O meu ponto de vista

Outubro 16 2014

Costuma-se dizer que de entre mortos e feridos alguns escaparão. E sendo certo que, nos últimos anos, os sucessivos governos têm procurado receitas por todas as formas e feitios possíveis, sem que se veja um real e efectivo corte na despesa do Estado, alguns, mesmo assim, conseguem passar por entre os pingos da chuva, isto para usar uma metáfora que faz jus à meteorologia.

E, em boa verdade, deste aumento de receitas à custa de um brutal aumento de impostos alguns escapam, isto a ver pelas notícias que dizem existir, neste momento, 76 mil portugueses milionários, i.e., cuja riqueza é superior a um milhão de dólares, o equivalente a cerca de 790 mil euros.

Mesmo assim, não conseguimos colocarmo-nos a par, por exemplo, da Grécia e da Irlanda, países também intervencionados pela troyka, os quais têm percentualmente um número de milionários superior ao nosso.

De qualquer modo, aquele número assusta-me pois denota que aumentou o fosso entre os que mais e os que menos têm. Por outro lado, com a destruição da classe da média, fruto da crise que afetou a Europa, e de forma muito especial Portugal, aumentou quase exponencialmente a incidência nos que tinham capacidade de compra e que deixaram de ter, o que não deixa de ser enormemente preocupante.

Todas estas questões nos abalam a confiança e sem esta, podemos apresentar bases para um crescimento – como hoje-em-dia se diz - sustentado, eixos de actuação e medidas-chave conceptualmente muito bem concebidas, embora em nada originais, que não chegaremos a lado nenhum.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:21

Outubro 15 2014

Durante a semana passada e a presente a Igreja discute, em sínodo reunido no Vaticano, as questões da família, entre as quais se destacam, pela importância que os media lhe dão, o acolhimento dos recasados e dos homossexuais.

A iniciativa, sendo tardia, é louvável, mas a sua eficácia depende da verificação de vários pressupostos. Como sabemos a Igreja Católica, com os seus dois mil anos de história, especializou-se em escrever nas entrelinhas e, sobretudo, em não alinhar em modismos de ocasião e muito menos deixar-se secularizar.

Vamos, porém, ao cerne das questões. Desde logo, a efectiva reforma tão desejada por uns é liminarmente rejeitada por muitos outros, pelo que o perigo de um novo cisma não poderá, de modo algum, ser colocado de lado. Ainda está bem presente na memória daqueles que mais se encontram ligados à prática cristã todo o processo Lefèvre, personalidade polémica e controversa e um dos promotores do movimento tradicionalista católico, o qual, como é do conhecimento público, rejeitava a reforma litúrgica colocada em prática pelo Concílio Vaticano II.

Como tal, os passos que os bispos recomendarão a Francisco não serão de gigante, como muitos anseiam, mas mais de criança que começa a caminhar por terrenos desconhecidos e, ainda por cima, pantanosos.

Tenho para mim, que o acesso dos recasados à confissão e à comunhão, de certo modo, é pacífico, tanto mais que, como diz D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, “a eucaristia (...) não é sacramento dos perfeitos mas dos que estão a caminho”. Porém, a aceitação plena da orientação sexual dos crentes não creio que tenha, para já, pernas para andar e a Igreja estará, por certo, muito longe de aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quanto muito estará na disposição de acolher todos, sem indagar se é gay ou heterossexual, i.e., desde que os primeiros ostensivamente não demonstrem que “saíram do armário”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:03

Outubro 14 2014

Dia sim, dia sim, o Partido Socialista solicita por todos os meios e em todos os locais a demissão do governo e, simultaneamente, a convocação de eleições antecipadas. É evidente que a governação do país nos deixa quase diariamente angustiados e que as verdadeiras reformas, geradoras de crescimento e de emprego, tardam e, por isso, é fácil cavalgar esta onda de descontentamento.

Qualquer argumento que o governo aduza para justificar esta ou aquela contrariedade é de imediato contestada, fazendo crer, à saciedade, que não são mais que meras desculpas de mau pagador.

A memória dos homens é curta e no Largo do Rato sabem muito bem a cartilha.

Acontece, porém, que no espaço de duas semanas os lisboetas, governados por esse guru - alguns dizem que até asceta é - chamado António Costa, sofreram as agruras de duas enormes inundações. Como é óbvio, os fundamentalistas autárquicos da capital vieram logo dizer que tal não se devia às sargetas entupidas, aos esgotos mal dimensionados, aos declives das ruas mal calculados e muito menos à incúria da câmara. A culpa, sim, cabia inteiramente a S. Pedro que parece querer estragar o futuro do “Ghandi” de Lisboa.

Nada a que não estejamos acostumados: dois pesos, duas medidas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:19

Outubro 13 2014

Não existe ninguém que não comente o estado a que a justiça e a educação, particularmente esta última, chegaram, tal o caos instalado.

Por isso, não admira sentir-se a necessidade de promover urgentemente uma campanha assente em cores de encorajamento e de bom desempenho, valores autodenominados de atractivos e apresentados como traduzindo não uma hipotética situação, mas do factual estado e principalmente de esperança.

Culpa de muitos, a começar pelos governantes e acabar nas forças político-sindicais – o pendor é maior para o primeiro item -, uns por inoperância levada ao extremo, outros, ao sabor da conveniente vaga, por carregarem excessivamente no negro, o certo é que se instalou na opinião pública e, sobretudo, na publicada de que o Ensino em Portugal, neste momento, é uma bandalheira total, o que, como bem sabemos – falo do que efectivamente conheço - não corresponde à verdade.

Se acrescentarmos à dita campanha a vontade expressa de promover junto dos potenciais “compradores” a verdade contada por quem realmente anda no terreno e coloca diariamente a mão na massa, podemos concluir que esta objectiva desvalorização pode reverter-se.

É certo que será sempre um benefício relativo e muito menos imediato, pois esta lógica de desvalorização criou raízes. Mais: deve ser feita devagar, com bom senso e jamais forçando a crença pois, em caso contrário, poderá gerar um efeito boomerang.

Ora, é precisamente isso que temos a obrigação de travar. Inteligentemente, como fazem os marketers. É que alinhar na “venda” ao desbarato do património “herdado” é sempre má política.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:33

Outubro 10 2014

As palavras não podem resumir-se a meros conjuntos de letras com diferentes timbres sonoros. Atender, individual ou colectivamente, às necessidades dos outros é um dever de solidariedade. Contribuir de forma altruísta, para mitigar os efeitos de uma doença ou de outra qualquer situação adversa é o que se espera de gente civilizada.

Não é novidade e muito menos é dramático, mas, com toda a sinceridade, era previsível a atitude de certas pessoas. No fundo, é consequência de uma quase ausência de valores e, por isso, posso dizer que outras alternativas não deveriam esperadas.

Poderá, para estas, tudo ser aceitável se vislumbrarem momentaneamente um horizonte de bonança. No entanto, no âmbito das decisões concretas continuam sem possuírem uma estruturação interna que não vá para além da retórica que contrarie a evidência de que “na mesma” significa cada vez pior.

De uma coisa tenho a certeza: vou continuar a deixar que “chovam no molhado”! Resistirei de modo a manter o equilíbrio afectivo e a coesão, mesmo que os tempos sejam conturbados. Para isso, talvez venha a propósito recordar que os direitos adquiridos formam parte essencial da realidade quotidiana e, ao contrário dos deveres, podem perder-se, limitar-se, que a vida, melhor ou pior, continua.

A quem compete decidir, cabe dar prova da vitalidade enquanto unidade de algo intrínseco, traduzindo a consciência de que não procede do instinto básico de sobrevivência nem do puro proveito económico, já que tal poderia gerar, não diria barbárie, mas, com toda a certeza, desagregação.

Os modos de ser e estar vêm de longe – Roma, Atenas e Jerusalém (se quisermos tratar os valores pelos nomes) – enfim, de gente civilizada. Querer uma união contra a ordem natural é o caminho seguro para a fragmentação.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:24

Outubro 08 2014

Nos tempos que correm podemos de todo dizer que nada é como antes. Momentos em que se parava para literalmente nada fazer é coisa do passado. O dia ou a noite, os dias de trabalho ou o fim-de-semana, o emprego ou o que se faz no Verão, sinónimo de férias, são praticamente iguais, sem direito a paragens ou quebras, principalmente nalgumas actividades.

Todos estamos à distância de um telefonema, de um email ou de uma notícia que nos sobressalta e nos faz acordar para a crua realidade. Bem sabemos que a adversidade não tem horas de lazer e muito menos tira férias, o que, por consequência, acarreta um alerta quase constante com evidentes prejuízos para o nosso bem-estar.

É compreensível para todos que a culpa não é apenas das organizações, sejam elas estatais ou privadas. Os actuais desenvolvimentos tecnológicos, aos quais queremos sempre aderir e de preferência aos de última geração, significam que estejamos constantemente online, sendo muito fácil sucumbir à tentação de consultar o correio electrónico e, deste modo, realizar o que, muitas vezes, por esta via, nos é solicitado.

Por outro lado, quantos de nós – eu pecador me confesso – não estamos dependentes dos nossos smartphones e notebooks? Quem, hoje-em-dia, não leva o seu PC portátil para férias ou para um simples fim-de-semana?

Já não bastava a praga – sim, muitas vezes o é (!) – da televisão, para ainda estarmos constantemente pespegados no computador ou tablet, consultando a internet ou outro assunto qualquer. Não quero dizer que estas TIC não possuam virtualidades, umas vez que as têm e são por todos reconhecidas. O problema assenta na dependência.

Por isso, não admira a falta de diálogo nas famílias, onde os progenitores geralmente vêm televisão e os filhos escrevem mensagens no telemóvel ou no Facebook. Daí a saudade pela ausência dos longos serões passados em amena cavaqueira durante a frescura de uma noite de Verão ou à lareira nas noites gélidas do Inverno.

No fundo, queixamo-nos de quê? Só se for de nós próprios!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:51
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Outubro 07 2014

Um ministério que promove, em diversas iniciativas, algo que mexe com a vida de milhares de pessoas, apresentando-o com as melhores cores do Verão, declarando que tudo estava a decorrer na maior das normalidades, para afinal provocar uma das maiores barafundas dos últimos anos, e apesar de reconhecer que os erros foram seus, acaba por colocar em prática uma emenda que é pior que o soneto, tem que daí tirar ilações.

Para quem tinha como ideia fixa a implosão do MEC, fazendo renascer uma política de ensino responsável, moderna e centrada objectivamente nos alunos e acaba por se aniquilar a si próprio é obra, ou melhor, péssima obra.

Como é evidente os docentes que foram mal posicionados – como é que um matemático de renome se deixa enrolar em fórmula inadequadíssima, ainda estou para entender (!) – e, por isso, saltaram, por exemplo, do 5 000º lugar para o 100º, esfregaram as mãos de contente e, como tal, obtiveram um lugar quando nunca o deveriam ter. Contudo, a culpa não foi sua e, conforme aqui escrevi, de modo algum podem ser prejudicados. Despedidos sim, mas com direito a justa indemnização, i.e., sem necessidade de recorrer aos tribunais para se fazerem ressarcir dos seus mais elementares direitos, ao contrário do que afirmou ontem, na SIC-Notícias, de forma despudorada, o Secretário de Estado da Administração Escolar, João Casanova de Almeida. Se a lei actual não permite, implemente-se legislação para esse fim.

Com tal estado, em que o assunto é tratado centralmente, imagine-se o que seria se esta problemática passasse para a alçada dos municípios, como pretende a maioria deles, ainda que alguns o neguem, e os governantes, independentemente de serem do PSD ou do PS, desejam? Seriam trezentas e oito palhaçadas, tantas quanto o número de autarquias municipais.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:06

Outubro 06 2014

Somos um país de excelência, onde o mérito e a qualidade determinam as contratações e fazem evoluir os profissionais. Um país cada vez mais aliciante, onde procuramos oportunidades de carreira e, por isso, sem necessidade de recorrer para além das fronteiras.

Um país em crescimento e a justificá-lo está o engrandecimento assente numa sólida politica de natalidade e que incentiva os casais a terem filhos. Aliás, oportunidades não faltam a começar pela engenharia, passando pela saúde, educação, restauração e em funções mais técnicas como canalizadores, soldadores, mecânicos, camionistas, trabalhadores da indústria metalúrgica, cozinheiros, padeiros e até cabeleiros.

Os políticos são sérios e a corrupção é quimérica ou, quanto muito, residual. Por isso, o desenvolvimento da vida profissional e pessoal dos cidadãos, bem como a integração na sociedade é quase plena.

O custo de vida é diminuto, pelo que viver no país é relativamente fácil, tanto mais que os ordenados e as pensões/reformas são elevadas. Bem, também não admira uma vez que a produtividade é elevada e a dívida externa praticamente inexistente.

De repente acordei e, infelizmente, notei que estávamos em Portugal. Afinal, não tinha passado de um sonho, belo é certo, mas sonho.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:50

Outubro 02 2014

Não é do conhecimento de todos, mesmo de alguns que de mais perto privam com as suas obras e criações, mas Leonard Da Vinci e, sobretudo, Fernando Pessoa, à medida que foram escrevendo e criando as suas obras literárias e outras, não deixaram de reflectir sobre o que se poderia, hoje-em-dia, chamar gestão, economia, negócios, liderança ou desenvolvimento pessoal. Para corroborar estas palavras observem-se os livros “Leonard Da Vinci e o Código de Liderança”, de Juan Carlos Cubeiro, bem como “Organizem-se! A gestão segundo Fernando Pessoa”, de Filipe Fernandes.

Pode, à primeira vista não existir interligação entre o anteriormente exposto e o raciocínio seguinte. Engano vosso! Leiam, estudem e vão ver o quanto custa.

O tempo que se vive não é dos mais fáceis para a vida de um director de uma escola. Muitos deles, a tarimba sobre gestão e liderança apenas a sabem através de anos e anos de trabalho, aprendendo principalmente com os desacertos, numa tentativa de certo/errado, o que, diga-se em abono da verdade, apesar de actualmente não chegar, não é de somenos importância.

É de louvar, em muitos deles, a persistência, a resiliência e o combate que dia após dia, mês após mês, ano após ano travam por algo que acreditam e que, não tenho a menor dúvida, é o que de melhor se faz, em termos de ensino, em Portugal. No entanto, também existem alguns – felizmente em número inferior - que faziam um enorme favor ao ensino e à causa pública se abandonassem o cargo já hoje, porque amanhã é tarde. Evitam, caros leitores, de remeter para algo próximo, uma vez que se assim o fizerem elaboram em erro.

Saber ouvir e não retorquir, jamais levantar a voz e agradecer, constantemente e de mãos levantadas para o Céu, os recursos humanos que tem, providenciar os bens materiais por mais extravagantes que possam ser, tudo fazer que vá ao encontro dos interesses da comunidade educativa e, sobretudo, sublinho sobretudo, dos docentes, cumprir a lei se isso for do interesse dos interlocutores ou, caso contrário, procurar, por todos os meios, contorná-la, dobrá-la até, com o fim de a mesma se ajustar aos interesses individuais de cada um. Estes são alguns dos mandamentos diários de um director escolar.

Se isto já é difícil, o que custa mesmo é – perdoem-me a linguagem nua e crua - ver cuspir no prato que de bom grado lhe colocaram à frente. Pessoas existem que continuam com os interesses bem instalados, mas não se coíbem de, nas costas, espetarem as mais longas facas. E como é triste vê-los pela frente a desfazerem-se em amabilidades e apresentarem sorrisos de orelha a orelha. Hipócritas!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:46

Outubro 01 2014

Ah, o café, essa poção que, diariamente, muito poucos portugueses conseguem passar sem beber, havendo mesmo alguns que podem ser considerados viciados em tal. Assim, bem podemos afirmar que a relação entre os portugueses e o café é uma história de paixão e sedução. Aliás, poucos existem que poderão dizer que uma relação não começou com um convite para tomar café?

A aludida paixão não poderia ter começado de outra forma. A história disso nos dá conta. Segundo a revista Café e Chá (Fev.2012), “diz-se que, em 1727, Francisco de Mello Palheta, um militar luso-brasileiro, foi enviado à Guiana Francesa com duas missões: restabelecer a fronteira fixada pelo Tratado de Utrecht e conseguir sementes de café”.

Quanto à primeira incumbência, por não ser aquilo que me leva a escrever este texto, deixo-a de lado. Relativamente ao segundo encargo, continua aquela publicação a dizer que “para conseguir tal intento, um verdadeiro segredo de Estado, Palheta - aqui para nós, palheta era coisa que não lhe faltava, fazendo jus ao nome - terá seduzido a mulher do governador, o qual se recusava veementemente a entregar os precisos grãos”.

Aquela, rendida aos encantos do garbosos militar, entregou-lhe uma planta de café, e, passado pouco tempo, os portugueses davam início à plantação, de certo modo intensiva, de café no Pará e no Maranhão.

A chegada do café à corte portuguesa, segundo conta a nossa história, foi uma questão de pouco tempo, tendo-se seguido séculos de enraizamento de um hábito. Beber café e frequentar cafés, num misto de convívio e cultura, há muito que faz parte do nosso dia-a-dia. Aliás, vejam-se os exemplos de muitos dos nossos mais ilustres escritores e pintores que não escaparam a esta moda, destacando-se, de entre muitos outros, Bocage, Alexandre Herculano, Almeida Garret, Fernando Pessoa e Almada Negreiros. E quem não se lembra de cafés míticos, alguns ainda hoje existentes, como o Martinho da Arcada, o Nicola, o Marrare, o Magestic ou a Brasileira?

Já agora, vai um café?

 

Adenda: À semelhança de muitos outros também este texto foi escrito há vários dias e daí a razão deste aditamento, o qual tem a ver com algo que, hoje mesmo, presenciei a propósito de café e que, mais uma vez, me deixou estupefacto face a determinadas posturas tomadas por certas pessoas. Mas, como se costuma dizer, as atitudes ficam com quem as pratica.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:45

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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