 2012

Estamos em plena época de vindimas. Tempo último para quem, durante um longo ano, cuidou das suas vinhas, quer fizesse chuva, vento ou calor. Colheita que é conjuntamente funcional e simbólica, pois é desejo de qualquer viticultor a produção de uvas que sejam a contemporaneidade de toda uma geração de bons vinhos.

Vindimar não é, como o outro dia se viu e ouviu na TV um responsável governamental, apenas colocar a mão – por muito bela e delicada que seja - por baixo do cacho e cortá-lo pelo pedúnculo. Vindimar, sendo um tempo sem igual, é algo intensivo, cujo esforço, por vezes titânico – quem carregou, aos ombros, baldes cheios, a chover, por encostas acima, bem sabe do que falo – e que implica uma grande complexidade programática.

Todavia, ainda mais complexo é a feitura do vinho. O estado e a limpeza das uvas, o transporte, a recepção nos lagares, a separação dos engaços, a mistura de lotes e castas e, por fim, a fermentação melolática têm uma influência capital no líquido consolador que, passados uns meses ou anos, nos é servido à mesa.

Vinho, esse néctar dos deuses, alimentado das entranhas da terra, como se de um vulcão silencioso brotasse a seiva regeneradora, é complemento de uma bela refeição e, simultaneamente, apaziguador da alma, assumindo-se como farol do palato.

Acreditando que o futuro da viticultura portuguesa assenta numa lógica sustentável, pois é verdade que nunca se produziram tantos e tão bons vinhos, há que a salientar como um ícone nacional, símbolo que representa gerações e gerações de homens que nos legaram um saber insubstituível.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:29

Setembro 27 2012

Em “A Origem da Arquitectura” Bernardo Rodrigues escreve que «é ideia comum de que a interacção humana com os espaços começa à nascença. A minha tese, porém, reivindica que essa relação começa antes, no ventre materno, à medida que o feto começa a ser sensível ao som, à luz, à temperatura e às interacções com a mãe e com o mundo lá fora». E acrescenta que «as sensações que temos no ventre materno marcam para sempre a nossa relação com os espaços depois do nascimento».

Ora, os edifícios e os espaços públicos, onde habitamos, trabalhamos ou simplesmente usufruímos dos tempos de lazer, são os novos “úteros” para os nossos corpos, através dos quais expandimos e dilatamos a viagem da nossa vida, descobrindo e procurando, umas vezes consciente outras inconscientemente, as serenas e aquáticas suspensões, dentro do espaço primordial que nos rodeia.

A relação muito particular que temos com o envolvente, já estudado e largamente explorado por Leonardo da Vinci, é algo cujo sentido é mais de dentro para fora, num diálogo permanente e sensorial com o que nos cerca, com especial enfoque na natureza, o que acarreia, por parte dos responsáveis, um especial cuidado. Por isso, a obrigatoriedade de criar um compromisso real entre a beleza envolvente, o desempenho e a utilidade dos espaços públicos.

Num tempo de enorme incerteza, em que a angústia e a frustração facilmente se instalam, é fundamental ter um olhar especial para o belo. E não me venham com a cantiga de que tal implica enormes gastos, pois, na maior parte das vezes, apenas é necessário preservar o muito que em tempos se fez. Claro que, para isso, é indispensável mão firme e sentido de responsabilidade. Mas, como diz o ditado, “quem não quer ser lobo não lhe veste a pele”!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:10
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Setembro 26 2012

As palavras de Pedro Passos Coelho incentivando à emigração dos nossos jovens em situação de desemprego desencadeou uma enorme polémica no país, ateando uma fogueira que arde e vai continuar a arder.

Todavia, para lá de qualquer posição política que se possua em relação ao actual governo, manda a verdade dizer que há muito que os profissionais portugueses já ganharam terreno além-fronteiras e muitos deles com enorme sucesso. Também não é menos verdade que muito antes do primeiro-ministro apontar tal caminho, muitas vezes por via do Programa Erasmus, os jovens estudantes universitários aspiravam a uma carreira e a uma experiência internacional. E, pessoalmente, não vejo nenhum mal nisso. Bem pelo contrário.

Nessa ordem de ideias, não vejo nenhum erro na emigração dos nossos jovens diplomados. Aliás, parafraseando alguém “quando um jovem desempregado emigra resolve dois problemas: o seu e o do país”.

Se é a necessidade ou a vontade própria a ditar a saída do país pouco importa. Relevante, e a realidade demonstra-o, é que são cada vez mais os profissionais lusos a dar cartas no mercado internacional e a demonstrar que, para além de uma oportunidade de emprego, trabalhar noutro país pode ser uma importante alavanca na carreia.

De salientar o perfil dos nossos jovens diplomados, cujas qualificações académicas são muito valorizadas e reconhecidas lá fora. Nunca uma geração nacional emigrou com tanta qualificação. Emigram em busca de melhores condições de vida, de novas oportunidades de trabalho, mas também para conhecer outras realidades e, deste modo, evoluir profissionalmente e culturalmente.

Assim, segundo os especialistas, o desafio deve ser centrado não em impedir a saída mas em criar, no menor espaço de tempo possível – daí a necessidade de equilibrar as contas públicas para posteriormente prosseguir uma política de desenvolvimento sustentável – as condições mínimas para o seu regresso, de modo a que coloquem o conhecimento alcançado lá fora ao serviço do país.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:50
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Setembro 25 2012

É fácil gritar “abaixo a troika”, “estamos cansados de tanta austeridade”, devolvam-nos o que nos roubaram” e “taxe-se os ricos”, de entre tantas pérolas de demagogia de trazer por casa. E até, para cúmulo dos cúmulos, podemos vociferar que “não temos obrigação de pagar a dívida, já que nada contribuímos para ela”.

Todavia, se nos informarmos um pouco mais, se deixarmos de pensar tanto com o coração e mais racionalmente, se não embarcarmos no verbo espontâneo, veremos que as alternativas não existem. Ou se existem, ainda ninguém as apresentou de forma credível. Senão vejamos: que aconteceria se não honrássemos os nossos compromissos, isto é, não saldássemos a nossa dívida? Com seria se continuássemos a gastar mais do que produzimos? Já imaginaram a sustentabilidade de uma casa onde se recebe 100 e se gasta 120? Como é evidente, se a resposta a estas questões não fosse a mais curial, ou melhor, não fosse aquela que os mercados esperam, ninguém mais nos emprestaria um cêntimo. E, então, como seriam pagos os ordenados dos funcionários públicos, as pensões dos reformados, os subsídios dos desempregados, o RSI e tantas outras despesas a que o Estado, obrigatoriamente, não se pode furtar?

Daniel Bessa, ex-Ministro da Economia de um dos governos de Guterres e, por conseguinte, insuspeito de inclinações para com a actual maioria, dizia, neste último domingo, na RR, e cito de cor, “que o aumento da TSU para os trabalhadores e a descida da mesma para as empresas, apesar de não concordar com tal medida, compreendia que foi tomada in extremis, uma vez que, na sala ao lado, a troika exigia a tomada de uma posição firme, pois caso contrário a tranche de 4,8 mil milhões de euros, absolutamente necessários à nossa sobrevivência, não seria desbloqueada”.

Todos já conhecem o resto da história. Face ao enorme coro de protestos, foi a própria troika vir a público dizer que aquela medida era da inteira lavra do governo português e que a mesma não era condição sine qua non para a vinda de tal maquia, deixando, deste modo, as mãos livres para Portugal recuar, o que, aliás, veio acontecer. Como vêm as coisas, apesar de poderem ter corrido de outro modo, não podiam ser muito diferentes, já que as instâncias internacionais – recordo que o nosso enorme endividamento torna-nos dependentes – exigiam uma espécie de “murro na mesa”. Pena é que o PS, como partido do arco governamental, sabedor como não outro da real situação económica do país, não esteja à altura das circunstâncias e tente navegar apenas na crista da onda, procurando, inclusive, que os salpicos não o atinjam. É triste para quem tanta responsabilidade tem e quer mostrar um ar de superioridade moral!

Por outro lado, há os que defendem que o tratamento deve mudar e outros existem que sustentam a dilatação do tempo de cura. Concordando, eventualmente, com os primeiros – só que ainda não vi outra prescrição verosímil -, já não aceito o segundo argumento, uma vez que – o caso da Irlanda prova-o – o medicamento deve ser tomado na dose certa e no tempo indicado. Quando é receitado um antibiótico para tomar durante oito dias, não passa pela cabeça de ninguém, como é óbvio, ingerir todo o medicamento num dia ou mesmo em dois, mas também não se deve prolongar durante um mês. Ambas as situações são perfeitamente nefastas. Pessoalmente – e não estou sozinho nesta forma de pensar - prefiro um sofrimento maior em menor tempo, que andar uma vida inteira – perdoem-me a expressão – com as “calças na mão”, ou dito de outra forma, continuar a pedinchar por inexistência de independência económica.

Por fim, desenganem-se aqueles que acham que se podem acertar as contas públicas sem austeridade, bem como com ausência de sofrimento. Dou de barato um milhão a quem encontrar receita para tal.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:55
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Setembro 24 2012

Temos assistido, nos últimos dias, a permanentes manifestações, um pouco por todo o país. Algumas, inquestionavelmente, muito grandiosas, para bem ouvirmos, vermos e, sobretudo, não ficarmos mudos; outras manifestamente industrializadas e cujo pêndulo advém de uma agenda oculta, vulgo idealismos radicais e sindicalismo balofo, em cuja tónica se antevêm, sem margem para dúvidas, correias de transmissão de ideologias que o povo português, livremente e ao longo de trinta e oito anos, rejeitou de forma inequívoca.

As primeiras, apartidárias e cujos organizadores não possuem rosto, não podem ser apropriadas por quem quer que seja. Vão muito para além da política de contestação governamental e elevam os seus protestos contra as medidas ultimamente implementadas, mas também contra todos os políticos e forças partidárias. Basta, para justificar tal, recordarmo-nos dos muitos cartazes que diziam “abaixo os partidos”, “estamos fartos dos políticos: são todos uns ladrões”, “os políticos são todos a mesma m.., pois querem é tacho”, “os políticos querem é poleiro e quando lá se encontram rapidamente esquecem as promessas”, entre tantos outros “mimos”.

Ora, os políticos a que tais cartazes aludiam não se referiam apenas aos que exercem funções governamentais. Por isso, sem querer coartar quaisquer direitos, é lamentável observar dirigentes do PC e do BE, para além de, infelizmente, integrarem aquelas, lerem, de modo enviesado, algumas das justas reivindicações aí expressas. Mas pior, bem pior, é o PS, a quem, maioritariamente, cabe a culpa do estado a que chegámos, e principal subscritor do acordo com a troika, a participar activamente e a manifestar, hipocritamente, regozijo pelas mesmas, indo ao cúmulo de alguns proeminentes dos seus membros, aliás bem instalados na vida, e que ainda há poucos meses afirmavam, alto e em bom som, que não se deve governar ao som da rua. Só para citar um exemplo, esqueceram-se - muito rapidamente, como é óbvio - das mega-manifestações dos professores e a desvalorização que promoveram sobre as mesmas. Há políticos sem vergonha e, particularmente, com a memória curta.

Faço um parêntesis para citar Vital Moreira, eurodeputado do PS, insuspeito de simpatias pelo actual governo que afirma «nenhuma democracia pode assentar nos "referendos de rua", para revogar as decisões políticas do governo em funções».

Já agora e, apesar das minhas limitações enquanto agente cívico, adianto um repto: atrevam-se os partidos da esquerda e da extrema-esquerda, bem como as forças sindicais, por muito representativas que, eventualmente, possam ser, a convocar manifestações e vejam se, em algum momento, possuem a envergadura daquelas que ocorreram, principalmente em Lisboa, no p.p. dia 15.

Permitam-me um outro plangor. Como é deveras triste ver professores, ou pseudo-professores, ainda que em escassíssimo número, é certo, a exibir cartazes e a gritar em altos brados, em qualquer visita de um membro do governo, palavras de ordem do género “ladrões” e “gatunos”. É assim que se dignifica uma classe? Alguma vez viram médicos, juízes ou outros profissionais, a quem, muitas vezes, achamos que devemos estar equiparados, a procederem deste modo? Que exemplo damos aos nossos alunos? E queixamo-nos de que, cada vez mais, estes nos têm menos respeito? Pudera, com modelos destes!

Que não se concorde ideologicamente com a condução governativa do país é uma coisa. Daí a legitimidade à manifestação e à indignação. Outra coisa, totalmente diferente e, por isso, inaceitável, é a má educação, a prova evidente da ausência de urbanidade e, acima de tudo, o que só agrava o mau-estar, pensar que se pode vencer na rua o que se perdeu nas mesas de voto.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:51
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Setembro 19 2012

 “Os homens, com auxílio das convenções, têm resolvido tudo com facilidade, mas é claro que precisamos de ater-nos ao difícil”. Esta frase do poeta alemão do século passado Rainer Maria Rilke é sintomática e caracteriza muito bem toda a situação que nas últimas décadas vivemos e o ponto a que chegámos.

A estratégia, salvo raríssimas excepções, foi sempre o de responder aos pedidos, i.e., numa atitude reativa, sem passar para além do solicitado e muito menos do imediato. As soluções encontradas partiram, quase constantemente, de interpretações - ainda por cima maioritariamente subjectivas - da menor complexidade de gestão possível.

É por demais sabido que a navegação à vista, do género “quem vier atrás que feche a porta”, fez com que se construísse um edifício legislativo, monstruoso, sem interligações e, pior que isso, contraditório, por onde os grandes escritórios de advogados conseguem descortinar “buracos” e, deste modo, contornar a Lei. Faz-nos lembrar a construção de uma casa em que não existe intercomunicação entre a sala, cozinha, quartos e zonas de lazer, obrigando apanhar sol, chuva ou neve sempre que se quer ir de uma divisão para a outra.

Assim, não nos admira o surgimento, qual nascimento de cogumelos em pleno Inverno, de PPPs, Face Oculta, Portucale, Relvas/”Lusíada” e as suas equivalências e tantos e tantos outros desmandos, os quais acabam sempre por se escudar com a própria lei que, à priori, lhes vedava tal.

Por isso, nos dias que correm, não perceber que um país saudável é possuir uma série de gente a remar para o mesmo lado, não permitindo que o desregramento e as tropelias continuem, é muito grave e deveras lamentável.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:37
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Setembro 18 2012

Vestido de vermelho Coca-Cola, ou com outros paramentos igualmente encarnados, S. Nicolau que, por alturas do Natal, se apresenta sob o pseudónimo de Pai Natal, necessita, este ano, de vir mais cedo. E, apesar do tempo quente, fazendo esquecer que o Verão, em termos de calendário, está a terminar, atrevo-me a dizer que necessita de vir já.

Na situação sociopolítica tão conturbada como é a que presentemente vivemos, a noite de 24 para 25 de Dezembro tem que ser antecipada, e a distribuição de prendas pelos sapatinhos estrategicamente colocados ou não nas chaminés tem que se iniciar de imediato. A começar pelos nossos governantes.

A prenda, cujo valor material é irrelevante, é essencial no que concerne ao bom senso e é igualmente consensual no que toca à sua necessidade, havendo, quanto muito, apenas divergências quanto ao alcance das opções a escolher nesta matéria. Isto porque há quem nunca tenha aprendido nada com as lições da História e queira, sobretudo, ficar pelas meias-tintas, mudando sem mudar nada, na ilusão de supostos bons resultados com a dispensa de qualquer austeridade. Por isso, há que não cair na tentação do imediato, ver um pouco mais longe e perceber que, às vezes, é preciso primeiro dar um passo atrás para posteriormente avançar dois.

Assim, o Pai Natal, sem quaisquer interferências de pseudo-pais, armados em salvadores da pátria, deve urgentemente distribuir a melhor oferenda (sapiência, diálogo e, fundamentalmente, explanação detalhada das medidas) por quem, presentemente, mais necessita – leia-se dirigentes -, certo que se a entrega estiver a cargo dos CTT, com a descida da TSU, terá um preço reduzido. Dizemos nós, que andamos com os nervos à flor da pele!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:12
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Setembro 17 2012

Todos sabemos que para um casamento dar certo não é obrigatório que haja amor. Sem menosprezar este importante sentimento, é, antes de mais, necessário que haja entendimento sobre as causas fundamentais e, sobretudo, que prevaleça uma comunicação atempada e de forma constante.

É do conhecimento geral que as condições de vida em Portugal alteraram-se radicalmente e, sem dúvida, os portugueses têm acompanhado essa mudança, ajustando os seus objectivos à realidade vigente. Por outro lado, as caraterísticas-chave que devem caracterizar uma sociedade, a viver uma gravíssima crise económica, isto é, a flexibilidade e a resiliência, têm sido exercidas de forma exemplar pelos portugueses.

Ora, se a maioria dos governados desempenharam e continuam a desempenhar de forma tão digna o seu papel, não podemos, de forma alguma, deixar que os dirigentes máximos, que mais responsabilidades têm, não exerçam o seu múnus de modo menos edificante.

Vir para a praça pública afirmar não concordar com o parceiro, após ter dado, em privado, o sim, numa tentativa de passar incólume por entre os pingos da chuva, como foi o caso de Paulo Portas, não dignifica os políticos e faz perigar, de forma desmesurada, a já ténue confiança que temos nos políticos, sejam eles do partido A, B, C ou D. Agora, para terminar com o pagode instalado, só faltava que o PSD respondesse taco a taco ao seu “cônjuge” de governação. Haja alguém que demonstre sentido de Estado. Com isto não esqueço que Pedro Passos Coelho não esteve bem ao tentar encurralar Paulo Portas. Bem pelo contrário, pois pensou tosquiar e acabou por sair quase sem pele própria.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:30
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Setembro 15 2012

É verdade que o mais natural era falar da crise, seja ela política, social ou económica. Todavia, para quê acrescentar mais lenha à fogueira? Tudo o que poderia escrever já foi dito e, sem falsa modéstia, bem melhor do que o poderia fazer.

Não, não escreverei sobre o que nos assalta e perturba a todo o momento. Não querendo, de modo algum, plagiar quem quer que seja, atrevo-me a dizer que, apesar de tudo, também existe vida para além da crise.

Assim, a um belo final de tarde juntou-se, quanto bastou, um mix de paisagens deslumbrantes e um excelente cabrito no forno, acompanhado de um bom vinho branco fresco com propriedades revigorantes. A receita não podia ser mais indicada para cuidar do corpo e do espírito.

Nos dias que correm, poucas atitudes se mostram tão eficazes a transportar quem nos acompanha para verdadeiros cenários idílicos, onde o relaxe tem sentido obrigatório, quanto uma bela refeição ao pôr-do-sol. Com uma longa tradição, mas com um rasto em cujo encalço se pode seguir até tempos imemoriais, a versão actual da melhor gastronomia mostra que a fonte de vida é fonte de qualidade.

E, embora tenha sido um sucesso, a receita não é nova. Desde a pré-história que a humanidade despertou para a importância da gastronomia, a qual, durante séculos, foi considerada sagrada. Aliás, não é por acaso que os gregos cultivaram essa crença e os romanos fizeram dela uma verdadeira escola, descontando, como é óbvio, os exageros, os quais, tal como as excepções, confirmam a regra.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:46
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Setembro 11 2012

Há um velho ditado que diz: “não tem aumento quem quer, mas quem merece”. Todavia, depois de novas medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro na passada sexta-feira, hoje o ministro das finanças veio afirmar que, afinal, também para 2013 se vão registar outras subidas no IRS, bem como no imposto de capitais e na TSU. É caso para dizer que não tem mais carestia de vida quem merece mas o contrário, i.e., os que menos têm serão aqueles que continuarão a sentir maiores dificuldades. Isto é quase como a história do Robin dos Bosques mas contada ao contrário.

Assim, é fundamental preparamo-nos para não pedir aumentos de ordenado, mas unicamente negociar a não existência de novas taxas, contribuições, deduções ou outra coisa qualquer, sabendo que não passam de eufemismos, pois não significam outra coisa que não seja aumento de impostos.

A primeira regra é olhar para os nossos pares ou para quem mais de perto nos rodeia e perceber como é que alguns deles pagam tão poucos impostos. Depois devemo-nos perguntar se podemos ou não mudar de profissão, já que está provado que, por exemplo, as profissões liberais estão isentas destes novos esforços que estão a ser pedidos aos portugueses.

E se não quiser ver o seu ordenado diminuir mensalmente terá que fazer um excelente marketing pessoal e evitar utilizar argumentos como a assiduidade ou a pontualidade, pois começa-se a acreditar que “quanto mais se trabalha, mais trabalhado se está”.

Bem sei que a culpa maior já vem de há muitas décadas e, pior que isso, não existem outras alternativas credíveis. Contudo, como em tudo na vida, existem limites e estes estão claramente a ser ultrapassados. E como dizia, o outro dia, um amigo meu: “é preferível matarem-nos de imediato do que este agoniar tão longo”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:09
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