O meu ponto de vista

Janeiro 23 2015

Escrevi o outro dia sobre o factor da idade e a sua contribuição para as organizações. Hoje volto à carga, uma vez saber que, para muitos profissionais seniores, a idade é apontada como um potencial factor de discriminação, principalmente em processo de recrutamento ou ascensão a voos mais altos.

Muitos são os que se queixam de, apesar de toda a experiência acumulada e competência demonstrada ao longo de todo o seu percurso, se acharem colocados de parte, isto para usar uma linguagem politicamente mais correcta. Bem, também existem aqueles que de motu proprio se autoexcluem. Mas destes não reza a história!

O meu conselho é nada de queixumes. Hoje-em-dia existem alternativas para tudo. As pernas doem de tanto cansaço? As meias Relax são a solução, mesmo para longas viagens. E ainda por cima são super atraentes. Não consegue ou tem dificuldades em subir escadas? As cadeiras elevatórias Egiro resolvem o problema, mesmo que as instalações estejam completamente às escuras. Uma maravilha! Tem dificuldades de locomoção? Mas qual é o problema? As cadeiras eléctricas da Egiro levam-no a todo lado. Já tem dificuldades em cozinhar? Adquira uma Bimbo e a questão fica resolvida. E mesmo para aqueles que já usam bengala e têm fundados receios que esta escorregue, já existem no mercado bengalas desdobráveis, com ventosas e, ainda por cima, com lanterna. Querem mais? Só se for algo que responda por assobio ou por sinal de telemóvel. Mas esperem que não há-de tardar muito!

Por conseguinte, é só ir em frente e sem receios. No fundo, no fundo, é tudo uma questão de dinheiro! Aqui é que a porca torce o rabo, como se costuma dizer, mas que se lixe a taça pois ela é de barro.

P.S. – Declaro que prescindo dos direitos da publicidade que faço aos artigos supra citados.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:09

Janeiro 22 2015

Hoje foi um dia desses! Depois de na sua maior parte o mesmo ser considerado como excelente – o convívio entre familiares directos, que somente uma vez ao ano se visitam, assim o determinar – eis que, à última hora, chega a notícia de que um familiar nos deixou.

Bem sabemos que, independentemente da idade, a todos custa a partida para o Além de alguém que nos é próximo. Sim, é verdade que ao se atingir a provecta idade de 91 anos todos os cenários devem, diariamente, ser colocados em cima da mesa. Aliás, não é por acaso que vulgarmente dizemos que a tão prestimosa idade jamais chegaremos, apesar de igualmente estarmos conscientes que tal desígnio a Deus pertence.

De qualquer modo, choro com aqueles que mais directamente estão ligados a tão infeliz desenlace.

Que Deus te acolha, Ti Quitas, no Seu seio e te cubra com a luz do Seu perpétuo manto.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:02

Janeiro 20 2015

Num mundo ideal seriam as organizações a motivar a rotatividade dos seus colaboradores, oferecendo projectos aliciantes e oportunidades novas para os que quisessem integrar o mercado laboral. Como é lógico, nesse mundo, a oferta e a procura encontravam-se em perfeito equilíbrio.

Como se sabe, porém, o mundo não é ideal, i.e., não passando, por isso, de uma tentativa remediadora de algo que se pretende exemplar, pelo que não admira que o resultado do esforço de alguns para que seja mais perfeito, não digo na maior parte mas muitas vezes, caia por terra.

Aliás, este mundo, principalmente para os homens de boa-vontade, não é mais que um espaço onde se movem para dar corpo à insatisfação constante e na procura da perfeição.

É nesta ordem de ideias e neste mundo que temos de olhar para as pessoas que nos rodeiam. Por muito que não consigamos dar a todas elas a resposta que necessitam, podemos e, sobretudo, devemos ajudá-las a alcançar os seus objectivos. É fundamental consciencializarmo-nos de que temos a responsabilidade social de ajudar a construir o caminho e de não deixar o outro no vazio.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:00

Janeiro 19 2015

Recentemente os resquícios da troyka que, de seis em seis meses, ainda se deslocam a Portugal para monitorizar o andamento da “carruagem”, elaboraram um relatório onde é colocado em causa o aumento do salário mínimo – de 485 para 505 euros -, o qual já não sofria alteração há três anos.

Por muito que pense no racional subjacente à medida, confesso a minha total incapacidade (ou ignorância) para perceber tal atitude. Não entendo também porque é tão complicado subir um salário que quase não chega para pagar o aumentos da conta da electricidade. É completamente injusto discutir um aumento de uns míseros euros por quem ganha muito mais que isso.

Tem de se definir limites para o absurdo. Não sou economista e como político sei o que a maioria também sabe. Todavia, é muito claro para mim que ter muitas pessoas sem dinheiro para viver prejudica muito mais o crescimento económico do que ter poucas, com um pouco menos do muito que têm para gastar e poupar.

É natural que eu e outros ainda possamos suportar mais impostos, uma vez auferirmos bem mais que o salário mínimo, do que a maioria dos portugueses. Quantos podem e quem são? Não sei, mas aqui chegado socorro-me das palavras do Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, “se há alguma coisa ainda que ir buscar, que se vá buscar onde ainda pode haver”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:34

Janeiro 16 2015

Recordam-se de há cerca de quatro anos da queda, ou melhor, da amaragem de um avião em pleno Rio Hudson? E de todas as pessoas terem saído, felizmente, ilesas de tal incidente? Pois bem, tal ficou a dever-se, sobretudo, à enorme experiência e maturidade do piloto.

Todos sabemos que esta e tantas outras histórias caem, frequentemente, no esquecimento e são amortalhadas na espuma dos nossos dias. O mito da juventude como única fase da vida em que o ser humano tem valor, apesar de não fazer qualquer sentido, ajuda a cimentar aquela ideia.

O que seria do mundo sem os mais velhos? E o que seria dos jovens sem o conselho e a ponderação que só os de mais idade podem ensinar?

A prática em Portugal, todavia, contradiz, na maior parte das vezes, o que anteriormente escrevi. E fundamentalmente por duas razões. A primeira, devido a factores externos e a segunda por motivos de ordem intrínseca. Passo a explicar.

Existe na sociedade portuguesa – e não só – uma enorme pressão para que os mais idosos sejam, de certo modo, descartados, uma vez que a falta de oportunidades de trabalho para os mais novos a isso leva. Por outro lado, e em princípio, como ganham mais, é do interesse das organizações a sua substituição por mais jovens. Esquecem-se que a experiência é fulcral!

No entanto, a culpa não é inteiramente dos mais jovens e/ou das organizações. Conheço muitos que, aos cinquenta e poucos anos, são os primeiros a quererem abandonar os seus empregos, de preferência com chorudas reformas, para, no dizer destes, irem para casa e nada fazerem.

É evidente que também é um erro reformar alguém aos 66 ou 67 anos. Contudo, a alarvidade que constou, nas últimas décadas, na atribuição das reformas levou à insustentabilidade crescente do respectivo sector - com o acrescento dos direitos adquiridos (!!!) -, aliada à progressiva longevidade, não me admira que daqui a uma dezena de anos a idade para atingir aquela seja os 70 anos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:28

Janeiro 15 2015

Numa sociedade secularizada, em que tudo ou quase tudo é relativizado, onde o imediatismo é rei e senhor, uma vez que o ontem já está longe e o amanhã ainda não chegou, há que parar, reflectir e, sobretudo, resistir. Obstinadamente recusar percorrer o caminho mais fácil é outra opção. O dizer não é, na maior parte das vezes, mais importante que dizer sim.

Sair do conforto de nossa casa, principalmente nestes dias de duro inverno, ir à missa dominical, ou, noutro qualquer dia da semana, entrar numa igreja e junto do Sacrário, ajoelhar e, despojando-se de toda a vaidade, dizer o que lhe vai na alma, ao mesmo tempo que solicita ajuda divina, bem sei que não é para todos, mas que devia, disso não tenho a menor dúvida. E o rezar diariamente? Quem o faz?

Ah, e os filhos? Bem, estes “alimentados” numa cultura consumista, não se podem contrariar, com pena de com alguma trauma ficarem. Alguns dos meus amigos dizem-me que quando forem adultos têm a plena liberdade para escolher. Triste realidade! Como se enquanto crianças - principalmente nesta faixa etária - e jovens fossem donos de quereres. E como podem futuramente optar sobre algo que desconhecem totalmente?

Uma nota de rodapé. Se é para lhes dar liberdade de decidirem o seu futuro, porque é que solicitam o respectivo baptismo? E aquando deste, celebrado diante de Deus, sabem o que realmente estão a prometer? Mais: se é liberdade que querem dar, então para que os mandam para a escola? Uma aprendizagem é mais importante que a outra?

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:50

Janeiro 14 2015

Continuo a ouvir, diariamente, muita gente a queixar-se. Aliás, eu, pecador me confesso. Por isso é bom lembrar aquele velho ditado africano: não interessa se és leão ou gazela, pois o importante é que logo ao amanhecer estejas a correr.

Isto de gostar de trabalhar, ter espírito de iniciativa e também sentido de humor não é obra do acaso ou pura sorte. É, antes de mais, fazer pela vida.

Todos conhecemos a estória do remédio e do placebo e o quanto tem de psicológico. A atitude proactiva, a disponibilidade diária para novas aprendizagens e a vontade de vencer são factores fundamentais para - não digo triunfar e ser levado em ombros – não passar entre os pingos da chuva, qual ser despercebido e/ou invisível.

E o crescimento pessoal, onde está? - perguntava-me, o outro dia, uma amiga. A resposta está dentro de nós. Por um lado a realização profissional não pode nem deve estar dissociada da pessoal, pelo que, obrigatoriamente, temos de superar os nossos handicaps. Por outro, nestes tempos conturbados, já nos interrogámos onde pára Deus? Será que nos abandonou, como pensou o povo eleito quando foi desterrado para a Babilónia? É evidente que não. Nós é que, de uma forma hedonista, O abandonámos.

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:39

Janeiro 13 2015

Todos sabem que jamais morri de amores por João Alberto Jardim. Tenho-o criticado, nestas e noutras páginas, imensas vezes, pelo que não lamento o seu afastamento do Governo Regional da Madeira. O tom truculento, muitas vezes a raiar o de troglodita, não me deixa saudades.

No entanto, seria desonesto da minha parte não reconhecer a obra feita. Mudou, sem sombra para dúvida, a imagem daquele arquipélago, dando-lhe recursos e meios para o seu desenvolvimento. Já quanto à sustentabilidade tenho os maiores receios, uma vez que muitos dos equipamentos são megalómanos, autênticos elefantes brancos, os quais, por si, são enormemente deficitários, pelo que, por muitos e muitos anos, senão mesmo para sempre, necessitarão da contínua ajuda do Estado.

Se afirmei anteriormente que Alberto Jardim deixou obra, também não é menos verdade que o fez à custa de dinheiro que, por pressão despudorada, conseguiu dos sucessivos governos da república, independentemente da sua cor política. Aliás, não foi por caso que a dívida, em forma de buraco financeiro, foi de tal modo que ajudou e muito à vinda da troyka.

Por isso, tal como já o disse em textos precedentes, assim não custa fazer obra. É certo que não se lhe pode acusar o desvio de um cêntimo, mas fazer obras com o dinheiro que outros jamais conseguiram recusar não é de gabar.

Agora, desenganem-se aqueles que esperam ver este político sentado numa qualquer esplanada da Madeira, bebendo a sua poncha e fumando o seu charuto. Pode, na verdade, fazer isto, mas não se quedará por aí, para nossa infelicidade. Há-de atazanar-nos a cabeça e não tardará muito. Já nas próximas legislativas será eleito deputado à AR e lá teremos de o gramar dia sim, dia não. Depois, no próximo ano, haverá eleições para a presidência da República e já não é a primeira vez que o seu nome é ventilado para este cargo. Bato na madeira dizendo “o Diabo seja cego, surdo e mudo”, mas, com tal personagem, é melhor estar preparado para tudo. Ambição e descaramento não lhe faltam.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:07

Janeiro 12 2015

Todos temos acompanhado a sequela ao cobarde ataque ao “Charlie Hebdo” e o quanto à maioria das pessoas tal vil acto revoltou. Não existem palavras para descrever tal acontecimento e mesmo quando estas existem a emoção, na maior parte das vezes, embarga a voz e nada sai. É natural e, simultaneamente, humano.

Refiro-me anteriormente à maioria, uma vez que algumas pessoas existem – infelizmente poucas - para quem tal ocorrência ou nada lhes disse ou, pior ainda, rejubilaram em surdina.

Não é por acaso que nas várias manifestações, ocorridas por quase todo o mundo, com execepção dos países muçulmanos, como é óbvio, e principalmente em Portugal não vimos um único individuo ligado aos partidos da esquerda ou da extrema-direita.

Por outro lado, existem colunistas e comentadores – de todos os quadrantes - que, apesar de condenarem tais nefandos actos, acrescentam sempre um “mas” ou um “porém”. Ora, sem querer afirmar que tudo se pode resumir a preto ou a branco, no caso da liberdade não existem “mas” ou “poréns” que se possam invocar, e muito menos o que disse a eurodeputada do PS, Ana Gomes, a qual, ultimamente não acerta uma, de que tal se devia à austeridade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:01

Janeiro 12 2015

A todos aqueles que, pelos mais diversos meios, expressaram a sua preocupação pelo meu estado de saúde, alguns de forma muito carinhosa e extraordinariamente afectuosa, outros nem tanto, a todos, repito, sem excepção, publicamente manifesto a minha gratidão.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:58

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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