O meu ponto de vista

Setembro 16 2014

Plantei-te às claras, de dia

Cuidando o melhor que soube

Regando-te quanto podia

E, assim, cresceste tanto que não coube

No sonho de uma vida

 

Por isso te abandonei

À tua sorte fui indiferente

Hoje, ainda não me conformei

Na espera que, por ser indolente,

Não enche um sonho de uma vida

 

Arrependido, por perto, estou

De pouco, aliás, me serve

Incerto ficou

Quem possuía uma esperança verve

Que não preenche um sonho de uma vida

 

Uma ode ao futuro

Escreverei sem desfalecer

Não num correr de pena prematuro

Mas de um pensar sem esmorecer

Que unas um sonho de uma vida

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:24
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Setembro 15 2014

Como outro dia aqui escrevi, nota-se, hoje em dia, a transmissão de uma mensagem clara e forte por parte da justiça de que o crime de prevaricação e o tráfico de influências por parte de titular de cargo político deixa de ficar impune.

O outro dia foi Armando Vara e a família Penedos. Hoje, a ex-Ministra da Educação do governo de Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues (MLR), foi condenada a três anos e seis meses de prisão, tendo esta sido suspensa na condição de indemnizar o Estado em 30 mil euros, num processo em que estava em causa a adjudicação directa ao gabinete do advogado João Pedroso, irmão do ex-ministro socialista Paulo Pedroso, da elaboração de uma base de dados da legislação daquele ministério.

Ora, tanto Vara como agora MLR, de forma enviesada, acham que se trata de perseguição política – há falta de outros argumentos credíveis, este é o que melhor se adapta à opinião publicada.

Por outro lado - e não havendo nenhuma novidade nesta postura -, sempre disseram e continuam a dizer que “estão de consciência tranquila”. Já agora, cumpre (re)afirmar que as cadeias, segundo a esmagadora maioria dos presos, estão cheias de inocentes e de pessoas acima de qualquer suspeita.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:16

Setembro 14 2014

Tempos houve em que este dia era de alegria e ocasião para comemoração.

Hoje, porém, a tristeza avassala e o pesar sobrepõe-se a todos os sentimentos, esmagando a certeza do que quer que seja.

Com a tua partida, reforçou-se, em mim, a ideia de que tudo é relativo e, sobretudo, arreigou-se ainda mais a percepção de que estamos apenas de passagem. “Somos pó e em pó acabaremos” (Génesis 2:7).

Em todos os dias, mas principalmente neste em que, se fosses vivo, farias 84 anos, um beijo de eterna saudade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:34

Setembro 12 2014

Neste local, praticamente vazio, olho em redor e nada sinto! A ausência de sensações é um sinal, um timbre que ecoa pelo silêncio ensurdecedor que me cerca e ressalta nas minhas memórias, pronunciando um, ainda que ligeiro, amargo da boca.

Não que tenha vivido mal ou desperdiçado os sonhos de uma vida. Alguns sim, é verdade. Todavia, quem poderá dizer que tudo aproveitou?

É sabido que me sobram sonhos e começam a faltar anos. Igualmente sei que já não tenho muito tempo e este jamais voltará atrás. E, conforme diz o poema cantado pela Marisa, se “não vou pedir ao tempo que me dê mais tempo”, prometo que irei amar e viver mais – perdoem-me a redundância.

Tendo consciência de que ser feliz não é obrigatoriamente sinónimo de estar numa relação com alguém, mas também acreditando que o velho ditado “mais vale só que mal acompanhado” não ilustra verdadeiramente a essência do Homem, enquanto ser gregário, resta-me a consolação de que, de certo modo, faço o que quero, como quero e quando quero. Ou, pelo menos, quase!

Ora, para muitos, isto já é ser feliz.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:56

Setembro 11 2014

Soube-se, há pouco, que Paulo Bento chegou a acordo com a FPF com vista à rescisão do seu contrato. Até aqui, como costumo dizer, nada de mal para o mundo, bem pelo contrário. Aliás, tal decisão só peca por tardia, pois, como já escrevi por diversas vezes, Paulo Bento deveria ter colocado o seu lugar à disposição logo após a “nossa” indecorosa prestação no Mundial do Brasil.

Porém, é curial afirmar que não é o único culpado, pois a FPF insensatamente renovou o contrato com aquele antes da nossa deslocação ao Mundial de 2014. E, pior, de forma asinina, colocou a rescisão no patamar dos três milhões de euros.

Depois, como é lógico, mesmo com os resultados que se viram no Brasil e contra a Albânia, estava de tal modo com as mãos e os pés atados, que só restava um rompimento amigável, com a respectiva indemnização ao seleccionador, o qual deve ter saído com uma maquia apreciável.

Poderemos interrogarmo-nos se isto afecta ou não os nossos bolsos. A resposta é directamente não, mas em virtude da FPF ser reconhecida como instituição de utilidade pública e, por isso, estar isenta de contribuições, o caso repercute-se nos cofres do Estado, ou seja, indirectamente, em todos os portugueses.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:35

Setembro 11 2014

Ontem, na SIC, decorreu mais um debate com vista à escolha do próximo secretário-geral do PS e futuro candidato – sublinho candidato – a primeiro-ministro.

Desta vez, ao contrário de anteontem, António Costa preparou-se, deixou a modorra que o caracteriza e foi mais acutilante. Levou papéis devidamente estudados, mostrou que tinha aprendido a lição da véspera e, acima de tudo, deu a entender que esta luta não é uma mera passagem de modelos e muito menos algo de género “é como lavar o rabo a meninos”.

O outro António, de apelido Seguro, em função de uma maior ênfase do adversário, como é óbvio, retraiu-se e a polémica foi, por isso, mais equilibrada, podendo dizer-se que, desta vez, o empate foi o resultado final.

Aguardamos, entretanto, pelo dia 23, ocasião do próximo e último debate e, principalmente, pela votação de 28 de Setembro, data de todos os tira-teimas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:03

Setembro 09 2014

Antes de mais, reafirmo a minha insuspeita opinião sobre os dois candidatos à liderança do PS, uma vez não gostar, de modo igual, dos dois Antónios – Costa e Seguro, como é óbvio.

Todavia, por muito que não goste de qualquer um daqueles contentores, tal disputa não me é indiferente, já que, de um modo ou de outro, i.e., quer presidam ou não ao próximo governo institucional, a chefia do PS, em termos do país, é sempre muito importante.

Por isso, no debate de hoje, na TVI, entre aqueles dois políticos, para além de salientar as enormes divisões dentro da família socialista, ficou demonstrado que António José Seguro encostou António Costa "às cordas".

Vamos ver como se desenrolarão as próximas contendas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:57

Setembro 08 2014

Ontem a selecção nacional de futebol, mais uma vez, foi uma autêntica vergonha. Perder com a Albânia, senão a mais fraca das selecções europeias, seguramente uma das piores, é mais que incompetência, é falta de carácter e, sobretudo, ausência de brio profissional.

Já aquando do Mundial do Brasil, se Paulo Bento tivesse um pingo de decoro e se os responsáveis da FPF não passassem de poços de vaidade e vacuidade, a selecção de todos nós já estaria noutras mãos. Mas não! Para além de manterem o seleccionador, com o argumento, mais que falacioso, de que fomos incompetentes, mas não somos incompetentes, promoveram-no. As únicas mexidas foram a nível médico, lembrando aquele adágio “mudam-se as moscas, mas a m… é a mesma”

Voltando ao jogo de ontem e, principalmente, ao miserável desempenho dos portugueses, depois de fortemente vaiado, apesar de desavergonhadamente terem colocado os decibéis a um nível quase insuportável, com vista a abafar os gritos de revolta de quem novamente acreditou nas boas intenções dos homens da bola, Paulo Bento, na conferência de imprensa, quando questionado sobre a reação dos presentes, afirmou “os lenços brancos são algo naturais. As pessoas não estão satisfeitas e reagem deste modo. Há que aceitar com toda normalidade”. É mesmo para dizer “ora bolas”, para não proferir outra frase que, pelo seu tom vernáculo, não é conveniente usar neste espaço.

Se as palavras de Paulo Bento revelam decência, então não sei o que é a indecência.

E a FPF não tem uma palavra?

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:24

Setembro 05 2014

Considerado, em tempos, como responsável, estratega, criativo, eficaz, paciente, especialista, organizado, focado em objectivos concretos, inovador e, sobretudo, analítico, Armando Vara foi secretário de estado e ministro nos governos de António Guterres, tendo sido “obrigado” a demitir-se depois do escândalo que recaiu sobre o financiamento à Fundação para a Prevenção Rodoviária, instituição da sua lavra.

Já naquele tempo era um dos boys, a par com José Sócrates, seu grande amigo, com maior poder dentro do PS. E apesar daquela demissão forçada a sua rede tentacular não diminuiu, bem pelo contrário.

Tal assim foi que quando o seu compagnon de route, José Sócrates, foi eleito primeiro-ministro logo o nomeou para a administração da CGD e depois para o BCP.

No entanto, conforme diz o nosso bom povo, quanto maior é a subida, maior é a queda. Por isso, hoje, segundo afirmou no final da leitura da sentença do processo Face Oculta, ficou “em estado de choque” ao saber que tinha sido condenado a 5 anos de prisão efectiva. Pudera, viu que o seu poder afinal não passava de fogo-fátuo!

Ora, numa semana em que a justiça tem sido notícia pelas piores razões – reforma judicial e problemas graves no sistema informático que serve os tribunais – é bom saber que, de vez em quando, existem juízes, os quais, sem temerem o poder dos “colarinhos brancos”, proferem a sentença que é capa de primeira página em tudo o que é meio de comunicação social.

É evidente que a maioria dos condenados naquele processo, principalmente aqueles cuja notoriedade pública é maior, vai recorrer e demorarão ainda alguns anos até que a sentença transite em julgado, pelo que os arguidos continuarão em liberdade. Mas os portugueses estão certos que um dia estes verão o sol aos quadradinhos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:14

Setembro 03 2014

 

Logo de manhã ei-la ao portão do seu habitat para me saudar. Aguarda-me quando regresso dos meus afazeres quotidianos e não são raras as vezes que me acompanha ao longo de todo o dia. Então, se ouve o tractor a trabalhar é um imenso e constante latir de contentamento, pois sabe que vai sair de casa e correr livremente pelos campos.

Gosta de andar, correr, pular e brincar comigo e com aqueles com que simpatiza, uma vez que pessoas existem com quem não vai “à bola” e aí a simpatia transforma-se num ladrar mais ou menos furioso. Aliás, costumo dizer, por graça, que é através dela que escolho as pessoas com quem privo mais amiúde.

Sempre pronta ao meu chamamento, mima-me e deixa-se mimar, e a verdade é que ela não passa sem mim e eu não passo sem ela.

Sim, eu sei que o texto está um tanto ou quanto lamechas, mas há um motivo para isso. A Black, a minha cadela, pois é dela que falo, resolveu não vir dormir hoje a casa. Deve estar naqueles dias em que a presença de um cão é muito mais importante que a comida. Por isso, hoje não conto e das duas, uma: estou muito enganado ou daqui a três meses haverá mais uma ninhada de cachorrinhos.

Existe, porém, algo que lamento ainda mais: ao contrário do dono, não tem jeito para escolher as companhias. Vai com o primeiro vira-lata ou rafeiro que lhe aparece à frente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:57

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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