O meu ponto de vista

Julho 06 2015

A cada dia que passa mais a data das eleições legislativas, como é óbvio, se aproxima. Assim, não é de estranhar, apesar de a maioria detestar, o acrescento exponencial de promessas. E não há dúvidas que se apenas um décimo destas se concretizassem, o nosso futuro era feito de rios de leite e mel.

A proposta de fazer isto e aquilo, de proceder assim e assado, é, segundo pensam os nossos políticos, sinónimo de conforto e prazer. Fazer uma promessa, e em particular uma promessa política, é, hoje em dia, um gesto perfeitamente rotineiro e natural, independentemente de quem a faz.

Perde-se no tempo o hábito enraizado nos políticos de fazer promessas a torto e a direito, o qual ultrapassou as fronteiras físicas que separam povos e culturas e é preparado segundo tradições ancestrais ao longo de séculos, aperfeiçoados em cada gesto e em cada rito e que hoje assume o protagonismo nos mais variados momentos do nosso quotidiano, especialmente agora em que as máquinas da propaganda eleitoral - vulgo agências de marketing e afins - se tornaram mestras na arte de bem nos ludibriar.

Não há campanha eleitoral sem promessas demagógicas e populistas. Tal, infelizmente, tornou-se tão natural como ter sede ou respirar e facilmente se explica. Uma boa dose de promessas parece confortar tanto o estômago como a alma. Não de todos mas, pelo menos, dos mais ingénuos. E, estes, não são ainda assim tão poucos como isso!

E, por muito que se diga o contrário, o pior é que se aparece um político que não faz juras de cumprir este ou aquele feito, então, das duas uma: não cai bem ou não sabe ao que anda!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:23

Julho 02 2015

Afinal, aquilo que a maioria dos agentes ligados à educação não queria concretizou-se. Refiro-me, concretamente, à municipalização do ensino na Mealhada, a qual acarreta muitas angústias e uma quase ausência de alegrias. Bem, relativamente a estas só as poderá ter quem, contra tudo e contra todos, decidiu pelo quero, posso e mando.

Muitos foram os órgãos que estiveram mal, para não dizer pessimamente. Uns mais que outros, como é óbvio, e não vale a pena citá-los uma vez que todos sabemos como se designam. Um dia, estou certo, se fará justiça.

E mais não digo, já que os tempos, como aliás se previa, são de desassossego.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:18

Julho 01 2015

Predominantemente masculina, a “família” dos políticos é a mais importante entre todas as famílias classificadas no mundo ocidental, embora existam diferenças de país para país, resultantes de preferência de carácter sócio-cultural.

Os políticos podem ser “criados” em torno de uma única ideia ou “construídos” à volta de um bouquet de várias ideologias, que lhes podem conferir outras cores. A história da política contemporânea dá-nos alguns exemplos que se tronaram clássicos, uns há muito votados ao ostracismo, senão aos mesmo ao sumiço, outros ainda com alguma vivência.

As “famílias” dos políticos são trabalhados pelos políticos que combinam com outras notas de má-fé, criando verdadeiras obras, pela sua complexidade, na arte de se governarem. As aludidas "famílias", como diz um amigo meu, «não querem que lhes deem dinheiro. Querem somente que as coloquem onde o haja!”.

Uma “família” política é uma matéria muito complexa e, por isso, dá imenso “trabalho”. Tal não é uma mera soma de pessoas, mas é, antes de mais, uma interacção entre elas tendo por base o «yes men». Por esta razão, há políticos que “trabalham” na organização de contactos durante dez, por vezes vinte anos, para finalmente ver o resultado da sua proficiência. São verdadeiros trabalhos de compositor que resultam, por vezes, em feitos que se eternizam e se transformam em paixão.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:57

Junho 30 2015

Isto de ser notícia, senão diariamente, quase todos os dias, dá, na maior parte das vezes, origem a imbecilidades e das grossas. E, apesar de há muito isto ser do domínio comum, o certo é que os nossos governantes não aprendem. Que o diga Nuno Crato.

O MEC não faz a coisa por menos. Senão, vejamos.

Há coisa de duas semanas foi a lembrança de colocar ex-militares a fazer vigilância – não sei se de G3 em punho ou não – nos recreios das nossas escolas. Por um lado por causa da diminuição drástica do pessoal não docente e, por outro, devido ao envelhecimento deste.

É evidente que, de imediato, vieram logo os arautos do costume a dizer mal da solução. A esquerda a comentar que se queria militarizar as escolas e os directores destas, com receio de não terem “mão” naqueles – a designação de sargentões não é por acaso -, a vituperarem tal argumentando que estes não possuem formação para o fim preconizado.

Uma outra medida surgiu muito recentemente, no âmbito da luta contra a obesidade, e passa por transmitir aos alunos a ideia de que se devem deslocar para a escola a pé ou de bicicleta. Até que enfim! Sinto-me vingado. Há quase cinquenta anos, quando iniciei os meus estudos liceais, a esmagadora maioria dos discentes, tal como eu, na ausência de quaisquer transportes públicos, deslocava-se das suas aldeias de bicicleta. Este vosso escriva, por exemplo, percorria cerca de quinze quilómetros para cada lado e olhem que nunca faltou, quer fizesse sol, chuva ou neve.

Ah, já agora, vou montar uma empresa de venda e/ou aluguer de “bikes”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:51

Junho 29 2015

O Verão aperta e nós queremos é praia ou um refresco à sombra da bananeira. Aliás, desde sempre ou quase sempre marcámos esta época por um grande despreendimento, olhando para o quotidiano com algum humanismo e, sobretudo, livre pensamento. O calor obligè!

Por exemplo, a Grécia é um desaforo e não há mais pachorra para ver, dia após dia, os avanços e recuos de parte a parte – leia-se Syriza-CE/BCE/FMI -, mais parecendo brincadeiras de garotos do que conversações entre gente madura e com enormíssimas responsabilidades.

Por outro lado, ou melhor, por estas bandas mais de cem polícias foram alvo de processos disciplinares por trocarem passes de transportes públicos – pagos por todos nós, entenda-se - por dinheiro. Contudo, o sindicato que os representa afirma que os vai defender. Bem, não me atrevo a classificar tal opção.

A terminar, conto-vos a melhor anedota do início desta semana: “a direcção do PS diz que os políticos não são todos iguais e que vai demonstrar isso”. Com as pessoas que rodeiam António Costa e que este privilegia, as quais já conhecemos de ginjeira e de muitos outros carnavais, é caso para dizer, parafraseando um actor brasileiro, «só contaram para você, né?»

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:50

Junho 23 2015

Pois é. Sempre assim foi e sempre assim será. Morto por ter cão, morto por o não ter. Podia usar outros adágios similares para atingir os mesmos objectivos, mas não fortifica a finalidade, uma vez que o relevante é a ideia substancial que está na génese do que quero transmitir.

Todos reclamamos - bem, todos não é verdade, uma vez que alguns, pelo menos os mentores das associações de pais, pensam o contrário - por um ano lectivo mais curto, e com a duração de períodos mais homogénea, já que está provado que somos, a nível europeu, senão o que mais dias de aulas temos, pelo menos uns dos que mais têm. Aliás, não nos podemos esquecer que dar mais do mesmo não é solução alguma. Esta está, sim, na diferenciação de metodologias e, sobretudo, na assiduidade.

Ora, quando o poder político, apesar de tal medida poder cheirar a algum eleitoralismo - quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra -, vai ao encontro das preocupações dos principais agentes educativos, i.e., por exemplo, iniciar o ano lectivo – p.f. não confundir com ano escolar – em 21 de Setembro em vez do habitual 14, eis que toda a esquerda, fundamentalmente a “caviar”, gritam «aqui d’El Rei» que não pode ser e clamam pela presença de Nuno Crato na AR a fim de dar explicações.

Sinceramente, não há pachorra para tais desmandos!

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:07

Junho 19 2015

Se existe tema que todos estamos conscientes da sua enorme gravidade, esse tema é a decrescente natalidade de que, ano após ano, padecemos. Nenhuma função, independentemente do seu teor, fica imune a esta questão. Nos últimos anos assistimos, mais ou menos impávidos e serenos, ao resvalar da taxa de nascimentos e, como habitualmente, pensamos que tal há-de encontrar solução per si. Puro engodo, uma vez que, conforme a experiência nos ensina, o cenário apenas mudará se procedermos em conformidade.

Efectivamente, podemos encontrar no adiar de uma consecução efectiva de vida e, simultaneamente, continuar a permanecer em projectos temporários, uma boa forma de desenvolver – egoisticamente, é claro - as nossas vivências e aumentar a rede de conforto. É verdade, tal como não é mentira, que tal atitude somente disfarçará a nossa indiferença.

Notícias recentes deram-nos conta que, anualmente, em Portugal, por cada 1 000 crianças que nascem, 200 abortos são feitos. Ou lido de outra forma, o Estado, ou seja todos nós, paga para que se façam cerca de 40 abortos por dia.

Ora, tais contas terão que, obrigatoriamente, originar uma reflexão. É que senão a totalidade, pelo menos a esmagadora maioria, tivesse a graça da vida de que apenas Deus é Senhor, a questão da natalidade não se colocava.

Em jeito de conclusão, posso dizer, sem receio de ser desmentido, que a resolução deste assunto não assenta em mais e melhores condições para os actuais e futuros pais – apesar de muita coisa poder e dever ser feita neste âmbito -, mas sim no querer e, sobretudo, no ter Fé e Acreditar.

Não tenhamos dúvidas, há cinquenta ou cem anos, para não recuar muito mais, a dificuldade em criar os filhos era, sem sombra para dúvidas, muito maior. Senão acreditam, perguntem aos mais idosos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:20

Junho 17 2015

Conjecturamos, muitas vezes, a necessidade de “ver a luz ao fundo túnel”. Luz metafórica, essa, pela qual se anseia dado que, afinal, permite adivinhar um fim para as circunstâncias adversas que nos rodeiam e vislumbrar um horizonte de futuro mais auspicioso.

Se aquela expressão é de uso corriqueiro nas mais variadas situações e quadrantes do dia-a-dia, este ano tal tem-se mesmo prestado a caracterizar os mais diversos cenários que se vão desenrolando do ponto de vista eleitoral.

Aliás, e a este propósito, também é hábito ouvir dizer-se que todos os anos deveriam ser ano de eleições, tanto mais que, por um lado, a crise deixaria de existir, e, por outro, a maioria dos problemas, senão mesmo a totalidade, que os cidadãos sentem seriam debelados. Pelo menos na afiguração!

Veja-se, por exemplo, o caso dos exames este ano já feitos. É um fartote de facilidades e, consequentemente, um aumento do sucesso. Bem, como é óbvio, em ano de eleições não convinha nada que a média das classificações, em comparação com anos anteriores, diminuísse. Bem pelo contrário. E depois digam-me se tudo isto também não é política. É, sim, e pura e dura!

Os alunos apresentam mais e superiores conhecimentos? Os respectivos docentes, com o brio nas alturas, esforçaram-se por transmitir aprendizagens de nível excelente? As escolas funcionaram com um nível organizativo eficaz? Os programas foram alterados para melhor e as estratégias implementadas foram acertadas e assertivas? É claro que não, mas isso pouco ou nada importa.

O fundamental é que “a luz ao fundo túnel” se transformou num clarão. Somente na aparência? E qual a dúvida? Se todos ficam contentes, “avante camarada”!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:06

Junho 16 2015

Não há menor dúvida que se quisermos que as pessoas compreendam quem somos e o que fazemos, a primeira coisa a fazer é conhecermo-nos a nós próprios.

Esta receita parece simples, mas, atenção, não é fácil, já que tendemos a subvalorizar a importância da introspecção nas nossas vidas. Aliás, esta atitude é reflexo da nossa cultura, meios e valores sociais e elementos determinantes na socialização.

Enquanto indivíduos, é a interagir connosco próprios e com os outros que aprendemos o mundo e a dinâmica das relações, sobretudo as afectivas, sendo também um meio de envolvimento em actividades sociais e treino de competências.

É habitual, infelizmente, o interesse em explorar a utilização da incongruência disfarçada de relativismo como catalisador de experiências pseudo-positivas. Os estudos, porém, sobre a importância do auto-conhecimento em contexto de formação da personalidade têm demonstrado que este é um factor de motivação, envolvimento e aumento de eficácia relacional. Todavia, dar este passo não está ao alcance de todos!

Naturalmente, ao longo dos anos foram sendo criados diferentes contextos relacionais e andrológicos, todos eles, mais ou menos, simulando diferentes variáveis da vida real. Mas serão eles, em si, o factor facilitador da vida? Ou terão, na sua génese, os elementos que nos possam ajudar a construir experiências de vivência gratificantes e verdadeiramente indutoras? A resposta a estas questões tem modificado para o mal ou para o bem o amor, dando, quando negativa, origem a um conceito que, nos últimos anos, tem crescido desmesuradamente designado de umbiguismo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:48

Junho 15 2015

Os mais atentos sabem que a taxa de desemprego em Portugal atingiu, nos inícios de 2013, o recorde de 17,8%. No entanto, daí para cá e, sobretudo, nos últimos meses, tem vindo a registar uma ligeira mas constante descida, de tal modo que, presentemente, se situa na ordem dos 13%. Ainda é alta, é certo, mas registe-se o decréscimo.

Não é, pois, de estranhar que se questione a sustentabilidade desta descida. Em matéria tão estruturante na sociedade e com tamanho impacto na vida das pessoas importaria, para além de tudo, a verdade. Enquanto o governo enfatiza a descida, incluindo uma conferência de imprensa de Paulo Portas, primeiro-ministro para o mini-governo CDS-PP, e defende a sua sustentabilidade – termo muito em voga ultimamente -, a oposição, a começar pelo PS, ou não lhe dá relevo ou até chega ao cúmulo de negar a sua existência.

Creio, pessoalmente, que a verdade se encontra algures no meio, aliás como sempre. Na verdade, tem-se verificado uma certa reanimação do mercado interno e das exportações, o clima económico e o índice de confiança dos consumidores melhoraram e algumas políticas activas de emprego tiveram impacto.

Isto explica alguma absorção do desemprego, mas convenhamos o seguinte: a saída de mão-de-obra jovem para o estrangeiro irá continuar; muitos trabalhadores encontram-se empregados em tempo parcial; outros desistiram de procurar emprego; outros, ainda, foram as próprias estatísticas, refazendo os respectivos critérios, que os eliminaram.

Uma coisa é certa: a redução sustentada do desemprego será sempre ancorada no investimento e crescimento económico, sobretudo privado, apoiada na formação e requalificação, com benefícios decorrentes de uma mutação da gestão organizacional das nossas empresas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:08

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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