O meu ponto de vista

Abril 30 2012

Os que estudaram sabem que depois da morte de Júlio César, no ano 44 a.C., o Império Romano encontrava-se minado pela instabilidade política e o caos era a palavra de ordem. Foi apenas com a chegada de um verdadeiro homem de Estado, Octaviano Augusto de seu nome, que a situação se inverteu, levando à refundação de Roma, entendida aqui no sentido mais lato.

Octaviano, como se sabe, formou um governo de ordem, reformou a administração e, sobretudo, saneou as finanças do Estado. É o seu governo de austeridade e fortemente hierarquizado que assegura a prosperidade do Império durante séculos.

A instabilidade política acarreta sérias consequências para a economia de um país, prejudicando, como é óbvio, o seu crescimento. Aliás, não é por acaso que o uso e o abuso daquilo que se costuma designar por política de terra queimada e do quanto pior melhor é tão querido aos políticos (radicais) da esquerda pura e da extrema-esquerda, e daí a criação de permanente agitação política e a fomentação de manifestações por tudo e por nada.

Assim, não é de estranhar a ânsia que, por vezes, se torna excessiva, por vermos instalado em S. Bento um estadista que reponha a ordem e a disciplina, qual Octaviano Augusto II. Ora, manda a verdade dizer que temos de acreditar, apesar das dúvidas já manifestadas, na existência, ainda hoje em Portugal, de políticos capazes de estar à altura do colossal desafio que temos pela frente.

A História diz-nos que nas alturas adequadas sempre assim aconteceu. O que sucedeu, na antiga Roma, demonstrou que, das cinzas provocadas pela instabilidade, foi possível construir um governo estável e, por consequência, obter uma economia forte.

Por isso, nunca é demais lembrar que Portugal necessita de pessoas responsáveis, que tenham sentido de Estado e que coloquem o bem do país à frente de interesses pessoais e aspirações políticas ou partidárias.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:11
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Abril 29 2012

Apesar do tempo chuvoso e do ar soturno que estes últimos dias nos têm brindado, hoje o céu adquiriu uma nova tonalidade, isto é, ficou mais azul.

 

Campeão, campeeão, campeeeão, campeeeeão

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:35
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Abril 27 2012

O mundo ainda não é um lugar perfeito e duvido que alguma vez o venha a ser. Um dos exemplos deste facto é que existe uma parte significativa dentro de nós que quer ser uno e só, um ser individual no pleno gozo de todas as regalias e mordomias, ou seja, achando que tem, inegavelmente, direito ao amor e à felicidade, partilhando, quanto muito, umas míseras migalhas com o outro, sem jamais renunciar aos seus desejos e anseios.

E porquê? Porque as pessoas não conseguem antecipar as suas necessidades futuras, para além de não terem consciência de que estas são, cada vez mais, imprevisíveis. Por outro lado, o estabelecimento de laços afectivos não está exclusivamente relacionado com a potenciação dos mesmos, mas sim na forma como dia após dia, semana após semana, mês após mês e ano após ano se mantêm.

Se nas relações laborais existe a figura de contratação temporária, o mesmo não se pode aplicar às relações entre dois seres. Estrategicamente tal faria aumentar substancialmente o custo afectivo e jamais reduziria, bem pelo contrário, a organização dos atritos.

Não é sustentável obrigar alguém a manter um vínculo sem termo, se o outro alterar o seu comportamento, o seu modo de ser e estar do dia apara a noite. Perante este desafio, surge, por vezes, o dilema da flexibilidade. Este, porém, resulta do modo como a maioria das pessoas encara as suas relações, isto é, a existência de picos e quebras, ou, dito de outro modo, a subsistência de altos e baixos. Todavia, esta eventual hesitação não pode durar toda a vida. Há um momento em que é absolutamente necessário dizer basta!

Coordenar entre pessoas distintas os ditames necessários para uma conjugação mútua de esforços, é, sem dúvida, um primeiro passo para o começo da mudança da própria mentalidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:45
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Abril 26 2012

Não deixamos os nossos filhos ir ou vir sozinhos da escola com receio de serem assaltados ou vítima de algum pedófilo e, assim, não admira tudo fazermos para, de carro, pois claro (!), os irmos levar e buscar à escola. É só observar o número de carros que, à porta das escolas – no sentido literal do termo –, pela manhã “descarregam” e à tarde esperam pelos alunos.

Por outro lado, muito menos nos lembramos de os enviar ao supermercado da esquina, a fim de comprar um simples quilo de arroz, pois é um perigo terem de atravessar, sem a nossa ajuda, a rua em frente de casa.

De igual modo, jamais nos passa pela cabeça pedirmos-lhes, por exemplo, que vão aos CTT, registar esta carta ou levantar aquela encomenda, pois estamos sempre receosos de que alguém os rapte ou lhes faça mal.

Todavia, não temos qualquer pejo em os deixarmos, desde tenra idade, ir à discoteca e, mais tarde, permitirmos a sua ida a todos ou quase todos os festivais de Verão ou a Loret del Mar, dure o evento três dias ou uma semana.

Superprotegemos os nossos filhos, não os preparamos para a vida, deixando que cresçam autonomamente e responsavelmente, como é óbvio, e depois admiramo-nos com os acontecimentos que, ano após ano, sucedem nesta estância balnear espanhola, como foi o caso desta última Páscoa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:53
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Abril 25 2012

Como é do conhecimento geral a minha formação de base não é História, nem é Ciências Sociais e, muito menos, é Política. Todavia, não é necessário ser um expert em História ou em Política para perceber que o estado a que Estado chegou não só era, há muito, previsível, como o prognóstico do que ainda está para vir não está somente nas mãos dos advinhos. Nós bem o sabemos.

Há uns meses foi feita uma sondagem sobre algumas temáticas. Não querendo, por não ser este o lugar adequado para tal, alongar-me em grandes considerações, saltou-me porém, à vista que a maioria das pessoas tinha plena consciência que o actual e os próximos dois ou três anos iriam ser muito difíceis, uma vez que tinham de ser tomadas várias medidas de austeridade, sem as quais não poderíamos sair do “buraco” em que estamos atolados. Afinal, resumindo, o povo não é parvo e sabe muito o que quer.

Por outro lado, estou cansado de ratings, da troyka e dos que de manhã são políticos e à tarde são comentadores, não fazendo mais que dizer o óbvio. Todavia, começo a não ter paciência mesmo é para os políticos profissionais, quais vendedores de banha de cobra, principalmente das suas picardias de adolescentes, apontando constantemente baterias uns aos outros, como se qualquer um deles estivesse isento de culpa – as escassíssimas excepções só confirmam a regra.

Ninguém possui a poção mágica para salvar o país. Acredito que umas soluções são bem melhores que outras, mas nenhuma é milagrosa. O certo é que a sede de poder cega a visão da realidade e nos galhardetes que trocam pouca ou nenhuma informação relevante existe. Por exemplo, a instabilidade política que se viveu nos últimos meses do consulado de Sócrates não foi causa, foi, antes, consequência de uma forma desaconselhável e inadequada de estar e fazer política.

Lógico que a economia não fica incólume a este mal-estar. A falta de investimento, a legislação laboral obsoleta que gera precaridade e desemprego, o laxismo e o facilitismo, a desenvergonhice de quem acumula grandes pensões com altíssimos vencimentos, aí estão a prová-lo.

Acredito em Passos Coelho como homem bem-intencionado e que, apesar das contradições, tem condições para fazer qualquer coisa que os nossos filhos possam usufruir. Não leio a Bíblia todos os dias, mas também não sou completamente leigo na matéria e um dia destes, num dos Evangelhos, Jesus afirmava “Todo o reino dividido contra si mesmo, acaba em ruínas e cairá casa sobre casa”. E, olhem, Ele diz a verdade!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:25
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Abril 24 2012

Comemora-se, amanhã, o 38º aniversário da Revolução dos Cravos, evento que, há semelhança de muitos outros, vivi de uma forma plena. E, parafraseando a letra de uma canção, também posso dizer que “foi bonita a festa, pá”. Na verdade, foram tempos extraordinários de alegria, de análise, de discussão e de aprendizagem democrática, tal como, igualmente, foi um período de muito temor pela deriva que os militares, afectos ao PCP e seus satélites, tentaram levar o país. Basta lembrarmo-nos do PREC para imaginarmos que, hoje, podíamos ser a Cuba da Europa.

Por isso, não é de admirar, bem pelo contrário, dizer, alto e em bom som, que os militares de Abril foram e continuam a ser dignos da nossa admiração. Contudo, não nos podemos esquecer que, simultaneamente, também muito mal fizeram ao país. As nacionalizações, o estabelecimento de uma Constituição que aponta para o socialismo (!!!), o coartar do desenvolvimento da sociedade civil, principalmente através do Conselho de Revolução, foram factores nefastos ao país, cuja factura, presentemente, ainda pagamos.

Manda a verdade dizer que a maior parte das comemorações do 25 de Abril que, ano após ano, se realizam, há muito deixaram de fazer sentido. Quem é que ao ver na TV a cerimónia transmitida, em directo, da AR não muda de canal? Quem é que, por este país fora, ainda tem “pachorra” para integrar manifestações de apoio? Só os saudosistas de uma opção que o povo, nas urnas, por meio do seu livre voto, sempre rejeitou.

Por isso, a polémica de que a Associação 25 de Abril, Mário Soares e Manuel Alegre não se associarão, amanhã, às comemorações oficiais, é uma claríssima falsa questão. É o demonstrar, antes de mais, de uma preponderância que não têm, um colocar-se em bicos de pés que, denota, falta de formação cívica e pouco respeito pela livre escolha dos portugueses.

Aliás, apenas o povo é dono do 25 de Abril e, nesta ordem de ideias, aqueles fazem lá tanta falta como a viola num enterro. Então, a argumentação para justificar a sua ausência, principalmente a de Mário Soares, é de bradar aos céus. Diz este que “o actual governo está a dar cabo do estado social e, por isso, não representa os ideais de Abril”. Sinceramente, é ocasião oportuna para dizermos que pessoas existem que não se enxergam, para além de pensarem que possuem o rei na barriga. Se existe político que deu cabo do estado social, por meio do aumento da dívida pública, de um despesismo atroz, de uma política job for the boys, foi Mário Soares. Bem os seus compagnon de route não lhe ficaram atrás e, nessa ordem de ideias, ajudaram à festa. Ou pensa que nós já nos esquecemos das inúmeras viagens que fez enquanto presidente da república, onde até às Seychelles foi – bem, não admira, pois é um lugar de forte emigração portuguesa (!) -, do caso Emaudio, da corrupção de Macau, da Fundação Mário Soares, dos bens públicos que ainda, hoje-em-dia, continua a usufruir, bem como tantos e tantos outros casos gravíssimos?

Ou será que alguém tem dúvidas que se estamos a atravessar uma tão grave crise económica, a maior parte da responsabilidade cabe aos socialistas? Não nos esquecemos que nos últimos quinze anos, os socialistas nos governaram durante treze. Por outro lado, não foi Mário Soares que, por duas vezes, solicitou a intervenção do FMI, cortando salários e subsídios? Não foi nos consulados de Mário Soares que o então Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, se revoltou, afirmando que o povo passava fome e vivia em condições miseráveis, tendo, por isso, sido apelidado de bispo vermelho?

Não há dúvidas que existem pessoas que têm a memória curta.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:20
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Abril 23 2012

Que a chuva faz muita falta ao país é um dado inquestionável. E que por muito que chova -  não tem sido o caso - partes do país existem que, em termos agrícolas, florestais e sílvicas, já não se conseguem salvar, é algo fora de discussão.

Agora, também é indiscutível que, em finais de Abril, com este tempo que, de manhã à noite, se apresenta soturno, em que a cor do céu é constantemente plúmbea, nos deixa ainda mais constrangidos lá isso é verdade. Caramba, já não chegava a crise?

Quando nos apetecia, e era lógico que assim fosse, vestir roupa mais leve, passear por parques e jardins – e por que não também à beira-mar? -, apreciar o chilrear dos passáros, o desabrochar da Natureza, nas suas mil e uma cores, deleitarmo-nos com os primeiros piqueniques, eis que vem chuva e frio, obrigando-nos novamente a tirar, do armário, os sobretudos e os pesados casacos. E a lareira que, obrigatoriamente, se acende quase o dia inteiro!

Que saudades do bombardeamento de várias cores que, há uns anos, por esta época, éramos submetidos, como que por conspiração do Universo a alegria da renovação pessoal se estendia às ruas, mas a que as montras, as revistas, os catálogos, e até a net, não ficavam indiferentes.

Será que todos os designers celestiais, por coincidência, se lembraram de, simultaneamente, explorar, neste momento, a mesma tonalidade ou não sendo propriamente um acaso acaba por ser uma conspiração da ala criativa?

Num ano em que tanto se fala em crise, défice, FMI e planos de reestruturação económica … este tempo não podia ser o menos apropriado. Quanto muito pode ter algo de providencial!

Sinceramente, o que está a faltar são cores alegres, de modo a sonharmos e transmitirmos confiança, elevando o espírito e camuflando as dores. Necessitamos, urgentemente, de algo cativante e estimulante de modo a pôr a adrenalina a mexer, evitando, desta forma, mais momentos de melancolia.

Sou dos que acredita que posso tornar a vida mais feliz, simplesmente, mudando-lhe a cor.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:05
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Abril 20 2012

Por muito que nos custe, temos que nos entender. Todos os dias ouço e faço, a mim mesmo, as mesmas perguntas: o enormíssimo sacrifício que estamos a fazer surtirá efeito? Valerá a pena tanto suor e, sobretudo, tantas renúncias?

A estas questões e outras semelhantes começo a ficar sem resposta, apesar de ser, por natureza, optimista. As pessoas não são cegas e observam que são sempre os mesmos – estava muito longe de pensar que um dia usaria esta frase – a pagar a crise, que os poderes instalados não desgrudam dos respectivos lugares, aliás há muito ocupados, que os “grandes” continuam a vencer ordenados indecorosos e ainda têm a lábia de se justificarem, conseguindo – será por não terem vergonha ou acharem que somos todos parvos? - argumentos para se defenderem, e, para cúmulo dos cúmulos, até começo a ouvir aquela velha ladainha de que “muda-se de moleiro mas não se muda de ladrão”.

Por isso, face a tantas penitências – quase diria trabalhos forçados (!) - começo por indagar ao governo, o qual ajudei, convictamente, a eleger e que continuo a apoiar, o seguinte:

  • Pode um carro circular nas estradas portuguesas em apenas duas rodas? E os motociclos em apenas uma?
  • Será aceitável que um homem faça a barba apenas numa das faces, isto é, se apresente bem escanhoado do lado direito e barbudo do esquerdo? Isto sem querer dar a esta frase qualquer conotação ideológica.
  • Será curial, num restaurante, pedirmos uma garrafa de vinho e servirem-nos apenas meia, apesar de pagarmos pela totalidade?
  • E podíamos andar com um pé calçado e outro descalço?
  • Já agora, sabendo que o futebol continua a ser rei e senhor neste rectângulo à beira-mar plantado, os jogos poderiam apenas durar quarenta e cinco minutos?

É mais que óbvio que, a estas e a muitas outras questões, só uma resposta é plausível: NÃO!

Então, por saber que a resposta é negativa, e tentando fazer, deste modo, alguma similitude, é que começo também a duvidar de que com tantos cortes nos ordenados, extinção de subsídios, aumento de impostos e crescente desemprego possamos continuar a sobreviver. Uma vez que viver, para a maioria, já é impossível.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:16
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Abril 19 2012

Cada vez mais, infelizmente, me convenço que tal como na história de “O Rei vai nu”, também em Portugal existem evidências de algumas idiossincrasias, sobretudo a nível da aplicação da lei, que ninguém vê ou, melhor, ver até vêm, preferem é dizer que não vislumbram o que quer que seja.

Já muito se escreveu sobre o programa imposto pela troyka para a reabilitação do infortúnio português. Todavia, por muito que se continue a escrutinar e discorrer sobre tal, jamais alguém vislumbrará nada que, sem a vontade e a inteligência lusa, permita aliviar o negro cenário económico que nos ensombra.

Como é do conhecimento geral, o programa é de recuperação financeira, i.e., serve essencialmente para podermos pagar a enorme dívida contraída durante décadas e décadas de quase puro laxismo e despesismo desmesurado. Ora, essa responsabilidade é nossa e devemos assumi-la por inteiro, honrando, deste modo, a memória dos nossos antepassados.

Contudo, não haverá troykas governamentais, sindicais, associativas, legislativas ou outras quaisquer, que nos possam valer se nós não mudarmos, nomeadamente a nível do trabalho, ou seja, aquele factor que impele uma maior dinâmica à economia e ao desenvolvimento do país. E modificarmo-nos a nível do trabalho não significa, de modo algum, estar mais horas no local de trabalho, mas sim sermos mais eficazes e eficientes, aumentando, assim, a produtividade e, com isso, diminuindo o custo da mão-de-obra, o qual, como se sabe, é a circunstância que mais pesa no preço final do produto ou serviço.

Por outro lado, de uma coisa todos poderemos ter a certeza: jamais existirá troyka que possa substituir os portugueses, uma vez que somos nós que necessitamos de agarrar, nas mãos, o destino e assim construir a nossa futura história. Sempre assim foi e há-de ser. A não ser que queiramos a extinção!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:07
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Abril 18 2012

Num contexto como o que presentemente vivemos, não é, de modo algum, possível que as pequenas e médias empresas, i.e., aquelas que empregam a maioria dos trabalhadores deste país, continuem confrontadas com crescentes dificuldades no acesso ao crédito e com a exigência excessiva de garantias por parte da banca.

A banca é crucial para o financiamento da actividade económica e, por isso, há que assegurar que cumpra o papel que lhe compete no quadro de uma economia de mercado. Infelizmente, continuamos a constatar que os apoios que lhes são assegurados por parte do Estado não são transpostos, como aliás deveriam ser, para a economia, verificando-se, sim, o sucessivo agravamento das restrições e dificuldades de crédito. Por outro lado, é muito comum ser a própria banca a exigir alterações às condições de empréstimo em vigor, impondo, unilateral e injustificadamente, a prestação de novas garantias e o pagamento de spreads mais elevados.

Como dizia, outro dia, um pequeno empresário e meu amigo, “não podemos continuar a assistir ao incremento da capitalização dos bancos à custa do empobrecimento das empresas”.

Em tempos não muito distantes, o comendador Berardo, como é sabido, nessa altura muito próximo de Sócrates, usou e abusou de enormíssimos empréstimos da CGD para, numa guerra fratricida, se apoderar do BCP, dando como garantia as acções que ia comprar. Como é público, no momento da aquisição, estas valiam cerca de quatro euros cada. Agora, face à crise internacional e, sobretudo, aos fortes investimentos que este banco, em mau momento, fez na Grécia (!!!), valem cerca de quinze cêntimos ou nem isso. Imaginam quem ficou com o problema nas mãos? Se pensam que foi o Senhor Comendador estão bem enganados.

Contudo, para a CGD, a maior instituição bancária portuguesa e tutelada pelo Estado, ou seja, cujos administradores são nomeados pelo Governo, não chega ter errado - e de que monta(!) - uma vez, pois prepara-se, se é que já o não fez, para emprestar mais umas centenas de milhões de euros ao Sr. Américo Amorim, o tal que, despudoradamente, em tempos se afirmou trabalhador como outro qualquer e que anda de braço dado com toda a fina flor da nata financeira angolana – leia-se Isabel dos Santos e quejandos (enquanto o povo morre de fome) -, com o único fim de este adquirir uma posição maioritária na Brisa. Estou mesmo a ver que as garantias serão as mesmas do outro senhor e, daqui a uns anos, o final da história há-de ser igual.

Como é óbvio, não sendo o dinheiro elástico, indo para um lado não vai para o outro. E, depois, admiramo-nos do nível de desemprego? Então, se uma empresa necessita de dinheiro para comprar matéria-prima para produzir os seus produtos e a banco lho nega, como podemos querer que não feche e não coloque os respectivos trabalhadores na “rua”?

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:12
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Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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