O meu ponto de vista

Maio 17 2019

Hoje almocei bacalhau com grão. Por cima um pouco de salsa e cebola migada, sem esquecer o ovo cozido. Quanto à batata, no que concerne a este prato, sempre a dispensei. Acompanhado com um bom vinho, ainda de minhas antigas colheitas, soube-me divinalmente.

O bacalhau, cozinhado de mil e uma maneiras, como só nós, os portugueses, sabemos fazer, é considerado, por agora, friso por agora, um alimento de origem selvagem e com evidentes vantagens ao nível do seu rendimento, pois tudo nele é aproveitado. Quem não aprecia um arroz de línguas, uma feijoada de sames ou de bucho, isto para não falar dos pastéis e/ou pataniscas, entre outras iguarias.

Por isso, não é novidade para ninguém quando se afirma que são os portugueses que, em termos de per capita, mais bacalhau consomem. Aliás, a actividade bacalhoeira em Portugal é, sem dúvida, uma marca da nossa cultura nacional. Outrora associada à pesca, esta actividade foi fomentada pelo desígnio de aceder a uma importante fonte de proteína para suprir as necessidades alimentares do país. Não é por caso que este foi, durante dezenas e dezenas de anos, o único peixe que os habitantes deste país, mais concretamente, os que viviam e ainda vivem no seu interior, puderam e podem comer. Daí não admirar que ainda hoje o melhor bacalhau se come, não no litoral, mas no mais recôndito deste rectângulo à beira-mar plantado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:32

Maio 16 2019

O ME, Tiago Brandão Rodrigues, já se assumiu como defensor radical da luta dos professores. Bem, foi o que se viu. Estamos falados. Ponto final parágrafo.

O actual secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, e putativo candidato a novo mandato, foi um encarniçado lutador em prol da defesa dos direitos dos professores, isto tendo em linha de conta os primeiros tempos de Maria Lurdes Rodrigues e, sobretudo, durante o “reinado” de Nuno Crato. Hoje, após ter apoiado a geringonça, ter tecido os maiores encómios ao ainda ME, e depois de ter sofrido a maior derrota, deixou-se de greves e deu ênfase a uma nova forma de luta: convocação de comícios/manifestações designados de indignação. Antevejo um belo funeral, porque se não estamos em luta pelo menos de luto permanecemos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:36

Maio 15 2019

Os políticos portugueses, desde o presidente da mais minúscula junta de freguesia, passando pelo médio ou grande município e acabando no governo, estão cada vez mais irritantes e, sobretudo, boçais. Para dar nas vistas, colocam-se em bicos dos pés, fazem o pino e a cambalhota, dizem tudo e o seu contrário, procedem hoje de um modo e amanhã de outro, entre tantos outros dislates. E, para piorar, fazem-no de forma constante e reiterada.

Por exemplo, uma junta de freguesia da capital, com o fim de agradar ao lobby LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros) decidiu pintar as passadeiras com as cores do arco-íris, bandeira deste grupo minoritário, o qual tem um poder e uma força, principalmente nos media, maioritária. Ressalve-se que não faltam outras instituições que chegam a fazer – desculpem a expressão menos prosaica - da cara cu para comprazer aquele(s).

Voltando às ditas passadeiras, não tardou a chegar o bom senso e, acima de tudo, a palavra da lei, verificando-se que estas se encontravam ilegais, i.e., não cumpriam o estabelecido no Código de Estrada. Mais: representavam um perigo muito sério para a segurança dos peões. Solução, à portuguesa, acrescento eu: as ditas voltam a ser a preto e branco, mas os pilaretes, colocados dum lado e de outro da rua, vão ser pintadas de vermelho, amarelo, verde, rosa, etc., etc.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:15

Maio 14 2019

A crer no que se ouve, o país inteiro está chocado com as declarações de Joe Berardo na AR. Que são alarves, inadmissíveis em qualquer lugar e, sobretudo, naquele, bem como são manifesto gozo com os portugueses, ninguém tem dúvida. Todavia, será que todos têm razão para manifestar tanta indignação, rasgar as vestes, quais jovens virgens, e atirar-se àquele tal como lobo esfaimado se atira à presa?

Não. Mil vezes não. Berardo não é fruto do acaso e muito menos emergiu graças a seu esforço. Este surgiu devido a uma (in)cultura desbragada, bem como foi, não digo um mero instrumento, já que de naif, para não dizer insano, não tem nada, mas um meio usado por Sócrates para um objectivo muito mais lato. A tentativa do domínio da banca, e por consequência as principais empresas nacionais, era absoluto por parte do governo PS de 2007/09, então comandado por aquele “ilustre” político, do qual António Costa e não só faziam parte e jamais se demarcaram.

Por isso, não acredito na repulsa que muitos socialistas manifestam neste caso. O primeiro-ministro considerou esta segunda-feira que Portugal está "seguramente chocado com o desplante" de Joe Berardo, quando foi ouvido na Assembleia da República, e disse esperar que o empresário pague "o que deve" à Caixa Geral de Depósitos.

Portugal continua a ser um país de hipócritas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:03

Maio 13 2019

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) a carga fiscal portuguesa ficou no ano passado em 35,4% do produto interno bruto, numa evolução da cobrança de impostos que traduz em 2018 uma subida de um ponto percentual no peso das receitas fiscais na economia (34,4% em 2017).

E continuamos cantando e rindo como nada se passasse. Sem margem para dúvidas, o rei vai nu e são poucos aqueles que dão por isso. Não entendo como há tanta gente a tentar passar entre os pingos da chuva. Todavia, consolo-me por saber que ainda há gente que se atreve a dizer não!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:06

Maio 11 2019

Tiago Brandão Rodrigues, excelso ME – apenas no papel, entenda-se -, regressou de férias. Durante a crise esteve a banhos em Cabo Verde. Também, é verdade que ninguém deu pela sua ausência. Bem, já não de agora.

Por outro lado, Mário Nogueira, garantiu que, afinal não vai abandonar, por muito desiludido que esteja, o PCP. E mais: vai recandidatar-se a mais um mandato como secretário-geral da Fenprof.

Por isso, continua tudo como dantes, quartel-general em Abrantes …

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:34

Maio 09 2019

Uma auditoria do Tribunal de Contas (TdC) detectou, entre muitas outras, falhas no Programa Nacional do Fundo para o Asilo, Migração e Integração (FAMI), um instrumento aprovado pela Comissão Europeia em 2015 e que permite a Portugal receber verbas comunitárias para financiar projectos e medidas de apoio a migrantes. Uma das conclusões do TdC mostrava que em Julho de 2018 só tinham sido executados 25% das verbas aprovadas.

Entretanto, como já vem sendo hábito, o governo, através dos gabinetes do Ministro da Administração Interna e da Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, já reagiram esta quarta-feira e garantem que não houve qualquer perda de financiamento atribuído a Portugal e que este montante continua sob gestão do Estado Português.

A pergunta que se impõe: em que ficamos? Acreditamos no Tribunal de Contas ou na informação governamental? É que isto está a tornar-se um vício. Alguém, acima de toda a suspeita, diz uma coisa e, de imediato, o governo, através da sua poderosíssima máquina de propaganda, vem desmentir.

Aliás, o mesmo aconteceu ontem. A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), organismo de apoio à Assembleia da República, aponta para um custo líquido da recomposição total de todas as carreiras especiais, professores e não só, que retira 232 milhões aos valores brutos que o governo tem vindo a divulgar. E que medida não impede cumprimento de regras orçamentais. Oposição e esquerda reforçam acusações de "aldrabice" e "mentira". Finanças dizem que cálculo daquela Unidade é "arbitrário".

Com toda a sinceridade já começo a enxergar muito mal. Também não admira. Com tanta areia que nos atiram aos olhos, não existe oftalmologista que nos valha.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:37

Maio 08 2019

Isto, sim, é novidade. De acordo com as notícias da manhã de hoje, Mário Nogueira, o mais que querido líder da Fenprof, está muito desiludido com o seu partido de sempre, o PCP. Tanta amargura, aliada a muito desespero, levam-no a pensar em abandonar o partido.

É de homem e, acima de tudo, de professor. Neste momento ainda com letra minúscula, mas nunca se sabe quando não alterarei a grafia. O resto são cantigas e, sobretudo, encenações. Os professores continuarão a chuchar no dedo e pergunto: então, e depois? Já não estamos acostumados?

G'anda Mário. Os velhos sindicalistas, tal como as árvores, morrem de pé! Dá-lhe com força. Existe sempre uma sala de aula à tua espera.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:03

Maio 07 2019

Acabei de ver a entrevista de Rui Rio à TVI, tal como ontem o fiz com António Costa. Primeiramente, há a salientar alguma alarvidade e, sobretudo, acutilância com que o jornalista desta estação tratou o líder do PSD, isto em comparação com a benevolência denotada com o primeiro-ministro.

Depois, se bem se recordam, a colocação de António Costa foi a estar em primeiro plano, i.e., de frente para as câmaras. Rui Rio, situado de lado, as câmaras constantemente o apanharam apenas de perfil. Poderão dizer, os meus caros leitores, que são apenas questiúnculas, matéria de lana-caprina. Até pode ser. Todavia, que tem muita importância, isso é indesmentível. Pelo menos para aqueles que acham que uma imagem vale mais que mil palavras. Poder olhar os cidadãos, olhos nos olhos, dá outro sainete

Quanto ao que foi dito por um e por outro, apenas direi que o líder socialista mentiu e mentiu descaradamente, enquanto Rui Rio não conseguiu ser assertivo. Por exemplo, António Costa disse, por várias vezes, que os sindicatos foram irredutíveis relativamente à sua proposta, enquanto o governo sempre esteve de boa-fé. Então, pergunta-se: se assim foi, onde estão as outras propostas governamentais? O certo é que Mário Centeno – sim, foi este o mentor – fez umas contas mirabolantes, estabeleceu um tempo de recuperação e mais não se moveu.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:12

Maio 06 2019

A propósito desta crise, a qual há quem diga provocada pelos professores, eu, enquanto docente, apenas tenho uma recomendação a fazer aos políticos, sobretudo aos do arco da governação, vulgo PS, PSD e CDS. 

Meninos deixem-se de teatros, fantochadas e golpes palacianos. Ponham-se com juizinho, pois, caso contrário, terei de vos colocar na rua e com falta disciplinar agravada.

A hora é de estudar e seriamente. Não estão no recreio e, nesta ordem de ideias, não é momento para brincadeiras. Aliás, mesmo nos intervalos o divertimento tem limites.

publicado por Hernani de J. Pereira às 08:46

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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