Ainda a recuperar de forte gripe – é a terceira; eu não acredito em bruxas, mas que as há, há – resolvi passar este domingo em casa. Domingo, pelo menos da parte da tarde, de chuva miúda, tornando o ambiente ainda mais soturno. As notícias, quer nos jornais, quer na TV, apenas realçam a campanha eleitoral para as presidenciais. Lá pelo meio um ou outro destaque, a maior parte das vezes sem qualquer importância.
Todavia, há relevâncias que se dão a esta ou a outra, muitas delas autênticos spins, que não passam de montanhas que no final apenas parem ratos. Por exemplo, hoje noticiava-se que o Ministério da Educação pagou, o ano passado, 26 milhões de euros a 30 mil professores em horas extraordinárias. Visto de um prisma primário até parece que os docentes receberam, em acréscimo, uma fortuna. Esta é uma das situações que mais parece à la carte do CM. Denota mau jornalismo e, sobretudo, falta de trabalho de casa.
É que se nos dermos ao trabalho, veremos que, em média, cada professor recebeu bem menos de mil euros. Por outro lado, se avançarmos que tal importância se reporta a acerto de contas em horas extraordinárias desde 2018, então o caso muda totalmente de figura. Mais: tal atraso na aludida rectificação não veio, de modo algum, acrescida dos respectivos juros. Observem o que acontece com os nossos impostos: atrasamo-nos, nem que seja um dia, e o fisco cobra-nos, de imediato, um tanto a mais.
