O meu ponto de vista

Outubro 18 2017

O fogo aparece quando a camada combustível não é destruída pela natureza ao mesmo ritmo que é armazenada, dando-se um aumento do volume das células comburentes. Quando simultaneamente diminuem os líquidos, a matéria inflamável endurece, contrai-se e daí até à ignição é … um instante.

Adicione-se a indústria do fogo – material para os bombeiros, aviões, indústria da celulose, madeireiros, entre outros -, bem como pirómanos, sem esquecer a ineficiência dos boys designados para a protecção civil, e se acrescentar a irresponsabilidade política do governo, dá, sem dúvida, o resultado que nos últimos tempos assistimos.

Agora, a paisagem apresenta a inestética de um cinzento escuro, resultado da acumulação de depósitos de cinza sobre a terra, sob a forma de pequenos nódulos que surgem sobretudo onde o fogo foi mais incisivo.

Pior, muito pior, foram as vidas perdidas. Hoje houve, por parte do governo, um pedido de desculpas. Tardio e forçado, é certo, pelo assertivo discurso de ontem do Presidente da República, não pode, porém, deixar de ser registado.

Todavia, a pergunta mantém-se: será que António Costa tem condições para continuar a liderar o governo? É que constitucionalmente ele é o principal responsável por todo este imbróglio.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:23

Outubro 17 2017

Ouvi ontem, à semelhança de muitos outros, o primeiro-ministro, na sua comunicação ao país, discorrer sobre mais uma catástrofe que se abateu sobre este rectângulo à beira-mar plantado neste último fim-de-semana.

Palavras, palavras e mais palavras. Muitas até dizer chega. Comunicação cheia de promessas até dizer basta. Zero de responsabilização e muito menos em termos de sentido de Estado.

Pelo menos até agora, não existe qualquer assunção de responsabilidade política. Afinal, tudo se deveu a ondas de calor, imponderáveis da natureza, seca extrema, bem como outros adjectivos similares.

A demissão da ministra da Administração Interna não resolvia o assunto? De todo não. Mas, pelo menos, havia alguém com espinha dorsal que assumisse o encargo político. Aliás, por muito menos, se demitiu Jorge Coelho, aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, apesar de todos sabermos que não foi ele o culpado técnico e/ou prático por tal desastre.

As contingências do clima não podem ser a fuga e a desculpa para todos os fogos, assim como a não estruturação da floresta, a qual tem décadas de atraso. Por falar nisto, corre pelas redes sociais, com bastante insistência, a ideia peregrina e desculpabilizante de que a desgraça que nos assolou neste Verão é culpa de todos os governos pós-25 de Abril. Com este e outros argumentos análogos, um dia destes ainda vão culpar o Afonso Henriques.

Para este governo e seus correligionários geringonciais tudo o que é bom é da sua inteira lavra. Algo de mau é culpa dos governos anteriores, principalmente do último, ou, então, é fruto das circunstâncias.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:05

Outubro 16 2017

São já conhecidas algumas linhas em que se estrutura o Orçamento de Estado para 2018. E, no que concerne aos docentes, o saber de tal dá mais para chorar que para rir, apesar do BE tentar branquear aquele com a promessa de nova vinculação extraordinária.

O descongelamento da carreira docente, com a perda de 10 anos – um quarto da vida profissional -, é um rude golpe nas legítimas aspirações dos professores. Aliás, a grande parte destes, com o olvidar daqueles anos, jamais conseguirá alcançar o último escalão.

Então não acabou a austeridade? Não é este um governo de esquerda, amigo dos trabalhadores e que iria reverter todas e quaisquer medidas impostas pelo mau governo de Passos Coelho? Não estamos em pleno e pujante crescimento económico?

Já agora, onde está a Fenprof? Pediu uma reunião urgente ao ME e este respondeu que, sobre esta matéria, nada tinha a discutir e que a posição daquela só servia para criar ruído. Com o rabo entre as pernas, o grande líder, Mário de seu nome próprio, apenas piou baixinho. Aliás, não foi este que afirmou: "agora sim, tinhamos um ME que olhava para os problemas dos docentes com uma visão de esquerda e que, mensalmente, iriam reunir para o avaliar"? Que classificação lhe dá?

Como dizia o outro dia Jerónimo de Sousa, "o grande problema dos nossos dias é que tudo o que dizemos fica gravado". Ao vivo e a cores, acrescento eu.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:57

Outubro 11 2017

Augusto Santos Silva, MNE do actual governo e ex-ministro nos dois executivos de José Sócrates, afirmou hoje que a acusação proferida contra este decorreu onde deveria ter ocorrido, i.e., na Justiça, tal como deve ser o respectivo julgamento, e não na praça pública ou nos media.

Sim, bem sei que este e muitos outros socialistas adorariam colocar, neste caso e à semelhança de outros, uma lei da rolha, de modo que os cidadãos permanecessem na “santa” ignorância. Aliás, Salazar também assim pensava.

Invocam, para tal, farisaicamente o estado de direito. Esquecem-se que em tal há lugar a uma imprensa livre. Obrigatoriamente, acrescento eu.

Já agora, aquele governante podia esclarecer como foi possível, ele e muitos outros, terem sido durante tanto tempo ministros de Sócrates e nunca terem dado por tantos e tantos indícios de corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de influências.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:35

Outubro 10 2017

Já o aqui escrevi por diversas vezes que à Escola em geral e aos professores em particular se pede que sejam primeiramente educadores – substituindo, deste modo, a família -, e secundariamente ensinadores das mais diversas matérias curriculares, mas também no respeitante à literacia financeira, à prevenção rodoviária, ao ambiente, à cidadania, ao empreendedorismo, entre tantos outros conteúdos.

Hoje, contudo, ouvi um expert, usando e abusando da nueva pedagogia, catedrático dessa grande escola que são as ciências de educação, afirmar que um docente, para além de possuir relevante capacidade técnica, deve ser um solucionador de problemas, e, sobretudo, deve ser versátil na capacidade de relacionamento interpessoal, na capacidade de negociação e argumentação, deve saber ler “o outro”, de modo a preparar a abordagem das questões de forma objectiva, pragmática e sempre orientada para a sua resolução.

Desculpem-me, mas não posso deixar de dizer: arre que é demais!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:06

Outubro 09 2017

Por vezes, em tom mais ou menos irónico, costumo dizer que vivemos num mundo cão. Todavia, retirando as especificidades próprias de cada época, este tempo é igual aos que viveram os nossos ancestrais, i.e., com as suas vitórias e derrotas, com as suas angústias e alívios, com os seus amores e ódios. Se me perguntarem se é um mundo cada vez mais competitivo, responderei perentoriamente que sim e no futuro ainda será mais. Por isso, os bons estudantes estão em vantagem. E por bons estudantes não se entenda apenas os que obtêm melhores notas, mas os que aproveitam as oportunidades que lhes são oferecidas.

A mobilidade profissional é uma constante e a tendência é crescente, com os grupos empresariais a espalharem-se pelos cinco continentes e as comunicações a serem, hoje-em-dia, globais. Assim, recorrer a um ensino especializado pode fazer toda a diferença. Além de potenciar a inserção na vida activa, permite tornar os estudantes capazes de efectuar escolhas acertadas e aquele é a melhor ferramenta para construir o futuro.

Oxalá os meus alunos me leiam, compreendam e, sobretudo, consigam levar à prática o que anteriormente escrevi e diariamente lhes exponho.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:09

Outubro 06 2017

Ontem, como é do conhecimento público, foram dados à estampa os resultados das Provas de Aferição (PA) realizadas durante o ano lectivo transacto. E os demagogos e irrealistas da 5 de Outubro gritaram, a plenos pulmões, aqui d’El Rei e que, como tinham previsto, o ME sempre teve e tem razão. Como de costume, nas entrelinhas, não deixaram de apontar os culpados de sempre, i.e., os professores. Aliás, não é por acaso que proclamaram que iriam proporcionar aos docentes mais formação, ou, por outras palavras, o mesmo é dizer que estes não se encontram devidamente preparados para ensinar adequadamente segundo a nova cartilha de Brandão, Leitão e Costa.

Não afirmo que toda a realização das provas de aferição siga esta linha, mas quem pisa o terreno diariamente e há muitos anos anda sofregamente a lutar por mais e melhor ensino, sabe que quanto maior é a idade dos alunos menor é a sua ligação afectiva com as ditas provas. Aquelas, como se sabe, foram importadas pela famigerada dupla MLR/Sócrates da Finlândia – arre, ainda continua a ser o suprassumo – e pelos seus paupérrimos resultados foram, pouco a pouco, abandonadas.

Ora, tal como há dez anos, também hoje os alunos, sobretudo os do 3º CEB, sabem que esta avaliação externa não conta para nada. Então, não contando para quê o esforço? Como é lógico estão-se marimbando.

Se até a maioria dos adultos só muda de atitude quando sente o peso nas costas ou no bolso, o que esperar de um jovem de 13 ou 14 anos, que frequenta o 8º ano, quando sabe a priori que as PA não o efecta em nada?

De uma vez para sempre, deixem-se de malabarismos - eduquês de trazer por casa - e reponham o ensino à séria.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:15

Outubro 04 2017

A vitória que o PS obteve nas eleições do passado domingo começam a dar os seus frutos. Amargos, é certo, mas frutos consequentes da leitura que o governo rapidamente não deixou de fazer.

A desvalorização – desenvergonhada e despudorada, sem dúvida – da situação dos docentes que ilegalmente foram colocados na MI, ocorrida em 25 de Agosto p.p., bem como a demissão da directora do SEF, ocorrida hoje, são apenas dois exemplos que, não tenham a menor dúvida, se vão repetir ad nauseam.

Como, em tempos, disse um dos ministros do actual elenco governativo “quem se meter com o PS leva”. Por isso habituem-se, pois, a não ser que esteja muito enganado, serão, pelo menos, mais seis anos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:46

Outubro 02 2017

Dizer que o PSD sofreu ontem uma hecatombe monumental e o PS uma retumbante vitória é chover no molhado. Já todos o sabem e, por isso, não interessa estar a repetir. Importa, pois, ver quais as consequências de tais resultados, sobretudo para a área da Educação.

Assim, o reforço popular com que foi brindado o governo, faz este sentir-se com maior legitimidade para impor aquilo que acha que é a sua verdadeira matriz. Por exemplo, a municipalização vai avançar e em força. O ME quer e os municípios ainda o desejam mais. Não tardará muito para que até os docentes estejam debaixo da alçada destes últimos. Coloquem as barbas de molho. Pode não ser nesta recta final da presente legislatura, mas, pelo andar da carruagem, a maioria tão ambicionada pelo PS está-lhe praticamente no colo. Depois serão favas contadas.

Outra questão será a aposentação dos docentes. Apesar de se saber que apenas 0,4% dos docentes têm menos de 30 anos e que a maioria tem mais de 50, a justa reivindicação de uma aposentação plena, para quem tem 60 ou mais anos de idade e 40 de serviço, não avançará.

Ah, evitemos de nos queixar uma vez que não foram os espanhóis que deram tal prenda a António Costa e a Mário Centeno.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:30

Setembro 29 2017

Em cima da hora de fechar mais uma campanha para as eleições autárquicas, sem tabus, vamos falar delas. É certo que a política jamais deixará de existir. Que anda pelas ruas da amargura é algo que poucos contestam. A culpa é sobretudo dos políticos, mas também dos cidadãos, daqueles que votam e principalmente daqueles que, ano após ano, não colocam os pés numa assembleia de voto, mas não deixam de criticar fortemente quem foi eleito.

Sim, a forma de fazer política alterou-se essencialmente no que concerne ao ónus da sua concretização. Se no passado a responsabilidade parecia exclusivamente das instituições e estas condicionavam a carreia daqueles que as serviam, hoje o gestor público, governamental ou autárquico, está no centro da decisão, devendo contribuir activamente para a prossecução do bem da res publica, o que, infelizmente, em grande parte, não o faz.

O prestígio, a segurança, as condições económicas e a estabilidade de que gozam os nossos políticos deviam, cada vez mais, caminhar para a autoconfiança e o desenvolvimento de competências que se adequassem às necessidades dos governados. É verdade que os políticos, quando querem, são capazes de se superarem, de se adaptarem e de se reconverterem dia após dia e isso, com toda a certeza, não é necessariamente motivado por um descontentamento latente, mas antes por uma vontade indomável de progredir e de bem-servir.

Todavia, os políticos esquecem-se ou fazem-se esquecidos de que têm um histórico, o qual não se confina apenas ao seu passado. Há muito mais futuro pela frente. Fazer política é muito mais que ser presidente ou vereador, tanto mais que ninguém estuda para ser tal. É essencial contribuir para a sociedade, é preciso relacionar-se com os outros quando estes interagem em diferentes papéis, é necessário ganhar mais mundo mesmo sem sair do seu país.

O contributo do político não deve estar relacionado com o vínculo contratual, mas sim com a oportunidade de desenvolver e de ganhar experiência para a colocar ao serviço do bem comum. O que é fundamental é a valorização das pessoas, garantia legal e social, mesmo que se trate de uma experiência temporária. Aliás, a política deve ser a prazo e não uma forma de vida. Ninguém deve ser político, mas estar na política.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:54

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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