O meu ponto de vista

Abril 01 2015

Página em branco e uma força incontida para que a mesma seja preenchida. Mas escrever sobre o quê? A questão, a pergunta persiste insistentemente e baila na minha mente vai quase para uma hora e digo-vos, meus caros leitores, que, sinceramente, as ideias surgem e de imediato são colocadas de lado.

A política hoje não me desperta a atenção que é habitual; sobre religião escreverei nos próximos dias; o desporto em geral e o futebol em particular não têm novidades suficientes para lhe dedicar tempo; os sentimentos e as relações afectivas não têm, hoje, energia e motivação suficiente para que as palavras surjam de forma elevada.

Desisto. Vou reler "Jesusalém" de Mia Couto.

Em suma, esta é uma crónica que, afinal, não o chegou a ser.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:11

Março 31 2015

Sim, eu sei, que nem todos os dias sou original, i.e., por vezes me repito, tanto nas palavras, assim como nas ideias.

Sim, eu sei, que não posso sequer almejar chegar aos calcanhares dos grandes escritores que todos leem, dos poetas com nome gravado na pedra e/ou pensadores que a maioria cita.

Sim, eu sei, que não será por aquilo que escrevo que, fundamentalmente, um dia me recordarão.

Fruto muito mais de teimosia do que valor, sou o que sou, homem, infelizmente, com mais defeitos que virtudes. O barro de que sou moldado, o cadinho que me fez enquanto liga, ainda por cima, foram e, desfortunadamente, continuam a ser imperfeitos.

Uma coisa é certa: a absoluta genuinidade é algo intrínseco e, sobretudo, sentimental. Amando, desamando – nunca odiando, porém -, dando-me incondicionalmente ou, em alternativa, recusando liminarmente o rastejar, amigo discricionário, sem datas e muito menos assente em números, mas sim por nobres atitudes e valores, eis este vosso pobre escriva – a sério, não o entendam como excesso de humildade – nu e cru.

É com esta sinceridade, ou melhor, com esta assertividade que festejo as alegrias. É através desta forma de viver que tento esquecer tristezas e afogar as mágoas da derrota que o dia-a-dia me impõe.

E é, assim, que consigo falar de sentimentos e de emoções que, em turbilhão, se encadeiam.

publicado por Hernani de J. Pereira às 01:23

Março 25 2015

Têm sido dias muito frios. É um dado adquirido e, por isso, inquestionável. Aliás, todos aqueles que por dever andam na rua têm sentido as baixas temperaturas e, sobretudo, o vento cortante que, principalmente, à tarde vem fazendo-se sentir. Para agravar, amanhã, segundo as previsões, vai chover. E logo eu que queria lavrar para no dia seguinte semear milho.

Valha-nos que na próxima semana, pelo menos durante os primeiros dias, virão aí uns dias de Verão antecipado, com temperaturas a rondar os 30 graus. Bom para ir à praia!

Sentir a textura da areia, a frescura da água – bem talvez esta dispense – e o calor dos raios de sol é uma experiência que a maioria tem saudades. Se a isto juntarmos um robalo escalado, grelhado na brasa, e acompanhado de um bom vinho branco, então o prazer dobrará certamente. Se ainda juntarmos uma bela companhia, então será o paraíso na terra.

As roupas frescas e claras, a toalha de praia, os óculos de sol e o protector solar já estão a postos.

Só espero ter tempo para até lá fazer a aludida sementeira, pois caso contrário … lá se vai o bronzeado de Páscoa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:32

Março 23 2015

Tantas coisas belas que perdi e outras que ganhei sem ficar com um único registo, a não ser o da memória, a qual com o avançar da idade, é impermanente.

Como gostaria de ter registado, em imagem e/ou som, as sensações, as formas, as cores, as feições e os modos, as aparências, os laços, as intuições e feitios, bem como ter fixado, para a memória futura, instantes de (in)felicidade eternos, estados de espírito plenos  e alegrias/tristezas irrepetíveis.

Os amores e desamores de uma vida guardados no colo adormecido de um registo qualquer far-me-iam recordar a herança que começa a desvanecer-se. E como recordar é viver novamente, cada passo e cada conquista seriam modernos ângulos reflexivos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:36

Março 20 2015

Hoje, sexta-feira, dia 20 de Março de 2015, foi ocasião para comemorar vários acontecimentos. Começo, então, por aqueles que mais projecção mediática suscitaram.

O Dia da Felicidade, sinceramente, deixa-me desconcertado. Não é o melhor termo, mas, de momento, não encontro outro melhor. Não entendo! Este dia, por direito, não deveria ser diário? Em todos os dias não devíamos ser felizes? Em princípio sim, mas … Tal como Dia do Pai, da Mãe, da Mulher, da Criança, entre tantos outros? Existe razão para comemorar tais? Tenho as maiores dúvidas e, por isso, pouco ou nada me dizem.

Quanto ao início da Primavera, a agulha já muda de eixo. É uma data que, meteorologicamente, até pode, por vários dias, nada modificar no nosso dia-a-dia, i.e., fazer sol ou chover ou ainda continuar a fazer frio. Acontece, porém, que em termos da Natureza a mutação é substancial. Não que isto seja observável no dia-a-dia das zonas urbana, mas no mundo rural tal é, facilmente e a olho nu, constatável.

Por último, o Eclipse Solar. Praticamente não dei por ele. Por um lado, devido à falta de ferramenta – atenção, não é aquela que estão a pensar (!) - adequada não consegui visualizar convenientemente o fenómeno. Por outro lado, mesmo que tivesse o instrumento apropriado, as nuvens, de certo modo, impedir-me-iam de observar, nas melhores condições, aquele.

Resta-me a consolação de que esta rara ocorrência se irá repetir quando este vosso criado fizer 69 – anos, entenda-se -, ou seja em 2026. Se conseguir fazer os 69 (!!!), prometo apetrechar-me devidamente para estar à altura da ocorrência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:04

Março 19 2015

Sim, eu sei – não é o refrão de uma canção – que em 2030 pouco farei em termos profissionais e o mais certo é estar em qualquer lar rodeado por outros seniores – mais uma palavra a integrar o léxico do politicamente correcto –, jogando às cartas, conversando e/ou vendo televisão.

Porém, para quem chegar àquela data em plena idade de trabalho e, sobretudo, para os jovens de hoje, será conveniente atentar num recente estudo designado “Empregos 2030”, realizado pela fundação sem fins lucrativos Canadian Scholarship Trust Plan, o qual elenca as 41 profissões emergentes num futuro a médio prazo.

A empregabilidade, asseveram os autores do estudo, é assegurada, bastando, para isso, que os proto-candidatos se preparem antecipadamente para o que o mercado precisará. Com a constante evolução tecnológica e sociológica altera-se também o mundo do trabalho. Como a História nos ensina, muitas foram as profissões que se extinguiram para dar lugar a outras capazes de dar respostas às necessidades das sociedades, em constante e rápida mutação.

O estudo procurou antecipar o futuro do mercado de trabalho em cerca de 15 anos e alcançou um conjunto de profissões completamente inesperadas, das quais a maioria nunca ouviu falar mas que provavelmente ouvirá em breve. Refiro o nostalgista, o kinesiologista geriátrico, um conselheiro de robôs, um designer de resíduos, de entre muitas outras.

Poderá dizer-se que se trata de um trabalho estritamente visionário, impossível de confirmar. É verdade. Mas se pensarmos como está a mudar o panorama das carreiras, as novas vocações que surgem dia após dia, tal tarefa não é de todo despicienda.

Seria fastidioso estar, neste espaço, a listar todas as referidas 41 profissões, mas o mais curioso (ou talvez não) é que a primeira profissão do futuro é trabalhador agrícola.

 

P.S. – Aos interessados poderei, caso o solicitem, fornecer a mencionada lista com todas as profissões.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:02

Março 17 2015

O governo prepara-se para cortar nos suplementos remuneratórios da função pública, algo que já vem com atraso de muitos anos. O documento com 91 páginas (!!!), publicado ontem no site da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), ilustra bem a quantidade de dinheiro - a maior parte supérfluo, gasto por uma casta privilegiada -, i.e., superior a 700 milhões de euros, chegando ao cúmulo de haver um adicional para motoristas que lavam os respectivos carros nas horas em que não conduzem.

A discussão ainda agora começou e, por isso, muita água vai correr debaixo das pontes até vermos quem perde os aludidos suplementos.

O certo é que, no caso concreto das direcções escolares, senão todas, pelo menos aquelas com maior visibilidade mediática, estão a ameaçar deixar o cargo no caso daquele suplemento lhes ser retirado.

Ora, se tal vier acontecer - o que, sinceramente, não acredito num único caso – duas situações se colocariam:

  • Na maioria das escolas os docentes e não docentes agradeceriam;
  • Não faltariam candidatos para o lugar, havendo mesmo alguns que não se importariam de pagar para ocupar tais funções.

Por último, é conveniente recordar que a grande quebra nos salários, ocorrida nos últimos anos, se verificou nos jovens quadros, os quais, na sua maioria, licenciados e que se encontram como assistentes e operadores disto e daquilo, os designados trabalhadores de 500 (euros). E mesmo os raros que conseguem emprego na sua área de formação vêm os seus salários rondarem os 800 euros, pelo que aqueles suplementos, não digo todos, mas alguns são um atentado à dignidade de tantos outros.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:22

Março 16 2015

Pois é. Trata-se de uma grande realidade, mas comumente muito esquecida. A riqueza que constitui o património de cada um não pode e muito menos deve servir para evitar o triste destino de recurso fácil para salvar situações de aperto financeiro.

A necessidade de liquidez, tão necessária à maioria das famílias não pode, de modo algum, passar, repito, pela liquefação do respectivo património. Isto tem de ser compreendido, em primeira linha, por quem deveria e deverá assegurar o financiamento da economia, impedindo, deste modo, soluções emocionais que a ninguém, em boa verdade, aproveita

Na hora de certos apertos, quem venha a ser forçado a olhar para o seu património como última tábua de salvação, do género vão-se os anéis, mas ficam os dedos, corre o risco de agravar a situação vivida sem sequer se salvar.

A tentação de negócios rápidos, fruto dos aludidos apertos, e que parecem aliviar situações difíceis de momento, tem retornos de médio e longo prazo que se revelam, muitas vezes, irreversíveis e nada atractivos.

Sobre este tema, o outro dia li que Getúlio Vargas, nos anos trinta do século passado, comprou e mandou queimar – e assim travar a quebra abrupta de preços – 18 milhões de sacas de café que estavam em stock na cidade de S. Paulo, revelando coragem e lucidez, apesar da enorme polémica que tal medida gerou.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:10

Março 13 2015

A escolha, enfim, chegou! E, segundo fontes bem informadas – bem, também não se trata de nenhum segredo de polichinelo – a pergunta teve como resposta o sim a uma eventual recondução. Aliás, a interpelação, face ao prescrito na legislação aplicável, tinha de ser obrigatoriamente feita.

Sou daqueles que se sentem muito à vontade para dizer o que bem ou mal lhes dá na real gana – perdoem-me a simplicidade das palavras –, pois em tempos passados, quando outros tudo comiam e calavam, bem alto ergui a voz contra alguns atropelos. Por isso, posso dizer mais: sou, nesta matéria, totalmente insuspeito.

De crítico - sempre de forma urbana, entenda-se -, pouco a pouco fui mudando de opinião, fruto de muita atenção, e, sobretudo, por saber das dificuldades que o cargo, cada vez mais, acarreta. Aliás, para alguns, e como alguém disse, “se soubessem quanto custa mandar, obedeciam toda a vida”.

Assim, sem tecer encómios, os quais são desnecessários e impróprios, e porque não se coadunam com a maneira de ser deste vosso escriba, não deixo, porém, de olhar a realidade e espelhá-la tanto quanto me é possível.

Por outro lado, sabendo que jamais recusei fazer os oportunos reparos, sempre e quando podia e devia fazer mais e melhor, penso que, neste momento, é o homem certo para o lugar certo.

Conhecedor que esta posição vai levantar celeuma e ser objecto de muitas e variadas interpretações, isto para não falar de maledicências, nada receio, uma vez tomar este posicionamento apenas tendo em conta os superiores interesses da instituição. E o certo é que quem não deve não teme. Tal como nunca estive, na vida, à espera de favores, i.e., aquilo que conquistei foi, como se costuma dizer, à custa de sangue suor e lágrimas, também agora nada aguardo. Apenas o aprazamento que a paz dá após uma posição tomada em consciência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:52

Março 11 2015

Encontrou-se em terras distantes e, de certo modo, desconhecidas, com um porto de abrigo que lhe deu o apoio necessário para se autonomizar. Não era novo para si encarar um ambiente desconhecido e um mundo de oportunidades para agarrar e, podem ter a certeza, que não se tratam de questões de emprego.

É-lhe estimulante e desafiante ter de construir algo a partir do zero. Talvez seja um “descobridor destes tempos”, à semelhança dos descobridores do passado que hoje se designam por empreendedores.

É necessário reconhecer que nem todas as pessoas se adaptam a um desafio desta natureza e abordar tal situação exige muito foco no objectivo pretendido, persistência e jamais admitir a desistência.

O contexto em que se desenvolvem as relações aconselha a um estudo detalhado em termos culturais, sociais e, sobretudo, afectivos, acautelando, deste modo, o conhecimento sólido sobre variáveis como a segurança, habitação e cuidados mútuos.

Não menos importante foi obter a máxima informação sobre tudo o que os rodeiam, os gostos, o modo de ser e estar, bem como outros dados para uma melhor gestão da relação, nomeadamente se a oportunidade em cima da mesa pressupõe um novo projecto de vida e num um curto assignment de curto prazo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:30

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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