O meu ponto de vista

Novembro 20 2014

Com toda a sinceridade deveria escrever sobre algo relacionado com o dia-a-dia da governação deste país, como, por exemplo, o caso do PSD e do PS terem aprovado hoje, no Parlamento, o regresso das pensões vitalícias aos ex-políticos, i.e., o retorno de um autêntico privilégio, mas face a uma intrincada circunstância que ultimamente me tem colocado – bem, não estou sozinho neste caminho – em enorme preocupação, desviei a minha atenção para outra via.

Não admira, por isso, que os dedos sobre o teclado do computador me tenham conduzido para a reflexão sobre como garantir a produtividade. Antes, porém, um aviso à navegação: não tenho a certeza absoluta que as soluções propostas obtenham os melhores resultados. No entanto, uma coisa é certa: não cogitar sobre os sintomas e, sobretudo, não prescrever qualquer “remédio” ou não o tomar é que nada resolverá.

Assim, antes de mais é preciso dar o exemplo, já que sabemos para onde estão focados os olhares. Em segundo, é necessário reforçar a importância do trabalho, levantando a dicotomia, infelizmente há muito esquecida, entre a labuta e a alimentação. Depois há que analisar as causas do absentismo, relacionando este como um abuso por parte de quem não é assíduo. Em quarto, há que denotar uma inflexibilidade a nível de atitudes e comportamentos. O dizer uma coisa e fazer outra é – todos o sabemos – o pior para quem tem obrigação de deixar constantemente uma marca indelével. A seguir, é forçoso aproveitar todas as oportunidades e mesmo admitindo que sejam escassas, algumas devem existir em que se possa exigir o compromisso para alcançar este ou aquele objectivo. Por fim – esta ordem não é cronológica –, há que construir uma reputação, conhecedor que esta nos irá acompanhar durante toda a vida.

Ajudei? Não sei. Unicamente sei que tentei e isso já é algo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:47

Novembro 19 2014

Os últimos dias da vida nacional, senão fossem tão graves, poderiam parecer cenas de um stand up show de sucesso de humor negro. Até podemos perceber a intenção subjacente: evitar ou penalizar aqueles que aumentam custos para fugir às responsabilidades, sejam elas de índole legal, fiscal ou ético-moral. O que não podemos, porém, é aceitar que alguns, ainda por cima de barriga cheia, nos tirem o pouco pão que já temos na boca.

Esses, normalmente, acostumados a fugir mesmo, fazendo da lei “gato-sapato” ou, dito de uma forma mais erudita, fazendo de toda e qualquer norma um autêntico fait divers não aplicável, insistem em prejudicar a maioria – sim, ainda acredito que seja a maioria – que se consome a trabalhar, e sem pingo de vergonha traduzem o seu modo de vida numa alarvidade sem limites.

O apeirar da fogueira das suas muitas vaidades pessoais, algumas escondidas, outras despudoradamente à vista de todos, leva a atitudes como é o recente caso dos Vistos Gold. Contudo, sabedor que a vaidade não explica tudo, a indignação impele-nos a perguntar o que leva pessoas bem colocadas na administração pública e, por isso, relativamente bem renumeradas e possuidoras de excelentes regalias, a cometer actos tão vis, prejudicando fundamentalmente o país, como também os amigos que, através de efeitos colaterais – o ex-ministro Miguel Macedo é exemplo paradigmático -, são igualmente lesados.

Será por simples ganância? Será o deslumbre por uma conta bancária cada vez mais recheada, qual Tio Patinhas, que quanto mais tem mais deseja ter? Será por não pensarem que um dia toda a estratégia montada poderá, eventualmente, ser descoberta? Será que não meditam em como ficará a família e os amigos quando a justiça os confrontar com tal cenário?

Sinceramente gostaria de um dia, olhos nos olhos, perguntar a estas personagens, ou as implicadas no caso Face Oculta, ou mesmo a Isaltino Morais, de entre tantas outras, o que lhes teria passado pela cabeça quando decidiram alinhar com os esquemas fraudulentos a que deram os seus nomes.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:23

Novembro 12 2014

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Este mundo seria muito melhor se as pessoas dissessem o que sentem em vez de dizerem o que pensam.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:52

Novembro 10 2014

Cada vez gosto mais de me socorrer de provérbios, uma vez que os mesmos encerram uma sabedoria milenar e, por conseguinte, serem apanágio de uma ligação muito forte ao que quotidianamente observamos.

Por exemplo, António Costa e seus apoiantes não se cansam de dizer que a carga fiscal é extremamente elevada – não deixam de ter razão – e, por isso, é preciso baixar os impostos, tanto mais que isso faria com que os portugueses tivessem, no final do mês, mais dinheiro na carteira o que, consequentemente, faria com que gastassem mais, gerando, deste modo, uma nova dinâmica na nossa economia.

A ideia não é de todo estapafúrdia, bem pelo contrário, apesar de não ser original. Todavia aquilo que apregoa para o país não aplica no concelho que governa, uma vez que o orçamento da CM de Lisboa, hoje apresentado, pressupõe aumento de taxas num montante superior a 60 milhões de euros, o que fará que em 2015 os lisboetas ficarão com menos dinheiro no bolso.

Já gora, a lei determina que os orçamentos camarários tenham de ser divulgados até ao final de Outubro do ano anterior a que respeitam, pelo que, mais uma vez, se registou um incumprimento. Também aqui se pode aplicar o ditado “vêem melhor o argueiro nos olhos dos outros que trancas nos seus”.

Concluindo, podemos, desde já, antecipar o que nos acontecerá se António Costa eventualmente for o próximo primeiro-ministro. Por outro lado podemos também referir que este político é adepto daquele adágio “bem prega Frei Tomás …”

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:30

Novembro 07 2014

Fumei durante catorze anos e quando abandonei, há muitos anos, este vício, fiz as contas e se tivesse colocado de lado todo o dinheiro que tinha gasto, daria para comprar um carro.

O tabaco, todos sabem, é o principal responsável pelo surgimento das doenças cardiovasculares, uma das principais causas de morte em Portugal. A cada ano morrem no país mais de três mil portugueses vítimas de cancro de pulmão e o Serviço Nacional de Saúde gasta, anualmente, mais de 750 milhões de euros com as doenças provocadas por este vício, dinheiro que sai dos bolsos de todos os contribuintes, apesar dos fumadores pagarem, e muito bem, elevadas taxas.

Sou do tempo em que se fumava praticamente em todo o lado, desde hospitais a escolas praticamente não havia lugares proibidos. Se bem me recordo, apenas nos cinemas ou teatros é que não se podia dar asas ao vício.

Por isso, enormemente apoiante - sem entrar em fundamentalismos exacerbados - da proibição de fumar na maioria dos lugares públicos, igualmente apadrinho a ideia governamental, independentemente da sua cor política, de aumentar os impostos que recaem sobre este produto.

Na verdade, na conjuntura nacional deve ser criado todo um clima para incentivar as pessoas a deixarem de fumar, quer seja através de legislação restritiva ou aumento do preço do tabaco. Um facto é indesmentível: ao existir, infelizmente, menor poder de compra da população, o pouco dinheiro existente deve ser, então, canalisado para o que é essencial, i.e., para o pão, para a educação e para a casa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:07

Novembro 05 2014

Saímos sem destino certo. Não foi bem à aventura, mas quase. E quando assim é a paisagem pode ser tão vasta como o mar. Aliás, causa, de certo modo, a mesma impressão de infinito. Estávamos, afinal, num dos mais belos lugares de Portugal, quiçá mesmo do planeta. A planície ondulada começou por definir o território, impar, inigualável. E a paisagem nunca é igual, pois ganha novas e variadas cores em cada estação do ano. No Inverno domina o verde, na Primavera o solo cobre-se de mantos floridos, enquanto no Verão a sensação de secura e calor abrasador é-nos transmitida pelo dourado da erva seca e das colheitas e, por fim, no Outono, os campos são charruados e semeados. É o tempo do castanho e onde tudo recomeça!

A origem da sua gastronomia assenta na cozinha mediterrânica, onde o pão e o azeite são elementos essenciais. De tantos e tentos deliciosos pratos destaco a açorda, as migas, as sopas e os gaspachos, temperados com muitas ervas e cheiros da terra. Para condimentar e equilibrar o repasto tão nobre região oferece uma panóplia de vinhos, a maior parte deles de excelente qualidade.

Muito houve para ver. Nada como uma passeata por uma das mais belas regiões de Portugal, de preferência fora do estio, porque lazer rima mal com sofrimento, e o calor faz-se sentir com mais vigor nesta época. Para além do campo, muito mais há para descobrir nas suas cidades e vilas.

Agora para quem adivinhar de que região estive a falar oferecerei a viagem na próxima saída.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:48

Novembro 04 2014

Pois é, andamos todos um tanto ou quanto com os olhos em bico. Uns por dormir mal e a crise ser tão madrasta que não os deixa dormir, outros, porém, por saberem que a maior parte das nossas jóias de coroa estão a ser vendidos aos chineses.

Bem sei que todos ansiamos por investimento estrangeiro, por saber que sem este, por ausência de investimento nacional, não existe aumento do PIB e, sobretudo, a criação de postos de trabalho os quais são tão necessários, perdoem-me a expressão menos prosaica, como o pão para a boca.

Se até aqui nada de novo há a assinalar, quando reflectimos mais profundamente chegamos à conclusão que os chineses não dão ponto sem nó. Não quer dizer tudo, mas quando constatamos que dos muitos milhares de chineses que estão, há décadas, no nosso país e jamais um deles aqui foi enterrado, somos levados a pensar que jamais se adaptarão à cultura ocidental e, por isso, nunca aqui criarão raízes, pelo que tudo que aqui auferirão será para deter no seu país natal.

Não se trata de racismo, mas de algo diferente, em termos de negócios, e como tal não pode ser tratado por igual. Serem donos da principal companhia de electricidade, de uma das principais companhias de seguros, de clínicas e hospitais, preparando-se para entrar na banca, através da eventual aquisição do ex-BES, e falando-se até da aquisição da TAP e da PT, não nos pode deixar tranquilos. Perguntar-me-ão: e se fossem americanos, ingleses, brasileiros, entre tantos outros, eu pensaria de igual? Talvez não!

É evidente que devido à inexistência de outros investidores e necessitando nós de capital estrangeiro, não nos resta alternativa, tanto mais que, como se costuma dizer, o dinheiro não tem pátria. Mas que nos preocupa, isso é verdade!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:50

Novembro 03 2014

A bravura é uma qualidade que se deve medir ao longo de uma vida e não durante breves lapsos de tempo. É fácil, quando assumimos um cargo e querendo impressionar os que nos rodeiam e, sobretudo, a turba, dar um ar de valente, dar o peito às balas e, se necessário for, até rasgar as vestes e gritar “agarrem-me senão dou cabo deles”.

O Sporting CP, pela grandeza demonstrada ao longo dos seus muitos anos de história, deveria, ninguém o nega, ter tido outro tipo de dirigentes. Homens duros, com fibra, resilientes e principalmente com dinheiro ou com facilidade de o angariar. Ora, se não tinham as primeiras qualidades, sobre a questão do “pilim” então nem se fala. E à falta de resultados o clube foi-se afundando em dívidas e em credibilidade.

Quanto às dívidas, as últimas administrações bem tentaram resolver o assunto e não haja dúvida que o SPC foi o clube, de entre os designados três grandes, o que mais diminuiu o défice. Porém, como não se fazem morcelas sem sangue, o plantel ressentiu-se e os resultados foram aqueles que todos conhecemos.

Bruno de Carvalho, rapidamente percebeu a situação. Não tendo dinheiro para reforçar a equipa tanto quanto queria e os adeptos solicitavam, houve que jogar noutro campo: o de falar grosso. É uma estratégia há muito usada, a qual raramente termina bem. Nesta ordem de ideias, todos sabíamos que, mais cedo que tarde, aqui também não daria certo. Contudo, parece que ainda não aprendeu a lição.

E, foi isso que aconteceu neste fim-de-semana. O Sporting veio de Guimarães qual leão completamente domado e até com o rabo entre as pernas. Jogou mal e acabou por levar “na pá” três golos sem resposta.

Qual o comentário do presidente? Toca de bater nos mais frágeis, i.e., nos jogadores. A culpa não é da direcção, nem do treinador, mas da falta de garra dos atletas. E não faz a coisa por menos, pois escreve que “ao nível do futebol sénior este fim-de-semana jamais poderá ser esquecido. Quer a equipa principal quer a equipa B brindaram os sportinguistas com péssimas exibições que não dignificaram o nosso clube e a nossa camisola. Não demonstraram garra nem vontade de vencer e isso é lamentável, só nos restando pedir desculpa por não termos sido dignos do clube que representamos (…) Agora não é tempo de levantar a cabeça, é tempo de nos mostrarmos dignos deste clube e demonstrar que não são apenas os nossos sócios e adeptos que se esforçam ao limite das suas forças durante os jogos, mas que nós profissionais também somos capazes de o fazer em todos os jogos".

No entanto, resta saber como: ninguém gosta que lhe batam, chamem nomes e, simultaneamente, lhe peçam para dar mais do que habitualmente dá. 

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:51

Outubro 31 2014

A liberdade de falar e de escrever, como a generalidade das pessoas bem sabem, é algo que se reconquistou à quarenta anos e está prescrito como direito constitucional. Contudo, algumas existem que, quer os outros escrevam ficção ou não, e por muito que seja efectuado dentro dos limites da urbanidade, acham que tal direito deve ser coartado, apesar de serem as primeiras -  farisaicamente, entenda-se – a defender a plenos pulmões, i.e., publicamente, a liberdade total.

O saber falar e, neste caso, escrever, é um dom e como tal deve ser exercitado diariamente. Não estou a afirmar que possuo este, bem pelo contrário, mas somente a constatar um facto. Esta qualidade, a maior parte das vezes inata, mas que também se melhora através de uma dedicação e empenho aturado, deve ser colocada em prática o mais comumente possível, à semelhança de outras faculdades, na defesa honesta do modo de pensar, ser e estar, na crítica construtiva, na apresentação constante de alternativas credíveis, mas tendo sempre como objectivo final o serviço ao outro.

Aquilo que genuinamente somos em contraste com a imagem que os outros constroem sobre de nós depende e muito do que, como e quando fazemos, seja de que índole for. Daí o risco de quem, quase diariamente e há tantos anos, escreve. Expõe-se, desnudando-se por vezes até, o que acarreta incompreensões e, sobretudo, incómodos. É o preço a pagar.

Como é óbvio, muito menos apoquentado estaria senão escrevesse e dissesse o que penso. De algo tenho a certeza: analiso e discuto ideias, jamais pessoas.

 

Adenda: este é um texto a quem não dou qualquer liberdade - sim, bem sei que me vão acusar de incoerência -  para o lerem como algo justificativo do que quer que tenha dito ou escrito.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:05

Outubro 29 2014

Ouvi-la é já por si uma obrigação. Porém, a aptidão motivacional que transmite denota um invejável percurso trilhado. Define estratégias e coloca em prática políticas de acordo com a sua missão e valores que cultiva com zelo.

Novas formas de pensar cativam-na. O objectivo de captar o outro, sobretudo se demonstra um elevado potencial, está sempre presente. Não é um mero jogo do gato e do rato. Não, é muito mais subtil e apaixonante, como aliás são os seus olhos verdes-água!

Nas conversas entabuladas conta, e muito, o sentido ético, crítico e de cidadania, bem como a capacidade de iniciativa, de análise e de comunicação.

Apesar de provir de uma família de referência, tão ou mais importante que o percurso académico e/ou nobiliárquico, para ela é indispensável a diferenciação pelo valor que o outro poderá acrescentar à relação.

Ambos comungamos da ideia de que é indispensável inovar, sendo que no modo de ser e estar um certo conservadorismo – arejado, como costuma afirmar – é desejável. Por isso, a recorrência a ferramentas (!!!) alternativas às tradicionais seja quase uma constante.

É seu hábito dizer que “é indispensável acrescentar valor a tudo o que fazemos”. Em contraponto, respondo que para isso princípios existem que não podem ser esquecidos, como a disciplina, o rigor e a competência.

No campo mais afectivo também assim será? Algo que descobrirei em breve!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:06

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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