O meu ponto de vista

Outubro 29 2014

Ouvi-la é já por si uma obrigação. Porém, a aptidão motivacional que transmite denota um invejável percurso trilhado. Define estratégias e coloca em prática políticas de acordo com a sua missão e valores que cultiva com zelo.

Novas formas de pensar cativam-na. O objectivo de captar o outro, sobretudo se demonstra um elevado potencial, está sempre presente. Não é um mero jogo do gato e do rato. Não, é muito mais subtil e apaixonante, como aliás são os seus olhos verdes-água!

Nas conversas entabuladas conta, e muito, o sentido ético, crítico e de cidadania, bem como a capacidade de iniciativa, de análise e de comunicação.

Apesar de provir de uma família de referência, tão ou mais importante que o percurso académico e/ou nobiliárquico, para ela é indispensável a diferenciação pelo valor que o outro poderá acrescentar à relação.

Ambos comungamos da ideia de que é indispensável inovar, sendo que no modo de ser e estar um certo conservadorismo – arejado, como costuma afirmar – é desejável. Por isso, a recorrência a ferramentas (!!!) alternativas às tradicionais seja quase uma constante.

É seu hábito dizer que “é indispensável acrescentar valor a tudo o que fazemos”. Em contraponto, respondo que para isso princípios existem que não podem ser esquecidos, como a disciplina, o rigor e a competência.

No campo mais afectivo também assim será? Algo que descobrirei em breve!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:06

Outubro 28 2014

Já em tempos escrevi e volto à liça. É incompreensível para quem tenha o mínimo de dois dedos de testa que continuem a existir determinadas bizarrias – sim, leu bem, caro leitor, não passam de bizarrias -, as quais, por muito tradicionais que sejam, não possam ser alteradas.

É hábito, neste país, condecorar os primeiros-ministros passados uns anos de deixarem o cargo, por muito mau desempenho que tenham tido e que nenhum serviço relevante à pátria tenham prestado.

Em texto anterior escrevi que a condecoração que Cavaco Silva impôs a Santana Lopes era inexplicável e, sobretudo, imerecida. Agora, algumas almas caridosas do PS, ente as quais Ascenso Simões – ex-secretário de Estado do governo anterior, grande mentor das PPP, do novo aeroporto de Lisboa, TGV e outras estapafurdices -, vêm a lume solicitar ao Presidente da República que se “deixe de animosidades” e condecore imediatamente José Sócrates, com o argumento de que é o único ex-primeiro ministro não agraciado.

Mas será que ninguém há-de pagar pelos seus erros? Ou melhor, independentemente das maldades que tenham feito, ainda por cima são louvados?

Já agora condecore-se também Ricardo Salgado do BES, Oliveira Costa do BPN, isto só para citar alguns.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:47

Outubro 24 2014

Um dos maiores flagelos do nosso tempo é o desemprego. É daquelas verdades tão evidentes que, com toda a franqueza, até dá dó só de escrever. Por isso, tudo o que seja feito para minorar tal chaga sabe sempre a pouco.

Assim, por mais bem-intencionados que sejam os incentivos ao relançamento do emprego eles constituem, quase sempre, uma terapia sintomática cuja atractividade das medidas de apoio não conseguem colmatar a estagnação da economia.

Nem os estímulos à criação de empregos, nem o alargamento dos prazos dos subsídios constituem solução para este problema. A recolocação dos desempregados tão-pouco depende da boa vontade dos empregadores. É que por mais que as medidas de incentivo à contratação sejam apelativas, os empregadores só conseguirão criar novos postos de trabalho na altura em que o aumento do PIB entrar numa faixa de crescimento económico sustentável.

São as medidas de redução do IRC, a aposta séria na formação e qualificação, a promoção da internacionalização, i.e., o incremento das exportações, a segurança jurídica dos investimentos, a competitividade fiscal e o financiamento das PME que podem despoletar os factores que promovem o emprego.

Bem sei que, de certo modo, é “chover no molhado”, mas há a referir que os incentivos à empregabilidade medram mais e melhor numa economia em crescimento do que numa em luta pela sobrevivência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:21

Outubro 22 2014

Não podendo, infelizmente, estar nesta noite no CCB para ouvir o concerto de Miguel Araújo, onde poderia escutar, de entre tantos êxitos, Balada Astral, cantada em parceria com Inês Viterbo, e Os Maridos das Outras, deixo aqui a sua nova música Pica do Sete.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:21

Outubro 21 2014

Por muito que as escolas estejam a funcionar, desde 15 de Setembro, com noventa e tal por cento dos seus docentes, a verdade é que a não ou a má colocação de cerca de três a sete por cento dos que são contratados anualmente tem criado na opinião pública a ideia - completamente errada, é certo, mas é a que impera - de que o início deste ano escolar tem sido um autêntico caos.

É evidente que a ausência de um único docente já é, só por si, preocupante e a falta de uns milhares não é, de modo algum, para desvalorizar, bem pelo contrário.

Já o disse e volto a (re)afirmar que, enquanto não houver um consenso alargado sobre os critérios de recrutamento – é por demais sabido que apenas a nota de curso, muitas vezes, não quer dizer que se é bom ou mau docente -, a classificação profissional ainda é o modo mais linear e objectivo e, por isso, mais justo de colocação de docentes. Abro um parêntesis para dizer aquilo que todos muito bem sabem: instituições superiores existem que hiperinflacionam as notas dos seus alunos de tal modo que quando estes concorrem encontram-se sempre nos lugares cimeiros. E são os melhores profissionais? É evidente que não.

Assim, compreende-se que tanto o MEC como as escolas queiram ajuizar outros valores para selecionar os melhores. Porém, é aqui que “a porca torce o rabo”, uma vez que, obrigatoriamente, entra a subjectividade, senão mesmo o compadrio, como é aquele caso em que para um horário de artes visuais se premeia em primeiro lugar a autoria ou co-autoria de obras publicadas. Até parece um fato feito à medida.

Todavia, a solução aventada por muitos directores também me deixa arrepiado. Dizem estes que se tivessem sido autorizados a reconduzir os contratados do ano passado este problema nunca teria existido ou, quanto muito, seria meramente residual. Pois, pois, sabemos todos muito bem como é a questão da recondução e a lambe-botice que gera. Como é óbvio, há direcções e direcções e nem tudo cabe no mesmo saco, mas a ver pela amostra a nível de contratação de escola o caso é para temer.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:42

Outubro 20 2014

Várias vezes referi que é necessário passar da palavra aos actos e que a intenção de agir não é suficiente para ultrapassar os desafios. Aliás, já lá diz o ditado “de boas intenções está o Inferno cheio”.

Neste contexto, as decisões que resultaram do empenho, em sede de concertação social, a propósito do aumento do salário mínimo representam um passo positivo na caminhada para a recuperação económica. Pode-se argumentar que o aumento é diminuto e que 20 euros não representam nada. É evidente que sim para quem ganha milhares. Contudo, para quem ganha pouco alguma coisa é melhor que nada. E, como bem sabemos, o país, ou melhor, a maioria das empresas não têm margem de manobra para muito mais. É fácil pedir muito para quem não tem responsabilidades e, sobretudo, é preciso recordar que mais vale ganhar pouco que estar no desemprego.

As medidas de flexibilização do mercado de trabalho são impopulares, mas são positivas para criar as bases de um futuro crescimento económico assente em mais emprego. É certo que numa abordagem primária, diria até demagógica e populista, argumentarão que é mais fácil despedir. Ora, é precisamente o contrário e o exemplo vem da administração pública, tanto central como local, onde durante décadas se contratou a eito e se empregou toda a família.

O modelo laboral que vigorava não servia, não era justo e muito menos competitivo. Foi esta a tragédia social - que agora pagamos – instalada durante dezenas de anos e assente numa ortodoxia cega do emprego para a vida inteira.

A maior parte das medidas são antipáticas junto de um determinado sector sindical. Todavia, há que as encarar como um medicamento difícil de tomar, mas que poderá ser a única via para a cura definitiva de um sistema doente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:39

Outubro 16 2014

Costuma-se dizer que de entre mortos e feridos alguns escaparão. E sendo certo que, nos últimos anos, os sucessivos governos têm procurado receitas por todas as formas e feitios possíveis, sem que se veja um real e efectivo corte na despesa do Estado, alguns, mesmo assim, conseguem passar por entre os pingos da chuva, isto para usar uma metáfora que faz jus à meteorologia.

E, em boa verdade, deste aumento de receitas à custa de um brutal aumento de impostos alguns escapam, isto a ver pelas notícias que dizem existir, neste momento, 76 mil portugueses milionários, i.e., cuja riqueza é superior a um milhão de dólares, o equivalente a cerca de 790 mil euros.

Mesmo assim, não conseguimos colocarmo-nos a par, por exemplo, da Grécia e da Irlanda, países também intervencionados pela troyka, os quais têm percentualmente um número de milionários superior ao nosso.

De qualquer modo, aquele número assusta-me pois denota que aumentou o fosso entre os que mais e os que menos têm. Por outro lado, com a destruição da classe da média, fruto da crise que afetou a Europa, e de forma muito especial Portugal, aumentou quase exponencialmente a incidência nos que tinham capacidade de compra e que deixaram de ter, o que não deixa de ser enormemente preocupante.

Todas estas questões nos abalam a confiança e sem esta, podemos apresentar bases para um crescimento – como hoje-em-dia se diz - sustentado, eixos de actuação e medidas-chave conceptualmente muito bem concebidas, embora em nada originais, que não chegaremos a lado nenhum.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:21

Outubro 15 2014

Durante a semana passada e a presente a Igreja discute, em sínodo reunido no Vaticano, as questões da família, entre as quais se destacam, pela importância que os media lhe dão, o acolhimento dos recasados e dos homossexuais.

A iniciativa, sendo tardia, é louvável, mas a sua eficácia depende da verificação de vários pressupostos. Como sabemos a Igreja Católica, com os seus dois mil anos de história, especializou-se em escrever nas entrelinhas e, sobretudo, em não alinhar em modismos de ocasião e muito menos deixar-se secularizar.

Vamos, porém, ao cerne das questões. Desde logo, a efectiva reforma tão desejada por uns é liminarmente rejeitada por muitos outros, pelo que o perigo de um novo cisma não poderá, de modo algum, ser colocado de lado. Ainda está bem presente na memória daqueles que mais se encontram ligados à prática cristã todo o processo Lefèvre, personalidade polémica e controversa e um dos promotores do movimento tradicionalista católico, o qual, como é do conhecimento público, rejeitava a reforma litúrgica colocada em prática pelo Concílio Vaticano II.

Como tal, os passos que os bispos recomendarão a Francisco não serão de gigante, como muitos anseiam, mas mais de criança que começa a caminhar por terrenos desconhecidos e, ainda por cima, pantanosos.

Tenho para mim, que o acesso dos recasados à confissão e à comunhão, de certo modo, é pacífico, tanto mais que, como diz D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, “a eucaristia (...) não é sacramento dos perfeitos mas dos que estão a caminho”. Porém, a aceitação plena da orientação sexual dos crentes não creio que tenha, para já, pernas para andar e a Igreja estará, por certo, muito longe de aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quanto muito estará na disposição de acolher todos, sem indagar se é gay ou heterossexual, i.e., desde que os primeiros ostensivamente não demonstrem que “saíram do armário”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:03

Outubro 14 2014

Dia sim, dia sim, o Partido Socialista solicita por todos os meios e em todos os locais a demissão do governo e, simultaneamente, a convocação de eleições antecipadas. É evidente que a governação do país nos deixa quase diariamente angustiados e que as verdadeiras reformas, geradoras de crescimento e de emprego, tardam e, por isso, é fácil cavalgar esta onda de descontentamento.

Qualquer argumento que o governo aduza para justificar esta ou aquela contrariedade é de imediato contestada, fazendo crer, à saciedade, que não são mais que meras desculpas de mau pagador.

A memória dos homens é curta e no Largo do Rato sabem muito bem a cartilha.

Acontece, porém, que no espaço de duas semanas os lisboetas, governados por esse guru - alguns dizem que até asceta é - chamado António Costa, sofreram as agruras de duas enormes inundações. Como é óbvio, os fundamentalistas autárquicos da capital vieram logo dizer que tal não se devia às sargetas entupidas, aos esgotos mal dimensionados, aos declives das ruas mal calculados e muito menos à incúria da câmara. A culpa, sim, cabia inteiramente a S. Pedro que parece querer estragar o futuro do “Ghandi” de Lisboa.

Nada a que não estejamos acostumados: dois pesos, duas medidas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:19

Outubro 13 2014

Não existe ninguém que não comente o estado a que a justiça e a educação, particularmente esta última, chegaram, tal o caos instalado.

Por isso, não admira sentir-se a necessidade de promover urgentemente uma campanha assente em cores de encorajamento e de bom desempenho, valores autodenominados de atractivos e apresentados como traduzindo não uma hipotética situação, mas do factual estado e principalmente de esperança.

Culpa de muitos, a começar pelos governantes e acabar nas forças político-sindicais – o pendor é maior para o primeiro item -, uns por inoperância levada ao extremo, outros, ao sabor da conveniente vaga, por carregarem excessivamente no negro, o certo é que se instalou na opinião pública e, sobretudo, na publicada de que o Ensino em Portugal, neste momento, é uma bandalheira total, o que, como bem sabemos – falo do que efectivamente conheço - não corresponde à verdade.

Se acrescentarmos à dita campanha a vontade expressa de promover junto dos potenciais “compradores” a verdade contada por quem realmente anda no terreno e coloca diariamente a mão na massa, podemos concluir que esta objectiva desvalorização pode reverter-se.

É certo que será sempre um benefício relativo e muito menos imediato, pois esta lógica de desvalorização criou raízes. Mais: deve ser feita devagar, com bom senso e jamais forçando a crença pois, em caso contrário, poderá gerar um efeito boomerang.

Ora, é precisamente isso que temos a obrigação de travar. Inteligentemente, como fazem os marketers. É que alinhar na “venda” ao desbarato do património “herdado” é sempre má política.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:33

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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