O meu ponto de vista

Novembro 09 2010

Como é bom pertencer ou mesmo, até, pensar que se pertence a uma elite social, cultural e/ou económica! Pouco importam as competências que se devem ter e provar diariamente. Interessa a alguém que não se possua os níveis mínimos de qualidade para exercer esta ou aquela profissão, este ou aquele cargo? Cada vez mais, infelizmente, estou convencido que não. O fundamental é ter um estatuto, mesmo que, por causa de todos esses factores, este seja quase completamente desvalorizado pela sociedade em geral.

Depois, independentemente de possuir ou não os saberes e as condições específicas para ocupar o lugar, é, apenas, conveniente que faça render os atributos (im)pessoais, mesmo que sejam os mais artificiosos possíveis: diplomacia/hipocrisia; dizer uma coisa pela frente/fazer outra por trás; fazer crer que se dá a face/carregando, simultaneamente, na alma, um ódio visceral; afirmar e reafirmar sim/não conforme o vento que passa; mostrar uma cara hoje/amanhã outra, tal como as folhas das árvores em dias de tempestade.

O modo como a maioria dos nossos dirigentes adere à rota do facilitismo mais desembargado, ao mesmo tempo que nos faz embarcar também, é vergonhoso. Pior ainda: é humilhante. Não fazem, não deixam fazer e desdenham de quem faz ou já fez. A ausência de espinha dorsal para dizerem basta aos poderes vigentes, seja aos centrais, aos regionais e, acima de tudo, aos locais, coloca-os numa posição de cócoras e, mais grave, prostra-os constantemente na horizontal. Como é evidente, todos aqueles que, por não terem outra alternativa, dependem destes não-senhores, destes autênticos escravos e servis de causas alheias - os quais assim agem para, eventualmente, continuarem a comer as míseras migalhas que caem da mesa do(s) poder(es) - são os primeiros a serem imolados no altar da incompetência. O que lhes resta, então? Gritar de indignação? Sim e muito alto, apesar de se saber que, de imediato, serão abafados pelos políticos de “terra queimada”? Actos de sublevação? Não acho que tal seja possível, uma vez que somos pessoas cordatas.

Contudo, de uma coisa podemos ter a certeza: os tempos mais próximos serão de justiça. Aguardemos, pois!

E, já agora, onde estão todos aqueles que, em tempos tão próximos, mostravam uma constante indignação, uma revolta - vermelha, sem ser por acaso – e que, por palavras, gestos, atitudes e escritos, por tudo e por nada vociferavam, na maior parte, aliás, sem razão? Estão tão calados! Será por se encontrarem a mamar na teta de toda esta incompetência?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:37

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
Novembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
13

14
18
20

24
27

28


arquivos

Outubro 2021

Setembro 2021

Agosto 2021

Julho 2021

Junho 2021

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

pesquisar
 
subscrever feeds
blogs SAPO