O meu ponto de vista

Novembro 14 2018

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De tempos a tempos algo acontece que até parece que todo o mundo depende de nós ou, então, desaba sobre as nossas cabeças. Os afazeres são tantos, originando um ritmo tão avassalador que, à mais pequena faísca, há um desencadear de “incêndios” de proporções dantescas. A paciência esgota-se e os amigos e familiares largam-nos, e com razão, de mão. Culpa de quem? Não sabemos, mas temos raiva a quem sabe.

Não admira, por isso, que nos últimos dias tenha sido involuntariamente bombardeado por uma temática preocupante, i.e., os riscos psicossociais relacionados com o trabalho (intra e extra profissão). O caso não novo, os números é que teimam em crescer e as consequências a tornarem-se cada vez mais irreparáveis.

E quando a mente adoece o corpo é que o paga, com a nítida sensação de perda de produtividade, bem como do correspondente potencial de competitividade. Com o agravante de tal fenómeno surtir como o efeito de uma autêntica bola de neve.

É como se, na prática, todo o trabalho a modos que fosse transferido apenas por uma via sem vasos comunicantes, resultando, sem nos apercebermos, de um enorme stress e um desgaste cumulativo antes, durante e depois de longos dias de trabalho. Assim, não nos admira que Portugal tenha uma das mais elevadas taxas de absentismo por doença e stress laboral, sendo responsável por mais de um terço de todos os novos casos de problemas de saúde.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:10

Novembro 09 2018

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O outro dia os meus alunos do 12º ano, finalistas do Curso de Mecatrónica, indagaram como poderiam procurar emprego e, caso estivessem dentro do perfil, o melhor modo de apresentarem a sua candidatura.

Numa tentativa de corresponder aos seus anseios, na aula seguinte levei uma série de suplementos de jornais e revistas com ofertas de emprego, bem como um conjunto de sites sobre esta temática.

Num daqueles suplementos, a páginas tantas, podia ler-se e passo a citar: “procuramos jovens talentos que consigam conciliar a excelência e o mérito académico com a experiência extracurricular e que tenham fit com a nossa cultura”. Mais à frente adiantava que “os candidatos devem demonstrar energia, atitude, ousadia, e motivação para integrar um mercado dinâmico e uma empresa visionária como a nossa”. A seguir afirmava que a empresa “tem capacidade para proporcionar e promover a sua integração em áreas que dependerão sempre do perfil de cada trainee”. A finalizar o anúncio dizia “que depois de uma primeira fase de assessment, os candidatos são sujeitos a entrevista e a um evento de selecção final”.

Agora pergunto eu: um jovem com 18, 19 ou mesmo 20 anos sente-se atraído por este tipo de «convite»? Mais vale ir, como a maioria dos meus alunos reiteradamente pronunciaram, para a IBM, que é o mesmo que dizer ir  para a Introdução aos Baldes de Massa, ou seja, “ir para as obras”.

Não creiam, porém, os meus caros leitores que isto se passava num anúncio apenas e somente num dos suplementos. Amiúde a “cena”, para usar a linguagem que os alunos utilizaram, repetia-se.

Mais palavras para quê?

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:37

Novembro 08 2018

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O ensino profissional tem as suas vicissitudes e não é por acaso que a maioria dos docentes prefere, de longe, ministrar os respectivos saberes ao dito ensino regular. Como todos sabemos, infelizmente, este tipo de aprendizagem ainda é visto com algum desdém, para não dizer até menosprezo. A esmagadora maioria dos discentes que o frequentam apresentam - utilizarei linguagem muito soft - nível cognitivo baixo, proveniência de agregados familiares desestruturados e, sobretudo, economicamente débeis, bem como comportamentos muitas vezes disruptivos. Para alguns, se não são o lixo da massa estudantil, para lá caminham.

Por isso não me canso de apelar a uma outra postura. O profissional nunca deve esquecer que está a ser avaliado pelo seu desempenho e pela sua capacidade de executar correctamente as tarefas de que está incumbido. Não perder este foco é determinante. Tão determinante como aproveitar todas as ocasiões e experiências para absorver o máximo de aprendizagem durante o tempo de duração do seu curso.

São bem-vistos e valorizados os candidatos a futuros profissionais que questionam, que demonstram vontade de saber, de conhecer e de testar as suas capacidades. Não basta ser profissional, há que ser o profissional. É fundamental que se faça notar e se destaque entre os restantes. Tal não passa somente pelo desempenho, mas também por outras regras de ouro como a imagem, em particular o uso de roupa apropriada, a capacidade de networking e de relacionamento com os demais, sejam eles colegas, docentes, profissionais e gestores de empresas.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:00

Novembro 07 2018

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Não é meu costume concordar com Manuel Alegre. Todavia, como diz o nosso bom povo “não há regra sem excepção”. A sua carta aberta a António Costa sobre a questão das touradas e da caça – desculpem a linguagem mais popular - encheu-me as medidas.

Afirma Manuel Alegre que existe a “tentação [do Governo] de interferir nos gostos e comportamentos das pessoas” — ou a tentação de “protagonismo de alguns deputados e governantes que ninguém mandatou para reordenarem ou desordenarem a nossa civilização”. Adianta ainda, na sua carta, hoje dada à estampa no jornal Público, que “é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correto. É uma questão de liberdade. Liberdade para não gostar de touradas. Mas liberdade para gostar. Liberdade para não gostar da caça. Mas liberdade para gostar. Algo que não se pode decidir por decreto nem por decisões impostas por maiorias táticas e conjunturais. Não é democrático. Para mim, que sou um velho resistente, cheira a totalitarismo. E não aceito”.

Finaliza a missiva com um pedido directo ao primeiro-ministro  “Por isso, meu caro António Costa, peço-lhe que intervenha a favor de valores essenciais do PS: o pluralismo, a tolerância, o respeito pela opinião do outro”, diz, pedindo que o primeiro-ministro interceda pela descida de 6% do IVA para todos os espetáculos sem discriminar a tauromaquia, “já que os prejudicados serão os mais pobres, os trabalhadores que tornam possível este espetáculo”, e pedindo que se oponha à proposta do PAN para alterar o regime jurídico da caça. Segundo Alegre, “estão em causa centenas de postos de trabalho e elevadas perdas económicas para o país, sobretudo para aquelas regiões onde a empregabilidade e a atividade económica estão quase exclusivamente ligadas à caça”.

Não podia estar mais de acordo e, por isso, subscrevo. 

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:50

Novembro 05 2018

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É um tema de percepção, que tem a ver com a nossa cultura de humildade e de descrição, a que, de resto, a nossa educação obriga. Não temos o hábito de comunicar publicamente as nossas vitórias, embora as celebremos privadamente.

O nosso papel não é de protagonistas. No entanto, até porque os êxitos são do conhecimento geral é fácil verificar que os outros continuam a reconhecer a qualidade nos distintos domínios onde actuamos.

Adicionalmente e tendo em conta a informação que é conhecida através de múltiplas manifestações, o volume do trabalho desenvolvido continua a dar-nos motivos para estarmos orgulhosos do nosso posicionamento e do caminho que temos vindo a seguir.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:22

Novembro 04 2018

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O Expresso de ontem, no seu primeiro caderno, trazia uma longa entrevista com Catarina Martins, líder do BE. Esta não foi por menos: duas longas páginas onde falou de tudo e de mais alguma coisa. Dissertou sobre o que conseguiu, através da geringonça, e o que ainda pretende, neste último ano da legislatura, conseguir.

Chegado ao final da leitura, estava exausto, sobretudo por ter procurado incessantemente uma palavra sobre a carreira dos professores. Esforço insano. Nem meia palavra sequer.

Adenda: o PCP também divulgou cinquenta medidas que quer ver incluídas no OE para 2019. Igualmente este partido (dos trabalhadores) não refere uma palavra sobre tal questão.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:01

Novembro 01 2018

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A comunicação social de anteontem, sobretudo a escrita, noticiou que Marques Mendes iria presidir à Mesa da Assembleia Geral da CGD-Angola. Mas não foi somente a imprensa generalista a fazer eco de tal. Muitos blogues, com particular incidência nas redes sociais, leia-se FaceBook, teceram os mais variados comentários, a esmagadora maioria depreciativos e extremamente negativos relativamente ao carácter daquele ex-político e actual comentador da SIC.

Como seria de esperar, havia aqui gato escondido com o rabo de fora. Soube-se ontem, pelo Público, que quem ocupava, até agora, tal cargo era António Vitorino, destacado militante e ex-ministro socialista, bem como ex-comissário europeu, ilustre membro de uma das maiores sociedades (mundiais) de advogados, sem esquecer os cargos que ocupava em dezenas de outras instituições da alta finança em Portugal.

Recentemente foi eleito Alto Comissário para Migrações, organismo de topo das nações Unidas, facto com que se congratulou o Governo, o PR e como não podia deixar de ser o PS. Estas novas funções, como é óbvio, obrigaram-no a deixar aquele e outros cargos.

Contudo, como António Vitorino, político que aliás aprecio e reconheço qualidades ímpares, era e é de esquerda (!!!) nada foi dito durante o seu mandato e muito menos referiram esta informação. 

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:45

Outubro 31 2018

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Muito se tem falado das fake news e estou em crer que ainda muito se irá falar. Já tinham sido importantes na eleição de Trump, bem como no referendo do Brexit, mas agora nas eleições brasileiras o patamar foi elevado a um nível excepcional.

As fontes de chegada da informação até nós são inúmeras: rádio, televisão, imprensa e sobretudo a internet, este novo e imenso veículo globalizante. Somos diariamente bombardeados por inúmeras informações, muitas vezes díspares, o que deixa a grande maioria de pessoas completamente baralhada.

O desafio é sermos capazes de selecionar essa mesma informação por forma a que ela se transforme em conhecimento que possamos utilizar racionalmente. Contudo, as opções são tantas e tão diversificadas que a selecção não é nada fácil. Escolher entre o produto A ou o produto B, entre o candidato X ou o candidato Y, entre a estratégia P ou a estratégia T, quando o invólucro é extraordinariamente apelativo, é muito difícil.

É nas escolas que se gera o conhecimento, mas se não houver qualquer forma de monitorizar a qualidade com que este é transmitido, nunca saberemos se estamos a enveredar pelo caminho certo. Todavia, há quem, com argumentos muito válidos, defenda que a não supervisão de tal é, em si, uma mais-valia, uma vez que, entre outras vantagens, potencia a abertura para a procura do discernimento.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:01

Outubro 29 2018

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Não, não vou falar da eleição de Bolsonaro e muito menos da azia que fez a muitos e da alegria que tal provocou a poucos. Portugueses, entenda-se. Também não vou falar da vitória (in)contestada do FC do Porto e da derrota, esta sim, irrefutável do Benfica. Igualmente não direi palavra sobre Tancosgate, uma vez que os mais altos responsáveis nada souberam, agora ainda menos, e se tiveram conhecimento não compreenderam patavina do que estava escrito num memorando, apesar de serem professores universitários e catedráticos. Porém, sempre direi que rejeito veementemente que me queiram fazer passar por trouxa.

Por conseguinte, irei falar de algo que toca a todos nós, o frio. Foi um Verão longo e extremamente seco. Gozámos à fartazana o calor que tivemos desde Junho até aos finais de outubro. Quatro meses a trabalhar para o bronze. De repente, eis que uma massa de ar polar nos coloca a todos a tiritar. Os agasalhos, cachecóis e outros tais são tirados de imediato, alguns a cheirar a mofo, das gavetas e dos armários. O vento forte e sobretudo gelado empurram-nos para onde haja uma lareira. A minha, por exemplo, esteve ontem a queimar lenha desde as nove até cerca da meia-noite. Agradeceu a minha neta que brincou, brincou em mangas de camisa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:27

Outubro 25 2018

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Sou o último a desmentir que, desde os bancos da escola, existe o ensinamento e, sobretudo, a aprendizagem da solidariedade. Digo solidariedade no singular, uma vez haver variantes, umas dignas outras nem tanto. Todos sabemos que os discentes de uma turma sabedores que alguém cometeu um erro, na esmagadora maioria, senão a totalidade, manifesta solidariedade com o prevaricador e, nesses termos, não o denuncia. Aliás, nessa ordem de ideias, não nos podemos admirar que, mais tarde, alguns desses mesmos quando já adultos, por exemplo, numa questão de um crime, manifestem uma forte solidariedade para a não denúncia mútua.

Todavia, não é essa solidariedade que preconizo e venho defendendo. O grau crescente de exigência para com os outros e nós próprios, vendo nessa exigência não somente um direito, mas também uma obrigação de contributo positivo para a criação de uma sociedade com sucesso é algo que deveria ser inato a cada um, enquanto usuários, trabalhadores, membros de família, mas também enquanto cidadãos contribuintes que têm forçosamente de pedir maior eficácia a todos, sobretudo à classe política.

A mudança substancial no agir quotidiano pela via da qualidade, multiplicando os bons exemplos, os quais infelizmente vão rareando, deveria ser o pão-nosso de cada dia. Finalmente, enquanto pilar desse esforço, como condição necessária, mas não suficiente, para a afirmação de solidariedade do cidadão para o cidadão, importa que todos assumamos um papel claramente mais interventivo de participação activa na sua construção.

Numa antítese do nosso proverbial sebastianismo, e adaptando um célebre discurso do presidente Kennedy, enquanto cidadãos responsáveis “não perguntemos o que a solidariedade pode fazer por nós, mas antes o que podemos fazer pela consolidação da solidariedade em Portugal”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:48

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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