O meu ponto de vista

Outubro 29 2010

Quando escrevo estas linhas, está no auge a discussão sobre o Orçamento de Estado para 2011, isto é, dois dias depois da ruptura das negociações do mesmo entre o governo e o PSD. Hoje, porém, quando existem perspectivas do reatamento das aludidas negociações, faço votos para que estas palavras percam rapidamente actualidade, sinal de que o mencionado Orçamento, apesar de ser muito mau, irá ser aprovado na AR. Contingências de quem redige num tempo de extrema volatilidade.

Mas vamos ao que interessa. Portugal é, neste momento, um país com uma grande experiência e sensibilidade de como deve funcionar em tempos de crise. Desde os primórdios da nacionalidade, de uma forma contínua e eficaz, tem reformulado os objectivos, orientando-os para superar os novos desafios, os quais concorreram para o desenvolvimento do país, evidenciando, em certas épocas, grandes sucessos. Recordo, por exemplo, o boom que foram os Descobrimentos.

O seu modo de reinventar a economia, a curto e a médio prazo, sem pressa e sem pausas, e independentemente das épocas de crise, fortalece o caminho. Por isso, não admira o país – p.f., não confundir com o governo – possuir, em determinados sectores, elevada tecnologia (de ponta) e ter implementado, nalgumas áreas, inovação, internacionalmente reconhecida. Aliás, não é por acaso que o país está absolutamente convicto de que a filosofia que, no passado o orientou e o alcandorou a tão altos patamares – recordo que, conforme disse o poeta, demos mundos ao mundo -, representa, ainda hoje, uma forte contribuição para soluções cada vez mais eficientes.

Também não é menos verdade que temos dado, principalmente na última meia dúzia de anos, fruto de um descontrole total das finanças públicas, um extraordinário impulso na liderança do decrescimento económico, no aumento do desemprego e da corrupção, respondendo, de forma ineficaz e descrente, aos justos anseios dos portugueses, numa óptica de insustentabilidade e de ineficiência produtiva, colocando o nosso país num patamar, quase que diria, desprezado pelo resto do mundo.

Aliás, também não é por acaso que Portugal se encontra, no rol dos países europeus, entre os menos desenvolvidos, desencontrando-se, deste modo, com os grandes objectivos estratégicos das grandes empresas internacionais, fazendo-as sentir receosas de aqui investirem, dando, assim, azo a uma reduzida ou nula cooperação.

Tudo isto nos contrista, nos coloca cabisbaixos e temerosos, pois as melhores sinergias são desbaratadas e, consequentemente, apenas nos resta esperar os piores resultados para mal do nosso futuro.

Por fim, uma palavra de alento. Possuímos oito séculos de história, sem guerras inter-regionais e com as fronteiras há muito definidas, dados mais que suficientes para que, sem margens para dúvidas, nos possamos consciencializar de que temos fundações para sairmos desta crise, por muito grande que seja e, em boa verdade, é.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:24

Outubro 28 2010

Segundo se afirma é, actualmente, um homem que vive só. Com filhos oriundos dos tempos em que foi casado, optou por viver, hoje-em-dia, de uma forma algo distante dos seus concidadãos. O cargo que ocupa, de certo modo, a isso o obrigou. Isto, porém, sem prejuízo de, por vezes, tal como a imprensa cor-de-rosa comenta, gostar de companhia. Modos de vida, direis vós, sobre os quais ninguém tem nada com isso. Apesar de homem de esquerda (chique, claro está), gosta de viver bem. Mais: sabe o que é bom e faz bem.

O andar que habita, em zona nobre de Lisboa, é um reduto de bom gosto para o merecido (!!!) descanso. Os tapetes da sala de estar, em tom suave e de fácil manutenção, são da Bolon. O branco veste, igualmente, as cortinas deste espaço, num requintado algodão egípcio com a assinatura da marca espanhola Gastón y Daniella. O objectivo foi filtrar alguma luz e assegurar a necessária privacidade. Para o mobiliário, da Dimensão, a opção assentou em bases essencialmente escuras. Pelo seu lado, os sofás da Divani & Divani, em branco, contrastando com o mobiliário, mas a condizer com os cortinados, imprimem um toque descontraído. Já o cadeirão Moroso dá um toque diferente ao ambiente que se quis requintado. É uma peça marcante, reservada, fundamentalmente, para a leitura e o relaxe.

Na extensão da sala, a varanda é uma das zonas mais apetecíveis. Com vista para uma zona privilegiada da cidade, tanto pode servir para um lanche ao final da tarde, como também para uma leitura, possuindo, para esse efeito, uma espreguiçadeira de design contemporâneo. Nos quartos, ganham predominância as cores vivas. No principal, uma das paredes foi pintada num azul vivo, salientando-se ainda os brancos dominantes. A cama, com o selo da Colunex, garante noites bem dormidas. Ao azul da parede e ao branco da cama foram juntados tecidos com algumas estampas, riscas, flores e outros apontamentos. Já o quarto ao lado, com uma das paredes colorida de amarelo, é, de certo modo, um espaço multifuncional. Para aqui foi escolhida uma “chaise-longue”, revestida a tecido da Gastón y Daniella, com uma textura muito rica.

Os quadros, todos eles de autores portugueses, reflectem um gosto bastante eclético, muito ao estilo do proprietário. Vão desde as clássicas pinturas de Vieira da Silva, Abel Manta, Júlio Pomar, entre outras, passando pelos autores mais contemporâneos, tais como Paula Rego e Barahona Possollo. Não esquecer, todavia, uma magnífica escultura de Cutileiro, colocada ao fundo do hall, de modo a que, quem entre, de imediato “encha o olho”.

De quem é a casa? De quem é, perguntarão os leitores. É do nosso “primeiro engenheiro” que, deste modo, sóbrio e singelo, enfrenta a crise e não só! Aliás, no vestir é igualmente muito simples, adquirindo o que veste no pronto-a-vestir de um qualquer centro comercial, tal como a generalidade dos portugueses. Todavia, isso será objecto de nova crónica.

 

P.S. – Qualquer semelhança entre o teor do texto e a realidade é pura coincidência. Ou talvez não!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:38

Outubro 27 2010

Ontem falava, neste espaço, de fornecer aos jovens e menos jovens uma “enxada”. Ora, quem fala nesta ferramenta, poderá referir-se também a um “canudo”. Todavia, no pé em que as coisas estão, o que vemos, em boa verdade, é tudo por um canudo. É tudo miragem, espuma ao sabor dos dias, folclore e muita, muita propaganda.

Atente-se em mais uma medida emblemática deste (des)governo, anunciada com pompa e circunstância e que afinal não passa de um enorme flop. Refiro-me, concretamente, à distribuição de fruta pelas 500 000 crianças do 1º Ciclo, como complemento às refeições, no âmbito de uma estratégia de programação de alimentação saudável.

Apesar da iniciativa me parecer algo exagerada, uma vez que a aludida fruta deverá, obrigatoriamente, constar dos menus das crianças, sem necessidade destas medidas avulsas, mesmo assim, dou de barato como razoavelmente louvável. Aliás, nesta conformidade, não nos admiramos da adesão de 140 autarquias à dita medida, as quais, como é óbvio, pagaram aos respectivos fornecedores.

Recordo que, a nível nacional, o programa foi lançado em Outubro do ano passado, e, através de uma portaria, o Governo aprovou o regulamento do "Regime de Fruta Escolar" que se aplica aos estabelecimentos de ensino público.

Porém, com o agudizar da crise, o dinheiro para tal deixou de existir, algo que também não podemos estranhar, pois este governo já nos habituou a nunca fazer contas tendo em atenção o futuro. Assim, ao não transferir qualquer verba relativa ao programa, só se pode concluir que esta iniciativa governamental não passou de mais um “fogo-de-vista” tão comum nos dias que correm.

Como é lógico, os municípios envolvidos ameaçam suspender a execução do programa, pelo que lá vai mais … um emblema.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:15

Outubro 26 2010

Em tempos que já lá vão era importante passar aos filhos uma “enxada”, isto é, uma ferramenta, um utensílio de trabalho, que permitisse a autonomia de vida, a realização pessoal através do ganha-pão e, de algum modo, uma forma de estabilidade.

Hoje há pais, felizmente uma minoria, que não têm os mesmos objectivos. E, para todos, é claro que o número de jovens que também comungam destes infaustos ideais é, nos tempos que correm, muito maior. Já lá dizia o poeta: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,/Muda-se o ser, muda-se a confiança;/Todo o mundo é composto de mudança,/Tomando sempre novas qualidades.

Todavia, não são apenas os maus exemplos transmitidos de pais para filhos que, infelizmente, vigoram hoje-em-dia, pois uma parte substancial dos nossos governantes e chefias dão, constantemente, um espectáculo pouco digno.

Veja-se, por exemplo, o que se passa nos designados mega-agrupamentos em que as unidades de ensino, por estarem mais ou menos afastadas do “poder” central, vivem numa espécie de limbo, quase em permanente auto-gestão, não recebendo instruções – e quando as recebem é tarde e a más horas - e sem que lhes seja dada qualquer autoridade de decisão. O placard da sala de professores, outrora constantemente a abarrotar de tanta informação, chegando ao cúmulo de se retirar alguma antes de decorridos os oito dias de afixação para que nova coubesse, agora passam-se semanas, meses e … nada. Nada também não é bem assim, pois as convocatórias para as reuniões lá vão aparecendo. Será que não chega qualquer informação relevante à sede do mega-agrupamento que seja do interesse de todos os docentes? Ou será que apenas é afixada na sede, obrigando, os que não exercem funções nesta, a deslocarem-se aí? Se assim é que o digam abertamente. De entre muitos, outro exemplo: quantas vezes o conselho pedagógico já reuniu? Das respectivas minutas apenas foi afixada a primeira, datada dos inícios de Setembro p.p., a qual, aliás, já tem barbas, não se cumprindo, deste modo, o estipulado no respectivo regimento interno. A quem interessa o desconhecimento? Ou será que apenas os excelsos e mui dignos membros daquele órgão possuem a suprema sabedoria para terem conhecimento de tão elevados assuntos?

Será que tais erros e incúrias se deverão à falta de pessoal? Não, não pode ser. Para quem “herdou” funcionários de três serviços administrativos não se pode queixar de falta de recursos humanos. O defeito está noutro lado …

Voltando ao tema inicial desta crónica, concluirei que, actualmente, para além de não se dar qualquer “enxada”, esconde-se – vá-se lá saber porquê - o modo como se cava.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:31

Outubro 25 2010

A dor de cotovelo, infelizmente, ainda não paga imposto, pois se a isso fosse obrigada, o nosso défice e endividamento não se situavam nos níveis em que estão. Uma carreira, quer a nível social, profissional ou mesmo familiar, é, acima de tudo, um caminho para a valorização. É evidente que existem sempre margens para errar, tal como nunca acabam os espaços para arriscar. Certo, certo é que se queremos ser produtivos devemos escolher o que mais nos faz feliz. Ainda que mal comparado, podemos dizer que qualquer pessoa que pense em si como uma empresa consegue vender mais se fizer aquilo que gosta e, sobretudo, acreditar no que vende. O bom desempenho reside aí.

A forma humilde e sem rigidez como desempenhamos as nossas funções, sem cair, evidentemente, no “deixa andar”, no “quem vier atrás que feche a porta e, se possível, apague a luz”, denotando de forma simples e correcta modos de ser e de estar urbanos, sem pretensiosismo balofo e incoerente, é outra das formas para o sucesso. A luta por uma existência digna deve acompanhar sempre o Homem, sendo verdade que, o trabalho honesto, é inseparável dessa dignidade.

Não admira, por isso, que uma sociedade que perde, como uma das suas referências essenciais, o trabalho digno – leia-se humilde e eficaz, sem olhar a quem e por quem -, não poderá sobreviver. Aliás, o ideal seria que todos pudéssemos exercer de forma modesta o métier para o qual nos sentimos vocacionados. Infelizmente, a organização da sociedade raramente torna isso possível, uma vez que procura, essencialmente, tirar proveito do reflexo e não da acção.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:41

Outubro 21 2010

Por não querer dar armas aos adversários, escuso-me de citar, no presente texto, nomes ou instituições. Sei que não é bonito “não dar nome aos bois”, mas existem momentos em que a excepção é perfeitamente plausível.

Entrando no cerne da questão, o certo é que, em tempos não muito longínquos - foi há pouco mais de um ano - houve uma senhora, de seu nome Manuela Ferreira Leite, que indicou o caminho correcto que havia a percorrer. Como se costuma dizer popularmente: sabia da poda. Mais: deu claramente todos os sinais de como estavam as finanças públicas e o estado da economia do país. E alguém lhe deu atenção? A resposta, todos nós a sabemos: muito poucos. Para além de todos os detractores externos, mesmo dentro do seu partido, não faltou quem a apelidasse de “Velha do Restelo”, desfasada do tempo, sorumbática, tristonha, nada carismática e avessa aos sinais do tempo – leia-se show off.

A verdade é que se preferiu dar ouvidos aos cantos de sereia, escutar o folclore, olhar para a espuma dos dias, olvidando a realidade (dura) que já nos entrava porta dentro. No fundo, bem no fundo, e dito de outro modo, a maioria preferiu escolher as flores, sabendo que, já naquela altura, não tínhamos adubo e água para continuar a alimentá-las. E fazendo algum paralelismo com o conhecido adágio popular, agora, que aquelas secaram ou minguaram, de tal forma, que apenas vemos uns meros resquícios, apenas nos resta levar com o vaso em cima.

Lamento apenas que tenhamos todos de sofrer por aqueles que, apesar de acordados, preferiram continuar a sonhar com um oásis.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:26

Outubro 20 2010

Neste cantinho à beira mar plantado, habitado por gente de brandos costumes, a redução de custos ganhou recentemente foros de uma cidadania invulgar. Diria até de uma importância capital e estratégica. Todavia, encontrar a melhor forma de o fazer, sem que isso afecte a capacidade de produção e a inerente resposta das organizações, não é tarefa fácil e, por isso, não ao alcance de qualquer um.

De tal forma assim é que, a maioria dos nossos governantes e gestores, começa a cortar nos custos que são mais visíveis e de retorno imediato: ordenados, ajudas de custo, prémios, entre outros. Porém, como estes cortes não estão em sintonia com os objectivos directos da organização, nem sequer comportam uma estratégia subjacente perfeitamente delineada, tornam-se um perfeito erro. Trata-se, única e exclusivamente, da aplicação cega e dura da “lei do desespero”.

Assim, quando essa “lei” é levada a direito, sem regras, causa, a curto e a médio prazo, sequelas nas organizações. De tal forma que no tecido organizacional, nomeadamente na manta já imensamente retalhada como é o caso de Portugal, as instituições acreditam que podem cortar nas despesas gerais e no pessoal sem que isso afecte o rendimento destas. Ora, esta estratégia está errada pois, quanto muito, a organização só deverá cortar nos estímulos extraordinários dos colaboradores. E, mesmo estes, somente quando existe excedente de pessoal ou, então, quando por motivos de modernização, a mesma já não precise do mesmo número de funcionários. É que, nestas circunstâncias, todos compreendem ser preferível prescindir de regalias extra do que ir para o desemprego.

Por outro lado, é óbvio que somente com colaboradores minimamente satisfeitos teremos um desempenho e consequente produtividade que possa, com sucesso, levar os projectos organizacionais avante. E, sabendo que o salário é entendido, e bem, como uma questão de justiça, não é por acaso que, já em 1993, Greenberg («Justice and organizational citizenchip: a commentary on the state of the science». Employee Responsabilities and Rights Journal, 6(3): 249-256) afirmava que “as pessoas comportam-se altruisticamente para com a organização em que trabalham se acreditarem que são tratadas com justiça”.

Como é óbvio, seja quais forem as circunstâncias, não existe uma solução perfeita para o problema. Existe, sim, sempre a possibilidade das organizações adoptarem medidas e melhorias nos sistemas internos. Por isso, tudo deve ser medido e monitorizado antes da instituição começar a cortar a direito.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:33

Outubro 18 2010

Sou a favor da aprovação, pela AR, do Orçamento de Estado apresentado, na última semana, pelo governo. Não que veja neste crucial documento quaisquer medidas positivas para o futuro do país, mas por entender que é preferível um mau orçamento do que não ter nenhum, uma vez que a sua ausência será, de certo modo, um passo em frente quando estamos mesmo à beira do precipício. Contudo, esta posição não isenta o principal partido da oposição da sua obrigação de negociar, o máximo possível, senão todas, pelo menos algumas das medidas extremamente gravosas para a generalidade dos portugueses. Assim, não vejo necessidade de voto favorável, o que, estou certo, não irá acontecer, pois, para a aprovação, basta a sua abstenção.

No entanto, nem tudo é mau naquele documento. Após conhecer algumas das medidas propostas para a Educação, (re)afirmo que concordo com muitas delas, sendo que as mesmas só pecam por tardias e insuficientes. Vejamos aquelas que mais implicações têm no dia-a-dia das escolas:

  • Alterações curriculares (eliminação da Área de Projecto e do Estudo Acompanhado);
  • Obrigatoriedade dos professores-bibliotecários leccionarem uma turma;
  • Redução do financiamento para o “Programa Escolhas”;
  • Reformulação do "Programa de Educação para a Saúde";
  • Reorganização do financiamento dos programas para o Plano Nacional de Leitura e a Rede de Bibliotecas Escolares;
  • Alteração dos escalões para atribuição de adjuntos da direcção de escolas;
  • Redução do crédito horário das escolas;
  • Redução do número de horas de assessoria à direcção das escolas;
  • Alteração das condições para dispensa da componente lectiva de coordenadores de estabelecimento de ensino;
  • Redução das horas das equipas do Plano Tecnológico da Educação;
  • Redução das situações de mobilidade para outras funções.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:33
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Outubro 17 2010

 

Nesta tarde em que o sol rompe, a rodos, pelas janelas sacadas de minha casa, aquecendo e atenuando as dores de um corpo fatigado pelos trabalhos agrícolas do fim-de-semana, relaxo no sofá e procuro não pensar em nada.

A missa dominical e, principalmente, o belo sermão feito por um sacerdote amigo, o qual já não via há mais de uma década, acalmou o espírito e proporcionou o aconchego àqueles que, na medida das suas possibilidades, têm procurado dar, através do exemplo, da palavra e do incentivo, a inspiração para a semana que se avizinha.

Entretanto, resta-me esperar docemente …

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:56

Outubro 15 2010

Sei, de antemão, que alguns vão dizer que os rankings não reflectem verdadeiramente o trabalho das escolas e que existem imensos factores que aqueles não têm em conta. Todavia, valendo pouco ou muito, espelhando ou não a realidade escolar, o certo é que ninguém lhes é indiferente e, por isso, os que se situam nos lugares cimeiros não disfarçam o seu regozijo, tal como os que estão no fundo da tabela não perdem oportunidade para argumentar contra tal seriação.

Hoje, à semelhança dos anos anteriores, os jornais de referência trazem à estampa o ranking das escolas baseado nos exames feitos pelos respectivos alunos em 2010. E, concedendo, de bom grado, que não se pode comparar o incomparável, como, por exemplo, a Secundária D. Maria-Coimbra e a Secundária de Belmonte, pelos motivos que facilmente se deduzem, a verdade é que tal já se pode fazer em escolas do mesmo concelho, separadas por meia dúzia de metros, como é o caso de Mealhada.

Assim, no respeitante aos exames do 9º ano, e transcrevendo os dados do “Público” podemos observar

 

Escola

Nº de provas

Média

Posição no Ranking

EB 2,3 de Pampilhosa

64

3.13

198

Sec.ª de Mealhada

100

2.60

873

EB 2,3 de Mealhada

60

2.55

937

 

Ora, tendo em conta que os alunos da Pampilhosa, finalistas do 3º Ciclo, percorreram a maior parte do seu percurso escolar durante um espaço temporal em que aí tive as maiores responsabilidades, e, apesar, de saber que tal sucesso se deve, essencialmente, aos alunos, professores e respectivas famílias, penso ser justo reivindicar também alguns dos louros.

Outra vertente que importa realçar tem a ver com o modo como, ultimamente, se tem “dirigido” os destinos da educação a nível do concelho de Mealhada. Como é do conhecimento geral, as determinações que têm surgido - já aqui, por várias vezes, criticadas - seguem as pisadas do que tem sido prática na ex-Secundária. Então, não será um paradoxo percorrer o caminho traçado por uma escola cujos resultados, ano após ano, se tem pautado pelos últimos lugares dos rankings?

Sempre nos foi ensinado que deveríamos seguir os que, com provas dadas, se posicionam, indiscutivelmente, no topo da liderança e nunca o contrário. Mas, nos tempos que correm já nada nos pode admirar!

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:09

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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