O meu ponto de vista

Dezembro 10 2010

Bem pode José Sócrates clamar, chegando, inclusive, à exaltação, que o governou decretou, proferir e até bater com o pé no chão, fazendo mesmo birra, que ele próprio pensa de determinada forma que, no fundo, no fundo, poucos são aqueles que acreditam nele e muito menos os que o seguem. Veja-se, por exemplo, que até alguns dos seus mais fiéis compagnons de route, como são Carlos César (presidente do Governo Regional dos Açores) e Zeinal Bava (presidente da PT), não lhe ligam nada.

Contudo, será que nos podemos admirar? Não foi sempre assim? Recorde-se que são raros os que escutam e obedecem a um moribundo - político, entenda-se.

Já agora e a talhe de foice, Carlos César salientou que, no caso da remuneração compensatória para os trabalhadores da administração pública regional que ganham entre 1500 e 2000 euros mensais, o que o executivo açoriano decidiu foi “cancelar uma obra num campo de futebol e apoiar um conjunto de trabalhadores e famílias”. Por mim, tudo bem. Apenas exijo que José Sócrates tome medida semelhante, isto é, cancele obras em campos de futebol, estradas, TGV, aeroportos, hospitais, rotundas, escolas, ou em quaisquer outras, de modo a que também usufrua de um estipêndio suplementar.

E, para que conste, Manuel Alegre concordou com a tomada de posição de Carlos César. Será que são necessários comentários?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:05

Dezembro 09 2010

Gosto de percorrer os grandes centros comerciais, tal como adoro frequentar o pequeno comércio e os micro-serviços. Quem já se imaginou sem a sua florista, a sua cabeleireira ou o seu barbeiro, o seu sapateiro, a sua peixeira ou, até, o seu cauteleiro? São homens e mulheres que, sem denotarem grande visibilidade, nos fornecem relevantes préstimos.

Estes profissionais, grande parte deles, com perfil empreendedor, capacidade para gerir um negócio – maioritariamente sozinhos, isto é, sem ajuda de especialistas e/ou empregados –, demonstram, ainda, um sentido de responsabilidade bastante assinalável. No fundo, sabem que o sucesso depende muito mais de si do que da conjuntura, pelo que a vida desregrada, a ausência de hábitos de trabalho e as dificuldades de relacionamento são palavras que não existem no seu dicionário.

Por outro lado, a sua formação, infelizmente, assenta muito mais num saber empírico do que didáctico, tanto mais que aquela, em termos de oferta pública, é quase inexistente ou mesmo nula.

E como começaram? A maioria das pessoas não faz a mínima ideia de como e em que circunstâncias aqueles iniciaram a sua labuta. Se não é fácil iniciar uma profissão, independentemente do seu métier, encetar um negócio por conta própria é, sem sombra para dúvidas, um autêntico “Cabo das Tormentas”.

O arranque do projecto – falo de experiência feita - depende do profissional ter ou não um bom plano de negócios, assim como um report devidamente estruturado. Na posse destas ferramentas, começa verdadeiramente o calvário. Logo que aquelas sejam aceites pelas instituições oficiais - são tantas (!) -, e a não ser que tenha fundos próprios, facto raríssimo nestes casos, há que contactar com os bancos, pois é necessário algum (!!!) investimento para iniciar a actividade.

Impressionado o gerente do banco, os trabalhos não se concluem por aqui. O local, já edificado ou a construir, com todas as licenças e vistorias, é algo para fazer perder a paciência a um santo. A perseverança é o melhor antídoto. Deve recordar-se diariamente de que pode perder uma ou outra batalha, mas que, no final, há-de ganhar a guerra.

Concluída esta fase, há que produzir - bem e ao menor custo possível -, assim como angariar clientes, o que, nos tempos que correm, não é fácil, e esperar algum retorno do dinheiro investido, facto que, na maior parte das vezes, só acontece ao final de dois ou três anos, senão mais. Até lá, há que trabalhar, trabalhar e … ter fé.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:28

Dezembro 08 2010

Todos falamos dela. Todos a sentimos. Tanto a nível individual como colectivo não há quem não se queixe. As pessoas, na sua vida familiar, lamentam-se e as empresas/instituições não se ficam atrás. É a tão famigerada crise. Não há dinheiro para isto e para aquilo. O risco de recessão é enorme e todos tememos a vinda do FMI e do Fundo de Equilíbrio Financeiro da EU, apesar de haver muito boa gente a dizer que, mais cedo ou mais tarde, será inevitável.

Todavia, quando tudo isto se passa, quando todos temos que “apertar” o cinto e, desculpem-me o termo menos prosaico, “fazer das tripas coração”, órgãos de gestão (de escolas) existem que enviam aos seus docentes cartas de parabéns pelos respectivos aniversários.

Não está em causa o gesto, apesar de questionável através da leitura que isso pode acarretar numa eventual eleição, mas sim o gasto. É que tal iniciativa é impressa a cores, sobre papel couché, e enviado, via CTT, em envelope do mesmo género. Gostaria de saber quanto fica cada um dos expedientes. Barato não fica e multiplicado por todos os docentes dá, com toda a certeza, um total nada despiciendo.

O outro dia, ouvi docentes queixando-se de falta de material, afirmando que a resposta que mais ouvem é que não há dinheiro. Pergunto: mas existe dinheiro para aqueles “mimos” e não existe para aquisição de material indispensável para se trabalhar dignamente com os alunos?

Já agora, não bastava uma mensagem por correio electrónico?

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:01

Dezembro 07 2010

No núcleo duro do Governo, a visão dominante é de que é necessário adequar o timing às dificuldades de momento e progredir/regredir de acordo com os resultados alcançados. Há muito que se perdeu a ideia – inocente, diga-se em abono da verdade - de que é absolutamente necessário elaborar e aplicar leis de acordo com o programa sufragado e, acima de tudo, tendo em atenção o interesse do país.

O certo é que, na educação, e apesar de todas as dificuldades sentidas – e têm sido tantas, para mal dos nossos pecados – o cenário não é tão negativo quanto seria de esperar. Que o digam os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment), que apreciou, entre 2006 e 2009, o desempenho escolar dos jovens de 15 anos dos países da OCDE e de outros países ou parceiros económicos, sendo que as áreas avaliadas são a literacia na leitura, na matemática e na ciência.

Como é óbvio, tais resultados trouxeram uma lufada de ar fresco ao Governo, aliás, ultimamente, bem precisado de boas notícias. E sendo verdade que os resultados do aludido estudo ao longo dos últimos anos têm sido, de certo modo, catastróficos, isto é, colocando-nos bem perto do fundo da tabela, os actuais resultados, muito perto da média – 489 contra 493 pontos – elevam-nos a uma posição bem mais confortável.

Como é óbvio, tais resultados permitiram à ME e, sobretudo, ao primeiro-ministro “cantar” loas. Por modéstia, mas também por sabido pudor, atribuíram os louvores de tal façanha aos professores, estendendo-os, como não podia deixar de ser, aos alunos e respectivas famílias, não esquecendo os directores das escolas. Ficou-lhes bem, apesar de todos sabermos que, no seu íntimo bem adorariam proclamar, se possível, em voz bem tonitruante, que tais proezas se devem, essencialmente, aos méritos da política educativa do governo anterior, já que, em boa verdade, tais resultados ocorreram durante a sua vigência.

Por outro lado, para ser sincero, e sem querer retirar algum mérito às políticas educacionais, que também o têm, principalmente as promovidas aquando da entrada em funções do anterior governo - 2005 e 2006 -, dou comigo a concordar com a análise de alguns que afirmam que tais resultados se devem, fundamentalmente, ao facto de os alunos saberem que as provas a que foram submetidos o eram no âmbito de uma avaliação exterior e que, esse facto, os motivou de um outro modo.

O que, por outras palavras, nos leva a uma conclusão análoga: é fundamental implementar avaliação externa em todas as disciplinas nos finais de cada ciclo, cujos resultados tenham, sem margem para dúvidas, uma maior implicação na vida escolar dos discentes.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:38

Dezembro 06 2010

Com as receitas provenientes das transferências do Estado a enfrentar dias difíceis, são cada vez mais as autarquias dispostas a não abrir mão de rotundas, repuxos, estátuas, lombas e outros desmandos, bem como a manter a sua alta empregabilidade – leia-se jobs for the boys and girls -, uma vez que sabem que, principalmente, este último, lhes assegura um número de votos assaz apreciável.

Adaptação às dificuldades, assim como às novas exigências que a crise provoca em todos os segmentos da sociedade, não parece ser o lema, nos dias que correm, no que toca à maioria das câmaras municipais.

Assim, nada melhor que aumentar as taxas de IMI para o seu valor máximo, com vista a colmatar aquele deficit de receitas.

E, mais uma vez, paga o “Zé”, o tal do mexilhão …

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:22

Dezembro 05 2010

Todos sabemos que nem sempre se colhe quando se semeia. Todavia, também sabemos, sem margem para dúvidas, que se não semearmos não colheremos.

Assim é, igualmente, por aqui. Os indícios são notórios. Começam-se a colher os primeiros frutos, já com alguns sinais de evidente amadurecimento, mesmo que a sementeira não tenha sido isenta de erros e alguns custos. Também não é possível nem desejável que seja de outro modo. E, apesar da ainda notória falta de orientação e maturidade de alguns, verifica-se o surgimento de propósitos vocacionados para a consolidação de posições, os quais, com toda a certeza, irão provocar um novo ciclo em contraste com a oferta verificada nos últimos anos.

Alguns problemas que obstam à funcionalidade e eficiência continuam por solucionar - distanciamento e consequente alheamento, atraso na concretização de promessas, desintegração de infra-estruturas básicas, autismo de uma parte substancial dos níveis superiores e intermédios, violência e indisciplina, entre muitas outros – pelo que há que procurar garantir uma rentabilidade significativa, a potenciação de públicos dispersos, dando, desta forma, início à diferenciação entre segmentos.

Invertendo o que, em tempos, alguém afirmou, parafraseando a Lei de Gresham, digo que a boa moeda há-de expulsar do mercado a má moeda.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:26

Dezembro 02 2010

Tenho vindo a chamar a atenção e a dar uma especial ênfase à informação e formação das pessoas, tanto no que diz respeito à cultura dita geral, como ao saber específico. Sempre soube e cada vez mais tento colocar em prática o aforismo “aprender até morrer”.

E, sendo certo que vivemos actualmente tempos simultaneamente difíceis e desafiantes, não é menos verdade que precisamos de focar as nossas energias na procura de soluções para os problemas ou, dito por outras palavras, é essencial fazer parte da solução e não do problema. Neste contexto, os sistemas de aprendizagem têm um papel fundamental, quer estejamos a falar do sistema educativo e de formação, também designado vulgarmente por ensino curricular, quer sejam os diversos sistemas de aprendizagem nas organizações. Importa, assim, mobilizar as pessoas para o desenvolvimento de competências, fomentar a melhoria de processos e, em suma, mobilizar para a produtividade.

Melhorar a forma como os portugueses aprendem é um imperativo nacional. Temos de conseguir preparar os desempregados para o regresso ao mercado de trabalho, de reforçar a produtividade nas instituições e empresas de forma a estancar a sangria do desemprego, procurando, deste modo, não só manter como até aumentar os postos de trabalho.

O papel das tecnologias nestes processos de aprendizagem é crucial. Todavia, muito mais relevante que aquelas são as pessoas. São principalmente estas que flexibilizam o acesso ao conhecimento e permitem a sua construção e partilha. Por isso, a situação actual pode ser uma grande oportunidade para construir a escola do futuro que trabalhe valores e competências de forma estruturante.

Vários países estão a investir fortemente nos seus sistemas educativos, modernizando-os. Inglaterra é, neste aspecto, um exemplo paradigmático. Neste país, o projecto BSF (Bulding Schools for the Future) tem como objectivo primordial reformar o sistema educativo até 2023. Este e outros projectos, para além de contemplarem fortes investimentos em infra-estruturas, apontam, essencialmente, para reformulação de práticas pedagógicas, onde se destaca o forte envolvimento da comunidade educativa (professores, alunos, famílias e autoridades locais).

A modernização do sistema educativo britânico, contudo, não se fica por estes objectivos. Assenta também numa outra vertente, não menos importante: a da reposição da autoridade do professor. Sabendo que sem autoridade, por mais recursos físicos e materiais que tenham ao seu dispor, os docentes não conseguem, minimamente, criar um clima dentro da sala de aula propício à aprendizagem, os governantes ingleses, para além de terem devolvido mais valências e autonomia à escola e, por conseguinte, aos professores, começaram a responsabilizar os pais e encarregados de educação pelo comportando dos seus educandos. Uma nota final para referir que também o controle da entrada de novos docentes no sistema também aumentou, assim como passou a existir uma outra orientação sobre a sua forma de ser e estar perante a escola.

Receio, contudo, que, no nosso país, estas iniciativas passem à margem, continuando o sistema educativo, infelizmente, nas mãos dos cientistas da educação, para assim se perpetuar a maior catástrofe e tragédia do ensino, isto é, aquilo que é designado por eduquês. A ver vamos o que nos trará o futuro. Deus queira que, daqui a uns anos, não tenha razão na apreensão que agora manifesto.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:06

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