O meu ponto de vista

Dezembro 07 2016

Todos já ouvimos dizer que o dinheiro não é tudo na vida, que não traz felicidade … mas que ajuda muito, que mais vale ser pobre e honrado que … entre tantas outras pérolas de prosa. Bem, estudos feitos junto de gerações mais novas, designadas por millennials, vem, de certo modo, confirmar aqueles ditados.

Então, de acordo com o aludido estudo, coordenado por Geoffrey James, muito mais importante que o dinheiro vem, à cabeça, a ambição de terem orgulho em si próprios, ou mais concretamente, pertencerem a uma família e organização que releva os seus modos de ser e estar. O segundo factor prende-se com a pretensão de serem tratados com justiça. «As pessoas na casa dos trinta anos detestam favoritismo e esperam sempre equidade e bom senso para quem trabalha e se dedica arduamente à família, detestando, por outro lado, os “engraxadores”». O terceiro prende-se com admiração que dizem querer ter relativamente à família no seu todo, bem como a quem os dirige profissional, social e politicamente. Depois surge a pretensão de quererem sentir que a sua opinião é ouvida e tida em linha de conta. Isto no que concerne a todos os aspectos da vida quotidiana. Em quinto, aparece o desejo de poderem conciliar a carreira e a vida familiar. «Com isto não querem afirmar não estarem dispostos a vestir a camisola da instituição 24 sobre 24 horas, mas é determinante que sintam, de forma vincada, pertencer a algo que lhes reconhece o direito e a necessidade de terem uma vida com qualidade para além do trabalho».

Resumindo, apreciam especialmente a partilha de conhecimentos, esperando, quase diria ansiosamente, encontrar alguém que os ajude a evoluir, tanto no sentido familiar como profissional, isto para além de gostarem de trabalhar sobre elevados níveis de stress.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:01

Dezembro 06 2016

Sei de fonte limpa que não haverá hoje ninguém, directa ou indirectamente ligado ao ensino, que não diga algo sobre os resultados dos alunos portugueses nos testes PISA 2015. Eu, como é óbvio, não fujo à regra.

Assim, os discentes portugueses deram continuidade a uma evolução, a qual tem sido constante desde a primeira participação, em 2000. Nos testes PISA 2015, os estudantes nacionais chegam ao "top" 20, entre mais de 70 países - incluindo os 35 membros da OCDE -, nos domínios de Literacia Científica (17.º lugar) e de Leitura (18.º), melhorando ainda a prestação na Matemática (22.º). É de realçar que é a primeira vez, que os nossos jovens conseguem ficar acima dos valores médios nos três domínios de avaliação, sendo que a Literacia Científica - área em destaque nos testes realizados no ano passado por mais de meio milhão de estudantes de todos os continentes - acaba por ser a cereja no topo do bolo.

Ora, mesmo tendo em conta que durante os aludidos quinze anos, sete foram por conta – para infelicidade nossa – dos governos de José Sócrates, restam oito liderados por governos do PSD. Mais: quatro deles, os últimos do referido estudo, foram conduzidos, sob a batuta da responsabilidade e eficiência, pela mão de Nuno Crato, do qual a esquerda e, sobretudo, a Fenprof disseram o que os maometanos não dizem do toucinho. Seria, agora o momento, caso tivessem decoro, de pedir desculpa.

A terminar, como se costuma dizer, não há bela sem senão. Assim, há assinalar que os alunos inquiridos tinham todos quinze anos, o que pressupõe à partida que frequentassem o 10º ano. Não é, contudo, o que a realidade denota. Apenas 55% dos inquiridos frequentavam esse ano, sendo que 22% andavam no 9º e os restantes repartiam-se entre o 7º e o 8º ano de escolaridade.

Ah, a Finlândia, esse paradigma das boas práticas educacionais, continua a regredir. Sintomático! E o actual ME dá os parabéns aos alunos e professores. Aos seus antecessores, nem uma palavra! Também aqui é sintomático!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:28

Dezembro 05 2016

O que está na ordem do dia, desde há várias semanas, é a questão da administração da CGD. Sinceramente, já não existe pachorra para tanta incompetência e desleixo, sobretudo da parte governo, o qual após ter nomeado e feito, à socapa da lei, um acordo com António Domingues, lava agora as mãos como Pilatos.

Por isso, vou falar do Orçamento de Estado para 2017. Este, sim, afecta a vidinha de todos e mais ou menos – bem visto é mais – nos vai aos bolsos. Não é de esperar que este documento estruturante, fundamental da política do Estado, venha a trazer um contributo significativo para o desenvolvimento económico. Pelo contrário, o aumento da despesa pública não é, per si, gerador de investimento nem sequer garante que venha a concorrer para ele. As designadas gorduras do Estado encarregam-se de se acoplarem com tudo ou quase tudo.

Do lado dos impostos, nenhum impacto virá da descida destes, tanto mais que isso não se verificará. Bem pelo contrário. Nesta matéria, o factor decisivo é, antes, o clima de confiança interno e externo, ou seja, a criação da convicção dos potenciais investidores nacionais e estrangeiros de que que vale a pena apostar em unidades produtivas no nosso país. Ora, só para citar alguns exemplos, quem olhar para as declarações do BE e do PCP, notará que não existem boas perspectivas de curto ou médio prazo.

Por isso, digo e reafirmo que primeiro temos que levar a cabo uma autêntica reforma do Estado e equilibrar as contas públicas. Só depois, se o trabalho for bem feito, haverá condições para um crescimento sustentável da economia com reflexos positivos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:39

Dezembro 02 2016

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Pois, pois! Depois de terem tratado a grave situação da CGD com os pés, tendo queimado em lume brando António Domingues, eis que António Costa não teve outra solução que nomear Paulo Macedo para dirigir aquele banco público.

Sendo um excelente gestor, mesmo um dos melhores, não tenho menor dúvida que Paulo Macedo irá dar a volta à CGD e transformá-la numa instituição financeira credível e, sobretudo, viável.

Todavia, que grande sapo que os socialistas, mais uma vez, tiveram que engolir! Para os mais distraídos recordo que este gestor foi ministro da Saúde no governo de Passos Coelho e, nessa altura, o PS disse, sobre ele, cobras e lagartos. Que estava a extinguir o SNS, que era animado por uma deriva neoliberal, que estava ao serviço dos grandes grupos financeiros, entre outros mimos. É só fazer uma pequena pesquisa na Net e vão, com toda a certeza, lembrarem-se destas e doutras pérolas, aliás algumas bem mais cáusticas. Observem a imagem que encima este texto, autoria da esquerdalha, e que ilustra bem o anteriormente exposto.

Enquanto a geringonça realiza a insustentável leveza do seu ser, só alguém de fora os pode motivar, animar e valer. Neste aspecto estão bem uns para os outros.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:01

Novembro 30 2016

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Podem dourar a pílula, chorar baba e ranho, gritar loas sem fim, afirmar que foi o pai do povo cubano, que elevou a instrução e a saúde dos seus concidadãos a níveis exponenciais, entre outros epítetos elogiosos. Todavia, para a história da democracia, tal como a concebemos e sempre sonhámos viver, Fidel não pode ser caracterizado de outro modo que não seja ditador. Ponto final parágrafo.

O luto, decretado após a sua morte, pode durar imensos dias ou até várias semanas, estando o “povo” obrigado – não tenhamos medo das palavras – a prestar-lhe homenagem. Aliás, ai daquele que falte nesta hora, pois acontecer-lhe-á o mesmo que sucedeu a muitos outros que, enquanto vivo, se recusaram prestar-lhe culto, i.e., a prisão, o degredo e o assassinato.

Não é por acaso que, por estes dias, nas redes sociais, se afirma que todo o comunista enseja ardentemente ser um novo Fidel, ou seja, governar sozinho uma ilha com milhões de servos fiéis.

Observe-se, por outro lado, a que chegou o fanatismo dos seus apaniguados, os quais continuam, apesar das ténues aberturas, a dirigir aquela ilha caribenha com mão-de-ferro: na televisão cubana não é permitido dizer bom dia, boa tarde ou boa noite enquanto durarem as exéquias. Presumo que publicamente as pessoas também estejam proibidas de dizer algo semelhante.

Ontem, em crónica publicada no Público e assinada por João Miguel Tavares, perguntava-se, e bem, do porquê de chamar ditador a Salazar e a Pinochet – algo que pessoalmente não me repugna – e apresentar pruridos no uso do mesmo epíteto relativamente a Fidel? Só porque aqueles não lideraram revoluções de esquerda? Que se saiba não assassinaram tantas pessoas, o desenvolvimento industrial foi, sem comparação, muito maior e, de modo algum, isolaram os respectivos países como o ex-líder cubano fez.

É evidente que o PCP apresentou e fez aprovar na AR um voto de pesar, algo que não estranhamos. Porém, o que dizer do voto patenteado pelo PS? Sim, sim, pelo PS e aprovado, como é óbvio, pelos comunistas. E lamento mais ainda que tenha havido deputados sociais-democratas a absterem-se na respectiva votação.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:35
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Novembro 29 2016

Cada vez mais enchemos a boca com exigência e responsabilidade. A começar pelos mais novos, já que é de pequenino que se torce o pepino, lá diz o ditado. Todavia, na prática, os pais quase nunca se atrevem a dizer não, isto para não falar em que lhes dão tudo o que pedem e os deixam, em termos de ser e estar, conforme muito bem querem.

O ex-ministro da Educação, Nuno Crato, apesar dos erros que cometeu – o número destes é, em princípio, proporcional à quantidade de trabalho – tentou implementar um ensino de responsabilidade. Manda a verdade dizer que, por este e outros motivos, lhe deram porrada de água a jarra. Mais, a Fenprof, organização insuspeita de alguma ligação à Igreja, comparou-o a um autêntico anti-Cristo, movendo-lhe uma cruzada constante.

Bem, segundo notícias hoje vindas a pública, tal política começa a dar os seus resultados. De acordo com o Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS), um estudo internacional que avalia o desempenho dos alunos do 4.º (e do 8.º ano) de escolaridade a matemática e ciências e que foi aplicado no final do ano lectivo de 2014/2015, os alunos portugueses do 4.º ano estão melhores a Matemática do que aqueles que terminaram o primeiro ciclo do ensino básico em 2011, tendo até ultrapassado a Finlândia.

Como não há bela sem senão, aos conhecimentos a Ciências decresceram. Por isso, ninguém me tira da cabeça de que se os exames fossem alargados a todas as disciplinas, também aqui o resultado seria diferente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:25

Novembro 28 2016

Escrevi o outro dia que nas recentes eleições americanas não foi apenas Hillary Clinton que perdeu. Clamorosamente quem saiu derrotado foram as sondagens, as quais, como é do conhecimento, geral, previam a vitória clara de ex-Secretária de Estado.

Pois bem, neste fim-de-semana, cá no burgo, também deram à estampa as mais recentes sondagens, as quais dão quase a maioria absoluta ao PS, colocando este em autêntica maré eufórica e até polvorosa. Pudessem eles ter a certeza absoluta da fiabilidade de tais previsões e, estou certo, tudo fariam para provocar a queda do actual governo, de modo a ganhar a maioria absoluta em novas eleições.

Ora, os consultores de imagem e os profissionais de publicidade mais resilientes aprenderam há muito que, tal como as tempestades e as mudanças de clima tendem a fazer-se anunciar aos idosos pelas dores reumáticas, também o desvanecer de alguma crispação social e, sobretudo, o facto de as pessoas sentirem mais algum dinheiro nos bolsos tendem a fazer-se sentir com antecedência e a manifestarem-se de maneira igualmente mais colorida nas sondagens.

Até que um dia, obedecendo às leis da impermanência que regem a Humanidade, surgirão novos sinais, não digo diabólicos mas, com toda a certeza, não benéficos. Nessa altura podem apostar que os homens das sondagens serão os primeiros a notá-los. É evidente que a sorte protege os audazes e se António Costa tem sido algo é corajoso. Porém, já lá diz o ditado “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”.

Adenda: com esta solução governativa a Caixa não encaixa. Voltarei a este assunto, apesar de desencaixar das mais elementares normas de bom senso.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:09

Novembro 25 2016

Comemora-se hoje o 41º aniversário do “25 de Novembro”. Para quem não é desse tempo ou preferiu esquecer recordo que nesse longínquo ano de 1975 caminhávamos, por iniciativa do PCP e grupelhos adjacentes, onde pontificava, entre outros, o ex-MES, para um modelo bolchevique de organização do regime, autoritário, fortemente repressivo, baseado num modelo de partido único e sem liberdade de expressão.

Relembro que nesses tempos – hoje ainda, mas de um modo mais suave e rebuscado – O PCP lutava contra a tradição democrática parlamentar e a pluralidade partidária, sindical e associativa. Estava liminarmente contra a Comunidade Económica Europeia e a NATO. Lutava, apesar dos seus apenas 15% de votos, encarniçadamente a favor da apropriação colectiva dos meios de produção, do controlo operário e da nacionalização das empresas e grupos económicos. A livre iniciativa privada e o mercado eram constantemente colocados em causa, bem como a propriedade privada dos meios de comunicação social.

O golpe militar, comandado pela ala moderada dos militares, onde pontuava Ramalho Eanes, Melo Antunes, Victor Alves, Jaime Neves, entre muitos outros, foi a resposta democrática à deriva iniciada com o “11 de Março” cujas «conquistas» foram ilegítimas, ilegais, forçadas e por vezes violentas.

Por fim, é conveniente não olvidar que o “25 de Novembro” evitou uma guerra civil já que o rumo do país contrariava totalmente os resultados das eleições e, por isso, certamente que as populações, a maior parte dos militares e as instituições teriam reagido fortemente, como aliás já havia sinais claros.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:10

Novembro 24 2016

É costume afirmar-se que isto já não é o que era. Que dantes é que era bom. Não é sinónimo de velhice, tanto mais que não falo em termos etários. Agora que tudo isto mudou de há um ano para cá, mudou. E mudou substancialmente.

Os telejornais já não são o mesmo. As nossas ruas, sobretudo às sextas-feiras, deixaram de ter o encanto de outrora. São, salvo as devidas excepções, uma autêntica pachorra. Desde que o PCP e BE se aliaram ao PS, para suportarem o actual governo, não há diariamente o Arménio Carlos, a Ana Avoila e, muito menos, o Mário Nogueira a entrar pelas nossas casas adentro ameaçando-nos com o fogo do Inferno. Que saudades e, sem cair em contradição, que alegria. Que bom esta paz. Sem querer ofender quem quer que seja, parece Deus com os anjos.

E as nossas ruas à sexta-feira à tarde? Recordam-se como era há dois e mais anos atrás? As manifestações sucediam-se e o trânsito, já de si caótico, tornava-se insuportável. Agora? É vê-lo correr. Senão fossem as obras nas ruas e a fraquíssima prestação dos transportes públicos e todos fluiríamos como se fosse fim-de-semana ou férias.

Bom, não há nada como estar comprometido até à medula com a governação, apesar de, por vezes, numa tentativa de enganar o pagode, digam o contrário, chegando a anunciar uma ou outra crítica. Engolem sapos, elefantes até, mas tudo bem. É em prol da classe trabalhadora (!!!)

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:00

Novembro 23 2016

Chegou verdadeiro o Inverno. Dias pequenos, muita chuva e frio caracterizam esta época do ano. Que tem o seu encanto, é uma verdade insofismável. O aconchego do lar, o calor da lareira, com o crepitar da madeira seca a ser consumida, a gastronomia típica desta época – feijoada, sarrabulho, cozido, chanfana, entre tantas outras iguarias -, para não falar na quadra natalícia, tornam estes meses muito especiais. Então o Natal, com a ideia de família que lhe está subjacente, fazem crescer em nós desejos sinceros de humildade, solidariedade, onde o que há de melhor em nós sobressai.

Todavia, também é verdade que o frio e a chuva – absolutamente necessários – fazem-me sentir saudades do calor e, sobretudo, da praia. Nostalgia das sardinhas a estalarem na brasa, das febras e bifanas a saírem directamente para o pão, das saladas abundantes, das bebidas refrescando as gargantas sequiosas de quem festeja, falando, cantando, dançando, ou seja, aproveitando os dias longos e soalhentos e as cálidas noites.

Anseio por um tempo em que uma sombra fresca de um parque é um pequeno oásis, por uma esplanada construída no jardim, onde reúna os amigos à volta da mesa e a conversa parece não ter fim à beira de petiscos de fazer crescer água na boca.

Conto os dias para que cheguem os momentos do dolce far niente, em que há tempo para tudo e para todos. Os passeios, as visitas, a animação e a alegria desprendida, adiadas por meses e meses de trabalho ou de impossibilidade meteorológica, são colocados em dia.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:14

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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