O meu ponto de vista

Maio 10 2012

Conta-se que foi para poder ver o nascer do Sol sem ter de se levantar da cama, na sua casa de Port Lligat, que Salvador Dali (1904-1989) terá inventado um jogo de espelhos.

Eu, com toda a franqueza, não almejo que em cada casa haja um jogo de espelhos. Bastava-me que existisse apenas um e que se não todas as pessoas, pelo menos a maioria, se olhasse ao espelho uma vez por dia. Não para fazer jus, através de um narcisismo exacerbado, às derivas e delírios de um surrealismo absurdo, mas para que se enxergassem minimamente e pudessem, deste modo, chegar à conclusão de que “do pó vieram e ao pó retornarão” (Génesis, 3:19).

O viver com défice relativamente ao ditado que diz “não faças aos outros o que não queres que te façam” é pouco aprazível. O tom fica demasiado carregado, parecendo, muitas vezes, que as porta e as janelas se encontram sempre cerradas. A optimização fica diminuída, o esquema funcional que, à priori, se quer simples, torna-se complicado e de modo algum responde às necessidades sentidas, chegando, inclusive, a não enquadrar novas soluções em que todos os elementos não tenham um carácter excepcional.

Álvaro Cunhal, em 2002, escreveu “Um partido com paredes de vidro”, no qual tentava, denodadamente, demonstrar que o PCP nada tinha a esconder, pois tudo era claro e cristalino como a mais pura das águas. Como é do conhecimento geral, apenas convenceu os já, há muito, convencidos, i.e., os convertidos à ortodoxia.

Aproveitando a ideia, e tentando fazendo alguma verosimilitude com o título daquela obra, não aspiro que as pessoas sejam inteiramente de vidro, onde nada possam esconder. Bem sei que coisas existem que nem às paredes se confessam. Contudo, há que colocar a tónica na energia pulsante que vem da confiança mútua, onde a máxima imperturbabilidade deve ser preservada. O recordar constante de reminiscências sem qualidade expressa bem a dualidade de conceitos que anteriormente aludi, originando a sensação de que a questão principal já não é como acabar a obra, mas como segurar as paredes entretanto edificadas.

Acredito, no entanto, que a (re)construção também se faz após o derrube de muros obsoletos e do (re)erguer de novas fundações. Por isso, não é de admirar que o sol tenha brilhado ontem e hoje, e amanhã ainda há-de brilhar mais. Isto sem olvidar que é muito natural que um dia destes volte a chover!

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:21
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Maio 10 2012

Não há ninguém que não diga que não prefere trabalhar com os melhores. Ora, se assim é, tal premissa permite-nos acreditar que a nossa missão deverá ser suficientemente inspiradora para atrair os mais bem preparados, não estando dispostos a perder tempo com equipas secundárias.

Uma pessoa que procura verdadeiramente estimular a inovação deve, obrigatoriamente, conseguir retirar o melhor desta perspectiva e aplicar isso ao seu contexto diário. E deve também, em igual escala, ter consciência de que caminhar sem direcção definida e sem um objectivo concreto acaba por se dispersar e não produzir qualquer resultado.

Fomentar uma mentalidade aberta e esclarecida em todos os campos da nossa actividade, seja no trabalho ou no lazer, é um desafio complexo, mas existem formas de vencer esta batalha e espicaçar entre os que nos rodeiam o gosto pelo risco e pela capacidade de concretização.

Uma das primeiras regras é não hesitar em colocar a fasquia o mais elevada possível para as nossas ambições, mesmo que isso implique que a maioria seja eliminada com o decorrer do tempo. Bem sei que, para muitas pessoas, pode ser perigoso incentivar o apetite por novas ideias e projectos alternativos sem tentarem perceber, à partida, qual a sua génese. Os especialistas, porém, não têm dúvidas: fomentar a criatividade dentro e fora de nós implica a capacidade de absorver ideias “novas”, mesmo que estas tenham sido maturadas por outros, ressalvando, como é óbvio, o efeito de plágio.

Saber aproveitar os recursos existentes, a nossa experiência e relacionamentos para gerar valor é outra forma de alcançar uma postura inovadora. Optar por situações em que sabemos ter vantagem competitiva perante os outros é uma regra base. E jamais esquecer que falhar é sempre melhor do que ficar parado é outro preceito, talvez mais importante que aquele.

publicado por Hernani de J. Pereira às 00:47
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Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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