O meu ponto de vista

Janeiro 31 2011

Será que alguém ainda tem dúvidas que a designada Aldeia Global é uma realidade e, por isso, muito mais que um mero conceito? Aquela imagem que todos já ouvimos falar sobre o terramoto que acontece porque, em lugar distante, uma borboleta bate as asas, impede que nos enclausuremos no nosso canto, observando em pretensa segurança o que sucede noutros locais.

Por outro lado, todas as situações, essencialmente as mal resolvidas, resultam – é preciso não esquecê-lo – quase sempre de períodos de alguma letargia e certa bonomia, como se as crises constituíssem, per si, uma oportunidade de crescimento e de salto evolutivo para a humanidade.

Todavia, é bom não esquecer que durante as situações insolventes ou que para aí caminham, ocorrem pesadas baixas – auto-estima, desinvestimento, desmotivação, desempenho deficiente, entre tantas outras - e são justamente as organizações e os indivíduos mais fragilizados que pagam os tais almoços que, como todos bem sabemos, não são grátis. Aliás, é nestes momentos que os mais fortes têm enormes oportunidades que, por certo, não olvidarão de aproveitar. Atente-se, pois!

É, neste cenário, de enorme desigualdade de oportunidades, que a solidariedade e a subsidiariedade devem aumentar, contribuindo, deste modo, para a necessária coesão social. Assim, não admira que a intervenção dos principais agentes se torne imprescindível, sendo também que é, nestes momentos, que a mediação tem que ser reforçada.

O momento é, por todos os que se inquietam com a situação e, fundamentalmente, por aqueles que não aceitam o continuar da degradação, considerado vital para a mudança. Ora, todos temos consciência que esta transformação é vivificante para o nosso bem-estar e essencial para a sobrevivência da(s) organização(ões).

Concluindo, direi que o lado bom do presente mal-estar é a capacidade que temos de reinventar instrumentos e mecanismos de sobrevivência e de sermos capazes de nos unirmos em torno de objectivos comuns. E, claro está, a certeza de sairmos mais sábios e mais preparados para aproveitar as oportunidades de crescimento que, por certo, hão-de suceder num futuro próximo, como, aliás, já sucedeu em anos não muitos longínquos.

Para bom entendedor meia palavra basta …

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:38

Janeiro 27 2011

Como os meus leitores cedo perceberam, não foi por acaso que deixei a análise do Ministério da Educação(ME) para o fim desta série de textos. O ministério de Isabel Alçada e, por conseguinte, a Escola são, pelos motivos óbvios, os lugares onde, de certo modo, me encontro e me perco. Pontos de partida e de chegada, mares de paixão e de aversão, sendo, por isso, a chama que, na maior parte dos dias, me guia, apesar de, no presente, a mesma se encontrar muito titubeante, quase apagada.

A “5 de Outubro” conseguiu ao longo de 2010 apaziguar o estado latente de quase pré-guerra que existia nas escolas, mais pela via da traição aos professores, efectuada com a conivência dos sindicatos, do que pela cedência às justas reivindicações daqueles. Senão vejamos. Acabou com a categoria dos professores titulares, mas instaurou uma nova casta: os relatores, os quais, muitas vezes são nomeados de forma discricionária pelos directores. Por outro lado, ao acabar com os titulares abriu margem de manobra para que fossem nomeados como coordenadores de departamento jovenzinhos, é certo com algum sangue na guelra e essencialmente muita prosápia, mas, infelizmente, com pouca experiência, estando na génese da sua designação, em muitos casos, o mero compadrio.

Todavia, a “pedra de toque” da aceitação desta ADD ocorreu quando foi dado aos sindicalistas/burocratas e aos docentes em funções públicas um modelo de avaliação mais vantajoso do que o aplicado aos docentes no activo. Aliás, não é por caso que nada fazem para terminar com o status quo. Falam e afixam uns cartazes afirmando que estão contra, mas é unicamente para “inglês ver”. Na prática, estão muito bem quietinhos. Bem, também não admira: safaram a pele e não estão interessados em mexer no assunto com receio de perderem os privilégios alcançados.

Outro marco importante – desgraçadamente, acrescento eu – foi a implantação dos mega-agrupamentos. Escolas que funcionavam bem, apresentando, ano após ano, excelentes resultados, tanto na avaliação interna como externa, foram obrigadas, com o conluio das respectivas direcções, traindo assim os desejos de toda, repito, toda a comunidade educativa, a juntarem-se a outras, apenas por motivos economicistas. Mas se as melhores, como seria lógico, prevalecessem sobre as piores, ainda vá lá. Do mal, o menos. Mas não. O que aconteceu é que as piores ficaram na zona de conforto, isto é, comandando as melhores. Como é bem de ver a indisciplina dos alunos, a desmotivação dos docentes e não docentes aumentou e de forma exponencial. E vêm depois, estes dirigentes, armarem-se em paladinos da defesa da escola pública! Se a desenvergonhice pagasse impostos não estávamos nesta carestia de via!

Um outro motivo de forte controvérsia prendeu-se com os resultados do PISA. A Organização para a Cooperação Económica Europeia (OCDE), de três em três anos, procede a estudos sobre o desempenho escolar dos jovens de 15 anos dos respectivos países e de outros, sendo que as áreas avaliadas, em 2009, foram a literacia na leitura, na matemática e na ciência. Ora, como tais resultados, embora não extraordinariamente positivos, apresentaram uma subida algo assinalável naquele ranking, o ME tratou logo de chamar a si todos os louros e mais alguns, sem, contudo, deixar de ostentar um ar humilde, como convém e fica bem nestes casos. No entanto, tal como “o gato escaldado de água fria tem medo”, alguém começou a ter dúvidas e principiou a indagar como foi possível, de um momento para o outro, o surgimento destes maravilhosos resultados. Logo os boys de serviço trataram de esconder quais as escolas intervenientes e em que moldes foram realizados os respectivos testes. Ora, como “quem não deve não teme”, a recusa sistemática do fornecimento destes dados levam-nos a ver “gato escondido com o rabo de fora”. Será?

Por último, o surgimento da empresa pública Parque Escolar. Constituída para dar resposta célere às obras pretensamente necessárias em algumas escolas secundárias do país, acabou por dar origem a um monstro, ou melhor, a um “polvo”, cujos tentáculos é difícil de descortinar até onde vão. Não é por acaso que, nos “bastidores”, se diz que esta empresa está a ser alvo de investigações por parte do poder judicial. O certo é que fez obras e obras de tal vulto e monta que nem os países mais ricos as possuem, originando um “buraco” que ronda os mil milhões de euros. Já agora, sabendo que os cortes nos vencimentos de toda a função pública, durante 2011, perfarão um total de 660 milhões de euros, basta isso para vermos que se aquela gastasse apenas - e chegava – 340 milhões, não seria necessária tal medida. Só que bem sabemos como os socialistas gostam de alimentar a boyada nem que seja à custa de milhares e milhares de portugueses.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:17

Janeiro 26 2011

Acreditem que não era minha intenção voltar a este assunto. Todavia, os factos e a inércia levaram-me a mudar de opinião. Alguém tem que, de vez em quando, lançar a pedra de modo a agitar as águas deste pântano. Não que queira colocar-me em bicos dos pés, pois outros colocados em pedestais, quais deuses sagrados, com maior propriedade o deveriam fazer. Na ausência destes, entre os quais alguns existem que outrora se apresentavam lestos e presunçosos no uso de uma verve verrinosa, e unicamente por imperativo de consciência eis novamente a aplicação do direito à indignação.

Perifericamente as novidades são escassas para não dizer nulas. Afixam-se apenas convocatórias e cópias de alguma legislação, retirada directamente da folha oficial, as quais permanecem meses e meses a fio, servindo, neste longo espaço de tempo, apenas para confundir e jamais para informar. O ostracismo a que os mais distantes da mesa do poder são votados chega a ser confrangedor.

O conselho geral transitório, pelas importantes funções que, por força da lei, lhe estão acometidas, há muito já deveria ter entrado em funcionamento. Contudo, só agora viu a primeira convocatória para a sua eleição, demonstrando assim a diminuta importância que lhe é dada. Até apetece perguntar: para que se quer um órgão que nos pode vir a fiscalizar? Tendo presente que, pelo menos, até 31 de Maio há-de aprovar o regulamento interno, bem como preparar o acto eleitoral para o cargo de director, está-se mesmo a ver que o há-de fazer à pressa e em cima do joelho. Não importa, dirão vocês, pois, em boa verdade, é o que lhes interessa. Quanto menor for o espaço de tempo, menos possibilidade terão os docentes e não docentes de se organizarem e discutirem assertivamente os seus problemas.

Por outro lado, a avaliação de desempenho docente anda igualmente pelas ruas da amargura. Por exemplo, a lista de relatores já vai na quarta ou quinta versão e garanto-vos que não fica por aqui. É o que resulta quando os assuntos não são analisados em profundidade e onde a emoção se sobrepõe à razão.

Como foi possível o quase total desmantelamento de serviços administrativos de proximidade? Como é possível gerir serviços que não se visita e dos quais se sabe muito pouco? Como é possível ouvir-se amiúde respostas como estas: “não sei. A mim ninguém me disse nada. Desconheço”. Como dizia uma colega “estamos aqui quase em autogestão”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:36

Janeiro 25 2011

Mais do que consciência colectiva, a inteligência emocional e individual apela a uma utilização discernida das distintas opções com que, diariamente, somos confrontados. Encontrar, então, soluções alternativas é função fundamental. Assim, mais que a opção por este ou aquele estilo de vida, há que considerar outros aspectos atractivos e inovadores com recurso a distintos aspectos decorativos e técnicas reformadoras.

Não admira por isso que, através de uma presença cada vez mais marcante, pessoas existam que sobrepõem, dia após dia, um sinal claro do respectivo valor, estabelecendo um superior equilíbrio, com o qual, paulatinamente, (re)afirmam a sua força e rasgo no seio da respectiva envolvência.

Criarem condições para a eficiência relacional, usando a razão e emoção q.b., pressupõe a utilização, tanto interiormente como exteriormente, de uma estética evolutiva, sem esquecerem, porém, a “exploração” de técnicas ancestrais, em que os aquecimentos e arrefecimentos – perdoem-me a referência à meteorologia dos dias que passam – são intervalados, não numa óptica em que os fins justificam todos os meios, mas sim tendo em vista um futuro sustentável.

Mais do que a completa absorção do que está implícito nas suas múltiplas funções, a certeza da ocupação plena dos respectivos espaços justifica a aposta crescente nas suas características individuais, sem olvidarem, de modo algum, as suas raízes. Que se salientem estas características!

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:32

Janeiro 24 2011

A presente análise refere-se ao ocorrido ontem e, fundamentalmente, do que vi e ouvi à noite. Bem sei que não valerá muito, mas tenho a certeza que, apesar da existência de muitas outras, mais marcantes e avalizadas, os meus leitores estão à espera que a exponha. Apoiante, desde a primeira hora, de uma das candidaturas, não serei um comentador imparcial, nem será isso que esperarão de mim. Aliás, se o tentasse ser, seria um exercício de plena hipocrisia, o que nem de longe nem de perto alguma vez fiz. Jamais vendi “gato por lebre” e assumo, sempre e integralmente, o que sou e o que pretendo.

Mas vamos, então, à análise:

  • Francisco Louçã, Manuel Alegre, José Sócrates e, essencialmente, Defensor de Moura tiveram a devida resposta às atoardas que lançaram, as quais, aliás, fizeram da campanha eleitoral algo muito pouco digno;
  • Por outro lado, quem não observou a diferença na postura de Defensor de Moura e de Fernando Nobre? O primeiro recusou-se a dar os parabéns a Cavaco Silva, enquanto o segundo o fez logo que iniciou a sua intervenção. Depois admiram-se da votação! Os portugueses sabem muito bem quem merece ou não o seu voto e, sobretudo, não toleram a má-educação e o mau perder;
  • Francisco Louçã não conseguiu esconder a sua amargura e o azedume que lhe vai no interior. Mesmo depois de uma estrondosa derrota, teve a desdita de ainda continuar a falar de “esquerda grande”! Será que nunca mais aprende?
  • Sócrates, apesar do enorme falhanço da candidatura que apoiou, continua agarrado ao poder tal como a lapa à rocha, afirmando, com o ar mais sisudo do mundo, não admitir que se possam extrapolar estes resultados para a área governativa. Sendo de aceitar que os dirigentes políticos possam e devam dizer isso, não é, porém, menos verdade que os portugueses demonstraram claramente estar contra esta forma de gerir o país. Só um cego é que não consegue ver;
  • Os vencedores: Cavaco Silva, Fernando Nobre, José Coelho e … Mário Soares. Como este deve estar a comemorar. Na sua casa, ontem à noite, só se ouvia o barulho da abertura de garrafas de champanhe. Sintomático! Já lá diz o ditado “elas cá se fazem, cá se pagam”;
  • Manuel Alegre num tom já muito revisitado, não conseguiu, mesmo na noite de todas as verdades, acertar “a bota com a perdigota”. Demonstrou, uma vez mais, ser um homem do passado e, ainda por cima, acompanhado por todos aqueles que tudo fizeram para afundar o país. Nitidamente acredita que está a lutar contra moinhos de vento, já que o blá, blá, blá do SNS, da escola pública, do combate social, da esquerda que há-de cantar amanhãs de glória, etc., etc., continua. Não conseguiu evoluir e, por isso, resta-lhe apenas … poetizar;
  • Cavaco Silva com um discurso apurado e, simultaneamente, duro e directo, foi o que dele se esperava. Com determinação disse como será o novo mandato. Para quem quiser entender está lá tudo. A dedicação da sua vitória aos jovens, futuro do país, calou fundo em todos e foi um momento alto e emocionante até para o próprio. Sem esquecer a referência à sua proveniência: veio do povo, de gente simples e trabalhadora, para quem o trabalho, o dever e a honestidade não são palavras vãs. Já agora duas perguntas: qual o outro político que consegue apresentar quatro maiorias absolutas (1987, 1991, 2006 e 2011)? Isto não quererá dizer muito?

Por último uma palavra para enorme abstenção: um mal que urge corrigir. Como? Tendo presente que um número apreciável de eleitores não puderam votar face à incúria do Ministério da Administração Interna – a emissão do cartão único de cidadão alterou as regras do jogo –, a sensação que trespassa, nos mais diversos sectores da sociedade, é que a maioria dos portugueses encontra-se, pelos mais distintos motivos, alheados dos destinos do país. Assim, a instauração do voto obrigatório, não sendo uma solução consensual e, à priori, até de rejeitar, deve começar a ser equacionada.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:50

Janeiro 22 2011

Como os portugueses já vaticinaram, através de todas as sondagens, amanhã à noite confirmar-se-á que vamos continuar com o mesmo presidente. Felizmente, acrescentará a maioria de nós.

Contudo, apesar desta expectativa nos alegrar, a verdade é que continuaremos com a mesma crise, os mesmos cortes salariais, os mesmos aumentos dos produtos essenciais e o mesmo desemprego, entre tantas outras desgraças.

Ora, se o anteriormente descrito já é mau, péssimo mesmo é, infelizmente, continuarmos com o mesmo governo. Isto, sim, é que é o azar dos azares.

P.S. - Como é evidente, amanhã, com toda a honra e sem quaisquer dúvidas, vou votar CAVACO SILVA.

publicado por Hernani de J. Pereira às 17:43

Janeiro 21 2011

Um acordo é, por definição, algo em que as partes decidem cumprir entre si, não importando se tem forma oral ou escrita, uma vez que relevante é o seu cumprimento. Ora, tal pressuposto não coloca em causa o dever que, cada um tem, de, sempre que possível, passar a escrito tais ajustes e reconhecê-los perante a Lei.

Contudo, interessa para esta crónica a existência de outros acordos, como sejam, por exemplo, os designados por tácitos, isto é, aqueles que, apesar, de não falados e muito menos escritos, assumem uma importância capital. Estes aludem, essencialmente, aos sentimentos e não deixam de ser tão ou mais válidos que os anteriormente referidos.

Ora, este pressuposto implica a presença de uma visão estratégica dos interesses em jogo, de modo a não se avançar para a implementação de medidas sem definir muito bem o que se pretende obter. É que o compromisso entre as partes deve ser baseado nos resultados a alcançar e não no pretensamente já obtido. Fundamentalmente não se devem percorrer caminhos já anteriormente experienciados de forma negativa, mas conquistando paulatinamente torrão a torrão, sem cristalizar emoções pouco úteis e estados de alma complexos e de difícil manutenção.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:18
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Janeiro 19 2011

Ministro da Administração Interna – sem força nem carisma, limitando-se a pouco mais que gerir a casa. A extensão dos fogos que, no Verão passado, assolou o país e a incapacidade que demonstrou para, no terreno, lhes fazer frente, justificam plenamente o anteriormente dito. Manter, à viva força, os governos civis, quando não existe qualquer razão para a sua existência, só pode ser fruto de um total alheamento dos interesses do país, pois tais “árvores”, por terem, há muito, ultrapassado o limite de idade, apenas servem para dar cobertura aos desempregados do PS. Veja-se, a título meramente exemplificativo, o que aconteceu em Aveiro: o re-candidato do PS perdeu as últimas eleições para a CM de Espinho, mas como não sabe fazer mais nada, trataram, logo, de lhe arranjar um “tacho”, isto é, nomearam-no governador civil de Aveiro.

Outro caso paradigmático de má governação e pior gestão dos dinheiros públicos foi a aquisição das cinco viaturas blindadas para a PSP, com o argumento da preservação da ordem pública aquando da última cimeira da Nato, realizada, em Lisboa, em Novembro último. Tudo isto, quando a GNR já possui este tipo de carros e atravessamos a pior crise económica de sempre. Como o assunto foi tratado em cima do joelho, como é timbre dos socialistas, tais veículos não chegaram a tempo daquele evento. Mas a pouca vergonha não morreu aqui. Para justificar os 5 milhões de euros inventam, de imediato, que, afinal, a PSP necessitava daquele tipo de material para entrar nos bairros problemáticos da capital. Todavia, face ao sussurro levantado pela opinião pública, em mais uma das muitas trapalhadas em que são mestres, os socialistas inventam um pretexto para não receber os três carros que faltam. Como é óbvio, o caso está em tribunal e acabaremos todos por pagar e com língua de palmo.

Ministro da Defesa – um político com enorme traquejo e grande influência no inner circle do primeiro-ministro. E de tal modo possui valor que, apesar da enorme crise e de um défice extraordinário, conseguiu avultados aumentos para os militares nos finais de 2010. De entre outros defeitos, nas suas intervenções públicas comporta-se, por vezes, como um elefante numa loja de porcelana. É exemplo disso a sua frase perfeitamente boçal “eu gosto é de malhar na direita”.

Ministro da Presidência – um autêntico “cão de fila” de José Sócrates. Seu amigo íntimo, conselheiro e confidente é, sem margem para dúvidas, a sombra parda daquele. Um político que, à priori, não dá nas vistas e, por isso, desconhecido do grande público, tem, porém, na retaguarda, arte e engenho para mexer os cordelinhos da (des)governação. Foi, aliás, este ministro que, aquando dos momentos mais periclitante da ex-ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, deu cobertura às iniciativas desta nas conferências de imprensa que se sucederam aos respectivos Conselhos de Ministros, isto é, logo após as tomadas de posição, imensamente contestadas, como é bem sabido, sobre a avaliação dos professores.

Ministro das Finanças – sem qualquer margem de dúvidas, o político que mais desiludiu os portugueses. Não é por acaso que todos nos interrogamos como é que um reputado professor de finanças, um insigne académico, com provas mais que dadas em gestão orçamental, se deixou enredar numa teia, diria até, num polvo, capaz de esbanjar à “tripa forra” tanto e tanto dinheiro, quando todos - analistas ou não - sabiam que a bolha da crise estava para rebentar. Pior ainda: como foi capaz de deixar arrastar a situação, não conseguindo dar um murro na mesa e dizer, alto e em bom som, “basta”? Como foi possível continuar com uma postura completamente laxista, de tal modo que, após aquela ter rebentado, o Estado tenha continuado a engordar? Relembro que, mesmo hoje, e apesar de todas as medidas de contenção, por cada dia que passa, a nossa dívida pública aumenta 230 milhões de euros.

Depois vem o caso do BPN, uma instituição liderado por um bando de malfeitores, onde muita gente se aproveitou. E não foram só elementos do PSD, pois até a própria Segurança Social, liderada por Vieira da Silva, “insigne” ministro da anterior governo, tinha lá para cima de 500 milhões de euros, isto para não falar de muitos outros socialistas, estes a título individual. Por outro lado, o governo, e principalmente Teixeira dos Santos, ainda não deram cabais e esclarecedoras explicações sobre a sua nacionalização. Não é por demais dizê-lo que os argumentos até agora vindos a público não convenceram ninguém. E o certo e sabido é que já lá estão enterrados 5 000 milhões de euros e não ficará por aqui. Apostam?

Depois vem o caso do enorme défice, o qual esteve bem perto dos 10%., o qual só desceu para cerca de 6,7% graças a receitas extraordinárias, tais como a venda de imóveis, numa operação de mera engenharia financeira, e à incorporação do fundo de pensões da PT. É certo que esta última medida nos alivia momentaneamente. Todavia, futuramente, será mais uma pedra (e grande) que levará a Segurança Social ao fundo.

Por último, vem o corte, cego e surdo, às regalias sociais e aos salários da função pública. Cortar na “gordura” do Estado, na máquina trituradora das fundações, grupos de trabalho, missões, institutos, direcções regionais, empresas públicas e demais quejandos burocráticos, nada. E muito menos nos ordenados chorudos que nestas se praticam. A explicação é simples: aqui abundam os boys e girls socialistas e esta gente é como as vacas na Índia, ou seja, são sagradas e intocáveis.

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:05

Janeiro 13 2011

Em Portugal, desde há muito, foi criada, instalando-se com foros de verdadeira cidadania, a cultura do subsídio. E, não sendo um fenómeno muito recente, a verdade é que a integração na União Europeia veio elevar esta cultura a um nível quase insustentável.

Nos meios empresariais, no seio dos trabalhadores, no mundo da cultura e do desporto, é raro o sector que não pense ter direito ao seu subsídio. Organizações existem – empresas, instituições, fundações, entre tantas outras - que apenas foram constituídas com o fim de conseguirem o almejado subsídio. Chegam os dedos de apenas uma mão para contar os empreendedores que ousam criar organizações e, por conseguinte, gerar riqueza, contando apenas com o suor do seu próprio rosto.

E a realidade é que os portugueses se habituaram a explorar os subsídios - perdoem-me a expressão menos prosaica – “até ao tutano”. Todavia, esquecem-se que não existe “bela sem senão” e, por isso, estes subsídios são pagos através dos nossos impostos ou, sendo comunitários, têm uma componente nacional, o que vai dar ao mesmo.

Aliás, não é por acaso que em Portugal existem 13740 organismos públicos, conforme o DN tem vindo a informar, sendo que a grande maioria apenas sobrevive através de subvenções por parte do Estado. Sendo um problema estrutural e organizacional, muito mais aquele que este, a verdade é que todos devemos olhar para este assunto com uma visão holística, mas, sobretudo, realista.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:27

Janeiro 12 2011

Aí está ele a circular entre as caixas de correio electrónico dos professores, sendo motivo de conversa nas salas de professores e conseguindo, ainda, ser motivo de grande “caixa” nos media. Refiro-me concretamente ao Projecto de Organização de Trabalho nas Escola para o próximo ano lectivo que o ME colocou, mais ou menos publicamente, em discussão. Menos que mais, é certo, mas colocou.

Sendo do conhecimento geral que o ME já cortou os créditos horários às assessorias dos directores, diminuiu o número de adjuntos e reduziu os suplementos remuneratórios daqueles, pretende, agora, acabar com créditos horários para projectos e tem intenção de retirar da componente lectiva todos os cargos com excepção das direcções de turma.

O Conselho de Escolas foi chamado a pronunciar-se e deu nota negativa ao aludido projecto. Usando os propósitos do governo prova que, entre outras consequências, a aplicação de tal projecto levará a que a generalização das Metas de Aprendizagem fique seriamente comprometida, para além de fazer cessar, na prática, a actividade extra-curricular das escolas, através da inviabilização de inúmeros projectos que dão vida àquelas.

Não me admirando das medidas tomadas, já que a situação económica, a que os socialistas levaram o país, assim obriga, sou de opinião que as aludidas Metas de Aprendizagem e muitos dos projectos em desenvolvimento não fazem qualquer falta às escolas. Bem pelo contrário. É que muitos destes projectos não passam de lugares comuns, sem qualquer utilidade visível, não acrescentando quaisquer mais-valias para os alunos, servindo, essencialmente, para o preenchimento de horas da componente lectiva e não lectiva dos respectivos docentes. É claro para todos, principalmente para quem não é demagogo e muito menos populista, que a maior parte destas horas teriam bem melhor utilidade se fossem usadas no apoio directo aos estudantes com dificuldades de aprendizagem.

Contudo, mesmo que tal seja verdade, não advogo, de modo algum, o corte cego e surdo, apenas com intuitos economicistas. Há que dotar, sem margem para dúvidas, as escolas de crédito horário necessário para apoio directo aos discentes. Repito: para apoio directo aos alunos, razão máxima da existência daquelas.

Já agora e a título informativo, o aludido projecto refere ainda que “qualquer atribuição de horas a agrupamentos ou escolas não agrupadas para dinamização de projectos, ainda que aprovados por serviços do Ministério da Educação, extingue-se com a entrada em vigor do presente despacho, carecendo de nova autorização do membro do Governo responsável pela área da Educação". Ou seja, logo após a publicação desta legislação, a vida nas escolas será muito diferente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:44

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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