O meu ponto de vista

Dezembro 09 2011

Nestes dias em que as horas que o sol brilha são sempre poucas, é encantador ter oportunidade para apreciar o quanto de belo temos ao nosso redor. E a verdade é que vivemos rodeados de cor e praticamente quase toda a aprendizagem da sua coordenação e equilíbrio tem-nos sido dada pela Natureza. Basta observá-la.

Tomemos como exemplo as quatro estações do ano, apesar de cada vez mais nos aproximarmos de um tempo em que existirão apenas duas, como praticamente já sucedeu neste ano.

No Inverno, com as suas cores contrastantes de brancos, cinzas escuros, negros e castanhos escuros, observamos que todas estas se encontram dentro de uma mesma intensidade de nível cromático. Já na Primavera, o verde desta estação está em equilíbrio com as outras cores, sobretudo com os amarelos e/ou com os azuis, todas elas dentro do mesmo nível de composição, fazendo-nos recordar a música de Verdi. Comparando com o Verão verificamos que o verde já está num nível cromático mais suave, menos carregado, em equilíbrio com as outras cores - o vermelho das papoilas é paradigmático. Por fim, o Outono sugere-nos cores amadurecidas, diferentes em tonalidades, mas equilibradas nos níveis ou valores dispersantes.

 

P.S. - Os maquinistas da CP - empresa pública que dá cerca de 300 milhões de euros de prejuízo por ano - vão fazer greve nos dias 23, 24 e 25 deste mês, no dia 1 de Janeiro. Pudera, por acordo de empresa os dias de greve não são descontados. Assim, é fácil tirar umas “férias” natalícias. Pouca vergonha!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:23
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Dezembro 08 2011

A frieza do cumprimento inicial foi contrariada pela calidez e nobreza do tratamento. Qualquer coisa aconteceu, pouco usual é certo, mas bastante generosa para quebrar tal gelo. Uma desvantagem contrapunha-se, todavia, a todas as outras: faltava-lhes algo do género je ne sais quoi.

Para responder aos requisitos e dotar-se de uma contemporaneidade que a enaltecesse, Francisco começou por abolir as “paredes”, fazendo daquele encontro um quase open space. Se antes, a compartimentação era evidente, neste dia as coisas seriam diferentes, assegurou ele para si mesmo.

Depois de se sentarem, a conversa fluiu. O desmontar de falsos diálogos veio reforçar a transparência e a seriedade de intenções. Bem, o restaurante escolhido, depois de consultados vários amigos, também ajudou: o Mariunus, foi, nas palavras dela, a escolha ideal e sinal de muito bom gosto. Localizado privilegiadamente sobre a baía de Mormente, onde a luz natural era entrecortada por enganadores reposteiros, sobressaía o aspecto meio adocicado da decoração, realçada por boiseries em madeira e pavimento em carvalho. Nas paredes esculturas em mármore contrastando a excessiva extensão da madeira.

Não obstante, as palavras se terem soltado e o riso ser uma realidade – quando Daniela se ria surgiam-lhe duas ligeiras covas no rosto aumentando-lhe, deste modo, a beleza - a tonalidade da sua pele, lembrando o branco thassus, os seus seios bem torneados, os quais, através de uma camisa meio aberta, se podiam descortinar, incrustando o seu efeito de forma contínua e, sobretudo, menos adequada, os seus olhos verde-esmeralda, onde se podia ver o fundo do mar, a sua boca bem desenhada e realçada pelo vermelho carmim, fê-lo, por vezes, perder o fio à meada. Bem se desculpava para si próprio, dizendo que um homem não é de ferro e existem tentações que … são irresistíveis.

Sim, eu sei, que esta última referência é prosaica em termos de registo. Mas, caramba, a verdade deve estar acima das convenções.

De assunto em assunto, fechando uma porta aqui, abrindo uma janela acolá, acabaram por construir “escadas, cuja espiral os levou, em boa verdade, a circulações superiores. O glamour acentuou-se e o convite para beber um copo no Ik Kina, o bar da moda de Mormente, situado junto da marina, surgiu naturalmente.

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 00:22
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Dezembro 06 2011

A urgência e a importância da reabilitação da política justificam plenamente o aparecimento de novos valores, sobretudo, gente nova, vocacionada para esta forma de intervenção na sociedade.

Pessoas que, para além da juventude, tenham inclusivamente, uma efectiva caução de seriedade e uma denodada demonstração ética capaz de facilitar o acesso à governação dos destinos da nação.

Todavia, o relançamento dos superiores interesses nacionais também passa – bem o sabemos – pela fileira de um grande traquejo vivencial, o qual só a maturidade traz. Como é óbvio, nem toda a maturidade é “fixe”, já que alguma está bem próxima da senilidade.

Não obstante, hoje, existe uma tendência muito grande para desvalorizar o saber feito da experiência que os menos jovens denotam. Como se costuma ouvir, o que é jovem é cool e o resto … Escutar os mais velhos, sondar-lhes o saber, demonstrar respeito e porque não dizê-lo admiração, tornou-se, em larga medida, demodè.

A reconstrução da cidadania, no mais genuíno que o termo encerra, visando a reabilitação e a regeneração do modo como interagimos uns com os outros, bem como a reinvenção da excelência da política, passa, essencialmente, pela obrigação ética de (re)aproveitar as mais diversas parcerias, independentemente do género, idade ou cor, de modo a que esta geração deixe aos seus vindouros - e em boas condições - um património de que se possa orgulhar.

Sendo uma opção que gera mais-valias indispensáveis à recuperação económica, será, por isso, de toda conveniência levar o barco a bom porto, o que torna indispensável o bom funcionamento do triângulo vital da requalificação governativa a todos os níveis: experiência, inovação e seriedade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:56

Dezembro 05 2011

A metáfora da acção que alguns imprimem à vida, particularmente nestes últimos tempos, remete-os para uma quarta dimensão, isto é, dá-lhes a sensação de que se movem sem, na verdade, se mexerem. É uma experiência sensorial, pois “percorrem” caminhos e “observam” o efeito surpresa das implicações que são geradas pelos reflexos condicionados dos seus receios e, simultaneamente, alegrias, num misto de maiores angústias do que satisfação.

Assim, e conforme a capacidade da sua memória descritiva, transformam-se ao longo do imaginário, modificando-se e adaptando-se às circunstâncias do momento, tanto pelo tamanho como pela forma das atitudes.

Por vezes, através de uma ou várias rotações, lá conseguem lobrigar uma ideia interessante e tal como o dia anseia pela luz matinal, também eles absorvem aquela. Não obstante, nestes sombrios dias tal está-lhes vedado.

A intervenção não pode, em momento algum, estabelecer um diálogo silencioso com a envolvente. Por isso, a necessidade de gestos mais ou menos subtis que acentuem as expressões verbais e enfatizem as qualidades intrínsecas de cada um.

Ao vazio da entrada não pode, por muito que se afirme o contrário, corresponder a expressividades dadas pelas nuances da luz. Quanto muito, por uma questão mimética, simetrizar-se-á unicamente a sombras.

No fundo, ainda sonham com Invernos temperados, entrecortados com dias soalheiros, com estios quentes, influenciados pelo carácter do quem os rodeava, e que permitia uma transição grácil entre o antes e o depois.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:03
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Dezembro 02 2011

Dizem-me, os mais chegados, que escrever sobre mudança de atitudes, ser acutilante relativamente ao mérito, é fácil. Difícil, muito difícil mesmo, é, na prática, mudar a forma de ser e estar das pessoas. Concordo a cem por cento, por não poder mais. Porém, entre o não fazer nada e a tentativa de consciencializar, pela palavra e pela escrita, vai uma enorme diferença. Nessa ordem de ideias, cultivo e dou ênfase às duas formas, apesar de saber, de antemão, que, pelos motivos óbvios, faço mais uso da segunda. Também é mais fácil, diga-se em abono da verdade.

Todavia, porque acredito que

  • todo o ser humano tem os seus próprios recursos;
  • cada profissional é, em larga medida, responsável pela sua vida, pelo seu desenvolvimento e pela concretização dos objectivos a que se propõe;
  • todos podemos criar espaços de reflexão que possibilitem a tomada de decisões criteriosas e conscienciosas;
  • devemos procurar o sentido – sensus – dos modos de pensar e agir, apreciando consequências e eficácia,

tenho a certeza que tudo poderá acontecer, por muitos obstáculos e curvas que o caminho eventualmente tenha.

E apesar das “feridas” que o referido caminho provocará, as quais, como é lógico, teremos de curar, o efeito final não será milagroso. Tratar-se-á, simplesmente,em ACREDITAR no MELHOR que existe em cada um de nós.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:24
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Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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