O meu ponto de vista

Julho 18 2019

Faltavam poucos minutos para as nove da noite. Tudo sossegado. As empresas têm, na sua esmagadora maioria, as luzes apagadas e, nas ruas, o trânsito circulava com relativa fluidez. A família jantava e o João conversava com os filhos, enquanto a Fernanda se ausentou, facto a que, como é lógico, ninguém deu importância. De repente um estrondo de uma porta a bater fortemente e gritos. Era a Fernanda, possessa de tanta raiva e com os olhos raiados de sangue.

- João, o que é isto? Cabelos louros no teu casaco e a camisa manchada de batom?

Filme? Não. É a realidade dos nossos tempos, possível em qualquer ponto do globo. E, embora haja casas onde estes eventos parecem longínquos, eles ocorrem onde menos se espera.

Dia seguinte. Por volta das oito da manhã, tudo ainda está meio sossegado. As famílias despedem-se à porta da escola ou de casa. Estudantes entram, pouco depois, nas aulas, profissionais vão para os seus escritórios.

Na empresa, o CEO desta, Miguel Santos de sua graça, liga o computador e … nada. Volta a tentar e mais uma vez não tem sucesso. Chama o Tozé, de certo modo o guru da informática, e este detecta que piratas informáticos conseguiram invadir o servidor e tomaram posse de todos os dados: pessoais, profissionais e outros que nem é bom falar. Assaltado repentinamente por uma fúria desmedida, grita a plenos pulmões

- Mas que merd@ é esta? Então e agora?

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:00

Julho 15 2019

Como a maioria também não gosto do artigo de Maria de Fátima Bonifácio, publicado no Público da semana passada e que tanta celeuma tem gerado. Só que não vou tão longe nos reparos e não serei acintoso como foram muitos daqueles que, publicamente e apenas publicamente, rasgaram as vestes de indignação, só faltando pedir o regresso da Inquisição para que aquela historiadora fosse imolada pelo fogo.

O aludido texto começa bem para terminar pessimamente. Troca os pés pelas mãos, não fundamenta e, ainda por cima, faz generalizações extremamente perigosas. Todavia, por muito que me desagrade, jamais me passou pela cabeça proceder a qualquer tipo de censura prévia. Aliás, o aludido escrito se mais não serviu, pelo menos originou discussão o que já por si é salutar e, por isso, com algum mérito. Muitos dos que a criticaram semeiam - senão diariamente, quase – pela nossos media palavras atrás de palavras, das quais, na esmagadora maioria das vezes, apenas resulta um enorme bocejo.

Aquilo que os comentadores e políticos, bem instalados na vida, se esqueceram de dizer é que, apesar de baterem no peito e gritarem aos setes ventos a sua extrema amizade e admiração por negros e ciganos, jamais moraram perto destes, casaram ou partilharam uma refeição. E se alguma vez o fizeram, tal foi a título excepcional e com intuitos meramente políticos. O politicamente correcto faz autênticos milagres.

Por exemplo, nas campanhas eleitorais visitam os bairros onde estas minorias vivem, labutam e sobretudo padecem. Porém, quando as câmaras de TV se desligam zarpam o mais rápido possível, voltando para os seus bairros mais ou menos chiques, não se esquecendo de se lavar muito bem, quando chegam ao jacúzi das suas vivendas e/ou apartamentos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:22

Julho 12 2019

Está demasiado calor para fazer o que quer que seja. Até para redigir estas singelas palavras é quase uma imolação. Então, hoje, com esta canícula abafada, em que nem a mais pequena brisa sopra, é demais. O mínimo esforço dá para ensopar a t-shirt, a qual se substitui hora após hora. O bom é que o calor as seca rapidamente. Só a água fresca nos conforta. Porém, nem tudo é mau. Dá para ter um “bronze à pedreiro” que não envergonha ao pé de quem está a banhos. Não confundir com os Banhos!

Então, para quem trabalhos agrícolas inadiáveis – semear não custa, o difícil é cuidar, já dizia a minha mãe –, este tempo é maravilhoso para queimar o excesso de calorias. Contudo, ainda há quem diga que este adurir não se nota assim tanto. Respondo que não olhem para o que ingero, mas para a faina que executo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:43

Julho 10 2019

Só Deus sabe o que se sofreu – então, eu, particularmente nem se fale – por causa da avaliação de desempenho docente, vulgo ADD. Em tempos que já lá vão, tudo se contestava, tudo era negativo, e o sol jamais brilharia com tal medida. As pessoas mal esclarecidas e, sobretudo, acicatadas pelos sindicatos tudo deturpavam. Pura e simplesmente, não queriam e não aceitavam sequer a mínima discussão. Pouco importava que pessoas houvesse que tinham de obedecer a ordens superiores. Sim, bem sei que outros, hoje-em-dia muito bem posicionados, nada ligaram a isso. Nunca foi e jamais será a minha ideia de serviço público. A não ser que seja algo que fortemente se interponha entre o dever de lealdade e os meus valores éticos/morais, nunca vacilarei sobre o caminho a seguir, mesmo que isso me crie uma auréola de impopularidade. Aliás, foi o que aconteceu.

Deixemos, porém, a luta de 2007 e 2008. É algo que já lá vai e como o nosso povo costuma dizer “águas passadas não movem moinhos”. Importa o dia de hoje. E actualmente a maioria dos docentes está, nesta altura, a ser avaliada e, de certo modo, pelos mesmos parâmetros e tendo por base a incidência em idênticos percentis.

Assim, é engraçado - ou, melhor, até nem tem graça nenhuma – verificar a passividade em como que se aceita a avaliação docente. Mais: quotidianamente todos se submetem e não se verifica qualquer relutância em aceitar o resultado final. Eu que o diga como avaliador.

Passados dez/onze anos a mansidão é total, o que me leva a perguntar: para quê tantos vitupérios, tanta maledicência, tanto enforcamento em praça pública, tanto azedume e grito de revolta? Afinal, soçobraram uma vez que a razão não os assistia. Poderão dizer que a idade os alquebrou. Todavia, a verdade é que não quiseram ouvir, naquela altura, a voz da razão. O canto das sereias falou mais alto. Infelizmente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:40

Julho 09 2019

Há oito anos, tanto na Grécia como em Portugal, os socialistas levaram os respectivos paises à bancarrota. É um dado adquirido e irrefutável. Ponto final. Com raríssimas excepções, como é o caso do actual governo português, sobretudo pelo constante pé no travão do Centeno, os socialistas são uns mãos largas a distribuir dividendos, para depois recuarem à socapa, deixando a outros atarefa de se virarem com sucessivos planos de resgate, já que a inexistência e a sua não aplicação implicaria não ter sequer pão para a boca.

O certo é que, tanto num país como no outro, os governos que suportaram e implementaram, pela força das circunstâncias, austeridade sofreram em eleições seguintes pesadas derrotas. Em Portugal, Sócrates elevou o país ao pináculo da imperfeição. Sucedeu-lhe Passos Coelho que redimiu, à custa de imensos sacrifícios, o país, para logo a seguir perder o governo. Não as eleições que é coisa distinta. Na Grécia, os socialistas do PAZOK conseguiram que este atingisse a degradação total. Sucedeu-lhes o Syriza, como salvador da pátria. Prometeu mundos e fundos para, logo a seguir, acabar vergado ao peso dos credores. Claro que quem necessita de dinheiro, amocha. Agora, perdeu em toda a linha para a direita.

Como corolário: em tempos de vacas magras – leia-se ausência de pilim – jamais queiras governar. É que corres o sério risco de salvar o país, mas acabar afogado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:08

Julho 08 2019

Como tudo na vida, também em política é absolutamente necessário apresentar ideias claras e sobretudo ter espinha dorsal. Isto de indefinições, de poder andar com a Maria e/ou com o Manuel, é trafulhice, para não dizer que é pura demagogia.

António Costa, pretendendo dar uma de muito honesto afirmou hoje à RR que “jamais fará chantagem com os portugueses dizendo que só governa nesta ou naquela situação". Ora, isto é, sem margem para dúvidas, almejar o poder acima de tudo, ou seja, tanto o poderá fazer em forma de gerinçonça reinventada, como até em modo de aliança com o CDS e/ou PAN, já que com o PSD é algo que se pode vislumbrar muito longinquamente, mas não impossível.

Resumindo, o que importa é governar, colocando em bons e recatados lugares os amigos e familiares. Com quem, isso pouco importa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:56

Julho 04 2019

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A bebé Matilde tem, e ainda bem, gerado uma onda de solidariedade por todo o país. Não há rede social onde não existam apelos mais ou menos veementes e pungentes para ajudar a aquisição do medicamento muito caro e que a pode salvar. A comunicação social em geral também não se tem ficado atrás e não existe serviço noticioso onde tal não é relatado ao mínimo pormenor. Eu próprio não fiquei imune à chamada.

Ora, de acordo com as últimas notícias os dois milhões de euros necessários já foram amplamente alcançados. Graças a Deus, acrescento eu. Conclui-se que a solidariedade, entre os portugueses, não é uma palavra vã.

Se até aqui, tal nos leva a erguer as mãos para o Céu, o caso poderá mudar de figura se se confirmar que o Estado suportará todas as despesas desde que o medicamente seja ministrado em Portugal, o que, de acordo com a farmacêutica proprietária da molécula inovadoríssima, não é problema.

Ora, este novo desenvolvimento levanta uma questão: o que fazer com os aludidos dois milhões? Segundo os progenitores da Matilde estes seriam canalizados para outras Matildes. Até aqui tudo bem, com é costume afirmar-se. Porém, escaldados como estamos de outros casos – vide incêndios de Pedrógão Grande, entre outros – é de temer o pior. Deus queira que não.

Por último, e voltando às redes sociais - não que seja um permanente utilizador, informo desde já -, tenho observado que pessoas existem que não se coíbem de divulgar a quantia e algumas chegam ao cúmulo de publicar o recibo da respectiva transferência. Chegados aqui, tenho de que afirmar, em tom peremptório, a minha contrariedade com tais posturas. Sempre fui ensinado que se deve fazer o bem sem olhar a quem, tal como a benemerência e/ou caridade deve ser o mais discreta possível. Já dizia Jesus Cristo, há dois mil anos, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita (Mateus.6:1-18).

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:03

Junho 30 2019

Sintomaticamente atira-se para os lados ou para o ar. Por vezes até se dão tiros nos próprios pés. É um processo que já vi e vivi com (in)sucesso noutras geografias. Aliás, o conhecimento de tal reforça a minha independência, sobretudo no que respeita à aceitação devida de serviços e atenções, para não falar de emoções, reduzindo risco de familiaridade excessiva, bem como reforça a capacidade de defesa da verdade.

Esta postura é, por outro lado, também um mecanismo testado e comprovado para inviabilizar a criação de sentimentos extemporâneos. Se a realização não contém um espírito correcto de colaboração mútua, não acredito que a justiça, tenha esta os contornos que tiver, reforce os acordos de união de esforços, não proporcionando, deste modo, melhorias reais na vivência recíproca.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:24

Junho 28 2019

Pela aparência foi sol de pouca dura. Desde há muito que não se via por estes lados. De um momento para o outro segmentou-se, para a seguir entrar no silêncio e no terceiro dia fazer de arco-íris, ainda por cima numa altura em que este fenómeno raramente ou nunca surge. É caso para dizer que foi um ar que lhe deu. Espero, sinceramente, que não tenha sido o último estertor. Longe vá o agoiro. Lagarto, lagarto … nem de propósito.

Esta coisa de escrever diariamente ou quase é, na maior parte das vezes, extremamente extenuante, tanto mais que o ganho, pelo menos monetariamente, é menos que zero. A sério, amiúde, perante uma folha em branco e autoconvencer-se que terá de se escrever algo é um exercício de puro masoquismo.

Imensas pessoas indagam como é possível escrever diariamente. Como se obtêm os assuntos, as ideias e o modo de redacção, sem que se almeje qualquer usufruto financeiro? O prazer da escrita, o deixar um legado, por muito ténue que seja, são, entre outros motivos, os aditivos que implementam este caminho.

Tenho alguma apetência para este fim? A maioria dos leitores dizem-me que sim. Contudo, lamento verdadeiramente observar tant@s outr@s, com talento devidamente reconhecido, muit@s del@s bem superior ao meu, que à primeira dificuldade e/ou constrangimentos desistem. A justificação é que para tudo há um princípio e um fim. Bem, aqui só para nós, sei de argumentos bem melhores.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:29

Junho 26 2019

Ouvem-se as ministras da Saúde e da Justiça, os ministros da Educação e da Segurança Social, e escuta-se sobretudo o ministro das Finanças, isto sem falar do supra-sumo António Costa, e com a franqueza, a nossa alma fica parva.

Na opinião destes governantes e não só, vivemos no melhor dos mundos. Nunca se investiu tanto na saúde, educação, justiça e segurança social, entre tantas outras áreas, como agora. Jamais houve tantas contratações de médicos, enfermeiros, professores, técnicos superiores disto e daquilo, entre muitas outras contratações. Os números impressionam, pois são milhares aqui, milhares ali e outros tantos ou mais acolá. Não dizem quantos, entretanto, se reformaram, quantos estão de baixa, muitos deles sofrendo de autêntico burnout, sem falar na redução do horário para as 35 horas. Bem, isso também pouco interessa. Por exemplo, se um determinado serviço tinha há quatro anos 12 funcionários e se, entretanto, se reformaram 3 e 2 estão de baixa, bem podem dizer que contrataram 4 que existirá sempre um défice de colaboradores. E não necessito de argumentar que em 2015 o número de horas semanais efectuado seriam 480 horas e que presentemente o mesmo não vai além de 420, i.e., quase menos 2 trabalhadores.

Concluindo, se o caos está instalado nos hospitais, se as escolas não apresentam o mínimo de condições de trabalho, se os enormes atrasos na justiça são, desde logo, uma injustiça, se os mais idosos esperam e desesperam para que lhes seja atribuído a respectiva pensão, se para renovar o cartão de cidadão ou a carta de condução têm que ir para filas às três da manhã, tal deve-se, pura e simplesmente, ao mau alvedrio dos cidadãos. A que propósito têm que ir ao hospital e à escola, procurar o tribunal ou exigir a pensão?

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:00

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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